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1. BÖLÜM: GÖÇ OLGUSU, TÜRLERİ VE AVRUPA BİRLİĞİ’NİN GÖÇ

2.7. Geri Kabul Anlaşmalarının Değerlendirmesi

2.7.6. Uygulama Eşitsizliği

O ponto fundamental da investigação qualitativa é o modo como os seres humanos interpretam e atribuem sentido a sua realidade subjetiva. Os pesquisadores não abordam as pessoas como individualidades, no vazio, mas, exploram "os mundos" em que estas pessoas estão inseridas, na globalidade do seu contexto de vida.

Para atingir o seu objetivo, a perspectiva qualitativa oferece ao cientista uma série de ferramentas, tais como, história de vida e autobiografia, estudo de caso, entrevistas, observação participante, análise de documentos, produção/análise de imagens etc. As ferramentas são as formas com que o pesquisador irá coletar os dados que entende necessários para a realização da pesquisa. Assim, uma das ferramentas utilizadas para a coleta de dados é a pesquisa documental.

Considera-se como documento qualquer registro escrito que possa ser usado como fonte de informação. Regulamentos, atas de reunião, livros de freqüência, relatórios, arquivos, pareceres, etc., podem nos dizer muita coisa sobre os princípios e normas que regem o comportamento de um grupo e sobre as relações que se estabelecem entre os diferentes subgrupos (ALVES- MAZZOTTI; GEWANSDSZNAJDER, 2002, p. 169).

Um documento geralmente descreve um processo de desenvolvimento de um indivíduo ou de um grupo, contudo, apresenta uma limitação quanto à complexidade das situações

referentes à capacidade do autor para compreendê-las e analisá-las adequadamente (ANGELL; FREEDMAN, 1974).

Portanto, o recorte de jornal, a fotografia de uma cena de rua, o recorte de diário oficial, os processos, os inquéritos, os relatórios oficiais, são tão presentativos (no sentido de estar presentes) quanto uma entrevista ou discussão de grupo  não há primazia. Nenhum pode ser considerado mais representativo do que o outro, todos existem num determinado momento  têm uma presença, tornando redundante a própria noção de representatividade (SPINK , 1999) .

Os Psicólogos Sociais tendem a privilegiar entrevistas, questionários e discussões de grupo  práticas discursivas do aqui e agora, em detrimento dos documentos. Já os historiadores ainda suspeitam da utilidade de relatos pessoais e outras formas de recordações orais, tendo preferência por trabalhar com documentos, registros, anotações, mesmo quando possuem à sua disposição aquelas outras técnicas potencialmente disponíveis (SPINK, 1999).

Em seu estudo sobre a história e a teoria social, incluindo aí a Psicologia Social, Peter Burke (apud SPINK, 1999) despertou sua atenção para um fato curioso de que, mesmo sendo disciplinas vizinhas, as visões de uma sobre a outra tendem a ser estereotipadas e seu diálogo inexistente.

A preocupação e a necessidade de explicitar o como, tão privilegiada nas investigações sociais, notadamente na Psicologia Social, não é encontrada com o historiador que se preocupa, a priori, em registrar as fontes.

Os Psicólogos incorrem na tentação criada pela possibilidade de falar, conversar com o foco de seus estudos, buscar novos dados, recentes ou originais, o que demonstra a valorização da entrevista como parte da identidade dos Psicólogos, esquecendo-se de que as práticas discursivas, como linguagem em ação, estão presentes, de forma ubíqua tanto nas imagens e artefatos como nas palavras (SPINK, 1999).

Os documentos podem ser classificados em dois grupos: os de domínio público e os de domínio privado. Os de domínio público refletem duas práticas discursivas diferentes. Na primeira, como gênero de circulação, como artefatos do sentido de tornar público e, na segunda, como conteúdo, em relação àquilo que está impresso em suas páginas (SPINK, 1999). Este autor transcreve um "alerta" apresentado pelos arquivistas, quando da realização de uma pesquisa nas minas de carvão na Inglaterra (1951-1955):

O grande problema com os arquivos é que eles nunca são organizados para responder a perguntas que queremos fazer, especialmente as perguntas que vocês, investigadores, mais tarde, querem elaborar. Ao contrário, são organizados de acordo com os usos que os depositários querem fazer deles, de guardar material que não precisam, mas que pertence à NCB. As categorias que eles usaram são as que eles precisam para depois retirar, se necessário: por departamento, por área, por prédio, e sempre por ano e mês, raramente por assunto. Não serão categorias ligadas aos conceitos que vocês usam. É um trabalho de detetive, vocês vão ter que indagar aonde podem estar as informações úteis para seu estudo (SPINK,1999, p. 132).

A análise de documentos pode ser a única fonte de dados, principalmente quando os sujeitos envolvidos na situação estudada não podem mais ser encontrados (ALVES- MAZZOTTI; GEWANSDSZNAJDER, 2002).

Assim, considerando-se o objeto da presente pesquisa, diante da impossibilidade de localização dos sujeitos envolvidos na situação estudada e outros impedimentos de natureza ética, a análise de documentos como fonte de dados foi a que se demonstrou mais eficaz. Além desses motivos, também atuou em favor da opção o fato reconhecido de que o objeto de estudo, por implicar a análise de inquéritos policiais e processos judiciais, resulta numa dificuldade na coleta de dados, em razão de aspectos estruturais do Poder Judiciário, somados à falta de tradição na realização de pesquisas empíricas na área jurídica (PIMENTEL et alii, 1998).

Outra questão que deve ficar clara é que os conteúdos dos processos (policiais e judiciais) traduzem o próprio contraditório da Justiça. Em razão disto, pode ocorrer a perda de informações, o desaparecimento de processos e a ocultação de dados. Muitas vezes, o conteúdo do processo pode não revelar, de forma fiel, a realidade dos fatos, uma vez que há situações em que ocorre um jogo entre acusação e defesa na busca de informações que interessam a cada um, de provas, segundo as possibilidades e capacidade de cada ator em formá-las, formulá-las e apresentá-las (FALEIROS et alii, 2003).

2.1.4. A escolha da técnica para análise dos dados

As pesquisas qualitativas apresentam características multimetodológicas, pois colocam uma grande variedade de procedimentos e instrumentos de coleta de dados à disposição dos pesquisadores (ALVES-MAZZOTTI e GEWANSDSZNAJDER, 2002). Igualmente, para a análise dos dados obtidos através de documentos, existem várias técnicas, dentre elas, a Análise Discursiva e a Análise de Conteúdo, que foi aquela pela qual optamos.