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6. BİSİKLET TURİZMİNE DESTEK İÇİN KENTSEL UYGULAMALAR

6.4. Veledrom

Para além das práticas que não se abandonam, há também outras que se iniciam com a transição para a reforma como vimos, aliás, no caso do voluntariado. De facto, esta mudança, aliada a outros fatores, constitui uma oportunidade para se realizarem atividades de que se gostava ou que se planeavam fazer mas para as quais se dispunha de pouco tempo. Alguns reformados, por exemplo, começaram a dedicar-se a atividades mais individuais como a leitura e a pintura. Outros, para além dos voluntários, decidiram tomar o poder de iniciativa, criando eles próprios oportunidades: E10 (M/72/CDia) pediu para cultivar um pedaço de terra do lar; E2 (F/79/CDia) conseguiu juntar um grupo de pessoas para formar um novo espaço de convívio para idosos e reorganizar um grupo de cantares; E4 (M/85/CDia) organizava convívios e almoços; e E7 (M/82/Lar) recuperou tradições.

Relativamente à reorganização a nível das relações sociais, abandonam-se papéis ou desempenham-se novos no seio da família, como é o caso dos avós que se dedicam aos netos

partido comunista e o partido socialista. E dividiu as pessoas e não houve interesse por isso…Aí acabou o interesse pelas sociedades.” (E14, M/73/Dom).

e os ajudam (E2 [F/79/CDia] e E13 [F/78/Dom]), apoiando-os quer emocionalmente, quer nos seus estudos ou através da coabitação, fazendo esses reformados sentir-se úteis.

Também a nível da vida conjugal é necessária uma reestruturação. Há casos em que não existe negociação: a mulher não deixa o marido “meter o nariz onde não é chamado” e o homem continua a realizar as atividades no exterior como fazia anteriormente (Barthe et al., 1990), como é o caso do reformado E11 (M/63/Dom). Mas, em alguns casos, as tarefas são divididas e o homem assume bem esse papel:

“ (…) houve ali uma rutura com determinados hábitos, não é, que estavam

instalados. Mas eu penso que assumi o papel de ajudar mais porque tinha mais

tempo nessa altura do que… tando a minha mulher a trabalhar era natural que eu

ajudasse nalgumas funções que até ali não podia mesmo que quisesse porque não tinha tempo pra ajudar, nomeadamente nessa parte de fazer comida e ajudar ou de

ir buscar o pão ou fazer as compras” (E18, M/65/Dom).

Verificámos, inesperadamente, que a viuvez pode apresentar-se também como uma oportunidade. De facto, vimos como algumas reformadas (E5 [F/81/CDia], E8 [F/88/Lar] e E17 [F/78/Dom]) não participavam em atividades fora do domicílio quando eram casadas e só o passaram a fazer após a viuvez e a reforma. Estas mulheres dedicaram a vida ao trabalho e à casa e apenas após a reforma se dedicaram a atividades de tempos livres, como a participação em atividades de associações de reformados, a ida a passeios e excursões promovidas por diversas entidades (associações de reformados, município e Inatel).

Vimos que aqueles que têm uma rede mais alargada se envolvem em mais atividades, pelo que a rede interpessoal é essencial por esta razão, assim como pelo apoio dado e recebido. Verificámos, por exemplo, que foram familiares da entrevistada E8 (F/88/Lar) que a incentivaram a participar nas atividades da Fundação Inatel após vários anos de luto.

A importância da família na vida dos reformados é evidente quando a reformada E3 (F/86/Lar) nos diz que o Natal é o único dia que difere de todos os outros. No entanto, não o é pela festividade em si, mas antes pela companhia dos familiares:

“R- Estou aqui há quatro anos, só aqui passei um Natal. O resto tem sido em casa

dos meus filhos.

E- E o que faz nesse dia? É diferente então?

R- Sim, é por estar na minha família, não é? A comida, a gente, felizmente hoje em dia já se come bem quase em todo o lado em todos os dias. Porque no meu tempo

de nova não” (E3, F/86/Lar).

É também visível o apoio emocional dos amigos no caso dos reformados E4 (M/85/CDia) e E17 (F/78/Dom) quando ficaram viúvos. Foi esse apoio dado a esta última que a incentivou a frequentar a associação de reformados e, provavelmente, a evitar um estado depressivo uma vez que a mesma afirmou ter pensado no suicídio:

“Agora já estou preparada para estar sozinha, mas custou-me muito de princípio.

Ainda pensei em matar-me quando ele morreu, de me ver sozinha. Mas depois a Isabel52começou-me a desafiar, meteu-me ali sócia que é bom. Aquilo ali é que me distraiu assim mais. A pessoa vê-se sozinha sem o marido, aqui. É da gente perder

a cabeça” (E17, F/78/Dom).

No caso da reformada E20 (F/88/Dom) é notória a importância da vizinhança como rede de suporte, ajudando a reduzir o isolamento social e a que esta se sinta em segurança:53

“ (…) tratam-me muito bem e então têm cuidado de ver… se eu tardar de mais em

abrir as persianas da janela, eles estão logo alerta. Pois. Mesmo aqui a vizinhança é assim. Se algum dia eu que abra as persianas mais tarde, eles andam logo a ver o que é que se passa. E outras vezes, às vezes, os meus sobrinhos ligam-me aqui pra casa, se eu não estou ou porque fui a qualquer lado, eles, os meus sobrinhos, ligam

prós meus vizinhos pra perguntar se eles já me viram, se eles já me viram e se…

isto é sempre assim. De maneira que há um convívio assim. Mas isto é a rua toda” (E20, F/88/Dom).

O complemento existente entre as relações sociais informais e as familiares no que respeita ao apoio e à ajuda e a multiplicidade de trocas inter e intrageracionais (Cabral, 2013) são visíveis neste caso e no da reformada E17 (F/78/Dom), que, além do apoio emocional de amigos, tem o apoio instrumental de um filho quando se encontra doente.

Se, por um lado, existem estes que recebem ajuda, há também aqueles que, simultaneamente apoiam e ajudam os familiares, quer os descendentes (E2, F/79/CDia) trata da comida e da roupa do neto mas quando não consegue fazer algo, como varrer, pede ao neto que o faça) quer os ascendentes (E10 [M/72/CDia] vivia em casa dos pais e disse-nos “Ali estive com a minha doença e com as deles. Eles depois também tinham idade, adoeceram também e depois acabei ainda por os ajudar, é…”).

Deste modo, numa época em que o valor da independência é tão prezado, constrói-se “um ciclo de vida onde a autonomia e independência se apoiam mais do que nunca na interdependência” (Barthe et al., 1990, 40),54 em que as relações entre as pessoas se tornam indispensáveis em todos os momentos da vida.

A utilização das novas tecnologias pode ter um papel importante na manutenção da rede interpessoal porque permite manter o contacto com aqueles que se encontram fisicamente

52 Nome fictício.

53

Vemos também o caso da entrevistada E5 (F/81/CDia), que nos disse: “Lavo a minha roupa, faço a cama, vejo televisão e fecho a porta e ninguém sabe que estou lá [riso] (…). Não saio de casa. Não, não. Tenho umas vizinhas que todos os oito dias me vão ver”.

54 Tradução livre da autora a partir do texto original, onde se lê: “Ainsi se construit un cycle de vie où

mais afastados. Alguns reformados utilizam o telemóvel como um importante meio de comunicação para manter as relações familiares.55

O reformado E18 (M/65/Dom) utiliza a internet para conviver, o que lhe permitiu reencontrar antigos colegas de escola com quem há muito tinha perdido o contacto. Este reformado, que faz parte da direção de uma associação cultural, utiliza também as redes sociais, como o Facebook, para divulgar a cultura e os eventos que têm lugar no local onde vive. 56 Além disso, o uso das tecnologias pode ajudar a criar ou fortalecer laços intergeracionais, como acontece com este mesmo reformado que ajudou o seu pai a utilizar o computador para registar a sua escrita, sendo que ambos se dedicam à poesia.

Benzer Belgeler