Figura 9 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 10 de julho de 2012.
No quarto texto chargístico, temos o uso tanto da modalidade verbal quanto da não verbal. No que diz respeito ao verbal, observamos dois trechos sob a forma de fala de personagem caracterizado pelo uso do balão com apêndice voltado para a imagem que diz “Você acha correto decretarem estado de calamidade na praia de ponta negra?” e “Estado de calamidade? Eu tava achando que isso já era a obra do metrô pra copa 2014...”. No que concerne ao imagético, temos a presença de duas pessoas no calçadão da praia de Ponta Negra, isso se confirma tanto pela fala de um dos personagens, assim como pela paisagem ao fundo da charge, que remete ao morro do careca, um dos cartões-postais mais famosos da capital do estado. Supõe-se que o primeiro, um homem, é um repórter de um canal de televisão (pelo microfone que o mesmo está na mão), onde vemos a sigla “TV”. O repórter estaria fazendo uma reportagem no calçadão da praia de Ponta Negra e encontra-se com o
segundo personagem, o qual não podemos identificar se é homem ou mulher, tendo em vista que no desenho só aparece a sua mão.
A charge foi publicada no dia 10 de julho de 2012 e as condições de produção que possibilitaram o seu surgimento foram as destruições no calçadão de Ponta Negra. Inclusive, nesse dia, a notícia foi publicada na capa do jornal Tribuna do Norte. Nesse período, a força das marés e a erosão costeira destruíram doze pontos dos cerca de 2,5 quilômetros da área do passeio no calçadão e foi interditado pela justiça, com o isolamento e utilização de redes, tapumes, além da sinalização com placas e retirada preventiva de estruturas que ameaçavam tombamento. Em alguns pontos ficaram poucos metros para a passagem dos pedestres e tubulações romperam com a queda de parte da estrutura e derramaram água de forma constante pela praia.
Figura 10 – Capa do jornal Tribuna do Norte25.
As deficiências nas estruturas afastaram turistas e prejudicaram os comerciantes do local, assim como relata o comerciante Alexandre, que há nove anos trabalha como comerciante na praia: “Cada maré cheia que dá, destrói cada vez mais. Nunca tinha visto”. Ele acrescentou que, com a aproximação do período das férias escolares, esperava a intensificação da movimentação. “Mas com esses problemas todos, o povo está se afastando cada vez mais”26. Alguns proprietários de barracas, por exemplo, se reuniram para encomendar duas
escadas de madeira, com o próprio dinheiro, para não ver a clientela se esvaindo cada vez mais.: “A gente se reuniu aqui, três barraqueiros, e mandamos fazer aquelas duas escadas. Saiu um total de R$ 2,5 mil. É o único jeito para gente atender o pessoal, porque não tem mais
25 Disponível em: http://tribunadonorte.com.br/flip/. Acesso em: 20/06/2013.
26 Disponível em: http://tribunadonorte.com.br/noticia/perigo-e-destruicao-no-calcadao-de-ponta-negra/225239.
onde descer para a areia depois do desabamento do calçadão”, contou ainda o comerciante Alexandre Moura dos Santos.
Representantes do setor turístico e o diretor de Infraestrutura do Ministério do Turismo sugeriram à prefeita Micarla de Sousa que decretasse “estado de calamidade pública” na área do calçadão. A medida, segundo o diretor ministerial, apressaria a liberação de recursos federais para obras de recuperação do local, contudo a prefeita decidiu adiar a decisão sobre estado de calamidade e se pronunciou dizendo que prefere “não fazer nova promessa à cidade” e decidiu ir à Brasília pessoalmente para pedir os recursos.
A partir da recuperação do momento histórico que subsidiou a charge, percebemos as relações interdiscursivas que se estabelecem, pois o texto chargístico relaciona-se tanto com os discursos produzidos acerca do mandato de Micarla quanto aos da Copa do Mundo de 2014. Como sabemos, Natal foi escolhida pela FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado) como uma das cidades-sede da copa, juntamente com Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Natal receberá quatro jogos em seu novo estádio “Arena das Dunas”.
Para sediar um evento de grande porte e amplitude mundial como a Copa do mundo, a cidade-sede precisa dispor de uma excelente infraestrutura, tanto no que diz respeito ao estádio, como nas obras acessórias ao complexo. Em Natal, é preciso rever o prolongamento da avenida Prudente de Morais e da Via Costeira, que possivelmente vão melhorar o acesso ao estádio; o projeto Via Metropolitana, que dará fluxo de transporte aos veículos que vem de Macaíba e do Aeroporto de São Gonçalo e o Pró-transporte, melhorando as condições da zona Norte. A cidade ganhará cinco túneis e dois viadutos, sendo um deles estaiado. O problema é que muitas dessas obras ainda não foram iniciadas e Natal ainda passa por muitos transtornos, por exemplo,faltando alguns meses para a Copa de 2014, a cidade é a penúltima entre as 12 sedes escolhidas pela FIFA em matéria de saneamento básico, só perdendo de Cuiabá, no Mato Grosso27.
Como podemos ver, o repórter diz: “Você acha correto decretarem estado de calamidade na praia de ponta negra? E o entrevistado diz: “Estado de calamidade? Eu tava achando que isso já era a obra do metrô pra copa 2014...”. Observamos novamente a “técnica do fazer alguém de bobo”, que nesse caso acontece com o segundo personagem, que está
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Disponível em: http://jornaldehoje.com.br/natal-e-a-penultima-cidade-sede-da-copa-de-2014-em-materia-de-
totalmente por fora da situação que ocorre na cidade, e ao invés de saber que Natal está passando por muitos problemas e que o estado do calçadão de Ponta Negra é um deles, ele pensa que a cidade está em pleno desenvolvimento, pois acha que as obras do metrô para a Copa de 2014 já foram iniciadas, sendo que nem mesmo haverá a construção desse tipo de transporte.
4.5 Nossa linda juventude
Figura 11 - Charge publicada no jornal Tribuna do Norte, no dia 19 de julho de 2012.
Na charge acima, evidenciamos a presença de um único personagem: a figura de uma caveira sentada em uma pedra tocando um instrumento musical – o violão e, ao seu lado, uma foice. Ao fundo do desenho temos a imagem da ponte Newton Navarro, localizada na cidade do Natal, também conhecida como a “Ponte de Todos”. Devido a sua altura e imponência, logo virou atração turística, tornando-se um dos pontos famosos da cidade. A ponte liga os bairros da Zona Norte de Natal e os municípios do litoral norte do estado aos bairros da Zona leste e do litoral sul. A charge mostra-se na cor cinza e preta o que acentua ainda mais a atmosfera de apreensão que se constrói na mesma, ao passo que, o cinza remete ao céu nublado que serve de metáfora em nossa sociedade para sentimentos de preocupação, angústia