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Valens Kemeri ( Bozdoğan Kemeri) – Mevcut Eser

3.2 İstanbul’un Fethi Sonrası Dönem

3.4.1 Valens Kemeri ( Bozdoğan Kemeri) – Mevcut Eser

Para além do papel fundamental que as emoções representam neste contexto e, dado que a formação das mediated crowds se inicia em ambiente online, parece-nos de todo profícuo analisar o modelo proposto por Russ (2007). Porém, este modelo foi proposto pelo autor numa perspetiva de estudo das online crowds. Todavia, e apoiando-nos em Stage (2013) a verdadeira destrinça entre as online crowds e as mediated crowds consiste na manifestação física dos últimos no espaço físico, enquanto nos primeiros isso acaba por não ocorrer. Assim, torna-se premente a compreensão da dimensão virtual deste fenómeno, pois é via online que os indivíduos se agregam, com o intuito de compreender como e quem difunde as mensagens e como se forma uma multidão, preparada e orientada para uma determinada ação para conseguirmos perceber o porquê de nem todas estas ações terem o sucesso desejado.

É em Russ (2007) que iremos basear o nosso modelo. Este autor refere que as pessoas baseiam cada vez mais a sua opinião, fazem os seus juízos e retiram as suas ilações consoante a informação existente no espaço online. Este autor também defende que as raízes dos online crowds remontam às teorias e mecanismos das multidões tradicionais, contudo, “variam em velocidade, em tamanho e em escala” (Russ, 2007, p. 68).

Na adoção deste modelo iremos utilizar também alguma da informação recolhida a partir das entrevistas realizadas no contexto do trabalho, tentando adaptar da melhor maneira possível este modelo à realidade.

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O modelo apresentado por Russ (2007)24 fundamenta-se em quatro fases que

passaremos a descrever adaptando ao contexto deste trabalho.

A primeira fase, denominada por “iniciação”, acontece através da agregação a partir de fatores psicológicos que atraem pessoas com algo em comum. Nesta fase, a validade do conteúdo, que pode ser uma mensagem, uma opinião, um vídeo ou até uma foto, é fator chave para o interesse das pessoas pelo mesmo (p. e. vídeo que representa a violência policial num Estado autoritário).

Numa segunda etapa, a “propagação” dá-se à medida que o conteúdo circula pela rede, onde existe quem se interesse e quem não lhe reconheça valor. No entanto, algumas pessoas ou instituições que são vistas por outras como entidades com maior reconhecimento, ou porque são mais conhecidas, ou porque tem no seu espírito crítico uma maior projeção, ou mesmo porque são mais ativos, acabam por funcionar como “gatilhos” do conteúdo (p. e. uma pessoa com estatuto na sociedade comenta que existe injustiças sociais nesse mesmo Estado). Muitas vezes, apesar de cada um conseguir efetuar um juízo sobre o que lê, vê ou simplesmente ouve, também acaba por enviesar a sua opinião pela confiança que nutre em certas pessoas ou pela constante atenção que se dá a determinado assunto.

O terceiro estágio, a “amplificação” é a última fase da agregação, propriamente dita, já que é aqui que se atinge a massa crítica, ou seja, a maioria das pessoas. Mecanismos facilitadores das redes sociais como os gostos, os hashtags25 e as partilhas tornam-se muito

importantes nesta fase, pois facilitam a difusão dos conteúdos. (p. e. muitas pessoas, residentes ou não, nesse mesmo Estado, começam a opinar e a divulgar conteúdos relacionados na tentativa de denunciar aquilo que consideram como iniquidades ou injustiças).

A última fase do processo, o “términus”, dá-se, normalmente quando o conteúdo perde o seu interesse, acabando assim o processo de difusão viral (p. e. a revolta em relação ao Estado ou à Polícia acaba por desvanecer, ou porque a ação policial é legitimada, ou porque o Estado é deposto, entre outros).

24 Vide Anexo IV.

25 De acordo com Hiscott (2008) a utilização do hashtag começou com o Twitter em 2007, mas rapidamente

se alastrou a outras plataformas. Segundo o mesmo autor, estas ferramentas que se baseiam numa palavra ou mistura de palavras antecedida de um símbolo cardinal, funcionam como identificadores de certos eventos, pessoas, locais, programas ou qualquer outro conteúdo, permitindo aos utilizadores agruparem-se por interesses, de forma instantânea, através de um simples clique. O hashtag #Cairo foi um dos hashtags mais utilizados no decorrer dos protestos políticos no Egipto aquando das Primaveras Árabes (Hiscott, 2008). Para mais informação consultar http://mashable.com/2013/10/08/what-is-hashtag/

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Este modelo proposto por Russ (2007) não foi pensado especificamente para o fenómeno que abordamos no nosso trabalho, embora, na nossa opinião seja fundamental para entendermos a dimensão das mediated crowds na sua vertente online, dado que os intervenientes destas multidões se agregam de forma virtual e só, posteriormente, acabam por passar para o espaço físico.

A sobrecarga de informação, mensagens e conteúdos online, segundo Russ (2007), é nos dias de hoje uma realidade e, portanto as pessoas orientam e filtram a mesma pelos seus próprios interesses e pela validade do conteúdo, tal como já foi referido. Porém, existem certos fatores que influenciam a validade e o interesse desses mesmos conteúdos, o que, por sua vez, faz a diferença entre o fracasso e o sucesso dos mesmos e das suas ulteriores consequências.

Flor26 alude que o momento é fundamental para o sucesso ou não de uma determinada

mensagem. Ou seja, o conteúdo pode ter ou não interesse consoante o momento em que se insere. Flor27 utiliza, como exemplo, o movimento Je suis Charlie que promove a liberdade

de expressão. Este movimento emergiu na sequência do atentado terrorista ao jornal satírico francês Charlie Hebdo. Para o mesmo, se não tivesse existido o atentado não teria nascido o movimento. Desta forma, e recorrendo ao que já estudámos neste trabalho, foi então a “atmosfera emocional comum”, ou seja, as mortes trágicas que ocorreram durante os atentados, que espoletaram tamanha adesão a este movimento, porque as pessoas sentem-se tal como Flor28 refere mais próximas da situação e, portanto, envolvidas pela mesma.

Por sua vez, Coimbra29 refere-se à causa como fator preponderante na adesão a estes

movimentos, pois é a força da causa que move as pessoas. O mesmo exemplifica que se não fossem as condições desumanas, o mau estar da população perante o regime e o anseio por uma maior liberdade já existentes na Tunísia antes da morte de Bouazizi que o vídeo da sua autoimolação não teria tido tanto impacto como teve. Desta forma, revela-se aqui a importância de um “clima emocional compartilhado” para o sucesso destes movimentos ou eventos.

Reforçando estas duas opiniões, Inácio30 salienta a importância do fator emocional

que conjugado com os problemas sociais da atualidade, como por exemplo, o desemprego, para a adesão a novos fenómenos.

26 Conforme entrevista em Apêndice B. 27 Idem.

28 Ibidem.

29 Conforme entrevista em Apêndice A. 30 Conforme entrevista em Apêndice D.

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Coimbra31 sublinha que com a internet tudo pode ser “viral”, o que quer que seja

partilhado, pode adquirir uma dimensão astronómica, dependendo da sua importância, mas também do seu impacto.

Flor32 refere-se ainda à importância de certos “nós das redes”, ou seja pessoas para o

sucesso destas mobilizações. Este ressalva a importância do apoio aos eventos e movimentos por parte de alguns opinion makers33, que acaba por ter um papel preponderante na adesão

aos mesmos. Isto vai de encontro ao referido por Russ (2007) na segunda fase do seu modelo, onde refere a importância de certas pessoas para propagação da mensagem.

O modelo proposto por Russ (2007) parece-nos também importante, pois apesar das emoções desempenharem um papel fundamental na emergência das mediated crowds, também a difusão das mensagens e conteúdos via online é preponderante para o sucesso e a adesão a estas movimentos ou eventos, que mais tarde resultam na manifestação física das mediated crowds.

31 Conforme entrevista em Apêndice A. 32 Conforme entrevista em Apêndice B.

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Capítulo III – Novos fenómenos sociais promovidos pelas redes sociais e a

Benzer Belgeler