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Considerando o resultado da tabela 6, destacou se os fatores críticos de sucesso igual ou superior a 50% (0,5), demonstrado nos 11 itens identificados pelos respondentes, conforme mostra a tabela 7.

Tabela 7 – Demonstração da classificação dos dez fatores críticos de sucesso.

FATOR CRÍTICO DE SUCESSO Quantidade %

01 Pólo dispõe de biblioteca de apoio com material do curso

69 93%

02 Salas para os encontros estão sempre limpas, iluminadas

e climatizadas 84 62%

03 Equipamentos se encontram em condição de uso durante

a disciplina 61 82%

04 A Presencialidade virtual

58 78%

05 Aula totalmente à distância

54 73%

06 Coerência da teoria e da prática do curso escolhido

52 70%

07 Pólo fornece e possibilita o acesso a internet

52 70%

08 Aceitação da universidade pelo mercado de trabalho

Tabela 7 – Demonstração da classificação dos dez fatores críticos de sucesso. (continuação)

09 A forma de avaliação no EaD

48 65%

10 Organização do sistema de tutoria com o curso e os

alunos para atender o processo de aprendizagem 40 54%

11 Tempo de resposta nos foruns de aprendizagem

39 53%

Fonte: Dados da pesquisa.

A partir dos dados demonstrados na Tabela 7 pode-se observar que o apoio de uma biblioteca, a infraestrutura, a forma do relacionamento do conteúdo teórico e a prática, o sistema de avaliação, a falta de uma organização do sistema de tutoria para atender ao processo de aprendizagem são os FCS considerados pelos respondentes como sendo os de maior importância para manter o bom êxito nos cursos, demonstrando estar em alinhamento com o posicionamento apresentado pelos respondentes nas demais respostas do questionário.

O item (1) biblioteca de apoio com material do curso (93%) se destacou consideravelmente, mostrando nesta sentença uma grande dificuldade no processo de aprendizagem para o aluno, não ter um local de pesquisa organizado ou adequado no pólo. Os pólos podem esta sendo credenciada com a existência de bibliotecas, talvez a quantidade de pólos que possui bibliotecas é insuficiente para atender alunos, tutores/professores.

Os Pólos de apoio presencial devem possuir infra-estrutura técnica com todos os recursos de biblioteca e programas que suportem os mais variados modelos de informação para apoio ao aluno à distância (MOORE; KEARSLEY, 2007; MOTA, 2009; LITTO, 2009; BRASIL/MEC/UAB, 2009). O aluno deve encontrar serviços de bibliotecas, administração, laboratórios de informática, além do espaço para realização de suas avaliações e suporte para as dúvidas que venha a ter durante o curso.

Um curso a distância exige infra-estrutura material proporcional ao número de estudantes, aos recursos tecnológicos envolvidos e à extensão de território a ser alcançado, o que representa um significativo investimento para a instituição

É importante ressaltar que a UAB não possui uma estrutura física

com as IFES e as prefeituras, e o diploma é gerado pela universidade que oferece o curso.

O item (2), salas para os encontros estão sempre limpas, iluminadas e climatizadas (62%) se relacionam com a estrutura física e com funcionamento dos cursos à distância. Esta situação implica diretamente na permanência dos alunos no pólo. Os Pólos de apoio presencial, considerados como braços operacionais dos cursos à distância, devem ser criados as condições de permanência do aluno no curso, estabelecendo o vínculo mais próximo da universidade, a fim de atender todas as necessidades dos alunos à distância (MOTA, 2009). Considerando o percentual de 62% neste item alguns pólos podem não terem as condições adequadas para um bom funcionamento.

O item (3) Equipamentos encontra se em condição de uso durante a disciplina (82%). Um curso a distância exige infra-estrutura material proporcional ao número de estudantes, aos recursos tecnológicos envolvidos e à extensão de território a ser alcançado, o que representa um significativo investimento para a instituição. Em alguns pólos esta dificuldade se torna um forte indicador de desistência por parte dos alunos.

Testa e Freitas (2004) dizem que não basta apenas definir e trabalhar os aspectos tecnológicos, apesar da evidente importância destes dentro do processo, mas é preciso analisar uma série de outros elementos, que levantam diversas interrogações. Estas interrogações surgem em relação a aspectos variados, como sobre o processo de comunicação, os modelos pedagógicos utilizados, os softwares gerenciadores de ambientes virtuais de aprendizagem, os equipamentos (hardwares) adquiridos, o papel dos professores, tutores e da equipe técnica de apoio, a avaliação, os aspectos financeiros, a legislação e a confiabilidade, para citar alguns exemplos.

O item (4) a presencialidade virtual (78%). O ponto focal da educação superior - seja ela presencial ou à distância, nas inúmeras combinações possíveis entre presença, presença virtual e distância - é o desenvolvimento humano, em uma perspectiva de compromisso com a construção de uma sociedade socialmente justa. A presencialidade indicada como FCS pode ser compreendida a partir da atuação dos sujeitos envolvidos, que ora compartilham os ambientes virtuais de aprendizagem ou encontram dificuldades de manuseio. Estudantes e professores tornam-se desincorporados nos ambientes virtuais quando não há uma comunicação cooperativa. Suas presenças precisam ser renovadas por meio de novas linguagens e

estratégias, que os representem e os identifiquem para todos os demais. Linguagens que harmonizem as propostas disciplinares, e criem um clima de comunicação, sintonia e agregação entre os participantes de um mesmo curso. (KENSKI, 2004, p. 67).

O item (5) aponta como FCS aula totalmente à distância (73%). Podemos encontrar nesta indicação um grande desafio da modalidade à distância, pois o aluno tem uma necessidade de interação com o tutor, colegas e outros que colaboram com seu processo de desenvolvimento. O aluno não quer se sentir só. Ao refletir o que muda no papel do professor? Conforme (MORAN 2003) Muda a relação de espaço, tempo e comunicação com os alunos. O espaço de trocas se estende da sala de aula presencial para o virtual. O tempo de enviar ou receber informações se amplia para qualquer dia da semana. O processo de comunicação se dá em várias situações: na sala de aula, na internet, no e-mail, no chat. É um papel que combina alguns momentos do professor convencional - às vezes é importante dar uma bela aula expositiva – com um papel muito mais destacado de condutor de pesquisa, de estimulador de busca, de coordenador dos resultados. É um papel de animação e acompanhamento muito mais flexível e constante, que exige muita atenção, sensibilidade, intuição e domínio tecnológico.

O item (6) coerência da teoria e da prática do curso escolhido atingiu (70%). É um desafio tanto em cursos totalmente presenciais como no EaD. Este item obteve uma freqüência considerável de respostas dos alunos, tendo em vista ser uma situação de ajuste ou decisão por parte do aluno no decorrer do curso. A metodologia EaD exige mais dedicação do professor e do aluno, apoio de uma equipe técnico- pedagógica, mais tempo de planejamento e de acompanhamento do processo. Deve- se cuidar para evitar a banalização do EAD e a subutilização das tecnologias. Há necessidade de envolvimento interdisciplinar de toda a equipe, além da relação

professor, aluno, conteúdo. Nova e Alves (2003, p. 125) consideram que ainda, “[...]

a maior parte desses projetos realiza uma meia transposição da educação presencial tradicional para os ambientes de ensino online, comprometendo, assim, a qualidade da formação oferecida e desprezando o potencial criativo que as tecnologias digitais, [...] trazem para a construção do conhecimento.” Espera-se que, com a experiência, essa questão seja superada e que se encontre o caminho adequado para utilização dessa nova pedagogia.

O item (7) pólo fornece e possibilita o acesso a internet obteve (70%). É considerada infra-estrutura os seguintes equipamentos: televisão, impressoras, linhas telefônicas, inclusive dedicadas para Internet, e outros, dependendo da proposta do curso. A organização estrutural dos pólos não pode ser um fator de distanciamento ou evasão do aluno por falta de condições adequada para a aprendizagem. Com 70% de indicação pelos respondentes, este item foi apontado como FCS tendo em vista que o EaD depende totalmente do acesso a internet.

Deve-se atentar ao fato de que um curso a distância não exime a instituição de dispor de informação ou rede de internet para prover suporte a estudantes, tutores e professores (MEC, 2007).

O item (8) a aceitação do EaD no mercado de trabalho foi apontado com (66%) situação ainda não consolidada. Sendo assim, torna-se fundamental buscar as possibilidades e potencialidades do uso dessas tecnologias, como “elementos

carregados de conteúdos, como representantes de uma nova forma de pensar e sentir”

(PRETTO, 2005). Uma proposta de educação a distância, articulada às novas exigências do mercado de trabalho exige, ainda, um atendimento pedagógico voltado à promoção da relação professor-aluno, por meios e estratégias institucionalmente garantidos.

Uns usam a expressão reconhecimento pelo mercado de trabalho, outros apenas aceitação, mas no fundo a preocupação é a mesma. Questiona-se a falta de preparo dos docentes para atuar especificamente nessa modalidade de ensino superior, bem como a inadequação metodológica utilizada, problemas típicos

apresentados por um quadro de docentes que vivem “o paradoxo de ensinar de uma maneira que não foram ensinados” (NETTO; GIRAFFA, 2012).

Apesar de a educação à distância ser um modelo sério, legalizado e com respaldo e amparo do MEC, e de ser adotado hoje em quase todas as faculdades e universidades do Brasil, algumas pessoas que pretendem fazer uma faculdade à distância e têm se preocupado com sua aceitação ou não pelo mercado de trabalho.

O item (9) A forma de avaliação no EaD (65%). Este fator crítico chama atenção para a forma e o sentido da avaliação no EaD, que deve ser diferenciado do ensino presencial, levando em consideração que a modalidade pode provocar uma ação transformadora que incentiva a capacidade crítico reflexiva de intervenção dos alunos, sobre um determinado tema, informação ou conhecimento. A avaliação é a reflexão transformadora em ação. Ação, essa, que impulsiona a novas reflexões.

Reflexão permanente do educador sobre sua realidade, acompanhamento passo a passo, do educando na sua trajetória de construção do conhecimento (HOFFMANN 1993, p.18).

O item (10) Organização do sistema de tutoria com o curso e os alunos para atender o processo de aprendizagem (54%). Tal sinalização deste item como FCS pressupõe um maior investimento na formação de tutores sendo estes os novos educadores de uma modalidade que traz uma dinâmica pedagógica exigente e tecnológica. Esta indicação pode ser analisada de duas formas: Uma primeira forma a avaliação da didática do tutor e observar se o mesmo se configura como “ponte” entre o aluno e o conteúdo e a outra análise, seria que cada aluno tem um tempo muito particular no processo de aprendizado, e sendo a modalidade à distância muito

dinâmica, o aluno pode não acompanhar. Conforme Preti (1996, p.27), “o tutor,

respeitando a autonomia da aprendizagem de cada aluno, estará constantemente orientando, dirigindo e supervisionando o processo de ensino-aprendizagem [...]. É por intermédio dele, também, que se garantirá a efetivação do curso em todos os

níveis”.

O tutor EaD se tornar um novo tipo de educador, onde o mesmo precisa estar antenado às principais tendências da educação online para se adequar da melhor maneira possível às necessidades e anseios dos alunos. Serão de extrema importância para a motivação e engajamento dos alunos na modalidade de ensino online o bom desenvolvimento das funções da tutoria e o sistema de apoio à formação do tutor.

O Tutor deve ser a ponte de informações e dúvidas dos alunos para com os conteúdos. Além disso, é o tutor a distância que oferece feedbacks rápidos aos alunos sobre qualquer demanda que o mesmo possa ter.

O item (11) Tempo de resposta nos fóruns de aprendizagem (53%). Evidentemente, a pertinência de uma questão proposta no fórum depende do engajamento do aluno, da sintonia do seu pensamento com o tema específico que se encontra em debate e pela reflexão em torno das colaborações já disponíveis no ambiente virtual e nas fontes adicionais de referência. Os sistemas de Educação a Distância são compostos por ciclos de funções desempenhadas por alunos, professores, tutores, além de uma equipe multidisciplinar que realiza o suporte, direta ou indiretamente, a todas as funções e tarefas dessa modalidade.

As ferramentas de Comunicação, que englobam fóruns de discussão, bate-papo entre os participantes do ambiente têm o objetivo de facilitar o processo de

ensino-aprendizagem e estimular a colaboração e interação entre os participantes e o aprendizado contínuo. De acordo com Salmon (2000, p. 39), o professor deve promover o envolvimento dos participantes de forma que o conhecimento por eles construído seja utilizável em novas e diferentes situações.

Segundo Garrison e Anderson (2003), as responsabilidades do professor em contextos online são complexas e multifacetadas, já que, além de professor, esse profissional deve ser um especialista no assunto, designer educacional e facilitador social. Desse modo, na concepção dos autores, a função do professor no contexto online é a de gerenciar o ambiente e facilitar a aprendizagem do aluno, no sentido de tornar o ambiente mais acessível, mais confortável e mais seguro para que os estudantes tenham as condições necessárias para o desenvolvimento da aprendizagem.

Benzer Belgeler