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2. AĞ TEKNOLOJİLERİ

2.3. İnternet, Web ve Anlamsal Ağ

2.3.5. Anlamsal Ağ’ın Yapıtaşları

2.3.5.1. URI Kavramı

Vemos surgir, assim, um novo programa de investigação focado na relação entre particular e geral, cuja principal característica estava na forma de conceber o objeto investigado. Como vimos acima, movidos pela tese nominalista, o conceito de substância perdera o seu sentido original e fora posto, na investigação empirista acerca do nosso conhecimento sobre os universais, num segundo plano. O foco na investigação empirista foi deslocado para a noção de percepção e o modo pelo qual um sentido poderia ser perscrutado entre os dados da sensibilidade. O desafio passou a ser explicar como várias ideias simples diferentes podem revelar uma unidade e, assim, formar um conjunto organizado em torno de uma qualidade particular. Unidade essa que, aliás, deveria ser responsável por dar sentido a um termo geral.

Se não podemos formar uma ideia geral, como queriam os escolásticos com a noção de forma substâncial, a generalização, todavia, continuava sendo um desafio para um empirista, na medida em que a percepção não poderia revelar um elemento comum – forma – que justificasse a associação de diferentes ideias a um mesmo termo da linguagem. A doutrina das ideias abstratas vem exatamente preencher essa lacuna e responder o que nos leva a

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classificar os objetos da percepção segundo uma ordem, a qual pode ser conceitual ou empírica.

Seu papel, portanto, é identificar uma unidade entre o diverso da percepção, e, com isso, organizar e estender, a partir da linguagem, o nosso conhecimento nos mais diversos campos de atuação do homem. Essencialmente, com a tese das ideias abstratas o empirismo buscou responder como um sentido pode ser conhecido no mundo ou entre nossas percepções, já que não podemos conhecer nada mais que ideias e sensações particulares. Por isso, o objetivo da investigação empirista acerca do conhecimento sobre universais era, primeiro, estabelecer a natureza das coisas que predicam vários

objetos em comum e, segundo, análisar a extensão do nosso conhecimento quando lidamos com um conjunto de ideias particulares. Em outras palavras, o seu objetivo era mostrar qual é a

gênese da generalização e, com isso, responder questões como, por exemplo, se podemos e de que modo são formados: um termo geral, uma ideia geral, propriedades universais, relações necessárias entre ideias e o conhecimeto a priori27.

Vale ressaltar ainda que, entre suas tarefas precípuas, a tese das ideias abstratas tem também o papel de ser: o elo sem o qual não poderia haver a comunicação entre os homens, aquilo que nos permite pensar em objetos dos quais a imaginação não é capaz de formar uma ideia clara e distinta e ainda aquilo que ajuda a organizar as nossas ideias na memória. É essa capacidade, por exemplo, que permite a duas pessoas notarem o sentido de uma mesma palavra, mesmo que cada uma tenha em mente objetos diferentes28; ou permite que uma pessoa pense num quiliágono sem necessariamete

27 Talvez seja nesse ponto que o objeto desse programa de investigação empirista mais se afaste do debate escolástico em torno do nosso conhecimento dos universais, pois uma ideia ou um termo geral não é necessariamente uma ideia geral, universal, necessária e/ou a priori. O objeto de investigação empirista é, invariavelmente, a formação dos conceitos (termos gerais) e das leis gerais da Natureza.

formar, na imaginação, um polígno de 1000 lados ou, então, um general conduzir um exército sem conhecer ou lembrar-se de cada soldado de sua tropa.

Essas tarefas de unir e de classificar são excercidas por um

termo geral da linguagem, ou seja, uma palavra capaz de denotar

mais de uma ideia29 e de reunir todas aquelas ideias que se

assemelham entre si. Um termo geral, no empirismo, pode ser

formado de dois modos:

(i) Por uma ideia geral,

(ii) Por uma ideia particular que se converte em signo de outras ideias particulares semelhantes a ela.

Importa notar a diferença entre essas duas formas de conceber um termo geral por dois motivos. Primeiro, porque foi através dela que surgiu um dos principais problemas da doutrina das ideias abstratas, o qual diz respeito à tese nominalista sobre a percepção e, segundo, porque o tipo de denotação de um termo geral foi também responsável por estabelecer as principais linhas de pesquisa desse programa de investigação empirista.

Cabe notar ainda que um termo geral, assim como vimos acima no caso de uma ideia geral, não é formado por um tipo de ideia

complexa. Ele é apenas um termo da linguagem que pode denotar

várias ideias particulares semelhantes, as quais tanto podem ser complexas, como simples. Por uma ideia complexa um empirista tanto pode estar se referindo à reformulada noção de substância ou à

noção de modo30 e, por ideia simples, todas as qualidades

29 Em Locke, em vez de o termo geral denotar mais de uma ideia particular, ele denota apenas uma ideia geral, a qual, por se assemelhar a algumas ideias particulares, estabelece a relação entre o termo geral da linguagem e as várias ideias particulares semelhantes entre si que constituem os exemplos deste conceito.

30 No caso da noção de modo, a classificação entre simples e complexa depende do autor em questão e do tipo de modo. Em Locke, por exemplo, existem dois tipos de

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particulares observadas na experiência. Essa distinção é importante, pois será através dela que poderemos identificar alguns aspectos essenciais na formação das ideias abstratas.

Além disso, cabe notar que, com esse programa de investigação, o empirismo tinha como propósito buscar respostas para duas questões, em particular, (i) como um termo geral seria

formado se tudo aquilo que podemos conhecer, clara e distintamente, não passa de qualidades e percepções particulares, e (ii) se não temos acesso à forma de uma percepção, como vimos acima, como poderemos definir a extensão de um termo geral, ou seja, como

podemos saber quais são todos os objetos denotados por este termo nos casos em que não é possível listá-los num conjunto finito.

E, se a resposta à primeria questão for que uma ideia é, por natureza, particular, de modo que um termo geral não pode ser formado por uma ideia geral, então, o conteúdo de um termo geral será definido a partir da semelhança entre ideias particulares — ou seja, não há ideias gerais em si. O que torna imprescindível saber o que é essa semelhança — ou seja, se ela é uma qualidade da percepção ou uma relação imposta — e como podemos conhecê-la.

Com essa questão, basicamente, se busca saber em que campo e como ocorre o processo de geralização. Pois, com o esvaziamento da noção de substância material e a importância que o conceito de percepção adquiriu, houve uma mudança na relação de dependência entre particular e geral. O que, por sua vez, teve um forte impacto sobre a própria possibilidade de conhecer a natureza de um objeto à luz de suas relações universais e necessárias. Essa questão pode ser resumida quando perguntamos qual é a natureza da evidência ao formar um termo geral, ela é empírica ou conceitual? Ou melhor, qual

ideias de modo: simples e misturada. O modo simples é formado por uma ideia simples, enquanto que modo misturado é formado por várias ideias diferentes (Cf.: E.2.12.4 e 5). Por outro lado, na obra humeana a noção de modo é uma ideia sempre complexa (Cf.: T.1.1.6.2 e 3). Iremos retomar a descrição da noção de modo em Locke na última seção do segundo capítulo de nossa dissertação.

é a base de comparação entre duas ideias semelhantes, de modo que sejam estabelecidas as condições suficientes para fundar o conhecimento de qualquer ordem seja acerca de questões de fato, seja acerca da geometria, por exemplo31.

Essa questão acerca da semelhança entre ideias particulares, como veremos, será fundamental para compreender o que representa a doutrina das ideias abstratas na obra de Hume. No entanto, acreditamos que, antes de nos aprofundarmos nela, cumpre primeiro fazer uma breve análise, no segundo capítulo, acerca do arcabouço teórico sobre o qual Hume se debruçou ao desenvolver a sua tese. Isso porque, Hume ergeu sua doutrina ao combater, em especial, um argumento (T.1.1.7.2), o qual pode facilmente ser observado na seção Sobre as ideias abstratas do Tratado32. E como essa crítica não foi dirigida nominalmente, consideramos que será fundamental analisar a tese das ideias abstratas na obra de John Locke, no Ensaio

sobre o entendimento humano, para ter claro em mente aquilo que

estava sendo combatido no Tratado.

Com isso, teremos a oportunidade ainda de observar as características específicas da primeira tese empirista sobre as ideias abstratas. O que, por sinal, irá nos permitir aprofundar a nossa análise a partir do constraste entre duas posições diferentes, sobretudo, tendo em vistas quais poderiam ser as consequências de distintas respostas para as duas questões formuladas acima.

31 São dois os principais exemplos das dificuldades que um empirista pode enfrentar quando parte da semelhança entre ideias particulares para estabelecer a gênese dos termos gerais: as qualidades particulares de extensão e cor. Com a segunda qualidade podemos observar, como será retomado a frente, problemas de ordem empírica, em especial, devido à análise da percepção e do conceito de ideia simples e, com a primeira, problemas de ordem empírica, científica e matemática (um breve resumo acerca dos problemas que rodam o conceito de extensão foi apresentado acima. Veja as páginas 7, 8 e 9 acima). O exemplo preferido pelos empiristas para retratar as dificuldades que um termo geral pode encontrar a partir da noção de extensão está na geometria, um tipo de conhecimento formado através das relações entre ideias, embora cujo fundamento não é puramente conceitual, ou seja, um campo do conhecimento que está no limite entre conceitual e empírico.

32 Ou seja, que é possível conceber uma quantidade ou uma qualidade sem formar uma noção precisa de seus graus. Cf.: T.1.1.7.2.

Benzer Belgeler