TEORİK BAKIŞ 3.
3.2.3.1. Venturi Aygıtının Kullanıldığı Alanlar
Em janeiro de 1746, o tipógrafo português Antonio Isidoro da Fonseca instalou uma oficina gráfica completa na cidade do Rio de Janeiro. Em Portugal, seu trabalho como editor já era consagrado, tendo sido então convidado pelo governador do Rio de Janeiro para desenvolver a editoração no Brasil. No mês de maio do mesmo ano, a Família Real Portuguesa ordenou o retorno de seu súdito e o fim dos trabalhos. Somente em 1808, com a implantação da Impressão Régia, foi autorizada a veiculação de textos não manuscritos no Brasil.
Partindo dos anos 1830, inicia-se o trabalho dos primeiros artistas gráficos na imprensa brasileira, já ingressando na fase de consolidação e equiparação, sob o referencial da imprensa européia. Naquele momento sócio-histórico, o nordeste brasileiro apresentava-se como a região intelectualmente mais desenvolvida, na qual já circulavam jornais, tanto noticiosos quanto satíricos, por conta da anterior ocupação holandesa, que trazia um modelo de colonização civilizatório.
Os primeiros registros de desenhos ilustrativos, quase estruturados como vinhetas, são recuperados na imprensa pernambucana, destacando-se dois
jornais publicados em Recife: O
C o r c u n d ã o , d e 1 8 3 1 , e O Carapuceiro, de 1832, duas
publicações marcantes no humor brasileiro. Sabe-se, contudo, que na época da invasão flamenga, várias tentativas de instalar tipografias no Brasil ocorreram entre 1630 e 1655, mas não há registros contundentes de seu êxito nem vestígios do material veiculado, apesar do amadurecimento das publicações pernambucanas “autorizadas” s i n a l i z a r u m a e x p e r i ê n c i a anteriormente adquirida. O Livro de Horas consiste em um calendário litúrgico ricamente ornado por ilustrações em ouro e cores. Era um dos poucos materiais bibliográficos permitidos no Brasil colonial, antes de 1808. Este, de autoria de Spinello Spinelli, está entre as obras raras da Biblioteca Nacional
Número 1 da Gazeta do Rio de Janeiro, que foi o primeiro periódico editado pela Impressão Régia, em 10 de setembro de 1808.
No entanto, a “capital do Vice-Reino” vai reservar para si o mérito da primeira charge: O periódico Jornal do
Commércio publica a primeira charge no Brasil, em 1837,
de autoria de Manoel Araújo Porto-Alegre, litografada por Victor Lareé, no Rio de Janeiro.
Manoel Porto-Alegre tinha um relacionamento
especialmente destacado com a Família Real, contando com sua proteção e até certa tolerância, com os gracejos que foram se enfileirando em seu periódico próprio, o Lanterna
Mágica. Fundado no Rio de Janeiro, em 1844, consolida a
relação imprensa-humor, trabalhando pioneiramente no país com toda a natureza de narrativas gráficas, dentro das possibilidades da litogravura. Porto-Alegre, que foi também pintor, dramaturgo, arquiteto, poeta e diplomata, chegou a receber do Império a comenda de Barão de Santo Ângelo. Logo, outros artistas gráficos mais mordazes e críticos viriam a lhe tirar o destaque e até tornar inviável seu periódico, que se tornara muito complacente em relação ao humor político.
O Brasil sempre recebeu toda natureza de imigrantes, sendo naturalmente premiado com levas de intelectuais e artistas que enriqueceram, e satirizaram muito, toda a natureza de nossas relações sociais e culturais. O alemão radicado no Brasil, Henrique Fleiuss, por exemplo, funda A Semana Ilustrada em 1860, um dos periódicos humorísticos de maior sobrevivência e importância no mercado editorial brasileiro. Por dezesseis anos manteve a periodicidade semanal, enfraquecendo apenas com o lançamento da publicação Revista Ilustrada, por Ângelo Agostini. Nessa época, poucos brasileiros nativos realmente dominavam as artes gráficas e isto se refletia nos autores, como o italiano Agostini, o alemão Fleiuss, o português Bordalo... As únicas exceções dignas de nota foram os trabalhos dos artistas Cândido Aragonéz de Faria e Pedro
Américo de Figueiredo e Melo.
Charge de Araújo Porto Alegre, retratando seu amigo Carlos Miguel de Lima e Silva, com uma dica sobre sua identidade à direita do desenho.
Charge de Henrique Fleiuss.
O Senhor Semana, alter ego de Henrique Fleiuss.
Alter ego de Ângelo Agostini.
José de Alencar e o Visconde do Rio Branco metem a mão em vespeiro, na charge de Pedro Américo. Alter ego de Faria.
Ângelo Agostini foi um comunicador inquieto, claramente posicionado a favor da abolição da escravatura e da república, que ia lançando novos periódicos, treinando aprendizes, estabelecendo-se em diferentes cidades do país. Ele lança o primeiro periódico paulistano ilustrado, O Diabo Coxo, em 1864. Para grande parte da população da cidade de São Paulo, este foi o primeiro contato laico com as imagens figurativas e, sem dúvida, um grande atrativo para a leitura informativa do jornal. Os mais abastados, contudo, recebiam os periódicos do Rio de Janeiro por correio, livros do exterior, ou adquiriam os chamados livros-de-horas, com iluminuras belíssimas e coloridas à mão pelos monges beneditinos. Ângelo Agostini lança
ainda em São Paulo O Cabrião, jornal humorístico que durará um ano. Posteriormente, Agostini também será um comunicador marcante no Rio de Janeiro. Após colaborar com diversos jornais fluminenses, irá fundar um novo
título,A Revista Ilustrada, em 1876.
Não foi sem razão a transferência de Agostini para o Rio de Janeiro, já que ali estava o cerne da publicação periodística do Brasil naquele momento e, principalmente, a maior parte do público leitor, que compreenderia melhor o arrojo de sua obra, pois:
No período imperial chegaram a circular cerca de sessenta revistas ilustradas no Rio de Janeiro, que misturavam, de forma peculiar, a charge com uma espécie primitiva de história em quadrinhos, numa produção extremamente rica e fértil. Mas nestas publicações não existia nenhuma preocupação com a síntese gráfica, já que havia ainda o largo predomínio de uma extensa e prolixa linguagem verbal. (SALIBA, 2002, p. 38)
Estabelecido no Rio de Janeiro, Ângelo
Agostini conseguiu nos brindar com uma contribuição de extremo interesse: A novela- folhetim Nhô-Quim, ou Impressões de uma Viagem
à Corte História em muitos capítulos, de 1869, que
constitui o que muitos especialistas identificam como a primeira história em quadrinhos do mundo, muito embora em um formato mais primitivo.
Dom Pedro II sendo deposto, em charge de Bordallo O Mosquito chuta Agostini, em charge de Bordallo.
General Glicério, chefe de Governo do Presidente Prudente de Moraes, explica seu genial plano econômico, em charge de Julião Machado.
Vinhetas de As aventuras de Nhô-Quim, de Ângelo Agostini.
De autoria de Ângelo Agostini, antecedeu em 26 anos a publicação norte-americana de Yellow Kid, normalmente adotada como primeira onde ocorrem todos os elementos da linguagem e da mídia das histórias em quadrinhos plenamente desenvolvidos.