Dessa forma, se faz necessário dar continuidade ao processo crítico reflexivo, perguntamos.
Na terceira Sessão Reflexiva foi dia 13/08/2012 iniciamos com a história A menina e o vampiro de Emílio Carlos, nessa sessão vamos discutir a consigna para que estudam? Le começa a ler a história:
A menina e o vampiro
Autor: Emílio Carlos. Sem ilustração Era uma vez uma menina chamada Patrícia que adorava sair para brincar na rua longe da sua mãe. A mãe sempre avisava:
- Patrícia, não vá muito longe.
Mas não adiantava. Patrícia não obedecia.
Começou brincando perto de casa, com os vizinhos de perto. Logo estava brincando no fim da rua. Depois no outro quarteirão. E no outro.
A mãe saía atrás da Patrícia: - Patrícia! Hora de fazer tarefa!
E às vezes sabe o que a menina fazia? Se escondia atrás de uma árvore ou de um muro para a mãe não vê-la e ela não ter que fazer tarefa.
Um dia Patrícia saiu de casa depois do almoço. Foi brincando e brincando cada vez mais longe. E quando deu por si estava em outro bairro, sozinha, longe de tudo que ela conhecia.
Para piorar estava anoitecendo e a Patrícia longe de casa. Era a primeira vez que ela ia tão longe. - Deixe-me ver: se eu for reto aqui saio na rua do meu bairro.
E como tinha descoberto o caminho de casa começou a andar lentamente de volta, brincando pelo caminho.
A noite caiu e Patrícia continuava a andar de volta. Passou por um beco escuro e nem percebeu que dois olhos brilhantes a observavam.
A menina ia calmamente pela rua. E do beco escuro saiu um vulto que ia atrás dela. A menina andava tranquila. E o vulto a acompanhava de perto.
De repente o vulto pisou no rabo de um gato, que gritou. Patrícia olhou para trás e viu pelo rabo dos olhos o vulto se aproximar. E começou a andar mais rápido.
O vulto também começou a andar mais rápido. Patrícia apertou o passo e o vulto também. Patrícia olhou para trás e pôde ver o brilho de dois dentes caninos pontiagudos. Agora ela tinha certeza: era um vampiro que estava atrás dela!
Patrícia começou a correr. E o vulto também corria. Só que como ele era adulto corria mais que ela. E estava se aproximando rápido. Rápido. Cada vez mais rápido.
Patrícia corria, mas não conseguia fugir. O vampiro estava bem perto dela agora. Patrícia estava quase ao alcance das mãos do vampiro. E corria o mais que podia.
O vampiro até deu uma risada enquanto ia pra cima da menina. Por sorte nessa hora o vampiro pisou numa casca de banana e caiu de cabeça no chão.
Ficou meio tonto e Patrícia conseguiu chegar na rua de sua casa. Entrou em casa como um foguete e fechou a porta atrás dela. Contou toda história para sua mãe e prometeu: De hoje em diante só brinco no portão de casa.
Durante a leitura da história os alunos estavam atentos e curiosos, pois a turma gosta de falar sobre assombração, vampirismo e sobrenatural, eles querem criar um clima, fecham as janelas e ficam em silêncio.
L – Essa menina é muito abestalhada, eu metia a mão nesse vampiro. M – É. Se fosse você, você ficava logo borrado de medo.
LF – Se fosse eu dava uma voadora e esse vampiro ficava no chão. A - Tão tudo assim, mas se o vampiro aparecesse saiam tudo correndo.
Nessa discussão Le retoma: Le - Gostaram da história!
Todos: Sim.
S – Essa menina é medrosa, ela tem medo da noite.
Le – Veja bem a menina desobedecer à mãe, saindo sozinha. Ela se colocou em perigo. MV – Mais não existe vampiro.
Le- É. Mas existem outros riscos. Rapto de crianças, sequestro... Muita violência para criança e adultos. É preciso ter cuidado e a mãe conhece esses riscos por isso ela orienta os filhos para aprender a se defender do mundo. E quanto às tarefas de casa?
M – Ela era como A.
Agora, vamos retomar o resultado da questão “para que estudam”, eles não se mostram muito receptivos:
Dessa forma, quando indagamos sobre para que estudam, obtivemos os seguintes resultados. (Ver gráfico)
Gráfico 9 – Para que estudam?
Fonte: Cunha (2012a).
8 alunos 7 alunos 6 alunos
4 alunos Para o futuro
Arrumar emprego Aprender a ler Melhorar de vida
Apresentamos para os alunos as suas respostas que foram: “aprender a ler”, “melhorar de vida”, “arrumar emprego” e “para o futuro”, sendo que a maioria (15 alunos) se centrou em “arrumar emprego” e “para o futuro”.
N – Aí vem bomba, eles não gostam mesmo de estudar.
LF – Sai daí CDF. Professora, isso é muito chato, ficar só falando disso, chega dá uma agonia na cabeça. Nãm.
L – É. A gente fica pensando, pensando... É chato que só.
Durante a apresentação do resultado do diagnóstico do estado de consciência percebemos na fala de LF o desprazer em discutir e entender o resultado. Ele diz: “[...] LF –
Professora, isso é muito chato, ficar só falando disso, chega dá uma agonia na cabeça. Nãm”. Entendemos que fazê-los pensar incomoda muito, LF, L, JG entre outros, pois eles preferem ficar no comodismo e não assumir compromisso com eles mesmos e com a escola, mudando sua conduta para uma aprendizagem mais eficaz. Como afirma Freire (1989, p. 45), “[...] é fundamental que as crianças tomem consciência de que elas estão fazendo, conquistando, estão se apoderando do seu processo de conhecimento”. Esse processo acontece na interação professor/aluno, aluno/professor e aluno/aluno, e isso exige atitudes de responsabilidade e compromisso com a escola e com sua aprendizagem.
Pelo exposto, podemos constatar que os alunos não percebem a importância da escola para o seu desenvolvimento cognitivo e sócio-afetivo. Eles acreditam que a escola é só para o futuro. Dessa forma, podemos entender as atitudes dos mesmos em relação à aprendizagem. Eles se sentem crianças em uma escola que não é para agora.
Vários estudos mostraram que é precisamente durante o início da idade escolar que as funções intelectuais superiores, cujas características principais são a consciência reflexiva e o controle deliberado, adquirem um papel de destaque no processo de desenvolvimento. A atenção, que antes era involuntária, passa a ser voluntária e depende cada vez mais do próprio pensamento da criança; a memória mecânica se transforma em memória lógica orientada pelo significado, podendo agora ser usada deliberadamente pela criança. (VYGOTSKY, 2009, p. 112).
Observamos que aos poucos estamos conseguindo direcionar a atenção dos alunos através de diálogos e interações e do encorajamento para mudança de atitudes. Não é uma tarefa fácil, mas estamos empenhadas na possibilidade de mudar esta realidade.
Nessa direção apresentamos o extrait do processo de construção coletiva das normas de sala de aula na tentativa criar condições de efetivar o processo de aprendizagem de forma mais consciente, concentrando a atenção na execução das tarefas propostas:
Lu – Boa tarde!
E – Eita professora! Você precisa saber que muita gente que tá fazendo o dever. Mas precisa escrever aí nesse papel que é pra fazer o dever todo dia. V pensa que é pra fazer só a tarefa daqui. V – É não. É porque eu tava cansado. Mas eu vou fazer. Eu vou aprender, né professora.
Lu – Claro que você vai aprender. Quando a gente quer, a gente aprende.
Le – Você está se esforçando bastante e é por isso que você tá aprendendo. Tá vendo, como é bom. Você deixou de faltar agora tá se desenvolvendo muito bem.
V – Antes vim pra aula era chato. Agora eu tou ficando sabido.
M – Vai profe escreve, escreve logo. Vamos botar ordem nesse galinheiro. (vários alunos com o braço levantado querendo falar).
L – Vocês tão se esquecendo viu, botou aí tem que obedecer, eu quero é ver. Não digo nada. Depois, depois...
LF – Rapaz é mesmo, esses caras são doido. Ei JG, não é pra dizer nada não. Cara isso é pra gente também.
AD – Bota aí se interessar para aprender, isso é dever de cada um viu L. Se você se interessar você vai aprender. (L fica sério e pensativo).
Le – Olhe eu escrevi aqui no quadro o que vocês falaram, então vou ler e vocês vão levantar o braço para eleger o que eu devo escrever no mural.
Fazer as tarefas de classe (todos os presentes levantaram o braço).
Fazer as tarefas de casa (a maioria levantou o braço, 3 alunos não levantaram o braço). Lu – Por que vocês não levantaram o braço?
L – Porque é muita coisa pra obedecer, assim não dá. Lu – Mais o que a gente vem fazer na escola? L – Eu sei que tá certo, mas é muita coisa. LF – É muita coisa mesmo, Nãm. Quero não. MV – Tô pensando.
Le – Pois pense mesmo, você precisa se esforçar mais para aprender e é bom não fugir da responsabilidade.
N – Tá ficando bom professora continue. Bote aí se interessar muiiiito para aprender. Le – E aí vocês concordam? (Todos levantaram o braço).
LF – É difícil viu!
Verificamos que as discussões sobre o desempenho da turma, no que se refere as atitudes necessárias à aprendizagem, à escuta e ao compromisso, aos poucos começavam a se internalizar. Isso não ocorreu sem conflitos no âmbito individual como podemos observar no
caso dos que não votaram (L, LF e MV). Porém, após os questionamentos, estabeleceu-se o consenso e todos aprovaram o que tinha sido decidido. Então, voltamos à construção do mural. Perguntamos: O que podemos fazer para melhor aprender? E fomos preenchendo o quadro:
4 - Cumprir com as tarefas de classe. 5 - Cumprir com as tarefas de casa. 6 - Se interessar para aprender.
O diálogo de L, LF e MV, ao explicar os motivos de não votarem, origina-se de suas vivências e experiências de um processo de ensino aprendizagem centrado na figura do professor. Suas afirmações desencadeou um processo colaborativo crítico reflexivo, contribuindo para os alunos ampliarem os sentidos e significados a respeito do ato de aprender, permitindo que esses alunos ampliem os seus estados de consciência da necessidade de cumprir com os compromissos escolares, contudo L sentindo a dificuldade de assumir esses compromissos para fugir da situação conflituosa que estava vivendo reivindicou a professora uma reunião para desfazer o que tinha sido decidido.
L diz: Professora, eu quero uma reunião para desmanchar esses compromissos, pois tá ficando muito
chato, eu ter que ter esses compromissos todos, agora a gente tem que ficar quieto. Nãmm.
Porém, a interação estabelecida proporcionou condições igualitárias de conhecimento que permitiu a expansão de seu processo de consciência como demonstra o diálogo a seguir:
Le - Ele fazia as tarefas de casa todos os dias... Uma coisa que ajudou muito... E agora que aprendeu a ler, você não faz as tarefas... Por quê?
L - Por que eu não quero...
Lu - Você já aprendeu tudo o que tinha que aprender? L - Não...
Lu - Realmente... Tem muita coisa pra aprender, muitas coisas interessantes pra aprender... Você é inteligente você pode se comprometer... Melhorar e mais, mais... Você lembra que na sessão reflexiva anterior você se comprometeu? Disse que ia realizar todas as tarefas?
Le - L é bom você se responsabilizar... Você tem condição de fazer tudo o que é proposto... L – Tenho?
Le – Tem todas as condições. Então, por que não faz? L – É mesmo né. Vou fazer.
Como foram criadas condições para que todos interagissem e ouvissem uns aos outros e mobilizados situações e recursos que permitiram a eclosão dos conflitos, o
aprendizado e o desenvolvimento mútuo foram potencializados pela mediação do processo colaborativo crítico que fora instaurado.
A quarta Sessão Reflexiva teve como título “O cumprimento das tarefas” e foi realizada no 20/08/2012. Iniciamos o processo reflexivo com a partícipe lendo a história abaixo:
Durante a leitura do texto os alunos se apresentam calmos escutam a leitura e não fazem interrupções, a classe neste dia tinha 17 alunos sendo 07 meninas e 10 meninos. Após a leitura pergunto: O que vocês acharam da história?
N – Uma mãe tão braba com medo de um bichinho!!! M – Tem muita gente medrosa.
Lu – E você tem medo de que?
L – Eu tenho medo de enxame de abelha, eu vi um enxame na cabeça de um rapaz e ele morreu. MÃE COM MEDO DE LAGARTIXA.
AUTORA: ANA MARIA MACHADO
Era uma vez uma mãe que tinha medo de lagartixa. No resto, era valente: ficava sozinha, cantava no escuro, tomava sopa quente.
Era mesmo corajosa: enfrentava barata, discutia com o chefe, tomava injeção toda prosa. De bicho de pena e de bicho de pelo, ela gostava muito.
Filho dela podia ter cachorro, gato, coelho, periquito, curió, canário, porquinho da índia. Nem que fosse tudo ao mesmo tempo, ela não se incomodava, até animava, mais ainda inventava.
Peixe e jabuti, também ela deixava como ninguém. E tinha aquário redondo com peixe vermelho e tinha varanda vermelha com jabuti redondo. Se os filhos descobrissem macaco de asa, ela era capaz de deixar em casa.
Se para uma vaca encontrasse lugar, não ia ser ela quem ia atrapalhar.
Mas sapo? Minhoca? Perereca? Camaleão? Nem queria saber. Disfarçava e ia se esconder. Os filhos explicavam:
Mamãe, que é que tem? Um bicho tão bonzinho, não faz nada, olha aí! Ela olhava. Mas não gostava. E aqueles lagartinhos nas pedras do sol?
Um bichinho à toa, mãe deixava de ser boba!
Mas aí ela era boba. Tão boba que, no caminho da praia, pelo meio de matinho ia pisando forte e falando alto, fazendo barulho só para assustar os lagartinhos – que saíam correndo, morrendo de medo de uma mulher tão grande e barulhenta.
A turma não faz mais comentário e prosseguimos: Vamos mostrar para vocês as respostas que vocês escreveram sobre a seguinte pergunta: Você faz as tarefas de classe? Você faz as tarefas de casa? Por quê?
Dirigindo-se a um aluno, Le pergunta:
Le - Você tava na Sessão Reflexiva passada, mas eu quero saber,..
J - Não, eu não tava... (o aluno ficou encabulado, com vontade de não falar a verdade e de não responder). É. Eu admito que não faço tarefa de casa...
Com a fala do aluno fizemos uma breve intervenção:
Lu - Olha gente, a gente vai conversar... Não é pra mentir... É preciso dizer o que pensa, e o que de fato acontece... Isso aqui não é pra nota... É pra gente pensar sobre esse assunto... Vocês disseram uma coisa muito importante: “que a escola é pra estudar”... Isso é muito importante para você saber que a escola é pra estudar... É pra aprender, pra fazer com que vocês sejam mais inteligentes... Porque quem estuda sempre é mais inteligente... Sempre se desenvolve mais do que os outros. A gente estuda pra saber de muitas coisas... A gente não só sabe o que a professora ensina... A gente sabe de muitas outras coisas que sai no jornal, que sai na TV, que lê nos livros, na internet... Quanto mais a gente estuda mais a gente busca saber mais – por isso que estudar é muito importante, por isso eu achei importante quando vocês disseram isso que vêm pra estudar... Só que quem estuda tem mais suas obrigações, né? Além de vir pra escola a gente tem outras obrigações, né?
A – É. Fazer a tarefa de casa, professora... Lu - Isso... Diga mais...
J - não brigar também... Não bagunçar... Tem que ficar sentado não querendo ficar querendo saindo toda hora, só isso...
Lu - Você faz tarefa de casa? L - Não...
Lu - Por que não faz? Você disse que é importante?
L – É pra falar a verdade, né? É Por que tenho preguiça... (A turma ri). Só fiz a de ontem, por que... Começou esse negoço na minha cabeça de pensar, pensar... Só fiz nesse ano, duas tarefas...
Lu - Bem... Quer dizer que é preguiça? A preguiça vai lhe ajudar?
L - É por que eu fico cansado... Quando eu chego da escola eu tenho que andar... Lu - Mas tem à noite e pela manhã pra você fazer a tarefa antes de vir pra escola! L - Eu vou pra igreja a noite... Eu não mostro minha agenda para minha mãe...
A partícipe que até então apenas ouvia resolve intervir:
Le - Sim mais quando eu passo tarefa pra casa, é pra você ou pra sua mãe fazer? Lu - A tarefa não é pra sua mãe ...
L - É que eu também sou preguiçoso...
Lu – Agora eu pergunto de novo: essa preguiça vai ajudar você na sua vida a ser mais inteligente? L - Eu sou inteligente, não quero ser mais...
Lu - Todo mundo aqui é inteligente, mas todo mundo precisa desenvolver a inteligência. A inteligência é uma coisa que você nasceu com ela, mas você tem que desenvolvê-la. Quanto mais se estuda mais desenvolve, mais inteligente você fica...
Le - Você acha que você é mais inteligente esse ano ou o ano passado? L - Esse ano porque eu passei para o 4º ano...
Le - Ah... Então continuando... E. Você faz a tarefa de casa? L - Umas eu faço, outras não...
Le - O que tenho percebido que você tem feito à tarefa de casa... L - Por que eu parei de preguiça...
Le - Como é que você se sente depois que parou de preguiça? L - Agora fica melhor...Eu faço... Eu gosto...
Dirigindo-se a outro aluno, a partícipe continua os questionamentos: Le - JP. Você faz a tarefa?
JP - Não! Le - Por quê? JP - Preguiça!!
Le - Você diz que tem preguiça, mas o que você vem fazer na escola? JP - Estudar!
Lu - Você acha que a preguiça vai lhe ajudar ou lhe atrapalhar? JP - Atrapalha...
Lu - Você acha que pode vencer a preguiça, por que a preguiça por enquanto está lhe vencendo... JP – Vencer! Posso...
Le - Então, o que pode fazer para vencer essa situação? JP - Estudar mais.
Le - Você acha que se estudasse mais... Se tivesse mais coragem já estaria lendo? Você sabe o que está lhe prejudicando... O quer você tá fazendo pra acabar com essa preguiça?
JP - Nada...
Le - Então vamos selar um compromisso de você fazer todas as tarefas tanto na sala como em casa? JP - Tá certo...
Lu - Você vai conseguir... Você é mais valente que a preguiça...
Le - Agora, eu gostaria de saber de você MV - Você faz a tarefa de casa? MV - Não... Eu também tenho preguiça...
Le - Você não acha que se deixar essa preguiça vai ser mais fácil para aprender coisas novas? MV - Mas a preguiça vence mesmo, professora... (risos)
Lu - Vence por que você quer... O que a gente tá falando aqui não é uma brincadeira... A gente tá conversando. Tá falando sobre as tarefas é muito sério, é para que cada um pense sobre o que quer da
sua vida... O futuro é agora, se você souber da importância da escola para sua vida, você muda e entende que aprender coisas novas é o tal futuro, o futuro é aprender agora... Vocês precisam entender que para que a sua vida melhore é necessário estudar, não ser enganado por ninguém... Você se tornar melhor do que você já é... (A turma em silêncio ouvindo com muita atenção e balançando a cabeça concordando com o discurso).
Le – Você se acha um bom aluno? MV - Não...
Le - Por quê?
MV - Rispidamente: Sei lá, homi... Vocês pergunta demais, ôh. Le - Por que você acha e não sabe por quê?
MV - Eu sei é obedecer, é estudar...fazer tarefa ôhhh (Chateado) Lu - Estudar bastante... Fazer as tarefas...
Le - Ter compromisso com as coisas da escola... Tem que se comprometer... Ter responsabilidade... MV – É tudo muito chato, mas, é melhor (Cara feia, pede pra beber água).
Suspendendo um pouco os questionamentos, a partícipe passa a discorrer sobre os avanços de um dos alunos, como vemos no extrair a seguir:
Le - Há alunos que avançaram muito. L Por exemplo... Nunca esqueceu que deu a palavra dele que ia se esforçar para aprender. No começo de nossas aulas quando ele disse na sessão reflexiva: “professora eu quero aprender a escrever pra ser gente”, e eu falei: “Gente você já é”... E ele disse: “Eu não sei ler”... Mas eu disse pra ele... “Você vai aprender”. E em muito pouco tempo L aprendeu as letras, a fazer o nome dele... Ter a paciência em ouvir para entender e escutar as professoras e os colegas... É também ser inteligente. Ele fazia as tarefas de casa todos os dias... Uma coisa que ajudou muito... E agora que aprendeu a ler, você não faz as tarefas... Por quê?
L - Por que eu não quero...
Lu - Você já aprendeu tudo o que tinha que aprender? L - Não...
Lu - Realmente... Tem muita coisa pra aprender, muitas coisas interessantes pra aprender... Você é inteligente você pode se comprometer... Melhorar e mais, mais... Você lembra que na sessão reflexiva anterior você se comprometeu? Disse que ia realizar todas as tarefas?
Le - L é bom você se responsabilizar... Você tem condição de fazer tudo o que é proposto... L – Tenho.
Le - Então, por que não faz?
Nesse momento, inicia-se um barulho e brincadeiras na sala e Lu intervém dizendo: Lu - Tem gente levando na brincadeira... A gente tá pensado... Tá refletindo junto com vocês, pra melhorar a vida de vocês, pra melhorar a aprendizagem... A professora elogia muito vocês, diz que é um a turma que tem crescido que tem avançado e que tem melhorado muito... Essa nossa conversa é
pra melhorar muito mais...