A. VERGİ ADALETİ İLKESİ
3. Mali Güce Göre Vergilendirme İlkes
O PRONERA é uma política pública conquistada pelos Movimentos Sociais e aprovado pelo governo federal específica para a educação formal de jovens e adultos assentados da Reforma Agrária, para a formação de educadores que trabalham nas escolas dos assentamentos ou do seu entorno e atendam à população assentada. Atualmente sob a Coordenação da Professora Clarice Aparecida dos Santos e equipe, os projetos educacionais do Pronera envolvem alfabetização, anos iniciais e finais do ensino fundamental e ensino médio na modalidade de educação de jovens e adultos (EJA), ensino médio profissional, ensino superior e pós-graduação.
Esclarece Clarice Santos:
O programa foi criado em 16 de abril de 1998, por portaria do então Ministério Extraordinário da Política Fundiária (MEPF), num contexto de Ascenso da luta pela Reforma Agrária que aliava as condições de forte organização e mobilização dos Sem Terra por todo o território nacional à sensibilidade da sociedade brasileira em torno da causa, mobilizada após os massacres de Corumbiara, em Rondônia, em 1995, e de Eldorado dos Carajás, no Pará, em 1996 (SANTOS, 2012, P. 630).
Os movimentos sociais apropriaram desta ferramenta para trazer a público outras pautas normalmente invisíveis ou ignoradas pelas autoridades, entre elas a situação da Educação no Campo, em ausência das escolas, e a falta de educadores para as poucas que existiam, o que impunha uma condição de acesso apenas aos anos escolares iniciais, reproduzindo, nos assentamentos, a mesma lógica de negação
histórica do direito, aos camponeses, de acesso aos níveis mais elevados de escolaridade.
No ano de 2004, o Pronera, que já havia ganhado força política pelas suas ações, passou também a integrar o Plano Plurianual (PPA) do governo federal, instrumento por meio do qual é certificada a inclusão de ação específica no Orçamento Geral da União (OGU). Deste modo através do OGU de 2005, o Pronera passou a associar ao orçamento da União com prevenção de recursos para suas ações, constituindo mais um avanço na perspectiva do planejamento, uma vez expressa a publicidade e o acordo do governo em executá-las (ibidem, 2012, p. 630).
No ano de 2005, foi publicado o resultado da I Pesquisa Nacional de Educação na Reforma Agrária (I Pnera), realizada pelo Incra/Pronera, em conjunto com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), do Ministério da Educação (MEC). O estudo, censitário, pesquisou a situação de escolaridade da população e a situação das 8.679 escolas localizadas nos assentamentos e concluiu que, em média, 23% da população declarava-se analfabeta; a oferta de educação fundamental até os quatro anos iniciais atingia patamares aceitáveis, mas a educação fundamental completa e o ensino médio eram negligenciados para aquela população; e menos de 1% tinha acesso ao ensino superior (ibidem, 2012, p. 630).
Pela sua eficácia, o Programa constituiu, igualmente, novas formas de ingresso e organização do processo educativo formal. Uma das principais modificações inauguradas pelo programa refere-se à inclusão coletiva dos camponeses nas instituições de ensino. Os cursos se designam em caráter especial e são aprovados tanto pelo Instituto Nacional de Colonização da Reforma Agrária (INCRA), quanto pelas instituições de ensino, para uma turma específica. Esta especialidade amplia o conceito de política afirmativa no que diz respeito ao ingresso e continuação no sistema educativo, uma vez que o financiamento envolve, para além dos custos do curso, a cobertura dos custos de permanência dos estudantes nas instituições, como o transporte, hospedagem, alimentação e material didático-pedagógico (ibidem, 2012, p. 634).
Outro fator importante diz respeito aos tempos e espaços educativos, pela especificidade da metodologia da alternância na modalidade dos cursos de nível médio e superior. Os tempos educativos são divididos em dois períodos, tempo escola e tempo comunidade. Garante os projetos na dimensão indissociável entre os conhecimentos sistematizados no ambiente escolar e/ou acadêmico e os conhecimentos presentes e historicamente elaborados pelos trabalhadores camponeses, nos seus processos de
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trabalho de organização na qualidade de reprodução da vida no campo e na ação organizativa coletiva.
Os tempos e os espaços educativos da escola/universidade e do campo são duas peculiaridades de uma mesma totalidade que abrange o ensino, a pesquisa e as práticas, em todas as áreas do conhecimento e da vida social. Por estas qualidades Clarice ainda aponta que “o programa tem sofrido uma série de questionamentos, pela via de ações civis públicas (ACP), ou de ações dos órgãos de controle, como o Tribunal de Contas” (ibidem, 2012, p. 634).
Clarice Santos diz que o Pronera está situado tanto no campo dos resultados significativos das políticas públicas conquistada pelos movimentos sociais, bem como num ambiente de adversidade. É evidente a extensão do Pronera como espaço desta interseção entre o Estado, as instituições de ensino e os movimentos sociais, “especialmente entre estes dois últimos, pois aproxima e faz o encontro entre dois mundos historicamente apartados, dado que os processos de formação humana costumam ser apartados dos processos de trabalho” (ibidem, 2012, p. 634).
Assim, o Pronera parte do pressuposto que a Educação no Campo é um direito e se realiza por diferentes territórios e práticas sociais que acionam a diversidade do campo. É também uma garantia para ampliar as possibilidades da produção e reprodução de condições de essência da agricultura familiar/camponesa. Por isso, o programa vem fortalecer o mundo camponês como território de vida em todas as suas dimensões: políticas, econômicas, sociais, ambientais, éticas e culturais.
O objetivo geral do Pronera é:
· Fortalecer a educação nas áreas de reforma agrária estimulando, propondo, criando, desenvolvendo e coordenando projetos educacionais, utilizando metodologias voltadas para a especificidade do campo, tendo em vista contribuir para a promoção do desenvolvimento sustentável.35
E os objetivos específicos são:
· Garantir a alfabetização e a educação fundamental de jovens e adultos acampados e/ou assentados nas áreas de reforma agrária;
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Disponível em: INCRA http://www.incra.gov.br/index.php/reforma-agraria-2/projetos-e-programas-do-
· Garantir a escolaridade e a formação de educadores para atuar na promoção da educação nas áreas de reforma agrária;
· Garantir formação continuada e escolaridade média e superior aos educadores de jovens e adultos (EJA) - e do ensino fundamental e médio nas áreas de reforma agrária;
· Garantir aos assentados escolaridade/formação profissional, técnico-profissional de nível médio e curso superior em diversas áreas do conhecimento;
· Organizar, produzir e editar os materiais didático-pedagógicos necessários à execução do programa;
· Promover e realizar encontros, seminários, estudos e pesquisas em âmbito regional, nacional e internacional que fortaleçam a Educação no Campo (INCRA, 2014, P. 1).
A extensão do Pronera, após sua institucionalização também aumentou. Inicialmente era composto apenas por assentados da reforma agrária e atualmente o programa envolve toda a população do campo, ou seja, agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, acampados, trabalhadores rurais assalariados, quilombolas, caiçaras, povos da floresta e caboclos. A despeito da grande importância do trabalho desenvolvido no mapeamento das escolas e sua inclusão, identificaram-se grandes lacunas no que tange às ações voltadas para a Educação do Campo, principalmente por se tratar de um projeto em construção.
Sendo assim, em 2012 foi lançada a II Pesquisa Nacional da Educação na Reforma Agrária (II PNERA)36, com o objetivo de preencher as lacunas das ações do PRONERA. Para o mapeamento, foram listados os cursos e projetos já realizados, os educadores e disciplinas ministradas, as diversas parcerias firmadas para a realização dos cursos, os educandos beneficiados pelo programa, as instituições de ensino parceiras, as principais organizações demandantes e toda a produção bibliográfica produzida pelos educandos ou sobre as ações do PRONERA.
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Para obter informações sobre o I PNERA - Pesquisa Nacional da Educação na Reforma Agrária - VERSÃO PRELIMINAR – MDA- INCRA – PRONERA, Brasília, DF, abril de 2005. Disponível em: http://www.lepel.ufba.br/PNERA.pdf, acessado em 23 de janeiro de 2014, às 15:30 h.
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Toda essa informação está sendo armazenada no sistema de pesquisa identificada como DATAPRONERA, que reúne todas as ações do programa de 1998 - ano de sua criação - até a atualidade, envolvendo mais de 100 instituições de ensino e mais de 400 mil alunos. Com ela, também se pretende atualizar os índices educacionais dos assentamentos da reforma agrária, além da coleta de informações sobre sua repercussão em diferentes níveis.
No dia 04 de novembro de 2010 o então Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o decreto que trata da política de educação no campo e regulamenta o Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). Segundo o decreto, a educação no campo compreende desde a creche, educação infantil à graduação e sua oferta é de responsabilidade compartilhada da União, estados e municípios. A população que reside no campo compreende agricultores familiares, extrativistas, pescadores artesanais, ribeirinhos, assentados e acampados da reforma agrária, trabalhadores rurais assalariados, quilombolas, caiçaras, povos da floresta, caboclos. A esses cidadãos, a escola deve atender respeitando uma série de princípios, entre os quais se destaca o respeito à diversidade, nos aspectos sociais, culturais, ambientais, políticos, econômicos, de gênero, raça e etnia.
Segundo Clarice:
Em junho de 2009, por meio da inclusão do artigo nº 33 na lei nº 11.947, o Congresso Nacional autorizou o Poder Executivo a instituir o Pronera. Em 4 de novembro de 2010, o presidente da República editou o decreto nº 7.352, que institui a Política Nacional de Educação do Campo e o Pronera (Brasil, 2010b). A lei e o decreto constituem avanços no que se refere ao novo status conferido ao Pronera, de política permanente, instituída no âmbito do ordenamento jurídico do Estado brasileiro, sendo estes os instrumentos necessários à continuidade da política independentemente do governo em exercício (ibidem, 2012, p. 631).
O decreto atribui ao governo federal a responsabilidade de criar e implementar mecanismos que assegurem a manutenção e o desenvolvimento da educação na área rural, afim de superar a discrepância histórica de acesso, e propõe o enfrentamento de quatro problemas: redução do analfabetismo de jovens e adultos; fomento da educação básica na modalidade jovens e adultos integrando qualificação social e profissional; garantia de fornecimento de energia elétrica, água potável e saneamento básico para as
escolas; promoção da inclusão digital com acesso a computadores, conexão à internet e às demais tecnologias digitais.
A formação de professores que lecionam nas escolas rurais também está definida no decreto. O calendário escolar de acordo com as particularidades das atividades regionais e dos ciclos produtivos; o reconhecimento da relevância da escola multisseriada, que se caracteriza por turmas de alunos de diferentes idades e graus de conhecimento na mesma sala e com um único professor; e a pedagogia da alternância (combina atividades intensivas na sala de aula com práticas na propriedade) estão contemplados no decreto. Para receber assistência técnica e as transferências voluntárias de recursos do governo federal, o decreto orienta estados e municípios a incluir a educação no campo nos seus planos estaduais e municipais de educação.
Os planos de que trata o decreto devem ser construídos a partir do Plano Nacional de Educação (PNE), que o governo federal na época encaminhou ao Congresso Nacional. O objetivo do PNE era apontar as metas educacionais a serem alcançadas pelo Brasil no período de 2011 a 2020.
A regulamentação do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), executado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), define objetivos, beneficiários e atribui a gestão ao Incra.
O público do programa compreende jovens e adultos das famílias atendidas pelos projetos de assentamento do Incra, professores e educadores que atuam no programa, famílias cadastradas e alunos dos cursos de especialização do Incra. Na atividade de gestão, coube ao instituto coordenar e gerenciar os projetos, produzir manuais técnicos para as atividades, além de coordenar a comissão pedagógica nacional.
Neste processo de construção do Pronera, em seus 16 anos:
Entretanto, há de se reconhecer seu limite no contexto das lutas e das disputas na perspectiva da construção de uma nova hegemonia, também no campo da educação, uma vez que mudanças profundas na educação pública brasileira se farão por meio do envolvimento de todos os interessados na educação pública – e, mais especificamente, na educação pública que interessa aos trabalhadores, na perspectiva das transformações (SANTOS, 2012, p.635).
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Enfim, o Pronera constitui-se, como uma política pública legitimada, por um lado, pelo estágio legal, do cumprimento do seu papel a ela destinado em fazer valer a aplicabilidade em relação às políticas educacionais executadas pelo Ministério da Educação, pelos estados e municípios, e, por outro lado, como um dos instrumentos de emancipação e cidadania dos camponeses, pelos princípios e pela forma de implantação de seus projetos, o que dialoga com a estratégia de superação da histórica condição de subalternidade dos camponeses aos interesses dominantes, o que o coloca na condição de um território camponês conquistado, na esfera do Estado.