• Sonuç bulunamadı

Varyans Ayrıştırması (Variance Decomposition)

3.2. Ekonometrik Bir Analiz

3.2.4. VAR Analizi

3.2.4.2. Varyans Ayrıştırması (Variance Decomposition)

pós a apresentação dos dados obtidos junto às três praças públicas escolhidas, faz-se necessária uma análise comparativa dessas informações, a fim de percebermos com mais clareza, quais são os itens que mais concorrem para a utilização ou não desses espaços públicos.

A

Com relação aos usuários encontrados nas praças analisadas, a questão relativa à faixa etária predominante é pertinente, pois este aspecto é primordial no momento da concepção do projeto, atingindo muitas das decisões projetuais, o que por sua vez se reflete nas principais atividades que são (ou serão) desenvolvidas no lugar, influenciando no tipo de mobiliário e equipamentos a serem implantados.

Nas três praças, a faixa etária predominante situou-se entre os 18 e 35 anos, ou seja, pessoas jovens e adultas, nem sempre acompanhadas de crianças, que também foram observados e registrados no mapeamento comportamental, embora não tenham estado presentes explicitamente nos questionários. Também poucos foram os usuários idosos contactados, mostrando a pouca freqüência desta categoria de usuários naqueles locais.

Com relação ao bairro de residência, a maioria daqueles que visitavam a Praça das Mangueiras (Pç. Mg), moravam no próprio bairro de Lagoa Nova. Nas demais, a maioria das pessoas era de bairros vizinhos, por exemplo, na Praça Augusto Leite (Pç. AL) situada no bairro do Tirol, muitos residiam em Petrópolis e na Praça Norton Chaves (Pç. NC) em Nova Descoberta, grande quantidade de usuários vinha do bairro de Lagoa Nova, ambos fazendo fronteiras com os bairros sedes das praças, mostrando que as mesmas extrapolam seus raios imediatos de abrangência, saindo da esfera do seu próprio bairro. A carência de praças ou espaços públicos direcionados ao lazer da população concorre para este fato,

fazendo com que o local atenda a usuários de bairros vizinhos ou mesmo mais distantes.

Além disso, ficou comprovado que a diversidade do entorno é um fator que contribui para a atração de usuários nos espaços públicos urbanos. Os dados obtidos com o questionário do tipo 1 mostraram que muitos daqueles que estavam nas Pç. NC e Pç. AL, estavam apenas de passagem, usufruindo principalmente dos atributos do entorno destes espaços, com um variedade expressiva de lojas, bares, clínicas e comércios .

Quanto à avaliação das praças pelos usuários, apenas a Pç. NC, foi considerada “péssima” pelos mesmos, o que está em sintonia com a realidade de abandono percebida na vistoria técnica realizada. As demais, apesar de terem alguns pontos em desacertos com os desejos dos indivíduos, ainda assim foram consideradas “boas” pela população. Isso demonstra que a satisfação dos usuários é relativamente fácil de ser alcançada desde que sejam asseguradas condições mínimas de conforto a partir de pequenos e simples artifícios projetuais.

Outro fator de suma importância para o estudo de um espaço público, são as atividades desenvolvidas no lugar. São dados como esses que favorecem a concepção e/ou reabilitação de um local, pois direcionam ações de

Figura 60

Avaliação que os indivíduos fazem das praças analisadas - Comparativo

Satisfação dos usuários-Comparativo

0 20 40 60 80 100

Ótimo Bom Ruim Péssimo

Pç. Mg Pç. AL Pç. NC %

implementação, entre outros aspectos do mobiliário urbano, da arborização, dos equipamentos e até mesmo de atividades ditas “culturais”.

Nas praças observadas, as atividades percebidas ocorrem de acordo com as facilidades disponibilizadas,como a quadra poliesportiva, cadeiras e mesas de bar, banca de revista e play-grounds. No entanto, a maioria dos usuários, estava apenas de passagem por aqueles locais. Dependendo dos horários, esta atividade é mais ou menos evidenciada; nos momentos considerados “de pico” como 7h e 30 min., 12h e 18h, o número de transeuntes é maior. A Pç. NC que conta com duas paradas de ônibus e uma estrutura nada convincente ou confortável, a maior parte dos entrevistados são os transeuntes, o que caracteriza o lugar como local de passagem. Mesmo assim foram registrados outros tipos de atividades, como namorar e conversar, só que em uma quantidade bem modesta.

Na Pç. AL, embora tenham sido observados muitos transeuntes, há também um número considerável de usuários desenvolvendo atividades como namorar, passear com crianças, jogar bola e caminhar, o que provavelmente, deve-se ao fato deste espaço oferecer equipamentos e mobiliário urbano em boas condições. Já a Pç. Mg recebe um número maior de usuários que usufruem de seus atrativos para conversar. São indivíduos que desfrutam das mesas do e dos bancos colocados sob as grandes sombras das frondosas mangueiras distribuídas pela área. Assim, embora a Pç. AL disponibilize bancos mais novos e confortáveis, esta não conta com a sombra, considerada indispensável para o enfrentamento do clima de Natal.

Na Pç. Mg, por exemplo, os bancos mais solicitados são os localizados estão sob as árvores, de formato circular, embora os mesmos sejam deficientes em conforto e beleza estática, o que reforça a valorização da arborização pelos usuários. No entanto, apesar da Pç. NC ter algumas árvores e bancos sob sua sombra,isso não favorece seu uso, devido à falta de segurança, iluminação noturna precária, limpeza e conservação da área e ainda a aparência desagradável do local, aspectos que interferem diretamente na forma de apropriação destes espaços. Ou seja, embora o fator arborização/sombreamento

seja importante, não é o único determinante para a freqüentação do lugar, o que mostra que cada caso tem suas especificidades, devendo estão ser analisado e tratado individualmente.

A freqüência com que os indivíduos utilizam os espaços públicos, além dos fatores acima mencionados, também relaciona-se aos hábitos e à disposição de tempo do usuário. Assim, como as praças estudadas estão situadas em áreas residenciais, acredita-se que seu uso seria maior em função dessa proximidade, no entanto isto não vem ocorrendo, demonstrando que a freqüentação de um lugar depende da junção de vários fatores e não apenas da sua localização. Apesar disso, os atributos do entorno são importantes pois revelam a “vocação” para a permanência ou passagem do local. Na Pç. AL, por exemplo, apesar do grande número de residências encontradas no seu entorno, a freqüência dos usuários não foi alta e a maioria dos entrevistados disse que “raramente” vai ao lugar (apenas 19% das pessoas freqüentam a praça de entre 1 e 4 vezes por semana).

Também a Pç. NC não atrai tantos usuários, visto que a maior parte dos respondentes afirmou “nunca” ir ao lugar. Já na Pç. Mg, a maioria dos usuários freqüenta o lugar de 1 a 2 vezes por semana, (apenas 22% “raramente” ou “nunca” vão até lá) para a realização de várias atividades (caminhar, conversar, namorar, jogar) e não somente para passagem ( Tabela10).

ATIVIDADES Pç. AL (%) Pç. Mg (%) Pç. NC (%) Passear 0 7,5 10 Caminhar 7,5 0 0 Trabalhar 5,0 2,5 2,5 Pajear 10,0 20,0 2,5 De passagem 67,5 30,0 60,0 ATIVAS Jogar 10,0 0 10,0 Conversar 2,5 32,5 5,0 Namorar 15,0 17,5 7,5 PASSIVAS Ler 7,5 7,5 0 Tabela 10

A freqüência observada foi distribuída pelos três horários do dia, matutino, vespertino e noturno. Todos os três períodos do dia foram citados pelos usuários da Pç. Mg. Nela, as mesas do bar e os bancos são mais requisitados pela parte da tarde. Na Pç. AL, a pouca arborização, o alto fluxo de veículos no entorno e o alto índice de impermeabilização do espaço, fazem com que os indivíduos prefiram o horário noturno para a freqüentação. Já a Pç. NC, é mais utilizada durante o dia, por contar com pontos de ônibus onde trafegam um número considerável de pedestres e veículos e por possuir uma precária iluminação noturna. Isto mostra que a estrutura física do lugar também interfere nas escolhas de horários para visitas.

Frequência de visita dos usuários - Comparativo 0 10 20 30 40 50 1 a 2 x /s 3 a 4 x \s 5 a 6 x \s todo d ia rarame nte nunc a NC Mg AL % Figura 61

Freqüência com que os usuários utilizam cada espaço - Comparativo

Na avaliação geral feitas pelos entrevistados as praças Augusto Leite e das Mangueiras são considerados “bons” espaços públicos, diferentemente da Pç. NC, que recebeu o conceito ”péssimo“ pelos seus usuários, bastante insatisfeitos com a realidade local.

Quando nos referimos aos itens de conforto físico e psicológico, apenas na Pç. Mg os usuários afirmaram sentirem-se tranqüilos e com alguma privacidade, seja pelo pequeno tráfego no seu entorno, seja pelo caráter bucólico trazido pelas árvores. Contudo, as poucas árvores existentes na Pç. NC não são suficientes para causar estas sensações nos usuários deste local. O mesmo ocorre na Pç.

AL, seja tanto pela falta de um ambiente acolhedor, com arborização e uma tratamento paisagístico eficientes, quanto transito que acontece no entorno.

Em relação a itens como arborização, equipamento e mobiliário urbano, paisagismo, limpeza e conservação da área, percebemos que embora todos sejam considerados essenciais do ponto de vista técnico, nem sempre são sentidos/percebidos da mesma maneira pelos usuários.

Isso ficou registrado, por exemplo, nas avaliações feitas pelos usuários da Pç. AL que, segundo vistoria técnica, expõe as pessoas a níveis de ruídos considerados incômodos, provenientes do movimentado entorno e que não são minimizados pelo paisagismo. Este aspecto, no entanto, não chega a incomodar seus usuários, que consideram “bom” este item. Parte disso talvez deve-se ao fato de alguns destes usuários estarem no local para exercerem atividades com grandes níveis de ruídos (como jogar bola) ou por eles já estarem adaptados a este aspecto.

Todavia, este aspecto não foi ignorado pelas pessoas encontradas na Pç. NC, cujo entorno é bastante movimentado, nenhum dos dispositivos que poderiam amenizar e que foram anteriormente citados, estão disponíveis na paisagem local. Para estes usuários, o nível de ruídos nesta área é considerado “ruim” e interferem mais ainda na utilização da praça, já que poucos entrevistados vão à praça para jogar bola, uma atividade que independe do grau de ruídos do lugar.

O mesmo não ocorre na Pç. Mg, que esta inserida em um entorno menos movimentado, que não chega a incomodar seis usuários com ruídos veiculares, por exemplo. Os usuários deste local acham que o conforto acústico é “bom”, o que contribui para a freqüentação da área.

De um modo geral, os usuários avaliaram as três praças de forma realista e não chegam a ser muito exigentes, já que alguns pontos tidos como “ruins” pelo pesquisador, são relativamente aceitos pelos respondentes. Em alguns casos, estes aspectos são deficientes, insuficientes ou mesmo inexistentes aos olhos do pesquisador como, a precária arborização da Pç. NC, que foi tratada como ”boa” ou os mobiliários urbanos da Pç. Mg quase inexistente mas tratada apenas como

”ruim” e também a pavimentação da Pç. AL, considerada “boa”, e que no ponto de vista técnico, é inapropriada, pois não facilita o conforto térmico da área.

Com base nessas avaliações, os usuários sugeriram alguns itens considerados essenciais para a melhoria dos lugares, entre os quais destacam-se: mobiliário urbano, equipamentos, iluminação noturna e segurança pública (Tabela 11).

Tabela 11

Sugestões mencionadas pelos usuários para a melhoria dos lugares.

BENFEITORIAS Pç. AL Pç. Mg Pç. NC

1ª Arborização Paisagismo Pavimentação

2ª Mobiliário Equipamentos Aparência est.

3ª Segurança Mobiliário Iluminação

Observa-se que os itens solicitados pelos usuários para uma melhoria na situação atual dos ambientes são elementares. Apesar da reforma ocorrida na Pç. AL, os itens mobiliário e paisagismo não foram plenamente aceitos pelos usuários.

Os questionários aplicados aos moradores do entorno, revelaram que nas Pç. AL e Pç. NC, grande número de usuários apenas passa pelo local, não o utilizando realmente. Já na Pç. Mg, esta realidade é diferente, pois uma parte significativa das pessoas que moram no entorno freqüentam a praça.

O entorno residencial menos verticalizado da Pç. Mg aparenta ser um dos fatores que concorrem haja maior interação com o espaço público, pois, diferentemente daqueles que moram em edifícios de apartamentos, aqueles que residem em casas não dispõem de play-grounds ou áreas coletivas que favoreçam a sociabilidade e o lazer intra-muros, o que aumentaria seu interesse pela praça pública.

Com relação à Pç. NC, apesar de seu entorno ser semelhante aquele da Pç. Mg, a utilização do local é pequena, já que este espaço público não oferece condições mínimas de conforto para que isso ocorra.

Assim sendo, motivos que levam os usuários a ignorar ou não freqüenta regularmente as três praças vão desde aqueles considerados pessoais (como falta de tempo, falta de apreço pelo lugar ou preferência por outros tipos de lugares, como shopping centers, praias ou parques públicos, como o Parque das Dunas) até aqueles relacionados a fatores físicos-ambientais dos lugares.

Como os aspectos citados por pessoas que moravam nos arredores, que utilizam ou trafegam pelo lugar e que estavam lá naquele momento, são praticamente os mesmos, revelando um consenso de opiniões, pode-se dizer que as necessidades de melhorias sugeridas pelos usuários são disponíveis a todos, reafirmando a valorização daquelas existentes.

A carência na cidade de áreas livres voltadas à prática esportiva, como campos de futebol ou ginásios abertos ao público, aumenta a valorização das poucas existentes, como a Pç. AL, que disponibiliza uma quadra polivalente bastante utilizada, sobretudo se levarmos em consideração que o grau de urbanização e a vertizalização do entorno são altos. Apesar da quadra da Pç. NC estar em péssimo estado, ainda assim “atrai” alguns usuários, sendo “jogar bola” uma das atividades mais desenvolvidas pelos mesmos.

“Passear” também foi uma das atividades mais desenvolvidas pelos moradores do entorno da Pç. Mg e da Pç. NC, na primeira ainda destacam-se acompanhar crianças e conversar com os amigos, seja nas mesas do bar, seja nos bancos da praça, já que este espaço oferece generosas sombras, é possível observar em quaisquer horários, atividades como passear, ler, namorar, jogar, etc. Com relação às sugestões mencionadas para que as praças sejam mais valorizados pela comunidade, de um modo geral houve consonância entre os aspectos citados anteriormente pelas pessoas que estavam no local, e os moradores do entorno, mostrando um consenso sobre tais pontos e reforçando tais sugestões. O mesmo ocorreu com a avaliação da situação geral das praças,

pois os conceitos referidos pelos indivíduos encontrados no lugar, foram também atribuídos pelos moradores do entorno.

Ao analisar os mapas comportamentais das praças estudadas, percebemos que alguns pontos são praticamente “ignorados” ou “menos valorizados” pelos usuários. Além disso, em alguns horários em que se supunha haver utilização dos espaços, os mesmos estavam vazios ou com pouco uso.

Apesar da baixa freqüentação ser generalizada, mesmo na Pç. NC com sua inadequada estrutura física, os mapas comportamentais ainda revelaram pessoas sentadas conversando ou apenas em contemplação, crianças jogando bola, casais de namorados, e pais passeando com bebês, a maioria dos quais usufruíam as sombras propiciadas pelas árvores.

É importante ressaltar que, na maioria dos casos, o tempo de permanência desses usuários é pequeno, (alguns não ficam mais de 20 minutos no lugar), seja pela falta de conforto, pelo aspecto “ruim” da paisagem local, ou mesmo pela falta de hábito.

De um modo geral, os lugares mais valorizados nas praças são aqueles que oferecem algum atrativo (ponto focal de comportamento): na Pç. AL, durante o dia, um banco sob uma árvore e de noite, a quadra polivalente; Na Pç. Mg, as mesas do bar e na Pç. NC, os pontos de ônibus. Nota-se ainda que apenas na Pç. AL os usuários utilizam os atributos próprios do espaço como o banco e a quadra, nas demais o maior uso ocorre em pontos que não são “propriamente” da praça, como as mesas do bar e os pontos de ônibus, que se estivessem em outro lugar, também teriam alta freqüentação.

As áreas sombreadas ou que têm algum outro “atrativo” especial são as mais requisitadas, mas o que seria um atrativo em um local não ocorre da mesma forma em outro (perspectiva “multi-setting”). A maior parte da Pç. Mg é sombreada por grandes árvores, o que deveria ser um ponto a mais para atrair usuários, mas não acontece exatamente assim, ou na freqüência esperada. O que mais atraiu usuários foram as mesas do bar. Quando existiam pessoas utilizando as mesas, nem sempre havia usuários no restante da praça, mas, quando havia

alguém no restante da praça, quase sempre havia indivíduos naquele primeiro local. Isso mostra que há uma junção de fatores que contribuem para a utilização de um espaço, a presença de usuários exercendo uma determinada atividade confere um caráter ao local e reforça a sua utilização.

A Pç. AL apesar da aparência bem tratada, não tem arborização adequada, que absorva a insolação e minimize seus danos. Além disso, possui alta taxa de impermeabilização, o que reflete muito calor explica sua maior procura no período noturno, como foi indicado nos questionários e comprovado pelos mapas comportamentais.

Neste caso, e diferentemente da Pç. Mg a arborização é definidora na forma de apropriação social do espaço. Nota-se que, apesar de ter uma estrutura melhor e mais conservada, a Pç. AL não consegue atrair seus usuários durante o dia, devido a deficiência de sombreamento, por sua vez apesar da Pç. NC ser completamente desprovida de atributos que a valorizem, as árvores são os pontos focais de comportamento (excluindo os pontos de ônibus, que ainda mantém poucos usuários no local).

De noite, o quadro se inverte: a Pç. NC perde seu potencial de uso devido à iluminação noturna deficiente; Nesse horário, a Pç. AL é mais solicitada, atraindo usuários que jogam, namoram, caminham ou passeiam; ao mesmo tempo um número reduzido de pessoas procuram a Pç. Mg, cujo a iluminação noturna é boa, mas o entorno é pouco movimentado, sendo mais utilizada pelos moradores do bairro.

A quadra poliesportiva da Pç. AL é muito importante para a ocupação da área. Quando ela está sendo utilizada, uma parcela bastante expressiva dos usuários e moradores do entorno se sente mais tranqüila, por que isso traz “vida” à área, seja pela presença de uma iluminação diferenciada feita pelos refletores da quadra, seja pela constante movimentação de assíduos freqüentadores do local e que, com isso, oferecem uma certa “segurança” aos presentes, formam uma “rede” de pessoas que se conhecem apenas de vista, mas que repassam confiança uns aos outros.

De fato a utilização de um espaço público no período noturno exige uma iluminação artificial eficiente, capaz de eliminar espaços sombreados que tragam sensações de insegurança às pessoas. Por outro lado, no resto do dia, é de suma importância a presença de uma arborização consistente, que favoreça o conforto ambiental. Além disso, a aparência estética, somada ao mobiliário urbano equipamentos apropriados são importantes na utilização dos ambientes da praça.

A pesquisa mostrou ainda o interesse dos usuários, no sentido de modificar o que está incomodando, o que indica um certo “apreço” pelo lugar, uma preocupação em melhorar, contribuindo não somente com sugestões, mas com ações reais, como fazem o dono do bar e alguns amigos, que colaboram juntos para a limpeza da Pç. Mg, ou como a criação do centro comunitário que lutou para a reforma ocorrida Pç. AL. É claro que, em alguns casos, este apreço deve de ser resgatado, já que certas praças vêm há algum tempo sendo bastante deterioradas, como ocorre na Pç. NC, que sofre com o “mal querer” dos usuários, moradores do entorno e o esquecimento dos órgãos públicos responsáveis.

Nos casos analisados, as sugestões dos usuários são importantes, devendo ser conjugadas às observações técnicas do arquiteto, a fim de evitar desperdícios ou equívocos.

Os aspectos mencionados para as melhorias são reflexos de uma realidade local cujas praças têm sido abandonadas ou esquecidas, não sofrendo reformas há um bom tempo e sem previsões para que isso venha a acontecer, ou seja, o retrato do descaso com os espaços públicos urbanos natalenses. A mobilização da comunidade é essencial para a recuperação dos mesmos.

Melhorias na arborização, pavimentação, mobiliário e equipamento, iluminação noturna e aparência estética, podem contribuir para uma maior freqüentação nestes lugares, aumentar o apreço por eles e talvez modificar os hábitos dos moradores.

Embora esse trabalho não tenha como objetivo detalhar soluções técnicas

Benzer Belgeler