Em 1931, o desenhista Chester Gould publicou pela primeira vez as tiras de um detetive que se comunicava com os colegas policiais através de um telefone com vídeo instalado em um relógio. Décadas depois, os cidadãos não carregam relógios com telefones como Dick Tracy, mas aparelhos que falam, reúnem agenda de compromissos, tocam músicas, tiram fotos e até mesmo mostram as horas.
O celular é uma forma de incluir digitalmente a sociedade. Mensagens de
SMS servem como e-mail para muitas pessoas e sua utilização é tamanha que
nos shows musicais não só substituíram as luzes dos isqueiros, como também permitem que o público guarde a sua própria lembrança do show. Esse fenômeno também atinge os músicos. O guitarrista norte-americano John Mayer admitiu no seu blog (2007) que não mais testa músicas ao vivo como antes, pois sabe que o público vai gravar e colocar na Internet depois, com conseqüente presença dos arquivos nas redes de troca.
A telefonia celular é um dos fenômenos recentes da comunicação, posterior até mesmo à Internet.
Em 1973, Martin Cooper instalou a primeira estação de sinais (radiobase) nos Estados Unidos e provou que era possível usar células de sinais que poderiam cobrir áreas onde as pessoas se deslocavam. A japonesa NTT lançou o primeiro serviço comercial de telefonia celular em 1979, e até hoje mantém a liderança tecnológica e quantitativa do setor (PELLANDA, 2006, p. 67).
Empresas de outros setores investiram no segmento, acompanhadas de novas fábricas dedicadas ao campo. A finlandesa Nokia tornou-se uma das líderes de mercado após a sua reestruturação nos anos 80, deixando de lado o mercado de derivados da borracha para centrar esforços nos eletrônicos. Seus aparelhos convergem mídias e alguns modelos contam com filmadora, teclado,
WiFi e câmera, o que permite o uso como um ponto remoto para reportagem com
Mesmo assim, a busca pela inovação nem sempre garante sucesso. Lançado em 2003, o nGage reunia em um mesmo artefato o telefone, rádio FM,
MP3 player, navegador de Internet e e-mail, além de ser uma plataforma para
jogos eletrônicos. Os recursos ainda contavam com porta para entrada de som, permitindo que o aparelho servisse como um gravador digital. Mesmo assim, o desenho diferenciado dos outros e a função de falar ao lado – sidetalking – tornou-se motivo de chacota entre os internautas.
Pouco a pouco a empresa vai além do simples serviço de telefonia. Além de criações como o n95 – com câmera digital de 5 megapixel e conexão plena com a Internet –, outros produtos buscam maior integração com a rede de computadores. O Internet Table não é um telefone, mas um pequeno computador móvel. Na Europa, os modelos contam com o protocolo DVB-H de TV Digital móvel.
Concorrente da Nokia, a Sony associou-se com a Ericsson neste mercado. Além de modelos convencionais, trouxe para o setor duas marcas conhecidas do público – Walkman para música e Cybershot para fotografia digital. A companhia japonesa não conseguiu popularizar a sua linha de players de áudio portátil e hoje a palavra walkman, outrora ponto de revolução da indústria fonográfica, é usada para os modelos com ênfase no som.
Porém, em 2007, a Apple alterou este mercado com a esperada entrada do seu aparelho. O iPhone não apenas permite a conversa, porém reúne dois êxitos da empresa em um único construto, o iPod e o sistema operacional. Desta forma, a Internet foi colocada no bolso do público de forma única, utilizando uma tela com toque sensível para abolir os tradicionais teclados com poucos botões e muitas funções. A possibilidade de navegar na Internet, seja por protocolos de telefonia ou acesso sem fio, ainda coloca sites como o YouTube e derivados sem páginas da Internet nesta mesma tela. O mesmo já era realizado em alguns aparelhos que utilizam o sistema operacional Symbian, porém com dificuldades.
O mercado também atraiu outra empresa ligada aos computadores. Em um cenário com fortes concorrentes, o Google anunciou, em 2007, o lançamento da plataforma Android, focada em serviços e expansões realizadas por
usuários,refletindo o modelo de negócios tradicional da empresa. Indústrias que fabricam aparelhos, porém não contam com sistemas operacionais capazes de rivalizar com o Symbian ou com o OS da Apple entram nesta parceria. O protocolo deve rivalizar com o OS da Apple por permitir aplicativos mais flexíveis e com adaptações realizadas pelo público, pois o concorrente bloqueia algumas inovações através das atualizações de sistemas.
Esta tendência dos aparelhos de agregar recursos da Web e conexões com redes de acesso como WiFi e WiMax, além de serviços de alta velocidade fornecidos pelas próprias operadoras como as redes EDGE e 3G, transforma os celulares em centrais de comunicação. Online, estes produtos móveis carregam consigo possibilidades para ver vídeo diferenciadas como a Idéias TV da operadora Claro ou Tim TV da TIM além do manancial extenso das publicações colocadas na web. A possibilidade de ver a TV Digital na tela do telefone é importante, porém o mesmo visor pode exibir a variedade imensamente maior de conteúdo presente na Internet.
O potencial pode ser explorado no país e criar outros usos para o vídeo. No Brasil, o total de assinaturas de telefone chega a 114.690.304, de acordo com dados da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) divulgados em novembro de 2007. A teledensidade, indicador usado para ver o número de habilitações a cada 100 habitantes, chegou a 60,42 (ANATEL, 2007). Comparando com a televisão, mesmo o celular constituindo um aparelho de uso pessoal contra um recurso de utilização coletiva, é possível observar que existe mais de dois celulares para cada TV em funcionamento.
Desta forma, a portabilidade para o vídeo também encontra maior variedade se oriunda do contexto online, pois está no bolso do público.