BÖLÜM 5. DENEYSEL ÇALIŞMALAR
5.3. Uygulanan Dolgu Kaynak Đşlemleri
O projeto da modernidade de conquistar e submeter a natureza, gerou e sustenta um modelo de desenvolvimento cujos custos têm sido sistematicamente descarregados em “outro lugar” (MELUCCI, 2001). Um “outro” simbolicamente sempre desqualificado, despersonalizado, sem identidade. Como resultado desse projeto, a colonização do mundo, o processo de globalização não significou apenas descobrimento, expansão e crescimento
da riqueza, mas processos de dominação, escravidão, guerras, exploração, expropriação – desterritorialização.
Através das inovações tecnológicas, surgidas da especialização científica, se reorganizaram verticalmente os espaços, pelas avaliações, métodos e planejamento dos “peritos”. Promoveu-se a “desterritorialização”, elaboraram-se os processos de produção industrial com a produção em série, o acúmulo do capital e a competitividade de mercado.
As racionalidades científicas e econômicas surgem como orientadoras de decisões políticas importantes, tanto em nível regional como mundial. Estabelecem dogmas e verdades inquestionáveis, à semelhança do autoritarismo religioso da era medieval, legitimadas, porém, pelos conceitos da lógica e da razão.
As transformações das relações sociais e de trabalho decorrentes separaram
concepção de execução, estigmatizaram o trabalho de execução, elitizando o trabalho
intelectual. A sociedade hierarquizou-se em seres pensantes e seres executantes, e esse processo fragmentado passou a dominar não somente o mundo do trabalho, mas todas as instituições sociais: científicas, acadêmicas, culturais, políticas, educacionais.
Neste contexto histórico de conformação da chamada sociedade de mercado, o mundo ocidental industrializado abre caminho em “outras terras”, apossando-se de territórios. Desconfigura espaços e tempos construídos pelas diversas relações culturais e de produção em instâncias particularizadas e diferenciadas, impondo a hegemonia de sua técnica e a sua dinâmica exploratória e predatória.
“Desterritorializa” as populações locais no sentido não só de identidades culturais e políticas, mas de espaço físico, pois as melhores porções do espaço construído e ou natural são, de fato, deslocadas para aqueles que detêm o poder econômico, expulsando parcelas significativas da população de origem, como é o caso de comunidades indígenas ou comunidades tradicionais que habitavam determinada área, tirando dela o seu sustento.
Essa desterritorialização provoca não só a perda de identidades culturais e políticas, mas de espaço físico, pois as melhores porções do espaço construído e ou natural são, de fato, deslocadas para aqueles que detêm o poder econômico, expulsando parcelas significativas da população de origem que habitavam determinada área, tirando dela o seu sustento. Surge uma nova categoria de dominação, relacionada à injustiça ambiental.
A contaminação por metais pesados, a contaminação das águas, do ar, a contaminação nuclear, o produto de todo esse processo da modernização industrial pela aplicação do conhecimento científico, encarnado em avançadas tecnologias, é repartido em relação inversa à distribuição de riquezas. Maior degradação ambiental, com conseqüências para a saúde e qualidade de vida para as populações menos afortunadas pelo processo de distribuição de bens e recursos econômicos.
Como suporte econômico, o território tem sido utilizado de forma parasitária, provocando-se uma degradação exponencial e muitas vezes irrecuperável a curto e médio prazo, negando-se a diversidade e esgotando-se todas as potencialidades econômicas e ecológicas ligadas às características próprias de cada região.
No contexto da injustiça ambiental, a ocupação dos territórios se traduz por um caráter funcionalista (MAGNAGHI, 2000), com a expropriação das comunidades originalmente desenvolvidas, que deram origem às vilas e cidades. Nessa utilização “moderna” do território, nasce a metrópole contemporânea, fragmentando, desvinculando “os lugares” de suas características históricas, ambientais, culturais, identitárias.
Alberto Magnaghi aponta para essa concepção hegemônica de desenvolvimento do território como insustentável, social e ecologicamente: consumo voraz de energia e de recursos naturais não-renováveis, produção e alta concentração de poluentes, ocupação exorbitante do solo, partilha de recursos monetários, naturais ou manufaturados crescentemente desigual e injusta, alargando exponencialmente os níveis de pobreza em escala mundial, fatores apontados como as causas principais da crise ecológica local e planetária.
A noção de “lugar” se desvanece diante da caracterização utilitária do território como suporte técnico ao desenvolvimento econômico, planificado “de cima”, substituindo- se os laços do habitante com o lugar, pelas relações do produtor/consumidor.
A relação de ocupação, expropriação e apropriação dos territórios desenvolveu- se legitimada “racionalmente” pelo pensamento ocidental, que na modernidade sempre contou com algo fora do “social”, desenvolveu e fortaleceu o seu projeto de conquista e riqueza ilimitada através do “outro” que havia de incorporar para submeter: a natureza para ser dominada, terra a ser conquistada, o estrangeiro a ser colonizado; “alteridade e estranheza” (2001, p.29) de tudo o que escapa ao social instituído.
No entanto, a sociedade moderna percebe atualmente, através da sua própria potencialização da capacidade de refletir sobre si mesma, sua imersão nas mesmas conseqüências impostas ao “outro”, cuja fronteira já não é mais tão visível quando se trata da distribuição dos riscos ambientais. Hoje a sociedade vê, como refletido em um espelho, o seu poder de autodestruição, portanto a impossibilidade de projetar fora de si a sua própria sobrevivência e desenvolvimento ou aniquilação.
Em sua cartografia da modernidade, Melucci destaca, sobretudo, dois fenômenos de alto risco produzidos pela própria sociedade e que podem se tornar irreversíveis – aos quais nada e nenhuma estrutura política, social, cultural ou econômica do planeta poderá se subtrair – a ameaça nuclear e a invasão da natureza
interna, isto é, a possibilidade de manipulação do próprio código genético do ser
humano. Para o autor, esses fenômenos, sem dúvida, marcam a característica de descontinuidade com as referências da modernidade, produzindo incertezas a transformações não passíveis de qualificação pela racionalidade instrumental clássica da ciência tradicional.
A partir dessas abordagens, necessárias ao entendimento histórico da atual situação de crises sociais e graves problemas socioambientais, no âmbito local e planetário, faz-se necessário analisar também a grave crise de valores e desigualdade social protagonizados por vários séculos de exploração da natureza e dos seres humanos, de sua produção social, cultural e material e de sua própria forma de interpretar o mundo e as relações com o meio natural, portanto, de seu território.
A análise crítica ampliada por esses autores, todavia, ao desvelar os deslocamentos, os novos “lugares” das crises sócio-políticas, culturais e ambientais, as novas formas de dominação e controle, podem contribuir para situarmos os contextos das pesquisas sociais, e, especialmente nas investigações concernentes à educação e educação ambiental, propósito temático desta tese, a partir das transformações que se evidenciam na complexidade do mundo atual. Mudar referências, ampliar o processo de análise, orientá- los às condições emergentes de desafios e possibilidades.
Nesta direção, o pensamento de Melucci, sempre desvelador das contingências, contradições e paradoxos das sociedades contemporâneas, situa-nos no caminho da esperança, ao trazer continuamente o campo das possibilidades, das rupturas e brechas que a própria “condição pós-moderna”, em sua contraditoriedade, oferece.
Tece reflexões importantes para pensarmos a atualidade e, neste contexto, as relações complexas entre indivíduo, sociedade e meio ambiente, mais além das categorias sociais “tradicionais” da modernidade; centradas nas relações de produção e dominação, nas dicotomias e distanciamento entre individual e social, subjetivo e objetivo, contradição e certeza, verdade e falsidade, racional e emocional. Leva-nos a perceber que o tecido
social constitui-se permanentemente em redes de relações diferenciadas, de interesses
plurais, em processos de intercâmbios, mediações e comunicações.
Em sua análise da sociedade contemporânea, Melucci destaca a “importância da vida cotidiana como espaço no qual os sujeitos constroem o sentido do seu agir e no qual experimentam as oportunidades e os limites para a ação” (2005, p. 29), e nesse sentido, coloca o indivíduo como processo, como possibilidade de construir-se a si mesmo, através de suas raízes biológicas e sociais. Noções de interesse fulcral no campo da educação ambiental, um dos eixos organizadores na construção dessa tese.
4. 4.DESAFIOS DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL FRENTE ÀS NOVAS CONDIÇÕES DA