• Sonuç bulunamadı

VERGİNİN KANUNİLİĞİ İLKESİ

Como já foi dito nos capítulos antecedentes, o foco desta pesquisa é investigar como se constitui a práxis educativa dos militantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Assim, para interrogar analiticamente essas práxis, elegemos focalizar a formação no ensino superior no nível de graduação a partir da formação e educação do MST de sujeitos egressos de duas universidades públicas: a) Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), do Curso Licenciatura da Educação do Campo; b) Universidade Estadual Paulistana “Júlio de Mesquita Filho”, Campus Presidente Prudente, do curso de Geografia.

Pela configuração do percurso de pesquisa, não houve nenhum intento em fazer um estudo comparativo nem entre as experiências dos sujeitos e nem entre os dois cursos. Nossa escolha deveu-se ao fato de esses cursos já terem sido realizados e concluídos. Portanto, nos foi oferecida a possibilidade de investigar seus egressos. A opção em pesquisar egressos desses dois cursos consagra-se na intenção de examinar como conformou a formação externa desses sujeitos. Para isso, nos pareceu pertinente pesquisar experiências de sujeitos que já tivessem passado pela graduação nas

190

universidades. Desse modo, seria possível observar melhor como a experiência formativa na universidade foi incorporada na vivência desses militantes, não deixando de lado, na análise, ver até que ponto pode-se perceber a articulação da formação externa com a interna.

Retomando aos objetivos desta pesquisa - investigar como acontece o encontro entre as práticas formativas do MST com as práticas processuais desenvolvidas nas universidades parceiras do Movimento, queremos analisar também como os projetos educativos se relacionam com os princípios e possibilitam o adensamento das práxis educativa das educadoras e educadores egressos. Ademais, queremos entender como esses sujeitos se apropriam dos conhecimentos e saberes ao se constituírem como educadores/militantes, seja no labor da luta pela produção e reprodução da vida no Movimento, seja na Universidade. Assim, poderemos esclarecer a práxis, aqui entendida como processo formativo que alia a prática e a teoria apreendidas pelos sujeitos militantes. Dessa compreensão, tentaremos colocar em relevo os elementos manifestos nas relações entre o MST e as universidades, ou seja, os tensionamentos desse encontro (SÁNCHEZ VÁZQUEZ, 2011).

A partir da categorização dos resultados da pesquisa de campo em conjunto com as leituras realizadas que embasaram os capítulos precedentes, sistematizamos o foco analítico quatro categorias, a saber: a) As constituições das parcerias, partindo da organização interna à externa do MST; b) As práticas do MST no processo formativo na Universidade; c) Os caminhos desse processo formativo entre parceiros; d) A constituição do processo formativo entre parceiros no fortalecimento do MST.

Nesta pesquisa, denominaremos essas categorias como pilares de uma espiral. Espiral porque queremos evidenciar o sentido de sustentação, movimento, ampliação, abertura e flexibilidade. Entendemos que o MST é uma construção contínua, cujo início se vincula na historicidade da luta da classe trabalhadora e cujo percurso caminha na luta pela terra e por direitos, mas não tem um ponto de chegada, pois está aberto às possibilidades de se fazer humano em um movimento dialético e aberto para a construção de uma sociedade justa em termos econômicos, políticos, sociais e culturais.

Na convivência com o MST, a espiral faz referência às trilhas que representam os caminhos (estreitos, amplos ou tortuosos) da pesquisadora, também militante deste Movimento. Já na introdução são delineadas as três primeiras trilhas percorridas por

mim e, no final deste estudo, pretende-se elucidar a última, todas inter-relacionadas, de uma forma ou de outra, com a construção dessa espiral.

Foram seis entrevistados, quatro egressos dos cursos em parcerias com a UFMG e UNESP e duas lideranças, ambas têm a função de coordenador político do MST, e dos cursos e também nas suas parcerias.

O caminho da pesquisa percorreu diferentes temporalidades e situações. O período total de pesquisa de campo foi de oito meses e deu-se em ocasiões intermitentes, compreendidas, principalmente, entre julho de 2012 a fevereiro de 2013. Somente uma entrevista se deu em fevereiro de 2014, por oportunidade do VI Congresso do MST. Nesse período ocorreram alguns fatos que valem apena ressaltar.

O primeiro, por termos escolhido egressos de duas instituições distintas e em Estados diferentes, essas universidades já foram denominadas acima - UFMG e UNESP-. Na UFMG, pesquisamos dois egressos sendo, Eliana Cristina egressa do Curso de Licenciatura da Educação do Campo e do Curso Licenciatura de Pós Graduação em Educação do Campo; e Teresinha Sabino, do Curso de Pós Graduação em Educação do Campo.

Já na UNESP também foram dois egressos do Curso de Geografia da UNESP, Enio Bohnenberg (também Liderança do MST); e Adilson Custódio (atualmente aluno do Curso de Pós Graduação da UFMG).

Por sua vez, as duas lideranças das Instâncias Nacionais do MST foram: Edgar Jorge Koling, do Setor Nacional de Educação/Coordenação Nacional do MST; e João Pedro Stédile, da Coordenação Nacional do MST.

Todos os sujeitos serão mais bem apresentados na sínese biográfica mais adiante.

O fato foi à realização antecedente pela pesquisadora de um estudo de da viabilidade financeira, em especial, na questão dos deslocamentos para a coleta de dados. Isso porque, quatro sujeitos residem em diferentes municípios do Estado de Minas Gerais e as duas lideranças, residem em outros Estados sendo: São Paulo e Rio Grande do Sul.

Procuramos resolver essa questão minimizando as despesas, com isso, buscamos realizar em espaços e encontro do próprio MST que congregavam os sujeitos. Assim, as entrevistas se deram nos seguintes ambientes: dois sujeitos da pesquisa foram entrevistados na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, São Paulo. Dois

192

sujitos foram entrevistados na Praça da Assembléia Legislativa de MG, (ALMG), no período de julgamento de Adriano Chafik44. Já uma entrevista aconteceu no Assentamento Oziel Alves Pereira, em Governador Valadares – MG, local que reside o sujeito. E como citamos acima a última entrevista aconteceu no VI Congresso do MST, realizado em Brasília no período de 10 a 14 de fevereiro de 2014.

Quanto às reações que percebemos durante as entrevistas, podemos apontar, como exemplo ilustrativo, de modo geral, surpresas em serem escolhidos com entrevistados da pesquisa; quando as reações, no que tange às perguntas os sujeitos pensaram um pouco antes de responder, no meio da fala pediam para repetir a pergunta para dar continuidade a sua fala. Porém, não percebemos que os sujeitos não tinham entendido nenhuma pergunta, talvez, quisessem se certificar se estavam respondendo corretamente o que estava sendo perguntado.

Outras reações como atitude, impostação de voz, gestos, ênfase em alguma fala, entre outras, entendemos que os sujeitos quando perguntado de alguma questão que mais o tocava ou achavam mais relevante ficavam com o olhar atento ao responder tais questões. Interessante relatar que compreendemos que as pausas eram momentos de os sujeitos se olharem dentro do contexto da práxis educativa e formativa no MST e nas universidades.

Cabe ressaltar, também, que os sujeitos ficaram inteiramente à vontade no decorrer das entrevistas, deram a entender que conheciam muito o processo de dinâmica dos cursos. A outra impressão que tivemos foi que os sujeitos sempre relacionaram as suas histórias de vida com as suas trajetórias históricas e políticas dentro de sua militância e os correlacionava-as com seus envolvimentos no MST.

Desse modo, a percepção de modo geral foi que em todas as etapas da pesquisa os sujeitos demonstraram interessados. Algumas temáticas como a defesa de suas identidades, as resistências, as responsabilidades políticas para com o processo de formação do Movimento e as dinâmicas dos cursos, deram uma entonação na voz com gravidade.

Diante de percepções tão valiosas, optamos por fazer uma breve síntese biográfica desses sujeitos, até porque eles deram autorização por escrito, conforme orientação do Conselho Nacional de Saúde, instituição responsável em aprovar os

44

Réu em julgamento pelo assassino do massacre de Felisburgo. Importante ressaltar que a ALMG é um espaço ocupado pelo MST quando realiza mobilizações em Belo Horizonte - MG.

projetos de pesquisas realizados com seres humanos. Nossa finalidade com essa biografia é mostrar quem são e de que lugar esses sujeitos falam. E, sobretudo, mostrar a ‘cara’ desses sujeitos, assim como faz o MST em sua atuação nos diversos âmbitos, que não se esconde atrás de pseudônimos.

a) Adilson Custódio, de 41 anos, iniciou sua militância em 1992 em um grupo de jovens que, segundo ele, tinha grandes aspirações de mudanças. Neste mesmo período, Adilson se inseriu no sindicato dos trabalhadores rurais, visando organizar os trabalhadores. Em 1996 entrou para o MST, através de uma ocupação de terra, hoje conhecida como assentamento Barro Azul, onde é assentado. Fez parte da turma de curso Técnico em Administração de Cooperativa (TAC) no ITERRA/RS (1997-2000) e é egresso da Turma do Curso de Geografia em Parceria com MST/ENFF, Via Campesina, UNESP e PRONERA/INCRA. Seu tema de monografia foi: Dinâmica territorial do vale do rio doce/MG: uma abordagem a partir do assentamento liberdade. Atualmente faz parte da direção estadual do MST/MG e contribui com o processo organizativo da produção e educação do Movimento.

b) Terezinha Sabino de Souza, de 57 anos, nascida no dia 08 de março, dia internacional da mulher, é filha de agricultor e agricultora. Conta que antes de entrar para o MST trabalhou na roça juntamente com a família nas terras de fazendeiros em condições de arrendatários, meeiros e terceiros. Entrou para o MST em 1994, quando o MST tinha 10 anos. O ano de sua entrada foi o mesmo da segunda ocupação do MST no Vale do Rio Doce (MG), onde hoje está o Assentamento Oziel Alves Pereira, onde Terezinha é assentada. Quando entrou para o MST, de imediato começou a fazer parte da coordenação, participar das lutas em busca da conquista do assentamento, até a conquista da terra, em 1996. Participou da marcha estadual de 1996, de Governador Valadares a Belo Horizonte, bem como da maior marcha nacional realizada pelo MST até hoje, conhecida como ‘a marcha de 1997’. Terezinha participou e participa de vários cursos de formação e educação no MST e em parcerias com instituições de ensino. Egressa do curso de Pedagogia da Terra, ofertado pela Universidade Federal do Espírito Santo (1999-2002), defendeu sua monográfica com o tema: Relação Escola e Comunidade no Assentamento Oziel Alves Pereira. Também fez o curso de especialização latu-senso “Trabalho, Educação

194

e Movimento Sociais”, através da parceria entre MST/Escola Nacional Florestan Fernandes, PRONERA/INCRA e a Escola Politécnica de saúde Joaquim Venâncio (EPSJV), da Fiocruz, (2011-2012), no qual defendeu a monografia: As práticas pedagógicas da sala de aula da professora Maria Elizabete. Em julho de 2014, momento desta escrita, estava cursando Especialização em Educação do Campo na UFMG, em fase de conclusão. Atualmente faz parte do setor de educação, e tem a responsabilidade política de ajudar a organizar as escolas do MST, em Minas Gerais.

c) Eliana Cristina, de 28 anos, morou em Belo Horizonte até o ano 2000, data de sua entrada para o MST. Quando entrou para o Movimento, foi convidada a atuar como educadora de EJA (PRONERA). Participou de vários cursos de formação de militantes do MST. A partir da experiência como educadora foi indicada para fazer magistério no Rio Grande do Sul – ITERRA em 2003, quando concluiu o ensino médio. Egressa do Curso de Licenciatura em Educação do Campo ofertado pela UFMG (2005-2010), sua monografia aborda as práticas pedagógicas da escola do Assentamento Barro Azul. Em julho de 2014, estava realizando o Curso de Especialização em Educação do Campo na UFMG e atua como educadora das séries iniciais na escola do Assentamento Ulisses (na Cidade de Resplendo).

d) Enio Bohnenberg, de 48 anos, descreve que antes de sua entrada para o MST em 1989 ajudou a construir as pastorais sociais na região de Cruz Alta (RS). Sua entrada para o Movimento se deu pela Igreja Católica, pelo movimento das pastorais, e também pelos movimentos sindicais combativos do campo. No final da década de 1980, quando se torna orgânico do Movimento, se torna também um dos coordenadores de uma grande ocupação de terras naquela região, onde ajudou a construir quatro barracões, que se transformaram na escola de 430 crianças Sem Terrinha. Em 1996 veio para Minas ajudar a organizar o MST, que se expandia para as diversas regiões do estado. Fez parte da turma de magistério em EJA no RS (2007-2008). Egresso da turma de geografia em parceria com o MST e a UNESP (2007-2011) seu tema monográfico foi: Territorialidades em tensão no Vale do Jequitinhonha: territórios de vida e territórios como recurso do capital. Atualmente mora no assentamento Oziel

Alves Pereira, (Governador Valadares) e é da direção nacional do MST, na qual cumpre a tarefa organizativa e política de ajudar a construir o Movimento.

e) Quanto aos entrevistados Edgar Jorge Kolling e João Pedro Stédile, ressaltamos os dois não são egressos dos cursos acima citados, porém foram entrevistados tendo em vista que Edgar é do Setor Nacional de Educação/Coordenação Nacional do MST e cumpre a função de coordenador destas parcerias entre o MST e universidades. E João Pedro Stedile faz parte da Coordenação Nacional do MST, e cumpre a função política, juntamente com a Coordenação Nacional do Movimento, pelas linhas de ações gerais de luta na formação, produção, educação e organização do MST.

Benzer Belgeler