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4. TÜRKİYE COĞRAFİ VERİ TABANININ INTERNET/INTRANET ÜZERİNDEN SUNUMU

5.1. Uygulamada Kullanılan Yazılımlar

Fonte: FRAMPTON,1997, p. 332 Os arquitetos brasileiros, sensíveis aos temas internacionais, buscaram incorporar aquele repertório à realidade do Plano de Cotia, mas que diferentemente do caso britânico não contariam com o apoio governamental, que resultaria numa experiência isolada, conforme Reis Filho743.

Há semelhanças entre o Park Hill e o Plano de Cotia que começam na escala dos projetos - são megaestruturas - mas diferentemente do Park Hill - onde a implantação é definida em blocos que se deslocam no terreno e se articulam através de uma sequência de ângulos diversos - no Plano de Cotia [Fig. 49], os blocos de edifícios são agrupados em sete unidades num sistema ortogonal (x,y), onde os desníveis entre os blocos são resolvidos mediante conexões ou articulações em forma de “I”, “T” ou “C, o que correspondem às circulações horizontais.

49 - Plano de Cotia: Implantação Fonte: Biblioteca FAUUSP

Outra semelhança, entre ambas as implantações, refere-se à solução para a topografia do terreno, a qual foi resolvida pelas articulações entre os blocos. Analisando o desenho “Elevação e cortes genéricos” [Fig. 50], do Plano de Cotia, observa-se que o número de pavimentos varia no

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sentido longitudinal – de oito, seis ou quatro pavimentos, acompanhando o perfil natural do terreno

onde o térreo é resolvido com pilotis.

Há uma diferença importante entre Park Hill e Plano de Cotia, o conceito “ruas suspensas” ou “deck”. No Plano de Cotia, as ruas suspensas - para acesso direto às unidades habitacionais e para as já mencionadas articulações entre bloco - possuem 1.5 metro de largura, e estão no eixo central dos blocos, a cada dois andares, como é possível observar no desenho “Planta de pavimento genérico” [Fig. 51]. Neste desenho observa-se, que, em uma das articulações, entre blocos, a “rua suspensa” se transforma em “praça suspensa”, na medida em que ocupa toda a largura do bloco de 11.20m, com

aberturas de ambos os lados e extensão de 66m. No projeto Park Hill, o conceito de “ruas suspensas”

ou “deck” é diferente; as galerias são ao menos duas vezes mais largas, que as do Plano de Cotia, sempre posicionadas, em planta, no eixo longitudinal, com abertura direta para o exterior, dando acesso às unidades habitacionais com áreas distintas, a cada dois níveis e, neste aspecto, como no Plano de Cotia.

50 - Plano de Cotia: Elevação e cortes genéricos Fonte: Biblioteca FAUUSP

51 - Plano de Cotia: Planta de pavimento genérico Fonte: Biblioteca FAUUSP A implantação dos setes grupos de blocos ordenados mediante eixos ortogonais, bem como as tipologias das unidades habitacionais, nos levou a supor tratar-se de uma disposição mais adequada em relação à orientação solar, o que não se confirmou por completo após exame minucioso. Analisando as quinze tipologias propostas, nota-se que todas as plantas são modulares resolvidas dentro do eixo X, que representa a largura total de cada bloco, e eixo Y, que representa os limites das unidades no sentido longitudinal do bloco; em todas os ambientes de permanência prolongada foram sempre posicionados no eixo Y. Portanto, é possível constatar que em vários grupos de blocos os ambientes dos dormitórios ou salas foram posicionados e voltados para a face sul/sudeste de insolação menos favorecida, apesar de todos os sete grupos de blocos apresentarem ângulos de rotação em relação ao eixo norte-sul do terreno. Isto seria um erro de implantação decorrente da malha rígida adotada. No entanto, esta análise não pode ser conclusiva, devido à falta de elementos, pois o desenho “Implantação” não demarca a localização das tipologias A ou B nos blocos.

O Plano de Cotia, idealizado e concluído em 1964, é representativo do envolvimento dos arquitetos com o projeto nacional-desenvolvimentista; imediatamente posterior ao Seminário de

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ser entendida como um compromisso social dos arquitetos para a distribuição territorial massiva de uma boa arquitetura”744; e anterior às propostas do BNH e SERPHAU745.

A partir da análise dos desenhos, é possível constatar que o sistema construtivo a ser empregado seria convencional, em concreto armado, devido à representação de modulação de pilares, lajes nervuradas, paredes periféricas em alvenaria, algumas paredes internas de pouca espessura, que denotam a utilização de argamassa armada ou outro tipo de vedação leve. As plantas apresentam o agenciamento de espaços internos, com a representação de camas, bancadas, sofás e bancos, aparentemente fixos, que poderiam ser em concreto ou alvenaria, [Fig. 52 e 53] em todas elas os

espaços internos são bem resolvidos até mesmo a menor das tipologias, a B6 com 30m2.. Em vários

desenhos de cortes e elevações há representação de concreto armado aparente. Os caixilhos são sempre contínuos em toda a largura das unidades, representados com três linhas finas, sem indicação de montantes, ou dispositivo de abertura. 746

52 - Plano de Cotia: Tipologia B3 em planta Fonte: Biblioteca FAUUSP

53 - Plano de Cotia: Tipologia B3 em corte. Fonte: Biblioteca FAUUSP Na época da concepção do Plano de Cotia, havia um impasse político-ideológico em relação à industrialização da construção civil. Por um lado, era desejável uma maior absorção e mão-de-obra, que afluíam do campo às grandes cidades, criação de empregos diretos e indiretos, representado pela manutenção do padrão tecnológico, - diretriz adotada pelo BNH - mas por outro lado era igualmente necessário atender de forma rápida e eficiente a demanda por habitações. Para P.Bruna747, o obstáculo

744 KOORY, Ana Paula. Arquitetura construtiva.proposição para a produção material da arquitetura contemporânea no Brasil. Tese Doutorado, FAUUSP, São Paulo, 2005, p. 5.

745 O Regime Militar cria o Banco Nacional da Habitação (BNH) em 1964, para gerir o setor através do Serviço Federal de Habitação e Urbanismo criado em 1966. No mesmo ano, o setor contaria com a criação do FGTS - Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, para ampliação de seus recursos, o qual seria alimentado a partir da taxação de 8%, sob a folha de pagamento dos trabalhadores assalariados conforme descreve P.Bruna: “Esse fundo, denominado Fundo

de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), seria constituído pelas contas vinculadas de propriedade dos empregados que optassem pelo novo sistema e dos empresários, das contas relativas aos não-optantes. O Fundo passou a ser empregado em habitações a partir de 1967 e, posteriormente, em financiamentos para saneamento [...]” Cf. BRUNA, Paulo J.V. Arquitetura industrialização e desenvolvimento.São Paulo: Perspectiva, EDUSP, 1976, p. 137.

746 Como não tivemos acesso ao Memorial Descritivo do projeto faltaram elementos para uma melhor descrição. 747 BRUNA, Paulo J.V. Arquitetura industrialização e desenvolvimento. São Paulo: Perspectiva, EDUSP, 1976, p. 119.

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do caminho da industrialização só seria superado “pela compreensão das vantagens sociais que a industrialização da construção traria ao conjunto do desenvolvimento brasileiro”748.

No Plano de Cotia, a primeira opção dos arquitetos seria a pré-fabricação, porém a proposta fora rejeitada pela construtora, conforme descreveu Sérgio Ferro anos depois:

“[...] A população urbana de Cotia era, então, de quatro mil habitantes, a nova cidade- dormitório teria de 30 a 35 mil habitantes. O projeto permitia a pré-fabricação total ou parcial. Cálculos feitos na ocasião provaram que os empreendedores, financiados pelo IPESP, isto é, sem aplicar o próprio capital para instalar uma indústria de pré-fabricação, obteriam, ao final, a mesma massa de lucrosque a obtida pelo processo tradicional de construção e mais dita indústria totalmente amortizada. Apesar de o risco ser essencialmente do IPESP, a proposta de

pré-fabricação foi rejeitada.”749

A turbulência política decorrente ao golpe militar de 1964 impediu a realização do projeto que estaria “pronto para ser assinado, pronto para ser feito e era uma sexta-feira, o diretor deixou para assinar na segunda-feira. No sábado de manhã ele foi despedido”750. O Plano de Cotia ratifica que os arquitetos do Grupo ainda estavam alinhados ao projeto nacional-desenvolvimentista, e interessados em soluções industrializadas para habitação de interesse social, posição esta, que será radicalmente revista pelo Grupo, poucos anos depois, como veremos na sequência.

Pintura nova: vanguarda e utopia, 1965

“A utopia, não a penso como um ideal improvável. É condição absoluta do realismo. Seremos necessariamente utópicos e realistas, ou reacionários.

E defendemos nossas propostas com força, porque elas não serão exclusiva e objetivamente nossas, mas da sociedade como conjunto e representarão suas forças dinâmicas e renovadoras.” Joaquim Guedes751

Sérgio Ferro em texto para a exposição Proposta 65752 afirma que à “pintura nova” cabe o restabelecimento de relações mais próximas com a realidade - como também propunha F.Gullar753 - diferentemente do que ocorria com outras tendências com “altos níveis de abstração do concretismo, do informalismo ou do tachismo”754. O adjetivo “nova” reforça a afinidade com as demais vanguardas

748 BRUNA, Paulo J.V. Arquitetura industrialização e desenvolvimento. São Paulo: Perspectiva, EDUSP, 1976, p. 144. 749 FERRO, Sérgio. Arquitetura e trabalho livre. São Paulo: Cosac Naify, 2006, nota número 23.

750Declaração de Sérgio Ferro à Ana Paula Koury . KOURY, Ana Paula. Grupo Arquitetura Nova. Dissertação de mestrado, EESCUSP, São Carlos, 1999. 751 GUEDES, Joaquim. Depoimento. In. MAGALHÃES, S.F. Arquitetura brasileira após Brasília. Rio de Janeiro: Edição IAB-RJ, 1977, p. 187.

752 FERRO, Sérgio. Vale tudo. Arte em Revista, Editora Kairós, São Paulo, ano I, n°2 , maio/ago, p.26-27, 1979. Artigo publicado originalmente em

PROPOSTAS 65 Artes, São Paulo, ano 1, jan., p. 6, 1966.

753 GULLAR, Ferreira. Porque parou a arte brasileira. Revista civilização brasileira, São Paulo, ano I, v.1, mar. p. 223-228, 1965. 754 Ibidem, ibidem.

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Benzer Belgeler