4. METAL SEKTÖRÜNDE BİR FİRMADA YAPILMIŞ UYGULAMA
4.2 Metal Sektöründe Bir Firmada Yapılmış Uygulama
4.2.1 Uygulamada izlenen yöntem
Com o intuito de conhecer a Comunidade Evangélica de Maringá, para posterior análise de suas práticas sociais, inicialmente foram descritas informações sobre a cidade onde a Igreja está estabelecida, sua história e algumas características atuais.
Na continuidade da pesquisa, foram narrados os fatos que antecederam o surgimento da Comunidade Evangélica de Maringá, a história da fundadora e a fundação da Igreja. Posteriormente foram descritas as características quanto à teologia da Igreja e algumas peculiaridades sobre a sua forma de interagir com seus fiéis, inclusive por não valorizar os pedidos de dízimos e ofertas em seus cultos, apesar de ser uma Igreja neopentecostal. Foram descritas também as práticas sociais internas e externas, realizadas pela Igreja Comunidade Evangélica de Maringá, e narrados de forma concisa alguns conceitos sobre práxis.
Desta maneira, fundamentados no conceito de práxis, descritos anteriormente, de modo sucinto, serão novamente mencionadas às práticas sociais da Comunidade Evangélica de Maringá, para a análise pretendida.
O objetivo é identificar se, por meio destas práticas, estão ocorrendo ações que levam o indivíduo, para além do assistencialismo ou do proselitismo, colaborando com o rompimento da condição de oprimido ou excluído, promovendo-o para uma transformação social, por meio da colaboração da práxis religiosa dessa Igreja, com base nos referenciais teóricos e nas observações do pesquisador.
A práxis religiosa se encarrega de estudar o fenômeno religioso, de analisar o processo de ações que ocorrem dentro dos grupos e na sociedade. Neste sentido, a práxis religiosa não pode ser confundida com o pastorado, que se refere ás funções específicas do pastor e ao exercício dos atos relacionados às pessoas reconhecidas para essa função. Da mesma forma, a práxis religiosa não pode ser confundida com o exercício do testemunho de serviço da comunidade, ou seja, com a pastoral.
Para a análise, buscaremos identificar as principais características da práxis como: a) ação criadora e não meramente reiterativa, inovadora, frente a novas realidades ou novas necessidades; b) ação reflexiva e não exclusivamente espontânea, para superar o nível espontâneo da prática, através de um alto grau de reflexão e senso crítico: saber o que se busca e onde encontrá-lo; c) ação libertadora e de modo nenhum alienante, pois o objetivo de toda práxis é a transformação real do mundo natural ou social, cuja realidade deve ser uma nova realidade, mais humana e mais livre; d) ação radical e não meramente reformista, transformando a organização e a direção da sociedade, modificando as relações econômicas, políticas e sociais pela raiz das bases econômicas e sociais, para construção de uma nova sociedade.
Como ponto de partida, analisaremos a divulgação pública dos números de telefones dos pastores e líderes de Ministérios da Comunidade Evangélica de Maringá.
Por acreditarem que os braços humanos do amor de Deus159 se manifestam por meio dos seus pastores e líderes, e que os ministérios são um serviço para aqueles que necessitam de ajuda, independentemente de serem membros ou não, a Igreja divulga pubicamente o número do telefone de todos os pastores e líderes da Igreja, para ajuda em caso de necessidade.
Ao que se sabe, a tendência das Igrejas neopentecostais é priorizar os cultos (a multidão) e não valorizar o atendimento pessoal ao fiel. Dessa forma, nota-se que houve uma reflexão da Comunidade Evangélica de Maringá sobre a necessidade de fornecer um meio rápido e eficiente de comunicação entre os líderes e as pessoas necessitadas para proporcionar acolhimento, amparo e aconselhamento.
Essa atitude da Igreja gera benefícios principalmente para os fiéis, que são os que de fato mais buscam ajuda. Trata-se de um socorro ou assistência imediata importantes, pois podem fazer diferença em algumas situações extremas como em
159 Texto extraído da Bíblia, no livro do profeta Oseías capítulo 11, versículo 4, Edição Contemporânea, 1990, Editora Vida Sagrada.
casos de amparo às famílias enlutadas, famílias ou casais em crises entre outras tantas. São atitudes que se esperam de uma instituição religiosa. Contudo não há práxis as atividades realizadas são assistencialistas, pois, segundo Casiano Floristan, atividades como essas mencionadas não levam a transformações. Não é possível identificar, por essas práticas, as características da práxis como ação criadora, reflexiva (não-espontânea), libertadora e radical.
Ao analisar as reuniões de células ou grupos familiares, constatou-se que são realizadas na residência de um dos participantes e, por sua característica informal, as pessoas são facilmente inseridas no grupo e sentem-se acolhidas e pertencentes a ele.
A Comunidade Evangélica de Maringá afirma que o líder de célula, ao “cuidar de perto” dos seus membros, com visitas, aconselhamento e ensinando aos participantes, por meio do ensino religioso, a viverem de acordo com os padrões cristãos, provocam mudanças nos comportamentos. Vale lembrar que são orientados e ajudados a deixar de consumir drogas, cigarros, ingerir bebidas alcoólicas em demasia, a deixar o alcoolismo, a violência doméstica e o sexo promíscuo, entre outros.
A Igreja afirma que, em conformidade com os conceitos bíblicos, os maridos são ensinados sobre seu papel de marido; e o mesmo acontece com a esposa e com a educação dos filhos. Também são abordados os problemas gerados pelo desemprego e os oriundos do cotidiano.
Apesar de a célula também ter o propósito de trazer crescimento à Igreja, o individuo é conduzido a uma nova condição ele passa por transformações. Existe práxis e não se trata apenas de mera prática, pois, ao contrário do culto, em que o fiel é apenas ouvinte, nessas reuniões as pessoas interrompem o líder, discordam, refletem, trocam experiências, ensinam e aprendem.
Ao avaliar o atendimento psicológico da Comunidade Evangélica de Maringá, constatou-se que esta atividade auxilia e colabora na restauração de traumas e
demais problemas emocionais dos seus fiéis. De fato, a ajuda psicológica está solidifica como ciência e como uma importante ferramenta para ajuda do indivíduo.
Apesar de se tratar de uma Igreja que enfatiza a batalha espiritual e, consequentemente, creditar aos demônios a responsabilidade pelas mazelas pessoais e sociais, a disponibilidade do atendimento psicológico, ainda que limitado para os fiéis dessa Igreja, ao que parece, é um avanço por se tratar de uma denominação neopentecostal.
No tratamento psicológico, durante todo o processo, há dinamismo, reflexão e transformação. Há práxis, porque por meio destas práticas ocorrem contribuições importantes para superações e mudanças de atitudes e comportamentos dos indivíduos. O psicólogo coopera na restauração do equilíbrio mental deles. A partir desse equilíbrio adquirido, essas pessoas tornam-se aptas novamente para uma vida saudável e são capazes de se relacionar e realizar suas atividades do dia-a-dia.
Quanto às práticas dessa Igreja relacionadas à família, em especial aos casais, inclusive aqueles em que um, ou os dois cônjuges, estão no segundo casamento160, são notoriamente, depois da pregação do evangelho, o maior alvo desta Igreja. Por meio do ensino religioso, essa Igreja afirma procurar motivar todos os casais a participarem do curso Casados para Sempre, porque acreditam que este os capacitam a construírem e usufruírem da plenitude do relacionamento conjugal.
Os casais que estão enfrentando conflitos conjugais ou problemas no relacionamento familiar recebem ajuda e esperança. Há práxis, pois, à medida que os participantes do curso procuram ajuda, os líderes, por meio do diálogo, de atividades diversas e variadas, colaboram com ações refletidas e adequadas a finalidades na busca das soluções transformadoras, de acordo com a necessidade de cada caso. Contudo, a propaganda referente aos resultados dos cursos que a Igreja realiza são extremamente exagerados, mas ainda assim há uma contribuição
160
A Comunidade Evangélica de Maringá, não oficializa o segundo casamento, mas recebe as pessoas que já estavam casadas anteriormente.
significativa que reflete em mudanças satisfatórias para os casais e, consequen- temente, para suas famílias.
Ao analisar o outro curso, denominado “Pais para toda Vida”, constatou-se que a Comunidade Evangélica de Maringá obtém êxito parcial, mas significativo na orientação e conscientização da responsabilidade dos pais perante seus filhos. Os pais são orientados e treinados a educarem seus filhos a obedecerem aos pais, aos idosos, às autoridades, ao próximo e a se tornem cidadãos exemplares. Trata-se de um ideal que não é possível alcançar plenamente. Apesar de ser um ensino religioso, há contribuição na identificação e solução de problemas e sobre a importância da educação na formação de novos cidadãos. Não se trata apenas de prática. Há práxis com diálogo, reflexão e ações inovadoras frente às novas e complexas realidades e necessidades dos pais na educação de seus filhos.
Entre o curso Pais para toda vida e o Ministério Infantil há várias diferenças. No primeiro, são os pais quem aplicam os ensinamentos aos seus filhos, e, no Ministério Infantil, além da faixa etária estar limitada até os 12 anos, são os professores que ensinam diretamente as crianças. As crianças que participam desse ministério têm entre 18 meses e 12 anos de idade e são agrupados por faixa etária. Entre 18 meses e 3 anos, entre 4 e 6 anos, entre 7 e 8 anos, e, por último, entre 9 e 12 anos. A Igreja afirma que o alvo desse ministério é ensinar as crianças a pensarem, mediante as perguntas: O quê? Por quê? Como? Onde? Quando? Por quem? Neste ministério, há prática de transmissão dos valores religiosos dessa Igreja, não há práxis.
Ao avaliar o Ministério de adolescentes, constatou-se que há orientação e incentivo à participação dos juvenis nos discipulados. Por meio do ensino religioso, a Igreja consegue, ainda que não em sua totalidade, criar nos adolescentes um comportamento, definido pela instituição, como sendo o compromisso do adolescente com Deus e com os padrões religiosos da denominação, o que influencia também outras pessoas.
As atividades são semanais. Há o chamado culto teen, em que não há diálogo a mensagem dos cultos não é discutida com os adolescentes. Entretanto, nas reuniões das células (reuniões em grupos pequenos), repete-se o mesmo formato das células dos adultos, ou seja, o líder também é orientado a “cuidar de perto” dos adolescentes, abordando assuntos de interesse dos participantes. Nessas reuniões, há dialogo, pois, durantes as reuniões, o líder é interrompido e questionado, ensina- se e aprende-se sobre a realidade do universo dos adolescentes, ocorrem mudanças de comportamentos tanto do líder quanto dos adolescentes.
Há ainda o curso de formação de líderes e ensaio da banda teen, para aqueles com vocação musical. São realizadas algumas atividades anuais como os acampamentos, evangelismos, intercâmbios com outros grupos e tardes espor- tivas e recreativas, como gincanas e arborismo, que são atividades de lazer.
A Comunidade Evangélica de Maringá afirma que os adolescentes adquirem consciência sobre a responsabilidade dos seus atos e assumem uma postura de vida comedida. São consequentemente, mais educados e procuram respeitar os pais, professores e autoridades. Com raras exceções, não fumam, não ingerem bebidas alcoólicas, não usam drogas, não se envolvem com o crime e com a violência.
Nesse ministério, há práxis somente nas reuniões de células dos adolescentes, nos quais se constatou reflexão, senso crítico e adequações a finalidades, possibilitando buscar e encontrar as orientações, aconselhamento, identidade e transformações para a construção de uma nova realidade para esses adolescentes. Nas demais atividades deste ministério, há somente prática.
Ao analisar o Ministério de Jovens, constatou-se que as atividades são uma continuidade das atividades do Ministério de adolescentes. Os jovens que ultrapassaram a faixa etária do ministério de adolescentes, ou jovens que se converteram com dezoito anos ou mais, são incluídos nesse ministério. Suas prá- ticas reforçam e ampliam o ensino religioso, com o propósito de que os jovens tenham compromisso com Deus, com a Igreja, com a família, com o namoro, com
o noivado e com o casamento, motivando-os e preparando-os a constituírem um casamento sadio e uma família bem sucedida. Há ainda ênfase sobre necessidade de estudar e se preparar profissionalmente para trabalhar, além de palestras sobre dúvidas e problemas específicos da juventude.
Com raríssimas exceções, a grande maioria dos jovens da Igreja seguem as normas da denominação, pois são orientados a dar bom testemunho de comportamento. São conscientizados também, ainda que de forma tímida, a ajudarem os excluídos.
As atividades desse ministério são realizadas nos cultos e em pequenos grupos (as células). Ns reuniões das células (reuniões em grupos pequenos), repete-se o mesmo formato das células dos adultos e dos adolescentes, ou seja, o líder também é orientado a estar próximo e ser acessível aos jovens, abordando assuntos de interesse dos participantes. São nessas reuniões que os diálogos e as reflexões acontecem. Há liberdade durantes as reuniões para perguntas e respostas, o líder e os participantes ensinam e aprendem uns com os outros, e as transformações acontecem.
Diante das complexas necessidades desses jovens, há práxis, por meio das reuniões de células, nas quais são criadas ações diversas, utilizando o senso crítico para reflexão e transformação desses indivíduos, que são ainda motivados a se tornarem cidadãos conscientes e prósperos.
Ao avaliar o Ministério homens e mulheres de negócios, constatou-se que as reuniões, além de motivacionais, são educativas, fortalecem o empreendedorismo, abordam temas sobre administração. Há ainda testemunhos de empresários e profissionais liberais que conseguiram resultados satisfatórios com o que aprende- ram. O objetivo desse ministério é auxiliar os participantes a alcançarem prosperidade nos seus empreendimentos e nas demais áreas de suas vidas. Contudo, trata-se de uma atividade rotineira, não se identificam nessas atividades, as características da práxis como: uma ação criadora, reflexiva (não espontânea), libertadora e radical.
Ao avaliar a ação da Comunidade Evangélica de Maringá, de instalar suas congregações em bairros específicos, principalmente nos bairros João de Barro e Santa Felicidade161 constatou-se a preocupação dessa Igreja em buscar práticas que colaborem para a solução dos diversos problemas sociais em alguns dos bairros da cidade.
O intuito desta ação foi acentuar as atividades religiosas da Igreja, de acordo com a realidade desses bairros, e oferecer amparo espiritual, educação religiosa e aconselhamento pastoral às famílias desses bairros, amenizando os diversos problemas sociais ali encontrados, entre os quais estão o desemprego, crimes, consumo excessivo de álcool, consumo e tráfico de drogas, violência doméstica, entre outros.
Contudo, não é possível, apenas com as pregações, aconselhamento pastoral e assistencialismo, reverter aquela realidade a uma transformação libertadora e alcançar uma realidade mais humana. Não há práxis; neste contexto, a pregação está associada apenas à teoria. Não se identificam por essas atividades as características da práxis como ação criadora, reflexiva, libertadora e radical.
Ao analisar o conceito de missão da Comunidade Evangélica de Maringá, verifica-se que está incluso em sua definição o amor e o compromisso com o próximo.
Nossa missão é a pregação do evangelho e a capacitação do homem para a vida plena conferida por Cristo. Queremos que cada membro da Comunidade seja um ministro de Deus, cheio de fé, santidade, amor e compromisso com Deus e com o próximo.162
Entretanto, como na maioria das denominações evangélicas, a pregação do evangelho é a tarefa e a função primordial da Igreja. Nesse entendimento, apenas a
161 Essa Congregação está instalada na divisa dos dois bairros.
162 Informação obtida por meio do site da Comunidade Evangélica de Maringá, em 30.06.2010. http://www.comunidade.org.br/index.php.
declaração que existe a preocupação com o próximo não se caracteriza como práxis. Trata-se de uma teoria, a teoria dessa Igreja.
Sem atividades e ajustes adequados frente às diversas necessidades, com reflexão e senso crítico, focados na transformação real do mundo natural ou social não há práxis.
Ao analisar a Organização Reviver, constatou-se que a Comunidade Evangélica de Maringá conseguiu resolver um dos grandes desafios para uma instituição religiosa; romper com o assistencialismo. A Organização Reviver, por meio de ações participativas e educativas, privilegia o indivíduo na busca de soluções dos problemas sociais, ao contrário da Igreja que, por sua própria natureza, prioriza as atividades espirituais. Com essa Organização as práticas sociais se tornaram mais efetivas; primeiro por separar as atividades religiosas das demais ações sociais, e, segundo, por valorizar as soluções de acordo com a realidade do próprio bairro.
Marciano Kappaun afirma que os serviços oferecidos à população, por intermédio das Organizações Não Governamentais (ONGs), são mais eficientes até do que aqueles oferecidos pelo próprio Estado, quando este atua de forma insuficiente163. A Organização Reviver, por meio do seu Projeto Reviver, ainda que de forma limitada, diante da vastidão dos problemas sociais, oferece ações voltadas às crianças, aos adolescentes e a seus familiares. Promove a inclusão social das crianças e adolescentes em situação de risco; oferece cursos como novas alternativas à geração de renda das famílias; resgatando a dignidade pessoal, elevando a autoestima e a autoconfiança, fortalecendo e preservando as famílias, orientando-as na solução dos conflitos pessoais e familiares.
As principais atividades que o Projeto Reviver desenvolve são programas de orientação e apoio às famílias, cursos de culinária e artesanato, oficina de recreação, academia de música e oficina de danças.
Por meio do Projeto de Lei Municipal n.11.331/2009, a Organização Reviver, criada pela Comunidade Evangélica de Maringá, foi declarada de Utilidade Pública, como reconhecimento pelas contribuições aos bairros carentes da cidade.
Há práxis nas atividades da Organização Reviver, com reflexões, ações diversas e inovadoras na busca de soluções frente a cada nova necessidade, procurando oferecer às pessoas condições para transformações sociais, a fim que tenham uma nova realidade de vida, mais livre e humana pela transformação social.