2003 Yılında Türk Bankacılık Sistemi Banka ve şube sayısı
4. Vergi Kanunlarına İlişkin Düzenlemeler
No dia 11 de setembro de 2012, na cidade de Várzea Paulista, policiais da ROTA mataram nove pessoas e prenderam oito em uma chácara na zona rural do município. Segundo a assessoria da Secretária da Segurança Pública58, uma denúncia anônima chegou ao setor de inteligência do batalhão relatando que, numa chácara, integrantes de uma “quadrilha” realizariam um julgamento informal, no qual oito integrantes da “quadrilha” deliberariam sentença sobre um suposto abuso sexual.
Para esta ação, foram mobilizados dois pelotões de ROTA, com quarenta policiais em dez viaturas, que saíram da Capital e chegaram à cidade em torno das 16 horas. No endereço apontado na denúncia, os policiais teriam se deparado com dois carros em “fuga”. Uma parte das viaturas fez o acompanhamento dos carros e a outra parte do pelotão continuou no local. Segundo informações da ROTA, os criminosos dos dois carros teriam atirado contra os policiais, que, por sua vez revidaram,culminando na morte de dois suspeitos e na prisão de outro. No outro veículo, dois suspeitos morreram e outros dois foram presos. Na chácara, teria havido confronto entre “criminosos” e policiais da ROTA, culminando na morte de cinco pessoas e na prisão de outras cinco. No local, os policiais teriam encontrado drogas e armas.
57
ONDA de violência derruba Secretário da Segurança Pública de São Paulo. São Paulo, 21 nov.
2012.Disponível em:
<http://www.bbc.co.uk/portuguese/ultimas_noticias/2012/11/121121_secretario_seguranca_jp_rn.shtml>. Acesso em: 12fev. 2013.
58RECEBIDA à bala, Rota desbarata “tribunal” do crime em Várzea.Secretaria de Segurança Pública do
Estado de São Paulo. [S.l]: 11 nov. 2012.Disponível em:
Segundo o que foi anunciado na imprensa59, o irmão de uma jovem, supostamente vítima de estupro, acionou os homens que comporiam a “quadrilha” – ou “organização criminosa” – pedindo que o rapaz acusado de estupro fosse punido pelo atentado. Reuniram-se nesta chácara os oito homens que se encarregariam das deliberações sobre o julgamento informal: a suposta vítima, seus pais, seu irmão (“denunciante”) e o “acusado”. Segundo relato,o “acusado” foi “absolvido” e a própria “vítima” havia imputado ao irmão um exagero na “denúncia”, tendo ocorrido entre os dois só um “forte abraço”. Ainda segundo a reportagem, a família da menina deixava a propriedade quando a ROTA invadiu o local e houve o “confronto” no qual os oitos homens que realizaram o julgamento e o rapaz “inocentado” foram mortos.
O processo da ação da ROTA em Várzea Paulista corre em segredo de justiça, por esse motivo, o acesso ao processo para estudo foi realizado junto à Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo60. O registro do Boletim de Ocorrências (B.O) nos permite um aprofundamento sobre os fatos, e alguns deles contradizem as informações veiculadas pela imprensa. Nos documentos como um todo, podemos verificar que, dado o contexto em que o caso se insere, fez com que se produzisse muito mais “papel”, ao contrário do verificado no caso de Itatiba. As informações constantes nos documentos do caso de Várzea Paulista indicam que a ROTA teria obtido as informações sobre a “reunião do PCC” através de uma “investigação”. Entretanto, em nenhum momento das narrativas, seja dos policiais civis ou militares, há qualquer aprofundamento sobre como a “apuração” das informações se deram, nem quem e que órgãos estavam envolvidos nessa “investigação”.
As tipificações apresentadas como motivos do registro do B.O são sete: homicídio doloso; tentativa de homicídio (caracterizados “crimes contra a pessoa”); quadrilha ou bando (“crimes contra a paz pública”); uso de documento falso (“crime contra a fé pública”); resistência (“crime contra a administração pública”); porte de armas e entorpecentes sem autorização (“legislação penal extravagante”); e captura de
59
GODOY, M; CARDOSO, W. Rota invade “tribunal do crime” e 9 morrem em Várzea Paulista (SP). O
Estado de São Paulo. [S.l]: 12 set. 2012.Disponível em:
<http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,rota-invade-tribunal-do-crime-9-sao--mortos-e-comando- da-pm-ve-acao-legitima-,929196,0.htm> Acesso em: 25 set. 2012.
60 Agradecemos a imensa ajuda de Giane Silvestre, pesquisadora do GEVAC/UFSCar e doutoranda do
PPGS-UFSCAR, que sem o seu desprendimento e colaboração não teríamos acessado as informações por ela coletada. Compartilhamos o estudo desse caso que ela o realiza em sua pesquisa O controle social estatal em face da nova organização do “mundo do crime”, em andamento e de grande inspiração para nós.
preso. O B.O foi registrado na Delegacia de Investigações Gerais de Jundiaí, aproximadamente cinco horas após a hora da ocorrência; o horário aproximado da ocorrência seria dezesseis horas, sendo comunicado à autoridade policial apenas às vinte uma e catorze do mesmo dia. Cinco homens, entre 24 e 32 anos, aparecem como indiciados no documento. Todos são reiterados como tendo passagens criminais, sendo que dois destes estavam “foragidos”, ou seja, estariam em “débito” com a justiça. Nenhum policial aparece como indiciado, pelo contrário, um se configura como condutor da Ocorrência, e outros vinte e sete como testemunhas, das quais vinte e quatro são policiais da ROTA. Os nove mortos durante a ação policial são categorizados como “autor/vítima”. A menina de doze anos, vítima do suposto estupro que motivou o “debate”, está categorizada como “vítima”. Cabe ressaltar ainda que, assim como no caso de Itatiba, as armas apreendidas supostamente com dos “autores/vítimas” foram apreendidas e enumeradas, descritas no BO, assim como outros objetos apreendidos como celulares. As armas dos policiais, também foram apreendidas para a realização de perícia.
No histórico do B.O, consta que os policiais da ROTA receberam a informação do setor de inteligência da Polícia Militar – e não de uma denúncia anônima como noticiado pela imprensa –, informando sobre uma reunião de integrantes da “facção criminosa” PCC. Ao contrário do que pudemos ler no histórico do B.O do caso de Itatiba, que apontava a suposição de uma reunião de “membros do PCC”, na qual a informação registrada em boletim era de “denúncia anônima”. No caso de Várzea Paulista a informação teria vindo, com detalhes, do “setor de inteligência da PM”, este tratamento textual distinto não nos parece aleatório, dado o contexto em que se desenrolou essa ação da ROTA.
Retomemos a descrição da leitura do histórico do B.O sobre a ação. A informação passada aos policiais da ROTA dizia que os membros do PCC estavam se reunindo com o intuito de “julgar” a conduta de um de seus membros, acusado de abusar sexualmente de uma adolescente. Os policiais narraram que foram ao local e realizaram um levantamento preliminar da situação. No memento deste levantamento de informações, um carro teria saído da chácara, local do encontro. Os policiais argumentam que “deram sinal de parada” ao veículo, não obedecido pelo motorista e, posteriormente, os “ocupantes do veículo” teriam desembarcado “efetuando disparos de arma de fogo” contra os policiais. Dado os “disparos efetuados” contra os policiais,
esses teriam “revidado”, resultando em dois feridos. Após esse “confronto”, mais três carros teriam deixado o local, que também não teriam obedecido a “ordem de parada”, não havendo maiores informações sobre como os policiais da ROTA conseguiram parar os carros. O histórico do B.O apresenta a narrativa de três abordagens realizadas pelo grupamento, em três momentos distintos, contudo, há um lapso de maiores informações. No primeiro carro, dos três ocupantes, dois teriam “desembarcado” atirando contra os policiais e sendo feridos no “revide”, o terceiro ocupante não teria “resistido” e foi preso pelos policiais, um desses feridos teria sido “integrante do PCC”, “julgado” por eles pelo abuso sexual. No segundo e terceiro carro, não teria ocorrido nenhum episódio de resistência, sendo todos os ocupantes revistados. A diferença entre eles, entretanto, é que no segundo veículo os ocupantes receberam voz de prisão dos policiais, por terem armas e drogas. No terceiro veículo, nenhum ocupante foi preso, nele estaria a adolescente supostamente abusada e seus familiares.
Depois, algumas equipes de ROTA entraram na chácara, no qual “ocorreram cinco episódios de resistência”, ou seja, em cinco momentos distintos “suspeitos” teriam atirado contra os policiais de ROTA. Diferentes equipes, em “varredura” do local,“depararam-se” com diferentes indivíduos, todos, sem exceção, considerados membros do PCC que teriam atirado nas equipes e sendo “feridos no revide”. O B.O ainda aponta que, dos nove mortos na ação, oito teriam sido identificados, principalmente pelos próprios policiais da ROTA, havendo também o reforço da identificação, pois, no mesmo dia, os laudos necroscópicos ficaram prontos.
O episódio gerou grande repercussão naquele dia, mas principalmente no dia seguinte, quando foram chamados a se pronunciar o Comandante Geral61 da época, o Coronel Roberval Ferreira França, o Governador Geraldo Alckmin62 e uma
61NOVE pessoas morrem e outras oito são presas durante ação da Rota em Várzea Paulista.Spresso SP.
[S.I]: 12 set. 2012.Disponível em: <http://spressosp.com.br/2012/09/12/nove-pessoas-morrem-e- outras-oito-sao-presas-durante-acao-da-rota-em-varzea-paulista/>. Acesso em: 23 nov. 2012. 62 MACEDO, Letícia. 'Quem não reagiu está vivo', diz Alckmin sobre ação da Rota.G1. São Paulo, 12 set.
2012. Disponível em: <http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2012/09/quem-nao-reagiu-esta-vivo-diz- alckmin-sobre-acao-da-rota.html>.Acessado em: 23 nov. 2012.
RODRIGUES, Artur. 'Quem não reagiu está vivo', diz Alckmin sobre ação da Rota. O Estado de São Paulo. São Paulo,12 set. 2012.Disponível em: <http://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,quem-nao- reagiu-esta-vivo-diz-alckmin-sobre-mortes-da-rota,929523>. Acesso em: 23 nov. 2012.
'QUEM não reagiu está vivo', diz Alckmin sobre ação da Rota.Folha de São Paulo. São Paulo, 13 set. 2012. Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/66027-quem-nao-reagiu-esta-vivo- diz-alckmin-sobre-acao-da-rota.shtml>. Acesso em: 23 nov. 2012.
representante do MP63. Em suas falas legitimaram a ação. O Comandante Geral declarou que havia todos os indícios de uma ação legítima por parte dos policiais e os armamentos apreendidos, de “grosso calibre”, demonstrariam a intenção dos “criminosos”. Uma representante do Ministério Público também comentou que a princípio a ação foi legítima, mas ressalvou em diversos trechos a necessidade de estudar melhor o caso, com os laudos e investigações.
O ápice, contudo, da legitimação, não só da ação da ROTA, mas também de uma política de segurança pública “militarizada”, partiu do Governador Geraldo Alckmin, cujo comentário “quem não reagiu está vivo” foi amplamente noticiado pela mídia. O chefe do executivo paulista defendeu a ação da ROTA, avaliou positivamente o resultado da operação, pois segundo ele “em um carro [tinham] quatro [suspeitos], dois morreram e dois estão vivos [porque] se entregaram” (MACEDO, 2012, s/p). Assim, igualmente ao Comandante Geral da época, o Governador afirmou “estar claro” que o local estava sendo usado por criminosos e que estes tinham armamento pesado, justificando o conflito e a resolução tomada pela ROTA.