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Uygulanan Etkinliklerin Öğrenciler Üzerindeki Etkisinden Elde Edilen Bulgular

Inicialmente, o referencial teórico deste trabalho não continha esta seção sobre etnocentrismo. Porém, ao realizar as entrevistas com os executivos brasileiros para identificar quais as suas dificuldades ao trabalhar no México, identificamos que algumas tinham origem no etnocentrismo, e não se encaixavam nas quatro dimensões de comparação de Hofstede. Para poder entender melhor essas dificuldades e considerá-las neste trabalho, pesquisamos o conceito de etnocentrismo, que está apresentado a seguir.

Vimos anteriormente que a cultura é o “conjunto sistemático de valores, crenças, tradições, hábitos, comportamentos e normas que confere identidade a uma sociedade específica” (SARAVIA, 2008, p. 31). Assim sendo, uma pessoa de uma determinada

sociedade tem expectativas em relação às atitudes e conduta das outras pessoas, ela espera que os demais atuem conforme a cultura dela. Porém, como cada sociedade tem sua própria cultura, isto é, tem seu próprio “conjunto sistemático de valores, crenças, tradições, hábitos, comportamentos e normas”, quando há um contato entre pessoas de diferentes culturas, cada um vai avaliar o outro pelos padrões de sua própria cultura, e esta avaliação tende a ser desfavorável, pois o outro não atuará conforme as expectativas de um (HOFSTEDE, 1997, p. 211).

Essa avaliação desfavorável é o que chamamos de Etnocentrismo, que, segundo definição de Sumner (1953, p.18), é:

o nome técnico para o modo de ver as coisas, segundo o qual, o grupo de um mesmo é o centro de todos e todos os demais são pensados e avaliados com referência a ele (...) Cada grupo alimenta sua própria soberba e sua vaidade, clama sua superioridade e exalta suas próprias divindades e olha com desprezo aos profanos” (tradução livre).

Apesar de precisa, a definição de Sumner foi criticada pelo fato de tomar como referência simplesmente o grupo, e não a cultura do grupo. É importante deixar claro que o Etnocentrismo não é simplesmente a preferência pelos próprios valores culturais, mas sim o preconceito acrítico em favor da própria cultura e a crítica distorcida e tendenciosa de outras culturas (INTERNATIONAL ENCYCLOPEDIA OF THE SOCIAL SCIENCES, 1968, p.546).

Em outras palavras, o Etnocentrismo seria: “a atitude de todo o grupo humano de se autoconsiderar superior aos outros. Isto contribui, por um lado, para a coesão do grupo, mas do outro leva à incompreensão de outras formas de vida diferentes à própria” (GONZALEZ VASQUEZ, 1985, p.15).

Ou, dito ainda de outra maneira, o Etnocentrismo seria (KROBER, 1975):

aquela tendência a supor o universo girando em torno ao próprio povo e que considera o endogrupo sempre situado no correto e no verdadeiro, e todos os exogrupos como equivocados e incorretos cada vez que a sua conduta difere da do próprio grupo.

Existe também o conceito de etnocentrismo negativo, muito comum em países que foram colônias, como é o caso do Brasil e do México. Os estudos sobre psicologia do colonizado mostram que em muitos destes povos existe um complexo de inferioridade coletivo decorrente de um questionamento radical de suas culturas por parte do colonizador, que impõe sua superioridade militar e tecnológica.

Uma das formas pelas quais os povos colonizados pretendem superar sua situação é tentando compartilhar os valores do colonizador. Se a cultura local é salvaguardada, o etnocentrismo do grupo subsiste, mas se desenvolve no indivíduo uma crise de identidade que decorre da incerteza sobre a posição a ser adotada face aos valores culturais que lhe são opostos. Pode acontecer, também, um autodesprezo entre aqueles que estão à procura de uma identidade ou parcialmente assimilados. Paralelamente à referência negativa aos próprios valores, a valorização dos exogrupos torna-se, logicamente, positiva (PERROT, 1979, p.54).

Samuel Ramos e José Iturriaga6 são dois autores mexicanos que apresentaram a

influência do etnocentrismo negativo no imaginário da sociedade mexicana. Segundo Ramos, o mexicano contraiu um sentimento de inferioridade e menosvalia no transcurso do tempo. Esse sentimento tem sua origem em uma série de eventos históricos que ocorreram desde a Conquista espanhola. Aparece no momento em que os indígenas entram em contato com os conquistadores espanhóis e continuou na vida social da colônia. Mas aumentou mais ainda com a independência, pois ai o mexicano passa a ter uma nacionalidade própria que passa a ser desvalorizada, devido a novos eventos históricos, como as constantes intervenções francesas e norte-americanas, que chegaram a resultar em perda de território e em dependência econômica. Contribuíram também para esse complexo de inferioridade as opiniões desses estrangeiros, que descrevem o mexicano como um ser selvagem, sumido constantemente na desordem e na barbárie (BEJAR NAVARRO, 1968, p. 121).

6 Navarro (1968, p. 121) comenta que Samuel Ramos, José E. Iturriaga e Octavio Paz podem ser considerados como os autores clássicos que escreveram sobre o mexicano. Segundo ele, estes autores mexicanos podem não apresentar todos os requisitos para serem considerados clássicos, assim como podem não ser todos os que se pudera tomar em conta, mas podem ser considerados os mais representativos no tema, pela qualidade da obra e pela influência que tiveram em trabalhos subseqüentes.

Iturriaga ratifica essa questão, colocando que o mexicano padece de um profundo sentimento de menor valia que se origina em seu passado colonial, sua condição de raça vencida, da inferioridade técnica de sua civilização e de ter-se fundado na mestiçagem, não por meio do amor, mas sim por meio da violência. Segundo Iturriaga, essas são as origens não só de um sentimento de inferioridade, mas também de todas as características, sejam elas virtudes ou não, da alma mexicana (BEJAR NAVARRO, 1968, p. 127).

Pelo que pudemos observar em algumas entrevistas, os mexicanos parecem enxergar os executivos brasileiros como iguais neste sentido, isto é, um povo colonizado e de certa forma também inferiorizado, enquanto que norte-americanos e europeus são vistos como superiores aos mexicanos e brasileiros. Não cabe a este trabalho comprovar esta afirmação, mas levantamos evidências neste sentido que poderão ser exploradas em futuros trabalhos.