Os planos de resíduos sólidos são importantes instrumentos previstos pelas: Política Estadual de Resíduos Sólidos – SP (SÃO PAULO, 2006), Política Nacional de Saneamento Básico (BRASIL, 2007), e Política Nacional de Resíduos Sólidos (BRASIL, 2010b). Todas elas reforçam a importância do controle social e do emprego de indicadores para gestão de resíduos sólidos, e determinam seu uso pelos municípios, especialmente nos planos municipais.
A Política Estadual de Resíduos Sólidos (SP), já em 2006, determinava a elaboração de Planos de Gerenciamento de Resíduos Urbanos. O monitoramento por meio de indicadores da qualidade ambiental já era um instrumento previsto no seu Art. 4º. Consta também no Art. 13º da referida política que a gestão dos resíduos sólidos urbanos deve ser feita pelos municípios, de forma, preferencialmente, integrada e regionalizada, com cooperação do Estado e participação da sociedade civil (SÃO PAULO, 2006).
A Política Nacional de Saneamento (PNSB), de 2007, determina a elaboração dos Planos Municipais de Saneamento Básico, os quais devem abarcar a vertente “resíduos sólidos” e contemplar entre outros tópicos: diagnóstico da situação e de seus impactos nas condições de vida, por meio de sistema de indicadores sanitários, epidemiológicos, ambientais e socioeconômicos, e apontando as causas das deficiências detectadas (BRASIL, 2007).
A PNSB também trata em seu Art. 3º inciso VI do estabelecimento de mecanismos de controle social, o qual está definido como o “conjunto de mecanismos e procedimentos que garantem à sociedade informações, representações técnicas e participações nos processos de formulação de políticas, de planejamento e de avaliação relacionados aos serviços públicos de saneamento básico” (BRASIL, 2007).
Outro ponto de interesse é o fato da PNSB instituir, em seu Art. 53º, o Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), com os objetivos de:
I - coletar e sistematizar dados relativos às condições da prestação dos serviços públicos de saneamento básico;
II - disponibilizar estatísticas, indicadores e outras informações relevantes para a caracterização da demanda e da oferta de serviços públicos de saneamento básico;
III - permitir e facilitar o monitoramento e avaliação da eficiência e da eficácia da prestação dos serviços de saneamento básico (BRASIL, 2007).
Por ser de competência dos municípios a gestão local dos resíduos sólidos, a PNRS determinou que os municípios brasileiros elaborassem os Planos Municipais de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), de modo compatível com a realidade local e que
estes podem vir a incorporar os Planos Municipais de Saneamento Básico, desde que atendam os requisitos mínimos previstos na PNSB (BRASIL, 2010b).
A Política Nacional de Resíduos ao abordar o conteúdo mínimo do PMGIRS, define que este deve conter entre outros aspectos: indicadores de desempenho operacional e ambiental dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo de resíduos sólidos, sistema de cálculo dos custos da prestação dos serviços, ações preventivas e corretivas a serem praticadas, incluindo programa de monitoramento (BRASIL, 2010b).
Do mesmo modo que a PNSB, a PNRS institui o Sistema Nacional de Informações Sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (SINIR), sob a coordenação e articulação do Ministério do Meio Ambiente. Segundo ela, o SINISA, deverá fornecer informações para o SINIR referentes aos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos (BRASIL, 2010b).
O SINIR tem a finalidade de coletar e sistematizar dados relativos à prestação dos serviços públicos e privados de gestão e gerenciamento de RS, inclusive dos sistemas de logística reversa implantados, também deve disponibilizar estatísticas, indicadores e outras informações relevantes a fim de facilitar o monitoramento, a fiscalização e a avaliação da eficiência da gestão e gerenciamento RS nos diversos níveis (BRASIL, 2010c).
Ainda com relação à PNRS, de acordo com o Art. 14º, parágrafo único da Lei, deve ser assegurada ampla publicidade ao conteúdo dos planos de RS, bem como controle social em sua formulação, implementação e operacionalização (BRASIL, 2010b).
Deste modo constata-se que tanto a elaboração do PMSB, quanto do PMGIRS, em todas as suas etapas, incluindo a realização de audiências e consultas públicas, é um importante canal de participação da população no planejamento das questões relativas ao saneamento municipal, incluindo a gestão dos resíduos sólidos.
O monitoramento das informações é um ponto importante para o planejamento da gestão integrada dos resíduos sólidos, e o uso de indicadores está relacionado à necessidade de medir um fenômeno, para compreendê-lo, democratizar a informação e possibilitar que intervenções sejam feitas. Segundo Milanez (2002), os indicadores permitem o conhecimento de uma realidade, possibilitam a tomada de decisão e o monitoramento de sua evolução.
Indicadores quantificam informações, de forma que sua significância esteja mais rapidamente aparente, e simplificam a informação sobre fenômenos complexos para melhorar a comunicação com público e com os tomadores de decisão (GRANADOS; PETERSON1 apud MILANEZ, 2002, p.56).
1
GRANADOS, Å. J. & PETERSON, P. J. Hazardous waste indicators for national decision makers. Journal of
Verifica-se que ao longo dos últimos anos vem-se estabelecendo um novo cenário para a gestão de resíduos sólidos, no qual surgem sistemas de informações, em contraponto a uma antiga carência de dados. Os municípios passam a ser protagonistas na construção de suas realidades através dos planos municipais, nos quais se faz necessária a participação da população em todas as etapas do processo.
O que se propõe é uma gestão democrática, participação nos processos de formulação de políticas, de planejamento e de avaliação, que garanta à sociedade informações. Estabelece-se assim oportunidade para os municípios discutirem gestão de resíduos sólidos, indicadores e processos participativos.
Tal como propõe a presente pesquisa, os IS para RS, sendo ferramentas que devem compor o PMGIRS, têm potencial de serem utilizados tanto pelos gestores municipais no processo de tomada de decisão, quanto pela a população no entendimento e envolvimento com a gestão de resíduos sólidos. Estando a comunidade mais informada, empoderada de conhecimento, se encontra também mais apta a discutir, questionar e colaborar com a gestão de RS no município.
3.2 SUSTENTABILIDADE