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İKİNCİ BÖLÜM KELİME GRUPLAR

O, ne yaparsa güzel yapar (12)

1.9. UNVAN GRUBU

Fonte: Arquivo do autor – Trabalho de campo, (2014).

16 Tanto o representante do MST, no acampamento, como o agricultor entrevistado não quiseram dar mais informações sobre como esse agricultor conseguiu tal quantidade de área superior a dos outros. Pois os dois lotes ocupados, quando somados, não perfazem a área de 54 hectares.

Quando a quantidade produzida é maior, é necessário contratar mão de obra, o que também acontece de forma diferenciada entre os 3 grupos. Como se pode observar na Tabela 36, o grupo 1 é o que contrata mais mão de obra. Dos 57 empregados permanentes contratados dos 3 grupos só um não é do grupo 1; dos 56 restantes, 94,7% são contratados para trabalhar em aviários. O segundo trabalho que mais necessita de mão de obra contratada em caráter temporário é a transformação do milho em silagem. A criação de aves e a produção de silagem são as atividades que mais contratam mão de obra. Na produção da silagem, o número de trabalhadores contratados é maior, mas são temporários, só atuam no período da transformação do milho em silagem, mas o número de dias trabalhados é menor que o dos contratados para a produção de aves. No grupo 2, 47,6% dos empregados temporários são para a produção de silagem. Os demais são para, a produção do fumo, para trabalhar no plantio de grãos, preparar áreas de pastagens etc. A contratação de mão de obra é um indicador da aceleração do ritmo do tempo, pois, o trabalho dos membros da família não é suficiente.

Tabela 36 – Contratação de mão de obra, principais atividades e número de contratados, por grupo.

Trabalho Atividade 1° Grupo 2° Grupo 3° grupo

Temporário Silagem 17 11 02

Outra 14 12 03

Permanente Aviários 53 00 00

Outra 03 01 00

Troca de dias Silagem 11 14 06

Outra 00 03 17

Fonte: Trabalho de campo, (2015). Organização: BRAGA, L. C. (2015).

A produção da silagem gera uma relação de trabalho que não é muito comum, a troca de dias de trabalho, porém essa relação possui uma lógica diferente da troca de dias realizada no grupo 3. Neste, a troca é uma necessidade, os agricultores que possuem trilhadeira para debulhar o milho realizam esse trabalho para os agricultores que não possuem trilhadeira em troca de dias de trabalho braçal. Assim também acontece com outras máquinas, e também para colher alguma produção que possa estragar se não for colhida na época certa, ou para construir ou reformar alguma estrutura como galpões, estábulos, são trocados dias de trabalho, não são levados em consideração aspectos como a contabilização das horas de trabalho, ou a penosidade do trabalho, mas sim a necessidade do vizinho17. O agricultor que está trabalhando

não cumpre uma jornada de trabalho exata, ele trabalha até o término da atividade ou até que seu vizinho precise. No grupo 03, a troca de dias acontece porque é uma necessidade; já no grupo 02 - com exceção da produção de fumo, onde há 3 agricultores que trocam dias por necessidade do trabalho - e principalmente no grupo 01, a troca de dias é para aumentar o ritmo da produção. Quando um produtor vai transformar o milho em silagem, mesmo tendo as máquinas necessárias, o seu vizinho, que também tem máquinas, ajuda no trabalho, para aumentar a produção da silagem, depois o produtor que recebeu a ajuda devolve o tempo de trabalho. Nesse caso, as horas são computadas como hora-máquina. O produtor que utilizar mais horas do que as horas “cedidas” paga a diferença ou faz outro trabalho para compensar.

Analisando as produções principais do município de Marmeleiro, percebe-se que, entre os agricultores familiares, existem desigualdades em relação a produtividade, sendo alguns mais mecanizados, outros menos; existe a conjugação de técnicas novas com práticas “antigas”, sendo estas utilizadas tanto na produção quanto na comercialização. A produção para alimentação familiar é importante. São produtos básicos que contribuem para a economia da família. A produção desses alimentos não deixa os agricultores totalmente dependentes das produções mercantis.

No caso dos produtores de fumo integrados à empresa Souza Cruz, há um incentivo para que o produtor não pare de produzir, mesmo nos momentos de crise. Está previsto em contrato que: “Considerando que o produtor está ciente de que deve cultivar outras lavouras que não a do fumo, sendo esta prática recomendada para que não dependa exclusivamente do cultivo do fumo para a subsistência.” (Contrato de integração, safra 2012/13). Assim também contrato de integração na produção de aves possui uma cláusula similar. Nela consta que: “O Integrado declara que o presente contrato se constitui em renda suplementar sua e de sua família, possuindo outras atividades agropecuárias principais na sua propriedade rural” (Contrato de integração na produção de aves, 2008, p. 15). Mais uma vez as empresas garantem a sua isenção em relação à renda dos integrados.

Entre os agricultores estudados percebe-se que a produção para alimentação familiar é planejada conforme as variações dos valores das produções direcionadas para a comercialização. Quando a safra proporciona renda maior, eles consomem mais alimentos industrializados. Quando ocorre uma queda nos preços dos produtos, ou alguma intempérie, recorrem aos alimentos que produzem, visando à diminuição nos gastos e também devido à sazonalidade de alguns itens. Os agricultores estão perdendo o hábito de armazenar produtos

para a alimentação. Sempre há alguns produtos, independente das variações do mercado, como a mandioca e a batata-doce.

Entre os entrevistados, 80% responderam que a produção para o consumo familiar está diminuindo e a prioridade é dada para a produção voltada para a comercialização. A média de horas trabalhadas nessa produção é de 1 hora diária enquanto na produção para a comercialização, a média é de 11 horas diárias. O tempo de trabalho da produção voltada para o consumo corresponde a pouco mais de 9% do tempo total de trabalho dos agricultores. Também se percebe que é um trabalho realizado predominantemente por mulheres.

[...] Quanto mais restringe a área cultivada com produtos básicos para a autossuficiência alimentar, mais depende do mercado para colocar o produto comercializável – sua mercadoria. Em contrapartida, aumenta a dependência da renda-dinheiro necessária para suprir a reprodução doméstica e produtiva (ANTONELLO, 2001, p. 55).

O principal motivo que levou à diminuição da produção para o consumo no estabelecimento é a praticidade do acesso aos produtos industrializados. Outro motivo é a correria do dia-a-dia. É preciso dedicar-se mais à produção para a comercialização porque é necessário pagar os custos da produção e as novas necessidades de consumo (Quadro 3).

Quadro 3 –Motivos que condicionam a diminuição da produção para a alimentação familiar. Vem diminuindo cada vez mais, compramos produtos no mercado.

Trabalhamos, no máximo, uma hora por semana nessa produção; ela vem diminuindo por essa correria do dia-a-dia. Às vezes, vamos para a cidade e ficamos todo dia para resolver alguma coisa da produção.

Plantamos bastante produtos para o consumo, dividimos com os filhos que moram aqui, mas trabalham na cidade. Vem diminuindo porque já temos uma certa idade e os filhos não querem mais plantar, as plantas também não produzem como antigamente.

Cada vez mais dedicamos menos tempo para essa produção.

Vem diminuindo porque encontramos muitos produtos no mercado. É mais prático comprar no mercado.

Compensa comprar no mercado e usar o tempo para produzir mais para vender.

Compensa comprar no mercado, porque para produzir em casa tem que comprar um monte de produtos químicos para poder colher.

Alguns produtos compensa comprar porque com as mudanças no clima, alguns produtos não produzem mais.

Os produtos estão prontos no mercado, é mais fácil, e agora não temos mais tempo.

Essa produção vem diminuindo bastante, o tempo não ajuda; hoje em dia, tem mais pragas que antigamente, a idade também prejudica um pouco, como esse serviço é todo manual, não podemos plantar muito.

Então, parece um movimento circular, os agricultores produzem cada vez menos para o consumo, e por isso têm que trabalhar e vender cada vez mais para o comércio para comprar os produtos industrializados.

Os agricultores que pensam que é mais vantajoso economicamente e pelo tempo de trabalho comercializar cada vez mais a produção acreditam que é mais viável comprar produtos industrializados, pois assim sobra mais tempo para se dedicar à produção voltada para o mercado. Outra questão é o controle das pragas em algumas produções; devido ao desequilíbrio biológico, o ataque de pragas aumentou muito; para serem produzidas, precisam de uma grande quantidade de aplicações de inseticidas e fungicidas; um dos casos é o feijão, conforme já apontado. Dessa forma, outra frase repetida para justificar a diminuição na produção para o consumo é: “[...] tem muitas coisas que não dão mais [...]”. Percebe-se que a maioria dos agricultores sentem certo constrangimento de admitir que diminuíram a produção para o consumo porque isso é uma característica inerente a eles, é algo cultural. Percebe-se isso em depoimentos como este:

[...] é uma vergonha, não plantamos mais um monte de coisa [...] outro dia fomos fazer umas rapaduras, precisamos comprar amendoim e açúcar amarelo18 no mercado, uma vez tinha tanto açúcar amarelo que juntava formiga (risos) (AGRICULTOR 120, ENTREVISTA, 2014).

A produção para o consumo familiar diminui nos estabelecimentos que possuem terrenos mais planos e as produções mais direcionadas para o mercado. Geralmente não usam os terrenos propícios para a mecanização para plantar produtos para o consumo. Os terrenos utilizados para essas produções são os com declividade maior, os “cantos” onde é difícil o acesso das máquinas (Foto 20). Busca-se uma racionalidade da produção cada vez maior.

Outra justificativa é que eles pretendem aumentar a renda e comprar produtos industrializados, por entenderem que compensa financeiramente e, principalmente comprando produtos industrializados, sobra mais tempo para produzir para o mercado, porém:

O produtor que vende toda a sua produção consegue uma renda de suas vendas e esta renda, que corresponde a seu poder de compra e determina consequentemente suas condições de vida, depende, em grande parte, da flutuação dos preços no mercado. Esse tipo de dependência é muito menos forte, naturalmente, entre os produtores que praticam o autoconsumo e o abastecimento próprio (LAMARCHE, 1998, p. 67).

18 Açúcar amarelo é um termo regional utilizado para definir o açúcar mascavo de cana, que pode ser produzido no estabelecimento.