5. UYGULAMA ÖRNEĞİ: ÖRGÜT KÜLTÜRÜNÜN ÖRGÜTSEL SONUÇLARIN
5.2 UYGULAMA ÖRNEĞİ: GARANTİ BANKASI ESKİ İNSAN KAYNAKLAR
Os achados deste estudo apontaram para uma interessante trajetória traçada pelos estudantes no processo de aprendizagem e utilização do PPA e RTE durante todo o processo de construção do portfólio (Figura 4).
Figura 4 - Trajetória vivenciada pelos estudantes de graduação da área de Saúde na compreensão e utilização dos instrumentos de planejamento para construção do portfólio.
Fonte: Adaptado e modificado de RUÉ, J., 200910.
Tal trajetória é marcada pelo processo de compreensão do que são os instrumentos (O que se pretende?, Por quê?, Para quê?), e a compreensão de como
Técnica pedagógica Instrumentos PPA e RTE Prática Eficácia no processo de construção do portfólio coletivo
O que se pretende? Por quê? Para quê?
fazer (O que?, Como?, Quando?), ou seja, a compreensão do funcionamento (prática destes instrumentos), constituindo, assim, elementos de eficácia na construção do portfólio.
Segundo Salomon (2006)11, o ser humano estruturalmente é um ser que pensa e age. Assim, tanto o processo de conhecer quanto o de agir, iniciam-se com a problematização – por quê? É por meio da reflexão, portanto, que descobrimos que nosso pensamento quase sempre reage a interrogativos. “Tanto no processo de conhecer quanto no de agir ao tomar consciência do problema e ao formulá-lo, ainda que mentalmente apenas, o ser humano recorre a interrogativos” (p. 7), como os aqui apresentados: o que se pretende?, Por quê?, Para quê?
A necessidade de compreensão do processo, mesmo que este se dê no decorrer de todo o desenvolvimento do portfólio, é, assim, condição primordial para o sucesso dos instrumentos, bem como a eficácia destes para a construção do portfólio coletivo. Estudos salientam a necessidade de informações claras e de apoio aos estudantes para a introdução adequada do portfólio. Informações e apoio são potencialmente capazes de melhorar a compreensão pelos educandos do que se quer com o portfólio e, ao mesmo tempo, diminuir um pouco a ansiedade destes, melhorando a motivação para a realização das atividades inerentes ao portfólio. Dessa forma, o bom uso dos instrumentos (PPA e RTE) promove eficácia na utilização do portfólio coletivo12, 13,14,15,16.
Um dos aspectos mais citados pelos estudantes, especialmente na dimensão utilidade, refere-se à organização e ao planejamento. Blanco (2009)5 definiu planejamento como o processo de estabelecer objetivos e escolher os meios mais eficazes para alcançá-los. Para planejar, devem-se buscar e avaliar toda a informação relevante que se possui, incluindo os prováveis desenvolvimentos futuros para, posteriormente, a partir dos recursos necessários, obter como resposta um plano de atuação que obtenha os resultados pretendidos. Assim, um erro grave na gestão do portfólio seria a busca imediata e excessiva pela obra, sem ter prestado atenção devida a uma série de tarefas de preparação, organização e planejamento, que são imprescindíveis para garantir a qualidade da gestão e o êxito do trabalho.
Um importante aspecto que os resultados deste estudo evidenciaram refere-se à possibilidade que o uso dos instrumentos de planejamento proporcionou aos estudantes de fazerem a autoavaliação, aspecto esse essencial no exercício do processo de reflexão sobre a própria aprendizagem que o portfólio deve viabilizar.
Nesse contexto, salienta-se a experiência relatada por um dos grupos em uma das avaliações mensais: os estudantes relataram que em dado momento, quando estavam reunidos para construir o portfólio, quando foram preencher os instrumentos de planejamento, tiveram um insight e começaram a questionar o porquê de o aprendizado não estar sendo reflexivo e, a partir daí, traçaram estratégias para a mudança − agendaram mais reuniões, discutiram mais sobre o próprio processo de trabalho do grupo e articularam alternativas e atividades −, que dessem sentido reflexivo e crítico ao portfólio. É interessante salientar que essa mudança de atitude do grupo ficou claramente evidenciada no portfólio a partir da terceira avaliação (são realizadas quatro avaliações no semestre).
Percebe-se, dessa forma, que o processo de construção do portfólio, tendo o PAPP e RTE como instrumentos de planejamento, favoreceu o estímulo ao pensamento reflexivo, à medida que os estudantes tomaram consciência daquilo que pensam, do que fazem e se envolvem, procurando soluções lógicas, racionais e criativas para os problemas identificados, o que também envolveu intuição, emoção, autorreflexão e interação. Esses achados vão ao encontro dos estudos desenvolvidos por Exley e Dennick (2009, p. 12)17: “ao revisar e refletir sobre suas ações, os estudantes podem aprender de seus êxitos e fracassos e, desse modo, desenvolver suas destrezas e sua compreensão assim como planejar sua aprendizagem futura”.
Como obstáculos relativos à dinâmica do trabalho em grupo, ressalta-se a divisão equitativa das tarefas e atividades, evitando, assim, a sobrecarga de alguns membros das equipes em detrimento de outros. Estes constituem conflitos inerentes ao trabalho de grupo e, como consequência, a aquisição de competências – habilidades, atitudes e conhecimentos −, pelo grupo como um todo e pelos indivíduos individualmente.
Uma forma de enfrentar esses obstáculos e minimizar os efeitos indesejáveis referentes aos conflitos inerentes do trabalho em equipe é o uso de instrumentos de planejamento e organização das atividades, de modo a favorecer a melhor gerência dos conflitos, harmonizando-os a partir de regras traçadas pelo grupo. Nessa linha, o grupo de posse de instrumentos de planejamento tem a possibilidade de traçar e pactuar algumas regras que auxiliam no cotidiano do trabalho em grupo, evitando a fragmentação de atividades e sobrecarga de trabalhos
de alguns membros do grupo, práticas essas tão comuns nos trabalhos tradicionais, capacitando, assim, o estudante a construir uma compreensão mais profunda (KOLB, 1984 citado por EXLEY; DENNICK, 2009)17.
6.1.6. Considerações finais
As dimensões encontradas nos relatos dos estudantes na utilização dos instrumentos de planejamento PAPP e RTE – a utilidade, o processo de aprendizagem e o trabalho em equipe – retratam a necessidade dos estudantes de compreenderem como e por que utilizar esses instrumentos, para a partir daí fazerem uso, visualizando na prática a utilidade no processo de construção do portfólio, ou seja, a partir do valor dado, do significado revelado pelo seu uso, os estudantes perceberam, na práxis, os benefícios no processo de organização e planejamento do portfólio coletivo.
O portfólio coletivo reflexivo exige para sua eficácia, uma organização capaz de fazer que o trabalho em grupo realmente funcione, quer dizer, que todos os membros do grupo contribuam de forma equitativa com suas habilidades, conhecimentos e atitudes, proporcionando, assim, mecanismos para que a aprendizagem e a avaliação aconteçam de formas significativa e formativa, respectivamente.
Além disso, o trabalho interdisciplinar no mundo do trabalho exige a formação de profissionais que saibam lidar com conflitos, que consigam formar consensos e se organizem de tal forma que as ações programadas tenham um olhar integral sobre os principais problemas de saúde que afetam a população. Assim, os instrumentos mostraram-se parte dos objetivos de aprendizagem do portfólio na aquisição de habilidades específicas para o trabalho em equipe.