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II. KURAMSAL ÇERÇEVE ĠLE ĠLGĠLĠ ÇALIġMALAR

3.5. Veri Toplama Araçları

Pode-se afirmar hoje que a Church Missionary Society e outras instituições missionárias europeias que atuaram na África ultrapassaram as barreiras do trabalho religioso e atuaram simultaneamente com as ações do colonialismo inglês. Tal condição com o tempo auxiliou a expansão missionária dentro do universo colonial e levaram a ações coloniais que por sua vez foram fundamentais para o estabelecimento e sucesso das missões como afirma Eric Hobsbawm28. Segundo este autor, o século XIX foi um período clássico dos empenhos

dos missionários. Hobsbawm afirma que o trabalho missionário não foi intermediário da política imperialista e que muitas vezes se opôs às autoridades coloniais. Porém, o sucesso da empreitada das missões em busca da evangelização e expansão do cristianismo se deu em função do avanço dos imperialistas. É indiscutível, para ele, que a conquista colonial abriu caminho para a expansão e efetivação do trabalho dos missionários, usando como exemplo Uganda.

Tal condição pode ser confirmada nos ideais de participação no meio político por parte dos missionários anglicanos da CMS e ainda podem ser observados no acordo com o legado deixado pelo secretário desta instituição até 1872, Henry Venn. Este homem foi fundamental para que nos anos seguintes a instituição traçasse seus planos para se efetivassem seu trabalho e consolidarem-se naquele espaço. Isto fica evidente no trabalho de Tudor Griffiths29 que em

seu artigo aborda a respeito do período em que o Alfred Tucker fora o Bispo de Uganda, momento este que coincidiu com a implantação do protetorado britânico. Neste artigo traz algumas informações a respeito de como era a relação, ou pelo menos deveria ser, entre o governo britânico e as missões da CMS.

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USOIGWE, Godfrey. História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935 editado por Albert Adu Boahen. – 2.ed. rev. – Brasília : UNESCO, 2010. p. 21.

28 HOBSBAWM, E. A Era dos Impérios, 1875-1914. 3ªed. RJ: Paz e Terra, 1988.

29 GRIFFITHS, Tudor. Bishop Alfred Tucker and the Establishment of a British Protectorate in Uganda 1890-94.

A influência de Henry Venn como secretário da CMS até 1872 sob o bispo Tucker fora nítida durante seu episcopado em Uganda, quando havia um acordo para que os missionários não interferissem nos assuntos políticos da região com relação às ações do governo britânico na África. Porém, deve-se ressaltar que a não interferência de Venn não era totalmente observada, pois em alguns momentos, os princípios cristãos contrariavam a política britânica que, muitas vezes passava por cima dos ideais missionários que combatiam explorações excessivas aos locais, condição não aceita pelos religiosos membros da CMS.

Apesar da orientação de afastamento com relação aos assuntos essencialmente políticos que ficavam aos cuidados das autoridades seculares e dos chefes ingleses, os missionários da CMS e funcionários ingleses conviveram num mesmo espaço. Eles envolviam-se com a política ora concordando ou omitindo-se e ganhando o apoio e a segurança do governo inglês para efetivarem sua presença ora com pequenas ressalvas a respeito do que era considerado abuso sob o território e sua população. De acordo com as instruções de Venn, um missionário só poderia se envolver politicamente, por exemplo, no caso de escravidão, denúncias ou atentados aos princípios máximos de justiça, humanidade e dever cristão, sempre com discussões entre eles e principalmente na presença do missionário mais experiente. Ele enfatizou que o missionário deveria sempre que pudesse, evitar partidarismo político da mesma maneira que deveria ser cordial e cortês na apresentação de seus casos. As instruções de Venn eram no sentido de evitar envolvimento político por parte dos membros missionários da CMS ao mínimo, mas não sem excluíam a possibilidade de que algum envolvimento que pudesse ocasionalmente ser necessário.

Quando ele escreveu em 1860, a maioria dos missionários da CMS trabalhavam em áreas onde havia algum nível de controle político britânico e os exemplos que ele deu de aprovação no envolvimento de missionários em questões políticas, em todos os casos, eram daqueles que de alguma maneira estavam relacionados a áreas e à situações onde a queixa foi expressa contra as autoridades britânicas. Venn foi menos enfático e até de certo modo omisso com os questionamentos sobre as relações políticas dos missionários da CMS do que com governos não-cristãos e não-europeus.

Para os membros da CMS, as relações com o governo, apesar de por vezes estarem envolvidas em pequenos conflitos locais, aconteciam relativamente sem grandes problemas. Era claro para os próprios missionários que os representantes do governo britânico faziam parte da nação intelectualmente “mais preparada” e que conduziria de maneira efetiva Uganda, para a prosperidade. Tal ideia combinava um plano de salvação do legado bíblico “amaldiçoado” imposto à África e que será tratado mais a frente. Tal assertiva se baseava no

pensamento eurocêntrico de época, bem como a crença na influência da cor da pele branca para obtenção do status de “civilizados” que esteve presente em todo o século XIX com a teoria da superioridade branca, nada melhor do que associar o avanço intelectual dos ingleses com o avanço do cristianismo com a atuação dos missionários.

Uma outra particularidade nas missões religiosas inglesas era que o participante pagava para participar da missão. O oferecimento de dinheiro para participar dessas missões se deu ainda com os primeiros missionários membros da CMS para que pudessem fazer parte daquela empreitada em 1876. Estes recursos mostraram-se fundamentais segundo o entendimento da CMS.

É interessante ressaltar que o tema e a instituição são absolutamente atuais, visto que a religião cristã sempre foi um importante componente no processo de “civilização” trabalhado pela ideologia europeia tanto na África quanto na América. Contemporaneamente a CMS que fundada em 1799 continua existindo, levando influências de um grupo e de um Estado até os dias de hoje em diversas regiões espalhadas pelo mundo, inclusive mantendo missionários em Uganda e enaltecendo os feitos de suas gerações passadas da qual faz parte a que estudamos neste trabalho. Hoje um terço da população de Uganda segue o cristianismo pelo fato das ações evangelizadores protestantes terem propiciado o cristianismo reverso, desenvolvido com suas particularidades dentro do território.

1.4 O Imperialismo inglês, o protestantismo e algumas teorias afirmativas do