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6. SONUÇLAR VE ÖNERİLER

Acima, sala de estar na cobertura Hollywoodiana. Perfeita (com) fusão de tapetes-zebra, gabinetes Napoleão III e biombos chineses. Notável, o excesso de vermelho. Abaixo, a sala de jantar com mais cristais, porcelanas, budas,

gravuras chinesas e mobília de diversos períodos.

Figura 2.17 - Residências de Liberace (Hollywood) (Cont.). (Fonte www.bobsliberace.com/houses/penthouse_5.html)

Neste princípio também estão inseridos os Kitsch sexual e político. E deste princípio especula Moles (1986), ao dizer que “o Kitsch jamais nos deixa indiferentes, e o bom gosto não é senão uma das formas do mau gosto” (Ibid., p. 72).

1. Princípio da percepção sinestésica (Figura 2.18) - Consiste em assaltar o máximo de canais sensoriais. É a Arte do Chaveiro Total, que também é cortador de unha, lixa de unha, canivete e saca-rolha. Casas que associam visão (cores espalhafatosas e inadequadas ao clima), audição (sinos da sorte, campainhas que gritam, escadas musicais, janelas com rótulas que imitam pássaros), olfato (potpourri de ervas alpinas ou prados ingleses, para casas nordestinas, plantas odoríferas, sachês e incensos exóticos do Oriente, para casas e escritórios do Ocidente) e tato (texturas aglutinadas de tecidos e paredes, para sensorializar os visitantes que descobrem surpresos e abismados as maravilhas Disney da casa multi- sensação). Obras de arte que apelam aos sentidos sem dó, desde os livros infantis que associam imagens a odores até novelas de feição “atravancada”, onde músicas de efeito residual são associadas à hipnose de “par romântico” padrão, que dita a moda do ser e existir. No turismo, isto é revestido da sinestesia do passeio total: o carro-barco-dromedário, a cidade todas-as-praias-aqui-mesmo (mesmo que isso implique quilômetros e não os metros propostos), o Parque Aquático/parque de diversão/kindergarten para adultos/lanchonete/restaurante “típico”, e assim por diante. Nada se compara, porém, com a sinestesia das cidades transformadas em cenários inconsistentes de uma globalidade de não-lugar, onde todos os elementos se acham Disneylândificados para os adultos.

a b Figura 2.18 – Excessos

Nada expressa melhor o princípio da sinestesia do que esses espetaculares e atrozes objetos: relógio-torrada para decorara a cozinha moderna (a) e abajur-bota-de-vaqueiros (b) para os saudosistas de John Wayne. (Fonte http://goo.gl/dBt3rF)

2. Princípio do meio-termo. Para Moles (1986), é o trágico do Kitsch, em que o “Kitsch fica a meio caminho do novo, opondo-se à vanguarda, e permanecendo, essencialmente, uma arte de massa e proposta a ela como um sistema. É pelo meio-termo que os produtos Kitsch atingem o autenticamente falso e, algumas vezes, o sorriso condescendente do consumidor que se considera superior a eles a partir do momento em que os julga.” (Ibid., p. 75).

É no meio-termo que se encontra a coleção de temas prensados à força, e que de forma contundente esvazia o conteúdo relativo aos mesmos. É a ambiguidade encontrada nos símbolos de “encanto e magia” das noites de debutantes, em que as mesmas desfilam entre airosas e vaporosas nuvens de evanescentes e flutuantes tafetás, voiles, organzas e cetins cor-de-rosa (já que o vermelho é paixão consumada), símbolo, esta cor, da inocência, decoro e candor [mesmo após os suados e prolongados bailes Funk/Techno e Raves da tribo do shopping, (Rave é originalmente a denominação dos gigantescos bailes programados em cima da hora, geralmente de entrada gratuita e realizados em locais afastados e abandonados, regados à drogas e álcool). Hoje é a mesma coisa só que programado com antecipação, divulgação e entrada paga], mas carregada na tinta da sensualidade picante dos decotes prolongados, dos vestidos de corte princesa, que delineiam claramente os corpos daquelas que são apresentadas como mercadoria no vasto campo dos enlaces morganáticos da pretensiosa classe média.

Cor esta, célebre por ser a favorita de Barbara Cartland, a epítome do Kitsch literário, copiada à exaustão nos doce-azedos Bianca, Julia, Sabrina, etc., assim como de Jayne Mansfield, a desejada, invejada e copiada proprietária do mais prodigioso volume mamário (antecede o silicone) do cinema, cuja casa era cor-de-rosa, assim como sua enorme piscina em forma de coração, estofo do seu conversível, roupas de gala e o pelo de seus poodles.

É no meio-termo que se encontra a universalização da cozinha “típica”, “regional”, tão ilustrada pela maionese industrial, ketchup, creme de leite e conserva de legumes importados ou a-regionais. É o não-espaço dando asas aos ventos da globalização gastronômica, inserindo ketchup e mostarda aos Curries indianos, adornando de ervilhas o arroz que acompanha a carne-de-sol, aveludando o feijão verde com creme-de-leite industrial, perfumando de mozarela ralada o tutu mineiro.

É o mesmo meio-termo que ponteia a missa-programa-de-auditório, a Miss erótica das apresentadoras da propaganda de sabão à bateria de automóvel, o erotismo das Lolitas de Nabokov, o doce-azedo das relações entre tapas e beijos das novelas didático-sentimentais do cotidiano, o grotesco lacrimoso dos ‘depoimentos-verdade’ que banalizam a dor e o horror nos tele-noticiários, em que se misturam a feiura das misérias humanas às alegres, insossas e informais musiquetas chamadas de tema, além da indisfarçável perversidade encontrada na falsa beleza das dançarinas vestidas de miss/modelo/prostituta/lolita.

3. Princípio de conforto – Busca o bem estar naquilo de mais autêntico do universo da pessoa: o gosto, o prazer e a sensação associados às memórias locais e expandidas do medo de uma perda de identidade. O conforto que cria mil vezes a “Poltrona do Papai” e os “Chinelos da Mamãe” (os chinelinhos de pelúcia com cara de gatinho cor-de-rosa, para fazer o café da manhã). Ou até mesmo a abstração dos confortos simbólicos, particularmente os de “status”, uma vez que autenticados de inautenticididade, como o medalhão de ouro maciço com o signo zodiacal estampado entre monogramas de casamento ou do nome pessoal, deitado preguiçosamente na nédia e profusamente peluda manta que recobre os peitos do macho

portador, visto através do vestígio da camisa de marca (griffe), escancarada,entre as costelas e o imenso ventre dilatado (pança) de cerveja e picanha daquele que é o epítome do sucesso (?) financeiro. O conforto dos carros forrados e estofados até o transe, de materiais inadequados, desde os carpetes de zebra às capas de veludo imitando couro de oncinha ou zibelina, vidros fumês violeta, até a estridente histeria dos equipamentos de som em que o volume é inversamente proporcional à potência sexual do infeliz que o exibe.

Desmond Morris em seu O Zoo Humano (1969), compara o tamanho do carro à pompa fálica de seu possuidor, onde o tamanho é inversamente proporcional ao tamanho do pênis do (in)feliz possuidor. E até mesmo nas cidades e no urbanismo, onde a noção de conforto atinge a média e nédia classe média presenteada por serviços inúteis que transmitem a sensação de conforto total, qualidade total, bem-estar social total, de serviços sem utilidade, do inútil e do banal. O gadget (coisa ou objeto útil, mas cuja inexistência passaria despercebida.) urbano do lava-jato, o atravancamento de drogarias, pizzarias e bares num mesmo espaço. Coisas que se não existissem, não fariam falta. O conforto excessivo torna as sociedades mais lentas e mais preguiçosas.

Assim, temos uma noção mais precisa do que vem a ser o Kitsch e a que vem. A arte da não- arte, a crítica da não-crítica, a relação da não-relação e o lugar do não-lugar. Com a supremacia do capitalismo selvagem e o desmonte da pirâmide social, a indefinição dos lugares do homem na sociedade e o acesso aos bens de consumo, a sociedade passa a se ver como uma verdadeira sociedade Kitsch, na qual todos os modos de relação com as coisas se juntam numa indefinição da própria relação.

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Na teologia do Kitsch, as catedrais, as novas catedrais, os shoppings, conseguem albergar, de maneira uniforme, o espaço existencial de quase todos os modos de relação, à exceção do modo ascético, por não ter meios de expressão nos paraísos do consumo. O hedonista pode tocar nos objetos das lojas, mantendo uma momentânea sensação de segurança e de posse, assim como o possessivo pode consumir e ampliar sua coleção de objetos de prazer. O cibernético circula entre todas as explicações do “do-it- yourself” às indicações de conteúdo dos pacotes de biscoitos e “chips” importados. O Kitsch está em casa entre os jardins de plástico, a solarização programada por computador que irradia a difusa luz de um meio-dia permanente, a perfeita e ideal (?) temperatura temperada de 22º C, o aroma de batatas de

milho e carne de soja, em que tudo é exatamente o oposto do que parece ser.

Na teocracia do Kitsch inserem-se as personagens favoritas, em que a aparência conta muito mais do que o conteúdo, e os biótipos se fundem e confundem numa espécie de ecumenismo genético: o falso louro e o falso moreno das cabeleiras associam-se a uma imensidão de detalhes triviais e descartáveis de falsas joias, falsas peles e falsos tecidos sintéticos que imitam outros tecidos, que, por sua vez, já são imitações. Os grupos sociais se distinguem por uma rigidez de vestir que beira o

fardamento e diferencia as diversas ‘tribos’, num mar de falsas identidades sociais. Os lugares mais importantes são concedidos a quem tiver o maior potencial de falsidade do real.

Como templo cênico de uma era cínica, os shoppings albergam uma tremenda carga de emotividade e competência competitiva, embelezados pelo fugaz e pelo desperdício; valorizados pela inconsistência, pelo não-apego das coisas e pela fuga da memória, seja coletiva ou individual. Esse imediatismo procura não ter nenhum vínculo com a memória afetiva ou arquetípica, ele existe por si mesmo, indiferente aos avisos, às querelas e aos questionamentos levantados em relação às evidências de uma vingança natural em curso. Ele é a nova divindade.

Criadas como o epítome do alheamento e da alienação, essas catedrais do vazio possuem uma ambiência vaga e precisa ao mesmo tempo. Vaga porque não têm relação com nenhuma cultura específica, podendo existir como padrão da Patagônia à Tasmânia. Precisa porque são fabricadas para fazer o transeunte perder-se, seja através do tempo (painéis, luzes e materiais brilhantes que fazem com que perdure a sensação das horas e do clima, tornando noite e dia num momento estático e difuso, com a temperatura permanentemente uniforme), seja através do espaço (a impessoalidade dos materiais e das estruturas arquitetônicas; jardins que misturam plantas de plástico com plantas reais, esvanecendo o senso de realidade; decoração do espaço de trânsito com bloqueios estratégicos para descanso, forçando o prolongamento da permanência; formas e texturas padronizadas que podem ser encontradas em qualquer parte do mundo).

Ademais de efêmeras e vulgares essas catedrais substituíram suas irmãs com padrões similares de interatividade psicológica. Como seus símiles religiosos, essas mansões de plástico também albergam funções específicas ligadas ao oblívio e remissão dos traumas cotidianos, realizadas numa coreografia de entra-flana-consome-sai. E como na sua congênere católica, em que os traumas são aliviados mediante comunhão com o sagrado, nessas também se realizam comunhões aliviadoras dos traumas sociais. Naquela se comunga através do pão e do vinho com a carne e o sangue de Cristo e nesta com o Big Mac e uma Coca Cola.

Para o novo humanismo, o humanismo pós-moderno, batizado e crismado nessas naves da indiferença e da assepsia cultural, a memória afetiva é afetada pela ausência de senso crítico relacionado à essa efemeridade. Assim, esse humanismo, graças ao tempo que se passa deambulando por esses espaços, termina por criar uma memória afetiva desses mesmos locais. A natureza passa para um plano virtual, e a virtualidade e o subjetivismo dos espaços ocupam o lugar do real. O fato de poder criar um espaço com plantas de plástico que imitam jardins americanos ou europeus, transfere-se para a área do real, no qual plantas tropicais ou equatoriais de verdade, são forçadas a crescer em solo e clima inadequados. A memória afetiva, afetada pelo bombardeamento de formas e texturas exóticas acaba por transcender o ambiente dos shoppings e alcança a rua, onde esses morfemas se inserem de maneira insidiosa e constante. A memória afetiva afetada também cria um sistema de valores, no qual o estranho e o ausente se tornam presentes como parte do cotidiano alienado. A sociedade autentica a existência e o culto ao Kitsch.

Por que defender um parque, uma planta, um grupo de espécies, um monumento, um edifício? Não há uma memória em relação aos objetos existentes fora do espaço do cotidiano social (o shopping), não há mais uma memória afetiva ligada aos objetos e situações fora do espaço de vivência (do shopping). A necessidade de mais espaço para albergar mais gente e shoppings é indiferente ao desaparecimento da história, do coletivo e do diferente. Arma-se o culto ao individualismo e ao narcisismo.

Esse culto ao individualismo revela uma face contraditória e cruel, quando esse mesmo individualismo é posto como uma forma de clonagem social: todos se parecem (o aspecto, as roupas, os dialetos urbanos, a programação do cotidiano). A história é a história pessoal e imediata (meus amigos, meus objetos, minhas necessidades), não possui continuum, não carrega emoções ligadas à cadeia de eventos da comunidade ou da sociedade. O coletivo também é possessivo e imediato. O diferente é somente uma marca que evidencia a padronização das tribos urbanas em camadas etárias, sociais e de gênero (tribo do colégio tal, do bairro qual, da idade acima ou abaixo da desejabilidade da tribo e a procura da minha tribo). Assim, um monumento pode desaparecer para dar lugar a mais um condomínio, mais um shopping, mais um ponto de encontro descartável do efêmero da moda. Um parque pode ser transformado ou agenciado num empreendimento imobiliário qualquer. O gerenciamento permite a retirada da camada vegetal nativa para ser substituída por uma nova camada vegetal completamente alheia à adequação ecológica, suscitando novos gastos de manutenção e modificação da paisagem natural para se adaptar às circunstancias de momento. Não há mais história, não há mais memória, não existe, portanto, mais posse do objeto. Sem história desaparece a relação com o objeto e portanto desaparece o próprio objeto.

A sociedade contemporânea poderia, grosso modo, ser invocada não como uma sociedade pós- moderna, mas como sociedade uma neo-plástica. O conceito de pós-moderno está ligado ao que ocorreu após o moderno e quedou-se sem um nome específico. O trânsito ocorreu sem uma marcação específica, exceto os seguintes fatos que despertam a escatologia pós-moderna:

a. o movimento hippie e o festival de Woodstock, que romperam, num frenesi, as regras estáticas da sociedade mecânica e industrial de Orwell, redirecionando os padrões de poder tradicional para uma tipologia de poder descentralizado e adstrito ao âmbito do ter e do fazer;

b. a invenção do plástico, que determinou a facilidade e a fecundidade de sobrevivência, estagnando as forças criativas do homem e despojando-o de sua humanidade e curiosidade, substituindo o natural pela ansiedade do novo, do incessante e do efêmero, mas acima de tudo transformando radicalmente o perfil do comprador pelo de consumidor, a sensibilidade pela felicidade instantânea;

c. a invenção e intervenção da pílula anticoncepcional, que liberta a mulher da subjugação dos temores da maternidade, fazendo o sexo transitar do âmbito da procriação para a esfera do sexo hedonista;

d. o movimento de emancipação feminina que foi, quiçá, o movimento mais importante do século XX, introduzindo na sociedade um componente de intensa agressividade na confecção de um admirável novo mundo: a própria mulher. Não a mulher passiva, yin, mas a ativa, yang.

A partir daí inicia-se o mundo contemporâneo com todas as suas idiossincrasias. A disputa pelo poder, agora universalizada pelas demandas de mais capital, acirra homens que competem com mulheres até nas exclusivas esferas do masculino tradicional. A ascensão da mulher às esferas rarefeitas do poder absoluto inverteu a ordem da pirâmide social, estabelecendo novos critérios de comportamento e objetivo. Se procriar já não é mais tão importante; se o sexo (apesar das barreiras da paranoia da AIDS e da grosseria das fantasias sado-masoquistas) é acessível e descartável, sem marcas indeléveis de culpa e castigo; se os direitos são iguais para ambos os gêneros, qual a marca e a evidência dos setenta séculos de direito absoluto do homem histórico (o homem com história registrada)? Talvez uma imensa frustração! Talvez um imenso alívio! É difícil precisar essa posição.

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Mas existem pistas que asseguram uma certa previsibilidade acerca desse ressentimento: o aumento de estupros de crianças denuncia um homem caído, sem o poder de invectivar qualquer ataque à mulher, já que esta possui o respaldo do poder abstrato da lei e do poder físico pessoal; o aumento de homens prostitutos, através do poder de compra da carne humana para consumo pessoal e transitório nos bazares do prazer, denuncia um homem assumido no papel de aniquilado pelo poder econômico; o aumento da impotência masculina denuncia um homem frustrado pela inversão do papel do macho tradicional, agora restrito ao mero papel de acessório de reprodução, prazer ou subalternidade no âmbito do trabalho (seja no mercado ou nas disputas de ascensão).

Das Revoluções recentes que abalaram o mundo, temos as políticas (a Francesa, com a renovação dos códigos de lei e a invenção dos Direitos Humanos; a Russa, que insere a noção de proletariado e luta de classes; e a Chinesa, que separa os hemisférios ocidente e oriente de maneira física) e as sociais (a Industrial, que gera a teoria do capital moderno e a do Plástico, que expande a noção de durabilidade e eternidade das coisas).

A Revolução Industrial criou as forças econômicas e políticas que moldaram o mundo até à sociedade e à saciedade da Era Moderna e do surgimento do plástico e da Era Plástica. O plástico foi o invento que mudou o mundo. Com ele, podemos dizer que simbólica ou metaforicamente iniciamos um retorno ao útero terreal, posto que os polímeros que fazem os plásticos existirem, provém de elementos da terra: minérios e fósseis! Do pó ao pó!

Agora que temos, após a Revolução Industrial, a Revolução Plástica, também temos igualmente uma Sociedade Plástica. As vantagens do plástico são inúmeras e os benefícios incontáveis: praticidade na vida moderna que vai das embalagens de alimentos ao vestuário, alimentando uma falsa ilusão de economia natural (menos papel, menos fibra, etc.) e que mascara forças econômicas poderosas, ocultas

e ativas por trás das decisões da globalização do poder; alargamento e expansão de produtos de consumo em série contínua e ininterrupta, criando uma humanidade uniforme e manipulável através destes produtos, com um critério de avaliação empanado pelo espetáculo do marketing e do merchandising, o que gera, por sua vez, o consumidor de plástico característico e imprescindível para a existência do turista Kitsch crônico, do souvenir, da doce delícia da felicidade rosa com o inconfundível fundo musical em tons pastéis de Kenny Rogers (trilha de dentista) ou Richard Clayderman, particularmente em clínicas médicas e aeroportos, onde se associa a efemeridade do Muzak ao torpor pré-operatório. Sendo o Muzak a “música de aeroporto” ou música ambiente, que é uma forma de música em que trechos familiares são arrumados e orquestrados de maneira leve e derivada, para induzir propositadamente um relaxamento basilar.

O plástico criou fibras mais elásticas e resistentes, facilitando os crimes Kitsch de estrangulamento com meias de seda de plástico (apesar do apelo de sensualidade, romance e passionalidade que possa envolver um objeto de uso íntimo feminino), fios telefônicos ou as prosaicas cordas de varal. O plástico criou condições ambientais desejáveis para uma climatização do vegetal ao humano, de estufas a casacos, criou uma idiotermia, i.e., o mesmo clima. O plástico também tornou acessível a arte para multidões, desde discos e filmes até reproduções de quadros famosos em materiais que imitam até na textura e fatura da pintura, o real, tornando possível a vulgarização e até a modificação estrutural do objeto representado. Monas Lisas de tanga ou em paisagens de Tonga, talvez até mesmo de biquíni em Bikini, com direito a um céu de explosão nuclear.

O plástico também expandiu as possibilidades de brincar com o corpo, através dos implantes de silicone para adquirir e ostentar mamas colossais (quiçá evocadoras de alguma deidade, seja exótica, primitiva ou alienígena), implantes penianos que compensam a impotência e fragilidade do homem da Era Plástica, peças de reposição de partes perdidas ou deformadas (com a vantagem de não oxidarem!), cabelos, unhas (de qualquer tamanho e formato), peles (em qualquer cor), dentes de falsa porcelana, ossos ou pedaços inteiros de braços e pernas.

Mas o plástico também removeu a matéria-prima e alquimizou-a em dejeto indesejável e indelével, com um tempo de degradação longo e frustrante para a efêmera existência humana. O plástico

Benzer Belgeler