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4. SARTRE VE SANATTA VAROLU“ÇU 'BAKI“'

4.1 Varlk ve Hiçlik

Seja nas cidades-estados greco-romanas, nas comunas italianas e de Paris, ou na fábrica da era industrial, os conselhos populares sempre exerceram a democracia direta e/ou representativa como estratégia para resolver as tensões e conflitos resultantes dos diferentes interesses. Estes sempre se situaram na interface entre o Estado e a sociedade, ora na defesa dos interesses das elites, tutelando a sociedade, ora, e de maneira mais incisiva, buscando a cogestão das políticas públicas e se constituindo como canais de participação popular na realização do interesse público (MEC/SEB, 2004).

No caso brasileiro, as primeiras experiências se materializaram por meio dos conselhos comunitários, onde todas as regras participativas eram de iniciativa do poder público, que garantia a população uma participação outorgada, o que fazia com que à população restasse somente a simples adesão ao que era decidido pelo governo. Estes conselhos se constituíam como órgãos consultivos do governo que legitimavam a atuação estatal, eram compostos por pessoas letradas, dotadas de saber erudito, pois para os governantes o saber popular não servia à gestão da coisa pública (DOURADO, 2006).

Até a década de 1980, predominaram, no País, os conselhos de caráter governamental, especialmente nas áreas de educação, saúde, cultura e assistência social.

Estes conselhos tinham como atribuição assessorar o governo na formulação de políticas públicas e atuavam nas questões de normatização e de credenciamento dos respectivos sistemas (MEC/SEB, 2004).

De todo modo, no contexto da redemocratização do País, os movimentos associativos populares passaram a reclamar participação na gestão pública. Durante os debates da Constituinte foi garantido princípio da gestão democrática do ensino público, conforme Artigo 206 da Constituição Federal - CF/1988. Posteriormente, a LDBEN nº 9.394/96 também reconheceu a necessidade da implantação da gestão democrática na escola pública e adotou estratégias de remeter aos sistemas de ensino a definição das normas de gestão democrática do ensino público para a educação básica, por meio da participação da comunidade escolar e local em Conselhos Escolares. Desse modo, a LDBEN não institui o Conselho Escolar, mas criou alternativas para a gestão colegiada (DOURADO, 2006).

Assim, os sistemas estaduais de ensino adotaram diferentes concepções e alternativas para a participação da comunidade escolar e local na gestão colegiada da escola. Alguns adotaram a figura do conselho escolar no sentido propriamente dito, como órgão colegiado deliberativo, consultivo, fiscal e mobilizador, inserido na estrutura de gestão da escola e regulamentado em seu regimento. Outros criam as entidades civis, como associações de pais e mestres, com personalidade jurídica e estatuto próprio a fim de definir e fiscalizar a aplicação de recursos destinados à escola. É o caso, especificamente, das unidades executoras – UEx, do Programa Dinheiro Direto na Escola – PDDE.

Nesse sentido, para as escolas que adotaram o Conselho Escolar como órgãos colegiados, será este quem decidirá sobre as questões pedagógicas e administrativas da escola. Já para as escolas que implementaram somente as entidades de apoio como é o caso da UEx, esta é quem executará o que é pertinente a suas atribuições. De todo modo, é válido ressaltar que nada impede que a execução de algumas decisões do conselho escolar sejam atribuídas às entidades de apoio complementar.

De todo modo, foi durante os anos de 1990 que os Conselhos Escolares começaram a adquirir centralidade, não só no âmbito das discussões pedagógicas, administrativas e financeiras, mas também no âmbito das políticas governamentais e no campo da legislação educacional. Entre as instituições de ensino, os conselhos escolares vincularam-se à compreensão da importância da participação ativa da comunidade

escolar nos processos educativos. O Conselho escolar passou então a representar a própria escola, sendo este a expressão e o veículo do poder da cidadania, da comunidade a quem a escola efetivamente pertence. Sua atribuição passa a ser de deliberação, nos casos de sua competência, e aconselhamento aos dirigentes sobre as ações e meios a serem empreendidos para o alcance dos fins da escola. Assim, o conselho escolar se consolida como um órgão composto por representantes dos diferentes segmentos das comunidades escolar e local (pais, alunos, professores e funcionários), que têm como atribuição deliberar sobre questões político-pedagógicas, administrativas e financeiras, constituindo-se como um dos mais importantes mecanismos de democratização da gestão da escola pública.

Em Minas Gerais o Conselho Escolar é denominado Colegiado Escolar, e de acordo, com a Resolução SEE nº 1.506, de 19 de fevereiro de 2010, este também é um órgão representativo da comunidade escolar, com funções deliberativa e consultiva nos assuntos referentes à gestão pedagógica, administrativa e financeira, respeitada a norma legal. O Colegiado Escolar é presidido pelo Diretor da escola e composto por representantes dos profissionais em exercício na escola e pela comunidade atendida pela escola. Quanto à composição, integra o Colegiado Escolar na rede estadual de Minas Gerais 4 membros titulares e 4 suplentes para escolas com até 250 alunos matriculados, 08 membros titulares e 08 suplentes para escolas com 251 a 1400 alunos matriculados e 12 membros titulares e 12 suplentes para as escolas com mais de 1400 alunos matriculados. Entre outras atribuições, o colegiado escolar deverá garantir a participação das comunidades escolar e local na definição do projeto político- pedagógico da unidade escolar, acompanhar a evolução dos indicadores educacionais (abandono escolar, aprovação, aprendizagem, entre outros) propondo, quando se fizer necessário, intervenções pedagógicas e/ou medidas socioeducativas visando à melhoria da qualidade social da educação escolar. Este deverá também aprovar o plano administrativo anual, elaborado pela direção da escola, sobre a programação e a aplicação de recursos financeiros; e, por fim, fiscalizar a gestão administrativa, pedagógica e financeira da unidade escolar.

Os conselhos, como pode ser visto, também podem adquirir a função de planejamento, acompanhamento e fiscalização da execução dos projetos da escola e de onde e como se gastam as verbas que ela recebe, ou seja, torna-se um órgão fundamental de controle social dos recursos públicos destinados à educação.

A implementação dos conselhos ou colegiados escolares nas instituições de ensino, sem dúvida alguma, veio contribuir para que as decisões tomadas no âmbito da escola reflitam a pluralidade de interesses e visões que existem entre os diversos segmentos envolvidos na comunidade escolar. Este contribui significativamente para que a comunidade escolar possa expressar suas ideias e necessidades, na busca por soluções para a resolução dos problemas enfrentados pela escola, assim como para promover a maior capacidade de fiscalização e controle da sociedade civil sobre a execução da política educacional, buscando a transparência das decisões tomadas. No entanto, é preciso estar atento para que participação da comunidade escolar não se resuma ao exercício de tarefas ou apenas legitimação da ação estatal, se faz necessário que os conselheiros de fato participem das discussões políticas para que as práticas decisórias favoreçam a democratização da gestão na escola, de modo que a atuação dos conselhos não se resuma única e exclusivamente à descentralização financeira proposta pelo Governo Federal.

2.5 A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO E OS NOVOS PADRÕES DE

Benzer Belgeler