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BÖLÜM 4: ANA KONULARI EKSENĐNDE NECM SÛRESĐ

4.1. Vahiy Meselesi

4.1.1. Vahyin Tanımı

Ao pensarmos no estabelecimento das relações amorosas como tradicionalmente conhecidas, em termos gerais teremos como primeira impressão algo relacionado a uma atração baseado nos atributos físicos do outro, às vezes bastante sutis, como o olhar, a voz ou o perfume da pessoa que nos atrai.

Na continuidade do processo face a face são encontradas afinidades e explicitados valores, costumes e crenças, desenvolvendo-se assim uma compreensão empática do outro. A relação progride rumo a uma intimidade emocional e/ou sexual.

Em um primeiro momento, nos primórdios da internet os recursos de voz e imagem não eram utilizados. Somente na década de 90 imagem e som puderam ser integrados aos contatos on-line, embora os relacionamentos amorosos e sexuais já viessem acontecendo desde os primeiros websites de encontros e namoros.

As relações mediadas por computador baseavam-se essencialmente no que era dito/ escrito pelo outro, tanto na descrição física como na compreensão das afinidades e valores.

Nicolaci-da Costa (1998, p. 206) assim descreve esse ambiente:

Os chamados relacionamentos virtuais, em que as pessoas se conhecem em canais de bate-papo sem saber que aparência tem, ficam amigas sem jamais terem se visto ou ouvido, namoram e amam sem jamais terem se tocado ou trocado um beijo... O que conta é o que essas pessoas escrevem, pois são relacionamentos via teclado.

A atração consistia no que era construído pelos dois, no espaço virtual, por meio das palavras, ícones e significados que, partilhados, favoreciam a familiaridade, a proximidade e

a intimidade recíprocas. A frase da época – Vamos teclar? – significava muito mais do que só digitar palavras e frases...

Atualmente a CMC permite a transmissão de voz, imagens, textos e vídeos, o que aproxima ainda mais as pessoas que interagem no modo on-line.

Cooper & Sportolari (1997), descrevem como se desenvolve o enamoramento on-

line, em comparação com o que ocorre no namoro face a face. Para eles, a estrutura e o

processo on-line facilitam as conexões interpessoais positivas, incluindo o desenvolvimento saudável das relações amorosas. A CMC reduz o papel que os atributos físicos desempenham no processo de atração e favorece fatores como proximidade, relacionamento, similaridade e autorrevelação mútua, promovendo conexões eróticas que resultam em intimidade emocional, que muitas vezes pode migrar para a vida real.

Os autores partem das etapas do desenvolvimento amoroso descritas por Brehm (1992) para compreender a atração on-line e levantam aspectos como: atratividade física, proximidade, autodivulgação, espaço interpessoal e intimidade, e conexão erótica. Vamos detalhá-las:

• Atratividade física – em culturas que enfatizam a aparência física a internet fornece formas para propiciar esta demanda; as câmeras de vídeo (webcams), quando não sentidas como perda de privacidade, tentam prover esta interação, mas não conseguem substituir o efeito face a face.

A apresentação dos internautas, na qual nos deteremos mais adiante, é feita de acordo com o desejo ou necessidade que as pessoas têm de se expor, permanecendo porém dentro do controlável, pois só é dito o que se gostaria de dizer, ao passo que nas interações face a face os julgamentos são imediatos e baseados nos atributos físicos e projeções. O relacionamento on-line favorece a aproximação e o envolvimento de pessoas mais tímidas e inseguras, como as que possuem excesso de peso ou que passaram por traumas decorrentes de vivências de abuso ou violência; contudo, ao mesmo tempo em que as protege pelo anonimato, também as expõe a novos contatos dolorosos, pela proteção estendida também ao outro.

• Proximidade/ Rapport – a proximidade, mesmo que espacial, cria uma sensação de familiaridade. O contato com o outro pode ser feito no conforto da própria casa, sem ter que vestir-se ou preocupar-se aonde ir. A criação de uma “paralinguagem”, com símbolos ou emoticons, torna o texto mais emotivo e brincalhão e favorece a aproximação.

• Autodivulgação – os autores acreditam que quanto maior a divulgação ou exposição mútua das próprias características, maior o desenvolvimento de intimidade entre duas pessoas, inclusive há a preferência pelas pessoas

que promovam uma maior exposição de informações íntimas do que aquela mais reservada.

Não podemos esquecer que a autodivulgação pode ser característica da sociedade em que esta pesquisa está inserida. Talvez seja este um tema a ser pesquisado em outros países e culturas.

Cooper & Sportolari (1997) acreditam também que as revelações são favorecidas pela mediação do computador, pois alguns assuntos não seriam facilmente tratados face a face; ademais, algumas habilidades só aparecem através das atividades on-line.

• Espaço interpessoal e intimidade – o espaço pessoal é preservado e existe uma esfera de interação criativa e íntima entre os dois, uma conexão. É mais fácil se envolver pois acredita-se que haja maior controle do espaço íntimo preservado, bastando desconectar-se. A intimidade é conquistada através do que é partilhado com emoção e o sentimento de aceitação e compreensão cria um elo de profundidade.

• Conexão erótica – os autores citam Levine (1992) para afirmar que toda intimidade psicológica tem o poder de provocar uma erotização com a pessoa partilhada, um desejo de se expressar fisicamente, uma conexão íntima. Os internautas minimizam a atração física pela conexão psíquica que é considerada mais íntima, sutil e poderosa como motivadora de nossa expressão sexual. Outros dois aspectos importantes que mantêm o interesse sexual entre casais são a autonomia e a comunicação, também encontrados na CMC, pois cada parceiro sente-se autônomo dentro do relacionamento e a comunicação mantém a conexão erótica elevada, através da explicitação de desejos e expressão das emoções.

Efetivamente, observa-se a transposição da atratividade física para outros recursos expressivos presentes na comunicação on-line. Inicialmente há o conhecimento das características escolhidas pelos parceiros, e assim o investimento na sedução. A intimidade se dá pelas constantes aproximações e pela criação de um espaço relacional virtual, o espaço da relação que poderíamos relacionar ao “absoluto do casal” (CAILLÉ, 1994), presente nas relações face a face, que ganha em cumplicidade e consequentemente transforma-se em eroticidade.

As facilidades descritas na manutenção das individualidades no espaço interpessoal são favorecidas pela privacidade e realmente contam favoravelmente para a manutenção de uma relação amorosa, assim como a expressão dos desejos e emoções que são privilegiadas na escrita, e também pela não interrupção do que se deseja dizer.

No entanto, a autodivulgação ou a autoexposição parece-nos ainda não tão consistente como facilitadora nos contatos on-line. A exposição demasiada, que os autores acreditam ser a mais indicada, poderia promover uma evolução da intimidade emocional,

que muitas vezes não consegue ser sustentada pelas bases ainda não sedimentadas, tais como a confiança e o respeito ao outro.

Em estudos mais recentes (UNDERWOOD; FINDLAY, 2004), a troca de fotografias, de vídeos e a utilização de webcam parecem indicar que a atratividade ocupa um papel importante na CMC, diferentemente do sugerido por Bargh et al. (2002).

Nas pesquisas de Madden & Lenhart (2006), 31% dos americanos adultos dizem conhecer alguém que usa sites de namoro; 26% afirmam que já conheceram alguém nesses sites, e 15% dos americanos adultos – cerca de 30 milhões – tiveram um relacionamento de longo prazo ou casaram-se com alguém que conheceram on-line.

Para essas autoras, a preocupação dos usuários em relação aos sites de namoro on-

line centra-se na questão da segurança: 66% consideram perigoso colocar informações

pessoais na rede, e os que demonstram mais cautela são as mulheres, os usuários mais velhos e os de menor renda e educação. Outro fator de insegurança para 57% dos participantes dos sites é a consciência de que uma grande quantidade de pessoas faz uso de mentiras, principalmente sobre o estado civil.

Podemos constatar por esses estudos que as relações obtiveram ganhos na interação on-line dados os números de relacionamentos descritos, mas tornam-se necessárias mais pesquisas sobre o processo de autorrevelação na internet.

Oliveira (2011, p. 141) realizou uma pesquisa destacando os aspectos relacionados à presença das mulheres nos sites de relacionamento amoroso, destacando que estes locais “agregam pessoas com interesses comuns”.

Gostaríamos de salientar, por meio das palavras de Nicolaci-da-Costa (2005, p. 77), o retrato dos contornos desta nova configuração psíquica, que:

[...] apontava novas possibilidades para relacionamentos antigos (possibilidades essas que incrementavam a proximidade psicológica em relacionamentos geograficamente distantes); mostrava como os chats estavam subvertendo a forma de se travar contato com pessoas (conhecia- se o que diziam ser antes de conhecer-se características físicas); revelava que a escrita dos bate-papos e de outras formas de programas interativos estava se tornando uma nova e importante fonte de autoconhecimento e de auto-ajuda; e deixava claro o quanto podiam ser íntimos e duradouros os relacionamentos virtuais que subvertiam os procedimentos tradicionais de construção da intimidade e de possíveis parcerias de vida.