2.1. GÖRSEL SANATLAR EĞİTİMİ VE ÖĞRETİMİ
2.1.1. Sanatsal Biçimlendirme Öğeleri ve Düzenleme İlkelerinin Öğretimi
2.1.1.1.10. Uygunluk
Uma idéia genérica que primeiro se apresenta é a de que o valor social preponderaria sobre o valor individual. No entanto, a questão do valor social é vaga o bastante para gerar sinais firmes. Muitas vezes o valor social se baseia na soma dos bens individuais, como soe acontecer nos conjuntos urbanos ou nas salas dos ex-votos. Mas pelo lado do valor coletivo, como este se mede? A régua usada tem sido a força do Estado, o gosto das elites e, modernamente, a imposição da mídia.
No cerne da questão do valor, podemos constatar que ele é tanto maior quanto a sua capacidade de responder a carências ou anseios. Veremos mais tarde como essa necessidade social é usada pelo poder ou pela mídia, levando a uma suspeita, portanto, sobre as bases definidoras da questão do valor. Em uma realidade eminentemente capitalista, o conceito de valor econômico se mistura com o de bem cultural e com a capacidade deste se valorizar pela sua força simbólica30.
A questão do valor do patrimônio foi equacionada de forma mais geral por Alois Riegl em sua obra de 1903, estabelecendo toda a sua teoria sobre preservação exatamente sobre esse conceito. Para ele, a razão primordial de preservação de um determinado bem se relacionava diretamente com seu valor característico, conferido pela sociedade de cada
época. Assim, ele estabelece uma série desses valores sobre os quais as sociedades
estabeleceriam sua própria graduação e que resumimos aqui:
• O valor de antiguidade: é uma noção complexa em Riegl. Inicialmente se refere ao atributo apresentado pelo bem onde se percebe o ciclo de criação e destruição que caracteriza a atividade humana, gerando uma grande empatia desse bem com nossa própria vida. A complexidade reside no fato de que “o culto do valor de antiguidade opera para sua própria destruição” (RIEGL, 1987, p. 54). O autor cria uma categoria que chama de monumentos “fechados” como sendo aqueles que se preservaram da própria destruição, mantendo sua unidade formal, restando aos outros, “não
30 “Esse é o dilema da gestão contemporânea dos patrimônios: se o patrimônio não tem um estatuto à parte,
se ele se torna um valor mercantil como os outros (os bens culturais), ele perde o seu potencial simbólico. É necessário que, de alguma forma, o patrimônio se encontre excluído dos valores de mercado para salvar seu próprio valor simbólico.” (JEUDY, 2003, p. 29).
fechados”, o valor de antiguidade posto que se modificaram, mas continuam associados ao tempo que passou no imaginário coletivo31;
• O valor histórico refere-se àquilo que remete a uma existência passada e finda, constituindo, portanto, um elemento indispensável na cadeia evolutiva da história. Nesse caso, o monumento seria muito susceptível à falsificação. Intervir sobre ele poderia tirar-lhe o valor histórico;
• O valor rememorativo intencionado: memória intencional dos nossos antepassados, nos imposto por eles, cuja missão é não deixar nunca que o monumento deixe de ser presente;
• O valor de contemporaneidade refere-se ao interesse atual pelos nossos antepassados de diferentes épocas; ele ultrapassa o valor histórico e ressalta a empatia que a contemporaneidade tem com o monumento;
• O valor instrumental está ligado ao valor de uso do monumento;
• O valor artístico: é um valor subjetivo que qualifica especialmente um monumento histórico além de sua função rememorativa;
• O valor artístico de novidade: refere-se àquelas obras que se mantiveram “fechadas” com relação à deterioração, mantendo seu valor artístico elementar de unidade formal e seu “frescor”, por assim dizer, aos nossos olhos;
• O valor artístico relativo: refere-se à qualidade expressiva do homem de cada época, ao qual o homem moderno não teria acesso a não ser pela própria via da arte. É claro que este é também um valor relativo que depende da sociedade de cada época.
A abordagem de Riegl é extremamente importante por explicar muitas das ações que fazemos com relação ao antigo. Por exemplo, quando se reconhece o valor artístico, paradoxalmente se reconhece a importância do pré-existente da ação humana, dos nossos antepassados como um valor. Isto explicaria porque, a partir daí, as diferentes subjetividades (que poderiam excluir este ou aquele monumento intencionado – e efetivamente o fizeram em vários momentos da história32) passam a preservar mesmo aqueles monumentos que não passassem pelo gosto da época. O autor nos mostra também que o início da preservação consciente moderna começa com a Renascença européia, com seu despertar para os monumentos clássicos. Os renascentistas privilegiavam o clássico,
31 O valor de antiguidade não inclui as destruições violentas ou acidentais, mas apenas a deterioração. 32 Como recentemente assistimos com as implosões dos budas gigantes pelos talibãs.
estabelecendo, portanto, um critério subjetivo na preservação (aí se diferem da preservação moderna), mas reconheciam os testemunhos independentemente de seu valor artístico (e aí se aproximam da preservação moderna). Do ponto de vista moderno, rechaça-se a subdivisão dos monumentos não intencionados em históricos e artísticos, mas a renascença justificava essa divisão e talvez isto explique o porquê da influência da tradição na teoria brandiana de restauração quanto ao privilégio da instância estética sobre a instância histórica. Já o século XIX valorizou o aspecto histórico do pequeno, criou sua proteção legal e passou a entender que cada manifestação artística tinha seus cânones próprios que justificavam o seu valor artístico, não referenciado ou independente da época de quem o protegia. Várias outras contraposições entre os valores rieglianos podem ser evocadas no sentido de clarear alguns conceitos:
• O valor de antiguidade é um valor sensível em contraposição ao valor histórico, este mais intelectual;
• O valor histórico se antagoniza com o valor de antiguidade por considerar que a deterioração do passado é aceitável, mas a do futuro, não. Quanto maior é o valor de antiguidade, menor é o valor histórico33;
• O valor de antiguidade não consegue fazer com que o valor rememorativo se exerça em plenitude;
• Não existe um valor artístico absoluto, ele é sempre relativo à contemporaneidade; • A função do valor de antiguidade é evitar a deterioração precoce, a função do valor
histórico é proteger o documento;
• Entre os valores de antiguidade e os valores das sociedades atuais (contemporaneidade, novidade) estão todos os outros valores;
• O valor de contemporaneidade é a capacidade do monumento de satisfazer estética ou simbolicamente as demandas do homem contemporâneo. Para isto, portanto, o monumento nem precisaria ter outros valores (histórico, de antiguidade, etc.), mas, se tiver, deve possuir qualidades com as quais o homem contemporâneo tenha empatia;
33 “O valor de antigüidade mais forte se vê obrigado a retroceder ante ao histórico como valor mais puro e de
certo modo mais apreciável objetivamente e que, por isso, se impõe de um modo mais firme e que pode intensificar-se até cegar a sufocar o valor de antigüidade, sobretudo nos casos em que se trata de monumentos intencionados.” (RIEGL, 1987, p. 62).
• Quando há valor de antiguidade não há valor instrumental , mas o valor de antiguidade precisa ter um mínimo de valor instrumental para se exercer;
• Nas obras utilizáveis, o valor histórico se junta ao valor instrumental, nas obras não utilizáveis prevalece o valor de antiguidade, aparecendo o conflito entre os dois valores naquelas obras que se encontram na linha divisória. O valor histórico, portanto, se adapta mais facilmente às exigências do valor instrumental;
• Dado aos processos naturais de deterioração, nenhum monumento antigo pode satisfazer completamente o valor de novidade (perfeito acabado), daí, a oposição frontal entre os valores de antiguidade e o de novidade, o que seria inclusive o cerne da problemática preservacionista atual;
• O valor de novidade é muitas vezes usado para atingir o gosto das grandes massas, enquanto as elites se preocupariam também com o valor histórico e o valor artístico relativo;
• O conflito fundamental da preservação estaria entre os postulados da originalidade de estilo (valor histórico) e de unidade de estilo (valor de novidade). O valor histórico se uniria ao valor de antiguidade para demolir a idéia de unidade de estilo; • Se a obra possui valor artístico relativo, ela enseja uma restauração, daí se opondo ao
valor de antiguidade; quando não se reconhece o valor artístico relativo da obra não há conflito com o valor de antiguidade.
Uma visão de cem anos depois, como a de Norma Lacerda (LACERDA, 2002), trabalha sobre a questão, levantando outras formas de valor, mais ligados à nossa condição contemporânea:
• Valor econômico: na sociedade capitalista, se funda sobre o valor monetário atribuído aos bens, grande parte das vezes associado às suas possibilidades de uso ou especulativo;
• Valor artístico: baseado em Riegl, ele é entendido como valor relativo e como tal, dentro de um ponto de vista especulativo, seu valor pode aumentar com o tempo; • Valor de antiguidade: também baseado em Riegl, pode apresentar um forte apelo
econômico em função de sua carga simbólica;
34 A exploração turística de nossos dias pode nos levar a questionar esta separação entre valor de uso e valor
• Valor histórico: reside na sua singularidade temporal irrepetível e é função da importância coletiva dessa singularidade e de seu estado de conservação;
• Valor cognitivo: como instrumento de valor pedagógico ou de conhecimento, esse valor suporta valor econômico como no caso do turismo;
• Valor cultural: ligado à importância simbólica, movimenta grandes recursos no setor terciário e se fundamenta na necessidade de identidade social, essa de difícil apreensão pela economia;
• Valor de opção: aquele que representa a opção de benefícios futuros e cuja face perversa pode ser a sua reserva como possibilidade de especulação;
• Valor de existência: fundamenta-se na singularidade e na irreversibilidade, bens que valem pela sua existência, seja uma reserva ambiental ou um quadro célebre.
________________________________________________________________________ APONTAMENTO 4.9: Pela discussão de valores que se estabelece em Riegl, é possível depreender que também não há um único modo de preservar e, consequentemente, também não há um único modo de intervir nos bens patrimoniais.
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Essa abordagem nos mostra uma mistura entre economia e valores culturais, levantando a possibilidade de uma forte presença da questão econômica na seleção de bens a preservar e no uso e estratégias de preservação a eles relacionada.
O processo seletivo dos bens a preservar está profundamente atrelado à questão do seu valor, portanto. Como vimos, esses valores são transmitidos especialmente pelo seu reconhecimento simbólico coletivo (marca de “identidade cultural”, highlights de uma civilização), grande parte das vezes tutelados em sua escolha por vontades políticas e de poder (estado, intelectuais) ou, mais modernamente, pelo seu valor econômico35. Através desses exemplos, podemos depreender que os valores não estão apenas no objeto, mas na
compreensão que as sociedades fazem sobre ele. Essa compreensão se sobrepõe, portanto
àquela de que o próprio teria uma “verdade” imanente, a qual deveria ser preservada. Isso é reconhecido pelas próprias cartas internacionais36 e depende de uma gama de fatores diversos, como vimos neste e no capítulo anterior.
35 Segundo MILET, 1988, dois temas são recorrentes na UNESCO: o nacionalismo e a inserção do
patrimônio na lógica da mercadoria. O Patrimônio começa a aparecer nos planos nacionais do desenvolvimento econômico.
36 A Carta de Cracóvia, de 2000, define patrimônio como: “um complexo de obras humanas nas quais uma
Na discussão de valores, Viñas acrescenta alguns conceitos importantes que se relacionam com as funções e as expectativas sociais37 que contribuem para valorizar determinados bens em detrimento de outros. O valor funcional38 se associa ao bem naquilo que ele deve representar para o público a que se destina, dentro das expectativas sociais de cada comunidade. É importante ressaltar como essa concepção retorna ao debate entre os modos impróprio e próprio do ser e à dissolução neste naquele, à qual retornaremos ao final deste capítulo e novamente marcada no item seguinte quando se discute a ideologia.