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Belgede Babil'in Kervan Taciri (sayfa 103-115)

Os resíduos sólidos apresentam uma forte relação com a sustentabilidade, pois além da sua dimensão ambiental, esse sistema possui componentes sociais e econômicos relevantes, e dada proximidade com o dia a dia das pessoas, podem ainda ser utilizados de modo atrativo para a discussão sobre sustentabilidade (MILANEZ, 2002).

Embora a PNRS não traga uma definição clara de desenvolvimento sustentável, parece se basear no conceito do Relatório Brundtland, uma vez que no Art.3º inciso XIII, define “padrões sustentáveis de produção e consumo” como sendo

a produção e consumo de bens e serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das gerações futuras (BRASIL, 2010b).

Interessante observar também que a PNRS definiu a gestão integrada de resíduos sólidos como um conjunto de ações voltadas para a busca de soluções para os resíduos sólidos, considerando as dimensões política, econômica, ambiental, cultural e social, com controle social e sob a premissa do desenvolvimento sustentável (BRASIL, 2010b). Essa definição trazida pela PNRS considera as mesmas dimensões da sustentabilidade anteriormente mencionadas, o que pode ser considerado um avanço significativo na área da gestão de resíduos sólidos, pois possibilita que a mesma seja pensada sob novas perspectivas (TEIXEIRA; CAMARGO, 2012).

A Lei 12.305/2010, traz no Art. 8º alguns instrumentos que superam a gestão convencional de resíduos e avançam no sentido de atender aos princípios relacionados à sustentabilidade, em suas diferentes dimensões. Foram assim destacados, entre outros, os seguintes instrumentos:

(...)

III - a coleta seletiva, os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;

IV - o incentivo à criação e ao desenvolvimento de cooperativas ou de outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis; (...)

VI - a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final ambientalmente adequada de rejeitos;

(...)

VIII - a educação ambiental; (...)

XIV - os órgãos colegiados municipais destinados ao controle social dos serviços de resíduos sólidos urbanos;

(...)

XIX - o incentivo à adoção de consórcios ou de outras formas de cooperação entre os entes federados, com vistas à elevação das escalas de aproveitamento e à redução dos custos envolvidos (BRASIL, 2010b).

Observa-se, portanto, que o antigo paradigma de se enfatizar apenas a coleta e o afastamento dos resíduos sólidos foi substituído por uma abordagem em que a sustentabilidade pode ser detectada e as suas dimensões contempladas, conforme os exemplos a seguir, embora alguns possam relacionar-se com mais de uma dimensão:

 ambiental: coleta seletiva, reciclagem, compostagem, disposição ambientalmente adequada, novos produtos, métodos e processos;

 econômica: logística reversa, responsabilidade compartilhada, formação de consórcios para ganhos de escala e redução de custos, cobrança dos serviços prestados;

 social: apoio a cooperativas e associações de catadores;

 política: planos participativos, cooperação entre setores (poder público, setor empresarial e sociedade), órgãos gestores colegiados, garantia à informação e ao controle social;

 cultural: educação ambiental, consumo sustentável, redução da geração de resíduos.

Um importante aspecto trazido pela Política, no Art. 9º, se refere à ordem de prioridade que deve ser atribuída na gestão e no gerenciamento dos RS, a saber:

1. Não geração; 2. Redução; 3. Reutilização; 4. Reciclagem;

5. Tratamento dos RS;

6. Disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos (BRASIL, 2010b).

Esta classificação estabelecida pela PNRS, a qual prioriza a prevenção da geração dos RS, e estabelece que apenas deve-se dispor o rejeito, ou seja, a fração impossibilitada de ser

tratada e recuperada, se assemelha a adotada em 2008 pela União Européia, uma vez que a Diretiva de Resíduos 2008/98/EC, estabelece a seguinte ordem de prioridade:

1. Prevenção;

2. Preparação para a reutilização; 3. Reciclagem;

4. Outros tipos de valorização, por exemplo, recuperação de energia; 5. Disposição final (EUROPEAN PARLIAMENT, 2008).

Estas hierarquias definidas em ambas as legislações atendem aos anseios de um desenvolvimento mais sustentável, pois prevenir a geração dos RS consiste em poupar as gerações futuras de ter que arcar com os passivos da geração atual.

Assim como se identificou na PNRS, a Diretiva de Resíduos 2008/98/EC também possui aspectos que se relacionam com as dimensões da sustentabilidade, elencados a seguir:

 ambiental: padrões mínimos de reciclagem, compostagem, biodigestão, banimento e restrições para a disposição em aterros e para a incineração de tipos específicos de RS;

 econômica: impostos sobre os RS, responsabilidade estendida do produtor (poluidor-pagador), pagamento pelo descarte (usuário-pagador);

 política: planos participativos de gestão de RS, direito à informação, cooperação na elaboração dos planos e na gestão dos RS;

 social: proteção da saúde humana;

 cultural: prevenção da geração de RS, incentivo à separação dos resíduos orgânicos, campanhas de sensibilização.

Pontos comuns puderam ser identificados em ambas as legislações, a primeira delas é o fato de ambas objetivarem restringir o uso dos aterros sanitários. A separação dos resíduos, inclusive da fração orgânica, bem como uma cultura preventiva em relação a sua geração, são aspectos detectados. Dentro da vertente econômica as duas abordam a responsabilidade estendida do produtor e o pagamento pelo descarte. A cooperação (entre setores, municípios ou Estados Membros) para melhoria da gestão dos RS, a elaboração de planos participativos e o direito a informação, também estão presentes nestes documentos.

Entretanto, o peso da dimensão social na PNRS difere da Diretiva Européia, uma vez que o contexto social brasileiro inclui a presença dos catadores e das cooperativas de materiais recicláveis, e a legislação veio reconhecer a atuação destes agentes quando

reconhece os resíduos recicláveis e reutilizáveis “como um bem econômico e de valor social, gerador de trabalho e renda e promotor de cidadania” (BRASIL, 2010b). De maneira análoga, nos países europeus, a restrição da incineração parece ter maior relevância, uma vez que essa tecnologia se disseminou ali com maior intensidade.

Observa-se desta forma que mesmo com diferenças associadas aos seus contextos, ambas as políticas incorporaram aspectos da sustentabilidade, indicando possibilidades mais otimistas para a gestão dos RS.

5.2INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE E SUA INTERFACE COM A PNRS

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