2.5. VÜCUTTAKİ YAĞ MİKTARININ ÖLÇÜLMESİ 1 Vücuttaki Yağın Doğrudan Ölçümü:
2.5.2. Vücuttaki Yağın Dolaylı Olarak Ölçümü
Fiorucci (uma famosa marca – griffeI - de moda, muito em voga nos anos 80 e 90, em que se pagava extraordinariamente cara para que o comprador se exibisse como garoto(a)- propaganda da dita marca), à espera do cavaleiro armado de coragem e bonomia.
A ambiguidade dos objetos assim apresentados se presta a um sem número de papéis de transposição de uso e qualificação criando a aura de “barato” nos ambientes em que se inserem. Para Moles (1986) “todos estes sistemas de oposição têm o papel de estimular uma atividade emotiva que confere plenitude à vida e que pertence, sociologicamente, ao fenômeno artístico, ainda que seja execrada pelo esteta” (p.67).
Assim aparecem: o Kitsch sexual, o Kitsch exótico e o mais recente deles, o Kitsch político, tão sobejamente utilizado na imprensa.
O Kitsch sexual dispensa maiores comentários, apesar de merecer uma reflexão, posto que encontra-se apenso às escolas estéticas e éticas do pundonor de abandono e do controle falocrático do poder. Este tipo de Kitsch apoia-se no tênue limite entre a sacralidade do corpo como templo de Deus e o deboche bem (ou mal) humorado da pornografia, que atualmente, nesta era de Pós (e contras), acha- se vinculado à estética do grotesco. O corpo que outrora fora mantido a uma distância precisa do purgatório estava, então, lavrado da responsabilidade da (ré) produção humana e ao ser, assim, mantido sob controle, dava poder ilimitado a quem (ou o que) o controlasse.
As políticas do corpo, mesmo atravessando com dificuldades as políticas de higienização sanitária dos últimos 150 anos, ainda eram vistas como uma abstração. A mudança de comportamento das eras pós-Woodstock, pós-pílula e pós Woman’s Lib desencadeou uma frenética curiosidade pela sexualidade, estimulada pela aura de liberdade expansiva que acometeu as classes e os gêneros segregados, apartados ou desvinculados deste poder. Daí o acesso à nudez para ambos os gêneros, o
sexo fácil da era das “camisinhas”, a especulação estética do grotesco sexual (propagandas da Benetton) e o apelo do proibido visto como esteticamente permissivo (as fotografias de Robert Mapplethorpe).
O Kitsch se insere exatamente no limiar entre o permitido e o proibido, condescendendo o poder com o não-poder: as famosas canetas esferográficas que mostram o fim da carga de tinta através de um elaborado e erótico strip-tease no corpo da caneta e da pin-up (fig. 2.6). Pin-up, significa pregar, prender, espetar (na parede), e refere-se às imagens de mulheres que se pregam nas paredes. Hoje equivale ao centerfold da Playboy ou calendário da Pirelli da loja mecânica ou de pneus, tendo como deusas do silicone favoritas, ícones como Gretchen/Pamela Anderson, a sugestão erótica nas músicas populares (o forró e o pagode), onde o mau-gosto é adornado de ambiguidade nitidamente pornográfica (“se o bode comer acaba”), para deleite, delírio e felicidade instantâneos de um público reprimido, néscio e médio.
Figura 2.6 – Pin-up.
A sugestão evocadora de delicias indescritíveis e invisíveis são a tônica dessas avós das centerfolds das revistas Playboy e
suas congêneres. (Fonte http://goo.gl/ogJ1gG).
O Kitsch exótico é o mais fácil de ser encontrado por estar no alto escalão da economia mundial: o turismo e a infinidade de situações exploradas pelo mesmo. Esta exploração contém o exotismo asséptico de paraíso das Ilhas da Fantasia, o apelo exagerado aos ambientes temáticos (tipo vá a África sem sair de casa, conheça o Iglu do Nordeste), encontrado especialmente nos parques Aquáticos e hotéis temáticos, a Disneylandificação da natureza em prol da felicidade do estar sem estar, do ser sem ser, do rompimento das barreiras da realidade em prol da aceitação incondicional da virtualidade (fig. 2.7).
a b Figura 2.7 – Castelos.
Quem disse que a Disneylândia era original? Do delirante Neuschwanstein de Ludwig II da Bavária (a) ao mais delirante ainda, Castelo da Bela Adormecida da Disney (b), tudo se recria como na lei arcana de Lavoisier! (Fonte
http://www.castles.org/castles/Europe/Central_Europe/Germany/germany7.htm )
O turismo tem sacrificado mais ao mundo atual do que as Guerras e as catástrofes naturais, uma vez que fabrica a pasteurização interveniente da natureza para adequá-la aos gostares médios e aos medos arquetípicos da natureza (insetos que matam, plantas que envenenam, pessoas que são más), transformando-a num cenário de cartolina pintada, num painel mural fotográfico ou numa estação temática adaptada ao turista (este devastador pacífico e seus idiossincráticos caprichos palatares e vivenciais). O mesmo turismo que sacrifica a noção de ecologia rural, urbana ou natural, para adequar os meios ao mais pasteurizado dos serviços: a gratificação e a beatude inspiradas no devaneio e no “bem estar” do viajante. O mesmo turismo que falsifica a aparência de estabilidade econômica em nome dos empregos e serviços surgidos do nada para o nada; a economia virtual que depende da sua existência para ser podendo, sem aviso, não ser mais.
Um fantástico exemplo de como funciona essa relação especulação turismo versus especulação imobiliária, são os hotéis de Las Vegas (Fig. 8 a 15).
Mais que um hotel, o Luxor é a recriação das glórias de um Egito hollywoodiano. Algo entre Cecil B. de Mille e Joãozinho Trinta. Sem faltar o pyramidion de cristal com fachos de luz sinalando um hipergólico aceno para ETs de passagem pelo
etéreo espaço sideral mais próximo.
Piscinas pseudo-nilótica de osiriana água azul, tamareiras e escorregos piramidais neo-maias, fundem-se a um delirante cenário, híbrido de Blade Runner e Os Dez Mandamentos. Faltam Esther Williams e Anne Baxter.
O saguão de entrada é uma apoteose Raméssida, mistruando a avenida das Esfinges de Luxor com Abu Simbel. Dois períodos, dois estilos. Mas quem se importa com datas, quando as tamareiras de plástico espelham o viço do Egito Antigo?
E, é claro, porque não inserir o sarcófago dos vasos canópicos, tão bem copiados. Quiçá, Selkhet abençoe a roleta ou a mesa do bacará, garantindo sorte eterna!
Figura 2.9 - – Hotéis de Las Vegas – Luxor (Cont.). (Fonte das figuras: http://lasvegashotels.com/luxor.htm )
Paris é uma festa? Será? Uma orgia de plástico? Ou só a apoteose do kitsch conseguiria tal frenesi e delírio? Resumo urbanístico de uma Neo Paris imaginária de Vegas, fundem-se
elementos díspares da urbe-epítome do bom gosto: Praça da Concórdia, Tour Eiffel, o Opera e o Arco do Triunfo. Será que
não faltaram o Luxembourg e os travestis? À esquerda o bistro
sob os arcos da Tour Eiffel.
Figura 2.10 – Hotéis de Las Vegas – Paris. (Fonte: http://www.paris.lv.com/htmlFonte )
Plasticidade de plástico para uma sociedade de rostos de poliéster. Sob o escaldante sol do deserto de Nevada, abriga-se, quiçá, um sirocco! Indelével sonho de ver o mundo sob a ótica de Disney, nem o céu é o limite nesse pastiche: o conjunto
de lojas e casas de pasto se abancam (direita) sob um luminoso céu parisiense de mentirinha, um trompe l´oeil perverso e
traidor.
Notável a discrepância surreal das escalas do humano e sobre-humano nessa collage de elementos e atmosferas impares.
Na figura do centro é possível ver o Seine da Vegas-sur-Seine de plástico.
Figura 2.11 – Hotéis de Las Vegas – Paris (Cont.). (Fonte das imagens: http://www.vegas.com/resorts/?f=m1ht&t=mhotelst)
Cafés, gôndolas, quiçá, gondolieri bronzeados ao sol de Malibu, canais e pontes fervilham nessa versão polimerisada de
uma Venezia, nem tão sereníssima assim. Não deixa de ser um feito o fato de uma cidade que existe numa maremma
(pântano à beira-mar), passe a existir no meio de um deserto, com direito a São Marcos e loggias para as montanhas de
Nevada, USA.
Pensaria a sociedade kitsch na possibilidade de, por habitar temporariamente um falso Palazzo Ducale com direito a
medalhões de teto, a tornaria automaticamente em italiana? Ou é somente a necessidade do grandeur total americano que
leva a reproduzir galerias barrocas em corredor e lobby de um cassino?
Figura 2.13 – Hotéis de Las Vegas – Venetian (Cont.). (Fonte das figuras: http://www.vegas.com/resorts/?f=m1ht&t=mhotelst )
De alguma forma espera-se que o gênio da lâmpada realize a mágica certa: aparecer na hora errada...
... atravessar um magnífico saguão marroquino...
... e entre sultões Tussaudianos e dançarinas de ventre de plantão... Figura 2.14 – Hotéis de Las Vegas – Aladdin.
... e desembocar num outro deserto ... de plástico!
Quintessencia do kitsch, nem o deserto onde se localiza esse mega shopping, conseguiu sobreviver ao falso. Da abóbada celeste às areias escaldantes, tudo resplandece em tanta falsidade.
O trompe l´oeil invade o real tornando-o mais irreal que o falso. Figura 2.15 –Hotéis de Las Vegas – Aladdin (Cont.). (Fonte das figuras http://www.vegas.com/resorts/?f=m1ht&t=mhotelst)
O Kitsch político está apenso ao desespero do poder (o Orixá X) e ao apelo à psicologia de massa. Nazista em sua essência, utiliza todas as ferramentas da propaganda (onde reside a quintessência
do Kitsch), desde a sociologia à estatística, acelerando o surgimento da psicose coletiva, o frenesi adjudicatório da permissividade lingüística e o torpor intelectual pelo excesso de ruído na transmissão da verdade. Mas, de longe, o mais poderoso dos elementos do Kitsch está na propaganda. Carregada de ambigüidades nos “jingles”, apela-se às frases musicais mais comuns, a uma super abundância de sintagmas, aos ritmos mais em voga e às melodias mais conhecidas criando um objeto auditivo de compulsão auditiva, com repetições em ostinato (Ostinato é a repetição de uma mesma frase musical dentro de uma composição. Ex. o Bolero de Ravel.) de números e nomes identificatórios e hipnóticos. O colorido extremamente cuidado das faixas e cartazes exibe cores violentas e contrastantes, destoando da aparência de educação e sofisticação dos proponentes. Os dizeres mais parecem mal-dizeres, apoiando-se em proposições falaciosas e demagógicas de promessas de um paraíso terreal. As chamadas nos meios de comunicação de massa (TV, por exemplo) são tão carregadas de imagens subliminares que extrapolam o bom senso e caem no surrealismo de massa. É o Kitsch elevado à categoria de Arte Suprema, a serviço do desastre e a desserviço do público “alvo”.
2.2.2 Instrumentos do Kitsch
Daqui partimos para os princípios do Kitsch autêntico:
1. Princípio da Inadequação – Aqui encontramos o nanismo e o gigantismo transferentes, onde objetos podem sistemática e anarquicamente ser ridicularizados pela transposição de uso e tamanho. Aí encontramos o souvenir de Itu (gigantismo), onde fósforos podem exigir mais do que uma mão para serem transportados, ou de Aparecida do Norte (nanismo) onde um mini-vaso sanitário é cinzeiro com o indefectível “Lembrança de Aparecida”. “O objeto está sempre e, ao mesmo tempo bem e mal situado: ‘bem’, ao nível da realização cuidada e acabada, ‘mal’ no sentido de que a concepção está sempre totalmente distorcida” (MOLES, 1986, p. 71).
A idéia de inadequação foi proposta por Engelhardt quando observa que existe um desvio em qualquer aspecto ou objeto, um desvio permanente em relação a seu objetivo nominal, desvio em relação à função que se supõe deverá cumprir, quer no caso de um produto ou de um saca-rolha, desvio em relação ao realismo no caso de qualquer figuração artística (Ibid., p. 71).
2. Princípio da acumulação – Compreende o empilhamento sem dó e o frenesi do “sempre mais”. A busca desenfreada da cinestesia é um dos elementos mais aditivos desta salada criatória: o atravancamento de coisas, o horror vacui e a imantação de elementos díspares para criar vínculos inexistentes e impossíveis entre as diversas categorias de objetos, usos e situações (Fig. 16 a 17). A superabundância de objetos inseridos nos meios visuais, com a intenção deliberada de transmitir a aura de fausto e pompa tão queridos às massas consumidoras, comprime os espaços “pessoais” dos objetos, fazendo-os perderem sua dimensão de verdade, misturando o verdadeiro com o falso: tipo gabinete de executivo misturando fragmentos de paredes de templos cambojanos com esculturas móbiles em aço
inoxidável de impecável brilho, com a intenção deliberada de transmitir a finesse e a erudição do representante da economia popular (esquecendo, entretanto, que a escultura é parte de uma estrutura total em que sua existência é válida conquanto presente no local original, servindo de fragmento de história, recitativo, oração ou meditação, ao passo que o móbile é um fragmento de criação abstrata sem referência autônoma de existência artística).