2.5. Vaftizin Yapılma Şekli, Zamanı ve Tekrarı
2.5.2 Vaftizin Yapılma Zamanı
Como definido acima, claro está que o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) do Governo Federal resultou em impactos na renda e desigualdade de toda a população diretamente ligada ao setor da construção civil.
Contudo, antes de mensurar o impacto expressivo na renda e desigualdade provocado pelo Programa de Habitação do Governo Federal, faz-se necessário definir em qual cenário o Brasil estava inserido antes implementação do referido programa, iniciado em 2009.
IPEA (2012a) aponta que o Brasil, entre os anos de 2001 e 2009 apresentou aumento na renda domiciliar per capita de mais de 23% (vinte e três por cento) em todo este período, sendo que o Estado de Minas Gerais ultrapassou esse
percentual, apresentando um crescimento além da média nacional, com mais de 39% (trinta e nove por cento) de elevação da renda per capita no mesmo período.
É o que demonstra o gráfico abaixo, veja:
Gráfico 9: Renda Domiciliar per capita média Fonte: IPEA (2012, p. 15).
Em relação às desigualdades, no período de 2001 a 2009, o Estado de Minas Gerais apresentou reduções nas desigualdades, com forte tendência a queda da pobreza extrema. Tais questões são retratadas abaixo. In verbis:
Sob o ponto de vista da pobreza extrema – ou seja, daqueles que auferem renda per capita inferior a R$ 67,07, por mês, em setembro de 2009 e para os anos anteriores deflacionados pelo Índice Nacional de Preços ao consumidor (INPC)4 –, Minas Gerais apresenta tendência de queda. Em 2001, 9% da população vivia em pobreza extrema, sendo que essa proporção diminuiu para 3% em 2009. Comparativamente ao ocorrido na região Sudeste, essa trajetória foi mais intensa. No mesmo período, a pobreza extrema na região passou de 5,6% para 2,3%. Os índices nacionais são de 10,5% e 5,2% para 2001 e 2009, respectivamente (IPEA, 2012a, p. 15).
Mesmo refletindo uma significativa queda na desigualdade com reflexos do aumento da renda per capita nacional e também em Minas Gerais, é importante frisar que, o documento “Comunicados do IPEA n.º 49”, publicado em maio de 2010, o qual apresenta uma Evolução dos Rendimentos do Trabalho e o Papel do Salário
Mínimo entre os anos de 2004 a 2008, aponta que neste período trabalhadores da indústria extrativa e da construção civil representam os trabalhadores com ocupações com menor renda média (IPEA, 2010).
Tais informações demonstram que, apesar do aumento da renda per capita desde o inicio dos anos 2000 até o ano de 2009 ser considerado significativo, esse aumento não significou mudança na renda per capita auferida pelos trabalhadores do setor da construção civil.
Porém, após a implementação do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) em 2009, este panorama vem apresentando grandes mudanças, tendo em vista o fato de que os trabalhadores do setor da construção civil passaram a ter o aumento significativo de sua renda, que resulta em uma tendência a queda dos níveis de desigualdade. É o que será demonstrado.
Em pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) em parceria com o Ministério do Trabalhado e Emprego (MTE), ficou constatados que existe um aumento crescente do rendimento médio real habitualmente recebido no país, veja o gráfico abaixo:
Gráfico 10: Rendimento médio real habitual (2008 a 2011) Fonte: IPEA; MTE (2011, p. 14)
Em um panorama geral do gráfico anterior, pode-se observar que houve uma evolução mensal deste indicador nos últimos anos, sendo que o ano de 2011 encontra-se em patamares superiores aos anos anteriores.
Outro ponto que está plenamente evidenciado no gráfico é o fato de que a aumento da renda começou a ser acentuado a partir de 2009, ano que se iniciou a implementação do Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV), donde se conclui em uma ligação direta entre os efeitos dessa política habitacional com aumento da renda dos trabalhadores no Brasil.
Souza e Osório (2011, p. 53) relatam com veemência que o aumento da renda no país contribui significativamente para a queda da desigualdade interpessoal.
Em suma, a convergência da renda domiciliar per capita, motivada principalmente pelo comportamento distinto da renda do trabalho nas RMs e no resto do país, contribuiu decisivamente para a queda recente da desigualdade interpessoal de renda. Embora as RMs continuem a ser as regiões mais ricas do país, elas deixaram de ter os mercados de trabalho mais dinâmicos, sofrendo os efeitos da desconcentração produtiva que beneficia o restante do Brasil e contribui para a redução da desigualdade regional.
Em corroboração com as conclusões apresentadas acima, a pesquisa “De volta ao País do Futuro” do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas define que o Brasil atingiu em 2012 o menor nível de desigualdade desde 1960. A mesma pesquisa tem como projeção a redução progressiva da desigualdade, contudo, aponta que por ser um país considerado entre os 12 (doze) com maior desigualdade, o Brasil vem apresentando quedas significativas de desigualdade desde 2001, refletindo inclusive sobre a pobreza no país, que vem reduzindo com um ritmo três vezes mais rápido do que da meta do milênio da ONU (NERI, 2012).
É importante ressaltar, contudo que, apesar do aumento da renda apresentado ao longo deste texto, o Gráfico 10 apresenta uma queda no rendimento médio real habitualmente recebido no país entre os meses de agosto e setembro do ano de 2011.
A pesquisa IPEA e MTE (2011) aponta que, apesar de não poderem descartar a hipótese de oscilação em virtude da coleta amostral, o movimento declinar chama atenção tendo em vista o fato que não há registro de queda em outros períodos de análise nos anos anteriores, o que levou os autores da pesquisa
a concluírem que tal movimentação pode refletir no início de uma possível perda de dinamismo do mercado de trabalho brasileiro.
7.2.3 Repercussão e Consequências dos Impactos
Como dito acima, o aumento da renda per capita vem contribuindo com a redução das desigualdades, tal fato, conforme ensinamentos dados por Souza e Osório (2011, p. 47) também possibilita a melhoria da qualidade de vida da população, reduzindo a pobreza e proporcionando maior bem-estar aos trabalhadores, veja:
Na última década, a combinação de crescimento econômico com redução da desigualdade na distribuição interpessoal da renda gerou ganhos de bem-estar para todos e diminuição acentuada da pobreza. Porém, o desempenho não foi uniforme no território, e o foco na distribuição nacional de renda às vezes relega ao segundo plano algumas mudanças relevantes na desigualdade regional. A diminuição do abismo que separava as regiões metropolitanas (RMs) e o restante do Brasil, em particular, é um fenômeno de longo prazo que nem sempre é considerado nas análises da queda da desigualdade de renda.
Apesar dos ensinamentos apresentados, outro posicionamento da doutrina aponta que a pobreza e a desigualdade não podem ser analisadas conjuntamente, pois estes seguimentos são independentes, sendo a pobreza e a desigualdade de renda males distintos.
Sobre o assunto, Veiga (2012, p. 1) aponta de forma categórica que: Até economistas às vezes se equivocam ao pensar que pobreza e desigualdade caminhem juntas. Nada mais natural, então, que esse engano seja muito comum entre os leigos. Quase todo mundo supõe que a redução da pobreza também signifique redução da desigualdade de renda. Seria bom que assim fosse. Mas não se deve confundir desejo com realidade. É ótimo que se queira diminuir simultaneamente a pobreza e a desigualdade de renda. Não se pode esquecer, contudo, que a desigualdade facilmente piora enquanto diminui a pobreza.
Cordeiro et al (2006, p. 4) também apontam entendimento neste sentido ao definir que o índice de crescimento somente terá efeito na redução da pobreza se houver efeitos “desse crescimento sobre a distribuição de renda e as desigualdades iniciais de renda, recursos e acesso a oportunidades que habilitem os pobres a compartilhar o crescimento”.
Os autores adeptos a este posicionamento definem que, o que determinam a redução ou não da pobreza e da desigualdade são os frutos do aumento de renda aproveitados pela sociedade, tendo vários pontos que podem influenciar nesta variável, como a distribuição dos direitos de propriedade e a transferência de renda em todas as esferas governamentais (VEIGA, 2012).
Mesmo existindo todo esse posicionamento doutrinário inerente a não possibilidade de vinculação conjunta da pobreza e da desigualdade, no caso em análise, pode-se apurar que o fato da renda per capita ter se ampliado após a implementação do Programa Minha Casa Minha Vida resultou também na redução das desigualdades no setor ora analisado, pois possibilitou a aquisição da casa própria por milhões de pessoas.
Assim, a repercussão e as consequências do aumento da renda e da redução da desigualdade no país após o inicio deste programa habitacional do governo federal são pontos positivos do programa que, em virtude das configurações geográficas do Brasil, esta submetida a diversas peculiaridades socioeconômicas que podem resultar nestes grandes níveis de desigualdades existentes desde a colonização, mas que passaram a observar níveis de redução significativos (RANDS, 2011).
Portanto, o principal resultado deste aumento da renda per capita após a instalação do Programa Governamental é o reflexo desta mudança na aceleração da redução da desigualdade que resulta em uma melhor qualidade de vida à população, sendo este o objetivo de toda política pública de cunho socioeconômico como o Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV).
Ao longo deste trabalho foi possível elencar os principais pontos de impacto de um programa governamental em um Município de médio porte no interior do Estado de Minas Gerais, com pouco mais de 120 (cento e vinte) mil habitantes.
No estudo de caso, a implantação do PMCMV no município Patos de Minas/MG ocasionou diversos impactos, dentre eles destaca-se o grande fomento da construção civil no município, com atuação positiva no número de empregos formais, evidenciado inclusive pela migração de mão de obra de outros setores, bem como contribuiu, juntamente com outros fatores, para o aumento da renda per capita e redução da pobreza e desigualdade.
No aspecto ambiental, o principal impacto é o aumento do descarte irregular de RCC, que resultou na degradação das matas ciliares e recursos hídricos da região. Contudo, todos os impactos enumerados são passiveis de reversão, cabendo ao setor privado e ao governo municipal, atuar de forma a reverter os danos causados por meio de técnicas adequadas de recuperação.
Esta dissertação mostrou com clareza que os municípios não estão estruturalmente preparados para receber um programa governamental da magnitude do PMCMV, tal fato deve-se as diferenças existentes entre municípios de diversos portes, os quais muitas vezes não possuem condições financeiras e técnicas para solucionar os problemas resultantes do programa.
Portanto, o Governo Federal deve articular medidas que integrem o conhecimento da realidade local para que haja uma gestão mais eficiente e eficaz, o que somente será alcançado com a realização de estudos prévios de impactos ambientais, os quais têm por objetivo apontar as possíveis falhas e melhorias destas políticas aplicadas em diversos nichos populacionais existentes no Brasil.
Neste aspecto, pode-se concluir que o PMCMV é um programa social de grande importância para a população de baixa renda, contudo, sua implantação deveria ser menos política, para assim, se tornar além de um programa socioeconômico, também ambientalmente sustentável, afinal de contas, somente ao considerar a proteção do meio ambiente como direito fundamental que garantia do bem-estar social poderá ser alcançada de forma plena.
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