Onde estão e como atuam as parcerias, neste conflito, que a AESA deve estabelecer para a proteção dos mananciais, como bem descrito em suas atividades de agência! A articulação com a Companhia de água e esgotos pode não ser necessariamente devido ao conflito, mas porque esta é também usuária da bacia. Por sinal, segundo os moradores, funcionários da CAGEPA passaram por lá, fazendo umas medições e pequena parcela dos comunitários, que pagam apenas taxa, suspeita, que perderão este benefício, mas que se assim for, pedem ao menos que sejam tomadas providências, melhorias na comunidade.
A AESA ainda coordena o Comitê, que em sua 2ª gestão não tem nenhuma atuação no conflito. O Comitê, enquanto espaço de debate político-administrativo
em comitê em nível de estado43. O CBH-LS, nas reuniões que ocorreram em 2011,
dentre outras coisas, tratou de debater experiências de outros comitês: como aqueles têm realizado suas atividades, como tem sido a cobrança pelo uso da água e quais os destinos desses recursos. Eles, a maioria, sabem da realização do monitoramento de 2008, porque tem membro da UFPB na gestão do comitê, mas desconhecem os problemas da comunidade de Mumbaba.
Perguntamos ao MP, AESA, APAN e à comunidade se conheciam o CBH- LS, e todos eles, sabem da existência do Comitê, muito embora na comunidade apenas um entrevistado só tenha ouvido falar da existência. As indústrias e a SUDEMA não responderam.
Gráfico 2: Sabe da existência do Comitê.
Já os comunitários, lado mais frágil do conflito, conforme fez questão de lembrar o técnico do MPPB, gostam de morar no local, mas atualmente não estão cuidando para que se conquiste qualidade de vida. E essa qualidade de vida não depende apenas da reestruturação das indústrias e da atuação dos demais atores, mas também da própria comunidade.
Eles também contribuem (ALIER, 2007 apud WALDMAN, 2006) com cargas orgânicas, por meio dos esgotos, lançadas no córrego que vão para os rios. Assim, podem alegar, e alegam que é um problema de política pública e nós concordamos
por semana, contudo, há lixo por toda a comunidade. Em cada canto da comunidade encontramos amontoados de lixo, muito lixo. Lixo depositado dentro do córrego: pneus, cadeiras, garrafas pet, dentre outros.
A comunidade não se mobiliza atualmente para tentar resolver o problema. Classificando este grupo de acordo com Douglas e Wildasky (1982), não conseguimos enxergar um único tipo, mas trata-se de um grupo de pessoas que, por exemplo, tem pouco ou nenhum contato com outros atores do conflito (hierárquico); além disso, existem facções no interior da comunidade que ameaçam o grupo, que por sua vez, também se sente ameaçado por agentes externos (Igualitário); entendemos ainda que trata-se de um grupo fatalista porque sofre com o poder e a hierarquia de outros atores.
São anos de luta. É comum aos conflitos a instabilidade de participação, mas até mesmo o blog da comunidade, quando perguntamos se conheciam ou se acessavam, apenas 25% afirmaram saber da existência44.
Figura 7: Blog de Mumbaba.
Fonte: http://mumbabaagenda21localjo-pb.blogspot.com/search?updated-min=2009-01-
01T00%3A00-03%3A7updated-max=2010-01-01T00%3A00%3A00-03%3A00&max-results=8,. 2011.
44 Trata-se de comunidade popular e podem não ter acesso à rede mundial de computadores, mas o
que se põe em questão agora é o desconhecimento da existência da página da web, criada por membros da própria comunidade .
Gráfico 3: Conhecem ou já acessaram o blog da comunidade.
A mesma pergunta foi feita a todos os outros atores, com exceção das indústrias, cujos representantes não foram entrevistados.
Gráfico 4. Conhecem ou já acessaram o blog da comunidade.
Então, se por um lado não há interesse como visto por parte de uns órgãos, por outro, a comunidade também já não está se fazendo enxergar. Importa mencionar que não há conhecimento na comunidade de que foi realizada a força- tarefa, as constatações, notificações, infrações e até o fechamento de fábricas, por isso os comunitários afirmam que “nem o Ministério Público está fazendo nada para resolver a situação”.
Conhecem ou já acessaram o Blog de Mumbaba
SIM
isso significou uma grande perda, visto que ele era o responsável pela mobilização, pelo chamamento da comunidade para a luta.
O fato de a associação também não levar para dentro de suas discussões e campo de luta o conflito também é um complicador da situação para os comunitários. Existem iniciativas individuais, as quais só consegue conversar com os donos das fábricas, o que não tem surtido efeito, pelo menos para a resolução do problema. Outra grande oportunidade seria a parceria com uma instituição como a APAN ou a EVOT. Não que eles precisem de algum tipo de tutela, mas precisam de pessoas com vontade e com aporte de conhecimento, informação e know how.
Quanto aos impactos, eles se referem à qualidade de vida daquelas pessoas, pois estão diretamente ligados à saúde física, mental e psicossocial. Independente de a população estar naquele território de forma legal ou ilegal, a situação é imoral, desumana e antiecológica.
Impactos45 sociais da poluição
Problemas respiratórios (IRA) – provocados pelas altas temperaturas dos efluentes lançados, assim como pelo forte odor. Sem falar na poluição atmosférica das indústrias em geral.
Esquistossomose, verminose de veiculação hídrica. Morte de peixes – perda de fonte de alimentação
Perda do local de banho (lazer), para alguns, exceto os que continuam fazendo o uso
Perda do local para se lavar roupa Perda de colheitas (milho) e hortas Óbito da lavadeira
Quadro 4: Impactos sociais. Fonte: Pesquisa de campo, 2011.
45 Tommasi (1994) concebe impacto como uma alteração física ou funcional em qualquer
componente ambiental. Pode ser favorável ou desfavorável ao ecossistema ou à sociedade humana. Tommasi, L. R. (1994). Estudo de impacto ambiental. São Paulo: CETESB / Terragraph Artes e Informática.
Foto 21: a)Lavagem de roupas no Riacho Mussuré. b) Lavagem de roupas e crianças brincando às