As sessões reflexivas foram planejadas para serem realizadas na sala de aula, e ficou decidido que nós encaminharíamos juntas a realização do processo reflexivo e que em todas as sessões a sala seria organizada em círculo para haver maior interação entre todos os partícipes.
Iniciamos (Lu e Le) esse processo dia 30 julho de 2012 na classe do 4º ano do Ensino Fundamental do turno vespertino e estavam presentes 12 meninos e 08 meninas. Nesse momento, demos início à reflexão referendada no diagnóstico do estado de consciência.
Conforme extrait:
Lu - Estou aqui para apresentar o resultado do diagnóstico do estado de consciência de vocês. Mas antes de começar Le vai ler uma história:
Aluno – Eu sei, foi um papel que você deu e a gente pintou.
Lu – É isso mesmo. Mas antes de mostrar o resultado Le vai ler uma história. Precisamos que todos prestem atenção. Vamos fazer um círculo e quando todos se acomodarem, vamos ouvir a história. Le - A história é do livro O pavão do abre-e-fecha, de Ana Maria machado, observe a ilustração aqui na capa do livro (Le mostra a capa com um grande pavão azul em forma de leque). Linda, né e começa a ler:
Le começa a ler a seguinte história:
O pavão do abre-e-fecha.
Autora: Ana Maria Machado. Ilustração de Ivone Ralha Um pavão se admirava na beira do lago, se olhava na água e se perguntava:
- Sou feio? Sou bonito?
Quando via a cauda aberta em leque, toda verde, roxa e azul-brilhante, se achava lindo e elegante. Mas quando olhava para os pés e seu andar desajeitado, ficava até desanimado. E se escondia envergonhado.
Um dia, ele recebeu um convite para uma festa no céu, que devia ser ainda mais bonita que a tal do sapo. Abriu e perguntou:
- Será que isso é bom? Será que é ruim?
Sempre que precisava ter uma opinião, ficava assim. - Claro que é bom – disse o pombo-correio.
- Festa é sempre bom. E ele achou que era bom.
Abriu a cauda e ficou se admirando. Depois, ensaiou uns passos de dança. E ouviu as gargalhadas de um tangará dançarino que, bem ao seu lado, treinava para a festança:
- Que bicho mais desajeitado! Este baile vai ser engraçado.... Ficou todo sem graça e se fechou.
Aí chegou um pardal e assim falou: - Que tristeza é essa?
- É que eu danço esquisito...
- E quem vai reparar nisso num bicho tão bonito?
E o pavão, elogiado, abriu a cauda com pena pra todo lado. Mas, de mau jeito, acabou perdendo uma, lá no canto direito.
Foi uma tristeza danada. E lá ficou de novo, todo encolhido, de cara amarrada.
- Por que todo esse aborrecimento? – Perguntou o periquito, que passava nesse momento. - Perdi uma pena e isso é ruim.
- Ruim uma ova. É sinal de que vai ganhar outra bem nova. Com isso, o pavão se animou e abriu seu leque.
Aí chegou o bem-te-vi e riu muito engraçado: - Olha o pavão de rabo banguela!
Já se sabe: o pavão encolheu a cauda, tratou de sumir com ela.
E ficou assim a tarde toda, abrindo e fechando, abrindo e fechando, mudando de ideia com cada bicho que ia encontrando.
No fim do dia estava suado, cansado, de língua de fora, exausto de abrir e fechar a toda hora. Resolveu: não ia mais. Mas também não ficava ali para todo mundo rir dele. Viu uma moita e se escondeu atrás.
Aí ouviu uma conversa do outro lado:
- Nem aguento mais esperar o baile. Que festança vai ser essa...
- É mesmo! Comida boa, água fresquinha, muitos amigos e música à beça.... O pavão foi até lá, ver quem tinha tanta animação.
Não era pássaro colorido, nem dançarino, nem de boa canção. Era um casal de urubus.
Foi a vez do pavão rir deles, abrindo suas penas verdes e azuis.
- Vocês não se envergonham? Feios assim e cheirando ruim? Quando vocês dançarem, todo mundo vai sair.
Vai nada... - respondeu o urubu.- Todo mundo está mais ocupado, tratando de comer e beber, de cantar e dançar, de se ver e conversar.
Não é por isso que vou deixar de me divertir. E a urubua completou:
- E tem mais: não tem essa de feio e fedorento, não, ouviu?
Urubu é tão bonito, da cor do jamelão e do jaguar, da jabuticaba e da noite sem luar.... E quando o pavão abria o bico e se espantava, ela continuou:
- Você é que é feioso, com esse rabo escandaloso, abrindo e fechando que nem gaveta. E nem ao menos tem a cor preta.
Todo esse verde, vermelho e azul, cheio de bolinha....
Mas a última coisa que disse foi com um sorriso manhoso e olhar dengoso:
- O que vale é que você tem uns pés que são mesmo uma gracinha... E depois, isso de bonito ou feio é só questão de recheio.
Aí o pavão teve que rir.
E depois que os dois saíram voando, ele ficou pensando:
- Feiura de lixo ou beleza de artista não depende do bicho, mas do ponto de vista. Cada um é diferente e o que importa é mesmo a gente.
E lá foi ele animadíssimo para uma festa bem divertida. Ainda bem. Se não, ficava naquele abre-e-fecha toda vida.
Le iniciou a leitura do texto “O pavão abre e fecha”. Enquanto, lê à história alguns alunos discutem interferindo na sequência do texto e ao mesmo tempo criando conflito que depreciam a imagem dos colegas, demonstrando a falta de respeito do jeito de ser do outro; o menosprezo às diferenças, a humilhação, a desclassificação, intimidando os colegas, levando a descriminação, o fracasso das relações sociais gerando a violência em sala de aula. Eles passam a impressão que é a turma toda e gera uma contradição com o que vem depois. Conforme extrait abaixo:
Um pavão se admirava na beira do lago, se olhava na água e se perguntava: - Sou feio? Sou bonito?
Alunos: Boniiiito.
Quando via a cauda aberta em leque, toda verde, roxa e azul-brilhante, se achava lindo e elegante. Mas quando olhava para os pés e seu andar desajeitado, ficava até desanimado. E se escondia envergonhado.
Alunos: hahahahahahaha igual a A (aluna)
Um dia, ele recebeu um convite para uma festa no céu, que devia ser ainda mais bonita que a tal festa do sapo. Abriu e perguntou:
- Será que isso é bom? Será que é ruim?
Sempre que precisava ter uma opinião, ficava assim. - Claro que é bom – disse o pombo-correio.
- Festa é sempre bom. Alunos: festa é bom não L?
E ele achou que era bom.
Abriu a cauda e ficou se admirando. Depois, ensaiou uns passos de dança. E ouviu as gargalhadas de um tangará dançarino que, bem ao seu lado, treinava para a festança:
- Que bicho mais desajeitado! Este baile vai ser engraçado.... Ficou todo sem graça e se fechou.
Aí chegou um pardal e assim falou: - Que tristeza é essa?
- É que eu danço esquisito...
- E quem vai reparar nisso num bicho tão bonito?
E o pavão, elogiado, abriu a cauda com pena pra todo lado. Mas, de mau jeito, acabou perdendo uma, lá no canto direito.
Foi uma tristeza danada. E lá ficou de novo, todo encolhido, de cara amarrada. R diz: Feio como L.
- Por que todo esse aborrecimento? – Perguntou o periquito, que passava nesse momento. - Perdi uma pena e isso é ruim.
- Ruim uma ova. É sinal de que vai ganhar outra bem nova. Com isso, o pavão se animou e abriu seu leque.
E continua, a maioria da turma permanece atenta e participativa. Aí chegou o bem-te-vi e riu muito engraçado:
- Olha o pavão de rabo banguela!
Já se sabe: o pavão encolheu a cauda, tratou de sumir com ela.
E ficou assim a tarde toda, abrindo e fechando, abrindo e fechando, mudando de ideia com cada bicho que ia encontrando.
F diz: Banguela como M.
No fim do dia estava suado, cansado, de língua de fora exausto de abrir e fechar a toda hora.
Resolveu: não ia mais. Mas também não ficava ali para todo mundo rir dele. Viu uma moita e se escondeu atrás.
Aí ouviu uma conversa do outro lado:
- Nem aguento mais esperar o baile. Que festança vai ser essa...
- É mesmo! Comida boa, água fresquinha, muitos amigos e música à beça... O pavão foi até lá, ver quem tinha tanta animação.
Não era pássaro colorido, nem dançarino, nem de boa canção. Era um casal de urubus.
Foi a vez do pavão rir deles, abrindo suas penas verdes e azuis.
- Vocês não se envergonham? Feios assim e cheirando ruim? Quando vocês dançarem, todo mundo vai sair.
F e J interferem e Le continua a leitura, só interferindo para indagar a possibilidade de continuar a leitura.
F diz parece B que é fedorento.
Vai nada... - respondeu o urubu. - Todo mundo está mais ocupado, tratando de comer e beber, de cantar e dançar, de se ver e conversar.
E se alguém quiser, pode rir.
Não é por isso que vou deixar de me divertir. E a urubua completou:
- E tem mais: não tem essa de feio e fedorento, não, ouviu?
Urubu é tão bonito, da cor do jamelão e do jaguar, da jabuticaba e da noite sem luar.... E quando o pavão abria o bico e se espantava ela continuou:
- Você é que é feioso, com esse rabo escandaloso, abrindo e fechando que nem gaveta. E nem ao menos tem a cor preta.
J o urubu é a G. G - É você.
Le - Para e pergunta: Posso continuar! E continua. Todo esse verde, vermelho e azul, cheio de bolinha...
Mas a última coisa que disse foi com um sorriso manhoso e olhar dengoso:
- O que vale é que você tem uns pés que são mesmo uma gracinha... E depois, isso de bonito ou feio é só questão de recheio.
Aí o pavão teve que rir.
E depois que os dois saíram voando, ele ficou pensando:
- Feiura de lixo ou beleza de artista não depende do bicho, mas do ponto de vista. Cada um é diferente e o que importa é mesmo a gente.
E lá foi ele animadíssimo para uma festa bem divertida. Ainda bem. Se não, ficava naquele abre-e-fecha toda vida.
D - Diz: é professora com a gente também é assim, a gente fica só pensando se vai ficar feia ou bonita com a roupa da festa.
J - Você é muito feia. M - eu não acho.
Le - Para com isso L. Preste atenção à história! Todos nós somos belos de alguma forma. A beleza é como uma roupa, tem gente que acha feia, e tem gente acha bonita e compra.
Observamos que no início da aula há sempre um estado de ansiedade e que preciso que na rotina de sala de aula seja inserida uma situação de aprendizagem que leve a criança a se acalmar.
Pode-se perceber que o processo de aprendizagem é extremamente complexo, pois envolve aspectos cognitivos, emocionais, orgânicos, psicossociais e culturais. Tal processo é desencadeado a partir da motivação que ocorre no interior do indivíduo através do sistema límbico para obter resultados tanto no desenvolvimento da atenção como também no desenvolvimento da consciência.
Dessa forma, constatamos também a importância de nos utilizarmos da motivação para mediar o nosso estudo.
Esse primeiro momento chamamos de situação motivadora, para tanto nos utilizamos do conto para motivar, para acalmar, concentrar e abrir a possibilidade da escuta, buscando caminhos que levem os alunos a pensar, a refletir sobre seus atos e atitudes e proporcionar mudanças qualitativas ao processo de aprendizagem. No entanto, isso não aconteceu como prevíamos.
Durante o conto, a maioria da classe estava em silencio atentos a história e exatamente aqueles alunos que tem mais dificuldade e ainda não tinham adquirido o domínio da leitura ficavam insultando outros, mas mesmo assim não conseguiram causar tantos conflitos e confusões como costumam fazer.
Entendemos que a história traz consigo os laços afetivos que é o ponto de partida para o desenvolvimento do indivíduo, pois a afetividade é o que propicia a construção de valores, responsáveis pelas nossas escolhas, vontades e interesses e é o nosso ponto de partida para o desenvolvimento humano.
Conforme Mahoney e Almeida (2004, p. 18):
O afetivo é, portanto, indispensável para energizar e dar direção ao ato motor e ao cognitivo. Assim como o ato motor é indispensável para expressão do afetivo, o cognitivo é indispensável na avaliação das situações que estimularão emoções e sentimentos.
Compreendendo essa conexão entre afeto e a cognição, a partícipe tem procurado tornar o ambiente da sala de aula agradável e favorável à aprendizagem.
Dando continuidade, fizemos um comentário sobre a história e retomamos a questão do diagnóstico.
Lu comenta: Bom, gente! Que história linda! E como é bom saber que não tem ninguém perfeito. E que todos nós somos belos. E como podemos ser amigos, compartilhar alegrias e tristezas...
Olhe só, eu vou apresentar o resultado do diagnóstico do estado de consciência e digo, gostamos muito do resultado da primeira questão; todo mundo respondeu adequadamente. Todo mundo acha que é certo prestar atenção à aula. Que coisa boa. No entanto, não estão se comportando assim!
Conforme o gráfico abaixo é interessante notar que todos os alunos pintaram a gravura que representa a maneira mais adequada de assistir aula ficando claro que há um distanciamento entre o que se diz e o que se faz.
Gráfico 7–Diagnóstico da Consciência
Fonte: Cunha (2012a)
Reportando a contradição entre o saber e o fazer Lu indaga: Lu - O que há com vocês?
F- Eu acertei?
Lu - Todos acertaram.
A- Porque a gente tá conversando. G - Porque a gente sabe mais não faz. JG - Porque o desenho é assim.
Lu - Não estamos falando do desenho, estamos falando de vocês.
Quando questionados A e G se posicionam demonstrando reações impulsivas e vontade dirigida pelas emoções, evidenciando os estágios emocionais da consciência do senso comum.
Na fala de JG, ele salienta que pintou um desenho, ou seja, embora a cena seja do cotidiano escolar, para ele o desenho é algo distante da vida real, vemos que o aluno coloriu o desenho sem transpor para a realidade, demonstrando que a consciência do senso comum permeia suas ações.
Para que haja avanços é fundamental que as crianças tomem consciência do que elas estão fazendo, conquistando, que estão se apoderando do seu processo de conhecimento.
Nesse sentido, Wallon (2000) destaca a alternância existente entre as funções razão (cognitiva) e emoção (afetividade), elas estão imbricadas, uma não acontece sem a outra, mas sempre uma se sobrepõe à outra. Neste caso, ainda é a emoção que se sobrepõe, por ser vital em todos os seres humanos, de todas as idades, mas, especialmente, no desenvolvimento infantil. A afetividade está sempre presente nas experiências vividas pelas pessoas, no relacionamento com o “outro social”, por toda sua vida, desde seu nascimento.
Neste contexto, continuamos o processo reflexivo e Le pergunta: O que você acha de assistir aula prestando atenção para aprender LF?
Pintar a cena que representa a forma mais adequada para assistir aula.
LF – Eu acho certo. Mais não faço assim. Eu fico brincando. Lu - Por quê? (O aluno para. Fica calado, pensando).
L – Por que não se controla. Le - É pra ele responder.
LF – Posso dizer? Sim, eu não me controlo.
JG- Ele fica incentivando LF a não assistir aula. (Referindo-se a MV) Lu- Por que você incentiva o outro a brincar?
MV – Não sei não.
Lu continua questionando:
Lu pergunta MV por que você fica incentivando LF a não assistir aula? MV – Não. Eu só ajudo.
Lu – Isso não é ajuda. Você está atrapalhando LF, assim ela não vai aprender. E você LF? Você disse que sabe como assistir aula, porém você fica assobiando, conversando, brincando e incentivando os outros não assistir aula. (LF já tem 12 anos e ainda não sabe ler).
Lu – Saiba que só quem ensina a ler é a professora. P - Não sei ler.
MV – Ele começa prestando atenção depois não aprende e começa a brincar. Perde oportunidade de aprender.
Lu pergunta: MV por que você acha que deve assistir aula assim, prestando atenção?
LF (fica novamente em silêncio, como a cara aborrecida), e diz: Tu pergunta demais!!! O cara fica doidinho. Nãm.
Observamos que o estado de consciência de LF ainda se encontra na consciência do senso comum, pois apresenta predominância dos estágios emocionais (raiva, paixão, ódio, reações impulsivas, prazer, desprazer); caracterizada pela cara aborrecida e a expressão espontânea “[...] Tu pergunta demais!!! O cara fica doidinho. Nãm”.E outras reações impulsivas.
Em relação à consciência, esse primeiro momento está relacionado ao ato de conhecer, caracterizado pela interação dialética entre objeto cognoscível e ser cognoscente.
Corroborando com essa compreensão, Vygotsky (2009, p. 290) explica: “A tomada de consciência se baseia na generalização dos próprios processos psíquicos, que redunda em sua apreensão”. Nesse processo manifesta-se em primeiro lugar o papel do decisivo do ensino. Observamos que a criança sabe o que está fazendo, mas não tem consciência de suas atitudes e da sua capacidade, de seu potencial para aprendizagem escolar.
No caso desse estudo, embora os alunos demonstrem que eles têm consciência de si, do seu corpo, da sua existência, como também da forma de se comportarem em sala de aula
para uma aprendizagem mais eficaz, agem pela emoção, assumindo atitude pouco favorável ao aprendizado.
O autor ainda afirma em relação à consciência que “sua efetiva expressão psicológica é obtida pelo sentido interno, o qual fornece ao indivíduo tudo que se passa ao seu redor”. (RUBINSTEIN, 1973, p.131, grifo do autor). Isso está evidenciado em todo o diagnóstico, especialmente quando todos coloriram a cena mais adequada, quando na prática fazem o contrário.
A segunda Sessão Reflexiva ocorreu no dia 06/08/2012 com o objetivo de apresentar o resultado da segunda questão do diagnóstico, novamente fizemos o círculo para ficarmos face a face, para ouvir e ser ouvido, facilitando, desse modo às interações. Iniciamos com a situação motivadora para despertar nos alunos o interesse e o prazer em aprender e que levassem os alunos a se acomodarem para prestar atenção ao que íamos discutir. Le apresenta e livro - O dono da bola, de Ruth Rocha, e pergunta: O que vocês acham que vou ler aqui? J - Sei lá.
Le começa a ler a seguinte história:
Le – Alguém tem uma ideia do que vou ler nessa história? O que vocês acham que vou ler nessa história. Tem alguma ideia? Alguém tem ideia do que vou ler aqui? Gostaria assim que as meninas participassem também porque assim das meninas aqui, pois participam da aula só tem uma. Os alunos eufóricos tentar adivinhar. Atenção meninas vocês precisam participar de todas as aulas. Os meninos são os que participam mais.
M - é Professora! Viu as meninas tem nem palpite. Diga M – Ah! Acho que é porque ele é atrapalhado.
Le- Atrapalhado? Bom, já que ninguém tem ideia eu vou ler.
Observamos que Le insiste na participação e na tentativa de envolvê-los na contação de história. E, nesse momento, todos fazem silêncio e ela começa.
Le - Essa história fala sobre um menino que se chamava Carlos Alberto, conhecido como Caloca, que tinha dificuldades em ter amigos. Ele era considerado, na sua rua, como o menino com melhor condição financeira, ele era também muito egoísta, não deixava ninguém brincar com seus brinquedos.
JG – Igual a L.
L – É você que é assim.
AD – Tem muita gente assim aqui nessa classe.
Le ignora o comentário dos alunos e continua a leitura.
De vez em quando havia um grupo de amigos que jogava futebol com uma bola improvisada de meia, pois não tinham condições de adquirir uma bola de couro igual à de Caloca.
Porém, Carlos Alberto não cedia a bola, a não ser quando ele estivesse participando da brincadeira, e exigia que fosse da sua maneira. Até que, depois de muita confusão, devido suas chantagens e exigências, ele teve que sair da equipe.
L – Esse cara é muito chato. Cara folgado. Le prossegue.
E mesmo procurando outros times para se inserir, a busca foi inválida, pois ninguém o aceitava por não ter um espírito esportivo. Depois de muitas rejeições, e isolamento Carlos Alberto voltou a procurar o time da sua rua, e teve que se redimir e aceitar as exigências do grupo, que exigiu que a bola fosse doada para eles: ele não poderia levá-la embora.
LF – Bem feito. Que cara chato. Parece mesmo com JG.
Le (continua lendo). Não tendo opção, Caloca aceitou. Iniciaram os treinos para o campeonato, e venceram. Assim, Caloca permaneceu no time da rua.
Eu fico pensando nisso, dá até uma raiva, pois não faço o dever. M - Era bom que ninguém deixasse Caloca entrar no time nunca mais. Classe - Era mesmo.
Le – o importante é que ele aprendeu. É sempre bom dar uma chance para a pessoa pensar e voltar atrás, corrigir seus erros e entender que não está fazendo a coisa certa.
Agora nós vamos discutir o resultado da segunda pergunta do diagnóstico.
L – Ah! Professora só pra gente saber que tá fazendo tudo errado, negoço de tarefa que eu não fiz mesmo.
J – Eu não gosto de M. Ele é desse jeito de Caloca.
Então, gente! Vamos apresentar o resultado da segunda questão do diagnóstico. Que é: O que você vem fazer na Escola?
Nessa segunda questão, os alunos mostram que tem expectativa de futuro, de ter uma profissão, que requer estudo para atingir metas e objetivos, no entanto eles não costumam cumprir com o mínimo necessário para chegar às suas finalidades.