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2.KURAMSAL TEMELLER

3. MATERYAL METOT

3.2. Uygulanan Mekanik Testler

As atividades apresentadas surgiram da necessidade de colocar às crianças novos desafios no que concerne à autonomia e ao cumprimento de regras de vida em grupo. Assim, as atividades propostas consistiram na criação de um rei e rainha (chefes) da sala, que tinham como responsabilidade chamar os colegas para o comboio, e na criação do quadro do tempo com o intuito das crianças visualizarem a diferença de temperatura que ocorre ao longo de uma semana. As atividades delineadas ocorreram durante o estágio e estão planeadas em roteiro de planificação (ver apêndice 18 e 20).

Considerando a semana de observação denotei que as crianças não tinham a hipótese de participar ativamente na vida do grupo, ou seja, de partilhar o poder com o adulto, principalmente no que concerne à formação do comboio para as saídas da sala de atividades. Segundo Hohmann e Weikart (2011) quando as crianças e os adultos partilham o poder estes “(…) vivem numa atmosfera de auto-realização e de confiança e respeito mútuos.” (p.77). A participação das crianças permite que se sintam mais seguras, agindo de forma autónoma e tomando iniciativa que lhes ajuda a adquirir consciência dos seus poderes e limites (Hohmann & Weikart, 2011).

123 Deste modo, ao iniciar o tema para a implementação do rei e rainha na sala optei por motivar as crianças através da leitura de uma história intitulada “O Rei que Era Dono do Mundo”.

A leitura de histórias deve ser realizada de forma fluente e teatralizada, em que a voz muda de tom durante a exposição da história e permite expressar reações importantes à compreensão da mesma (Cury, 2003). Relevando estes factos optei por contar a história utilizando estas técnicas o que provocou nas crianças um interesse pela mesma, principalmente quando eram momento de questionamento e pensamento das personagens, devido às entoações de voz e expressões faciais (ver figura 38).

Figura 38 - Leitura da História “O Rei que Era Dono do Mundo”.

Após o conto da história passei a um pequeno diálogo, através do qual as crianças revelaram que tinham percebido a história, uma vez que conseguiram, na sua grande maioria, realizar um pequeno reconto da mesma. Através da história dialogamos sobre a possibilidade das crianças terem um rei e uma rainha na sala à qual todas responderam afirmativamente e revelaram grande vontade de o serem. Com a denominação rei e rainha as crianças foram capazes de identificar as funções destas personagens e, consequentemente, escolheram como símbolo a coroa a utilizar na cabeça e que decoraram a seu gosto (ver figura 39). Como refere Homann e Weikart (2011) “as crianças pequenas são perfeitamente capazes – e estão desejosas – de escolher os materiais e de decidir como os vão utilizar.”(p.35).

A introdução desta tarefa a duas crianças de cada sexo diariamente faz com que, segundo Gallino (1979), citado por Zabalza (1998), “ (…) o sujeito, no marco da interacção social, desenvolve graus cada vez mais elevados de competências comunicativas e de capacidades de prestação compatíveis com as exigências da sua sobrevivência psicofísica dentro de uma cultura dada e em relação com os diferentes (…)” (p. 38) intervenientes.

A função de ser rei e rainha diariamente permite que as crianças exercessem uma função socializadora, uma vez que tinham de chamar os colegas para o comboio, organizando o mesmo e ajudando sempre que possível os colegas nas suas atividades diárias. Este contacto entre as crianças

(…) implica o controlo das pulsões e tendências egocêntricas, utilizando tais impulsos para a constituição de hábitos de cooperação, solidariedade e adequação ao grupo (…) a segunda das funções socializadoras implica o desenvolvimento da capacidade de expressão, de escolha, de decisão, auto-afirmação e direcção autónomas.(Zabalza, 1998, p.114).

Ao longo do estágio pedagógico as crianças revelaram grande interesse em ser o rei e rainha, cuja escolha encendia sobre o comportamento das crianças, sugestão da educadora cooperante que revelou que deste modo determinadas crianças, com comportamentos menos adequados, compreenderiam as consequências dos seus atos. Quando questionadas acerca de quem deveria ser o rei e rainha, os mesmos identificavam-se para tal, no entanto através da colocação de pequenas questões as crianças percebiam o porque de não o serem, na maior parte das vezes porque já o tinham sido e ainda existiam colegas que não tinham exercido a função.

No desenrolar do estágio as crianças revelaram-se muito interessadas nesta atividade e sempre que encontrávamo-nos no momento da atividade do tapete, antes do lanche, em que ocorria uma partilha de ideias e acontecimentos entre crianças e adultos, estas abordavam constantemente o tema do rei e rainha, referindo que ainda não o tinham sido facto visível pela tabela de presenças.

Deste modo, durante este momento da rotina eram escolhidos o rei e rainha do dia que prontamente colocavam a sua coroa, o menino a coroa do rei a menina a coroa da rainha, marcando no quadro de presenças a sua tarefa (ver figura 40) e chamavam os colegas para o comboio do lanche.

125 Figura 40 - Criança com a coroa e marcação da sua tarefa no mapa de presenças.

No que concerne à introdução do quadro do tempo, este adveio da necessidade das crianças percecionarem o tempo durante o período de uma semana. Este instrumento permite que as crianças realizem operações matemáticas e estimula à comunicação (Vasconcelos, 1997). É importante salientar que a construção do quadro do tempo teve em conta as cores com que as crianças identificavam cada dia da semana, segundo o mapa das presenças. A elaboração dos diversos estados do tempo foi através de materiais diversificados proporcionando às crianças o contacto com texturas diferentes.

A introdução do tema do tempo foi realizada através de uma experiência científica que permitia fazer chuva artificial, usando gelo e um copo com água quente. Esta experiência foi realizada na sala dos três anos I, com as crianças desta sala e da sala dos três anos II, devido ao facto de existirem poucas crianças na sala dos três anos I, existindo troca de atividades que foram motivadoras para as crianças.

Na realização da experiência as crianças puderam visualizar, tocar e cheirar os objetos que foram utilizados, este facto permitiu que conhecessem características dos materiais, uma vez que “(…) a criança pequena aprende o que é um objecto através das experimentações que sobre ele realiza (…)” (Hohmann & Weikart, 2011, p.36). Considerando que alguns materiais eram mais perigosos, como o copo com água quente, passei pelo grupo de criança com o intuito de estes poderem ter o material ao seu alcance para o conhecer.

Esta atividade permitiu que as crianças conhecem ou dessem a conhecer o estado da água, nominassem os objetos presentes e dessem palpites de como seria realizada a experimentação. Como refere Martins et al (2009) “(…) é durante as observações que realiza nas acções que desenvolve, acompanhada ou autonomamente, que começa a formar as suas próprias ideias sobre os fenómenos que a rodeiam, sejam eles naturais ou induzidos.” (p.12)

A educação em ciência favorece o envolvimento da criança com a ciência, no que concerne à linguagem científica, aos conceitos que desenvolvidos de forma elementar as

crianças são capazes de compreender e principalmente favorece o desenvolvimento da capacidade de pensar cientificamente (Martins et al, 2009).

Posteriormente à atividade em que eram visíveis gotas de água no copo, que foram denominadas gotas de chuva (ver figura 41), as crianças identificaram quais os outros estados do tempo.

Figura 41 - Contacto das crianças com o material e visualização das gotas de água formadas.

Seguidamente o grupo da sala dos três anos II foi para a sua sala e conheceram a casa do tempo e os seus moradores, que através de um pequeno diálogo foram identificados pelas crianças. O rei e rainha do dia foram até a janela e identificaram o tempo colocando-o o seu similar no quadro do tempo. Durante o estágio pedagógico foi solicitado que todos os dias o rei e rainha identificassem o tempo e o marcassem no quadro (ver figura 42), pois através da utilização do quadro as crianças vão “(…) a pouco e pouco, compreendendo como o fazer.” (Castro & Rodrigues, 2008, p.67).

Figura 42 - Marcação do tempo no quadro do tempo.