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Uluslararası Turizm Talebi Literatür İncelemesi (Model I)

Atualmente uma das questões mais discutidas nos estudos que tratam do bi/multilinguismo são os debates acerca de como palavras de línguas diferentes são acessadas no léxico mental de indivíduos bilíngues ou multilíngues. Essas discussões substituíram o tema clássico em que se discutia se bilíngues possuíam

dois léxicos mentais separados, um para a L1 e o outro para a L2, ou se possuíam apenas um léxico para as duas línguas.

Costa (2005, 2006) foi um dos pesquisadores que se preocuparam em investigar como ocorria o processamento lexical em bilíngues ouvintes. Segundo o autor, o reconhecimento/produção de uma língua exige pelo menos três níveis diferentes de representação: o conceitual (ou semântico), o lexical e o fonológico. A produção de itens lexicais tem início com a ativação da representação conceitual, que abrange não só o conceito-alvo, mas também, em algum grau, as representações de conceitos relacionados ao conceito-alvo. Assim, por exemplo, quando se nomeia a palavra cão, esse conceito é ativado juntamente com conceitos a ele relacionados como gato, latir, etc. Logo após a ativação conceitual, ocorre a ativação do sistema lexical que, por sua vez, seleciona dentre as palavras candidatas dos nós lexicais (gato, latir, etc.) aquela que corresponde ao conceito- alvo (cão). Quando o nó lexical é selecionado, a próxima etapa é o acesso ao nó fonológico. Neste momento, o processo de seleção e ativação fonológica ocorre do sistema lexical no nível fonológico da palavra-alvo. Ou seja, quando o nó lexical é selecionado a próxima etapa na produção do item lexical é o acesso às propriedades fonológicas dessa palavra. Esse mecanismo de decisão é denominado de seleção lexical (lexical selection).

Estudos sobre o léxico sugerem que a seleção lexical é guiada pelo nível de ativação entre nós conceituais, lexicais e fonológicos. Entretanto, ainda é necessário um melhor entendimento sobre o processo de seleção e reconhecimento/produção de bilíngues, principalmente se considerarmos as consequências de se ter um nível conceitual relacionado a dois (ou mais) diferentes itens lexicais, pertencentes a línguas distintas. (COSTA, 2005). Na verdade, até o momento existem diferentes opiniões a respeito desse mecanismo, pois não se sabe exatamente como ele funciona, se é estruturado a partir da competição entre as duas línguas (ou mais) de um indivíduo ou não. (COSTA, 2005, 2006).

De acordo com Costa (2005, 2006), supõe-se que haja a existência de duas hipóteses de seleção lexical para as duas línguas de um bilíngue. A Hipótese de Seleção Específica (HSE) na língua-alvo (COSTA; CARAMAZZA, 1999) e a Hipótese de Seleção Não Específica (HSNE). (GREEN, 1986; DIJKSTRA, 2003; DE BOT, 2004). A HSE assume que o mecanismo de seleção lexical seleciona apenas os nós lexicais da língua-alvo. Assim, a seleção lexical em bilíngues ocorreria da

mesma forma como ocorre em monolíngues, ou seja, a presença de outra língua é irrelevante para a seleção da palavra-alvo.

Contrariamente, a HSNE assume que o mecanismo de seleção lexical é sensível à ativação de todos os nós lexicais, independente das línguas a que pertençam. Nesse contexto, o mecanismo de seleção seleciona o nó lexical com o nível de ativação mais elevado, assim a intensidade do nó lexical da língua-alvo sempre será mais elevada do que os nós lexicais da língua não relevante. Segundo a HSNE, a seleção lexical é um processo competitivo e a seleção do nó lexical-alvo depende do nível de ativação das palavras de ambas as línguas, ou seja, as palavras da língua não relevante também atuam como competidoras. Por exemplo, quando um bilíngue de espanhol-inglês quer nomear a figura de um cão em inglês (dog), o sistema conceitual ativa simultaneamente os nós lexicais em inglês e a tradução em espanhol (perro). Entretanto, o nó lexical da palavra em inglês (dog) recebe mais intensidade de ativação do que em espanhol (perro).

Como argumento contra a HSE, Dijkstra (2003, 2005) e De Bot (2004) citam o “efeito da vizinhança” no reconhecimento de palavras como work que é “vizinha” de

cork. As palavras que têm “vizinhos” são: as que têm “falsos amigos” (false friends),

por exemplo, red em LI (cujo significado é uma cor) e red em espanhol (que significa

rede), palavras cognatas como film em LI e holandês, e “vizinhas” ortográficas, ou

seja, palavras de duas línguas que diferem na posição de apenas uma letra ou som, por exemplo, steak em LI e sterk em holandês.

Os linguistas têm utilizado esses tipos de palavras para determinar se há diferença no tempo de resposta entre as palavras que têm “vizinhos” e as que não têm. Segundo Dijkstra (2005), palavras com termos cognatos, “falsos amigos” ou vizinhas ortográficas em outra língua, apresentam mais candidatos para competir pela palavra-alvo, dificultando a seleção do vocábulo certo e, consequentemente, aumentando o tempo de análise do mesmo. De fato, as pesquisas conduzidas em holandês (L1) e a inglês (L2) por Dijkstra (2005) em tarefas de decisão lexical em LI mostraram que um aumento no número de palavras “vizinhas” em holandês conduz a um tempo de processamento mais lento em LI, constituindo evidência a favor do acesso não seletivo quando duas línguas estão envolvidas.

Outra evidência contra a HSE é o fato que bilíngues podem alternar as línguas que sabem, isto é, podem utilizar diferentes línguas dependendo do

interlocutor bilíngue e do contexto. Esse fato sugere a atividade simultânea das línguas que um bilíngue utiliza.

De Bot (2004), como já referido, esclarece que é necessário um nível mínimo de proficiência/ativação, que ainda precisa ser definido, para que as palavras de uma língua desempenhem um papel nesse processo, ou seja, o seu nível default de ativação deve ser forte o suficiente para torná-las competitivas. O autor também defende que a aceitação da HSNE não significa que palavras de qualquer língua tenham as mesmas chances de serem selecionadas. Línguas que são utilizadas com frequência e, portanto, têm um alto nível de ativação, são difíceis de suprimir ou inibir, mas uma vez desativadas também são mais difíceis de serem ativadas.

De Bot (2004) defende uma visão muito semelhante com a que Paradis (2004) expõe em sua Hipótese da Ativação do Nível Limiar. Conforme Paradis, cada língua possui um nível limiar (threshold) de ativação (estímulo) que depende dos impulsos que são necessários para ativá-la. Desse modo, um nível de ativação baixo requer menos impulsos para ativar o item; enquanto um nível de ativação mais alto demanda mais impulsos. Cada ativação baixa o nível limiar que, por sua vez, gradualmente começa a subir novamente até a próxima ativação. Se um item não é ativado, o nível limiar sobe. Para que um item seja selecionado, a ativação desse item é acompanhada pela inibição de seus possíveis competidores, ou seja, seus níveis limiares sobem. O nível de ativação de um item muda constantemente e depende, em grande medida da recência e da frequência de uso.

Por outro lado, alguns pesquisadores explicam o processamento lexical em bilíngues de outro modo. Green (1986) propôs o Modelo de Controle Inibitório, segundo o qual a seleção lexical na língua-alvo é obtida pela supressão da ativação dos nós lexicais que pertencem à língua não relevante. De acordo com esse modelo, o sistema conceitual ativa os nós lexicais de ambas as línguas de um bilíngue, mas os nós lexicais que pertencem à língua não alvo são suprimidos posteriormente.

O Modelo de Controle Inibitório apresenta aspectos interessantes como o fato de que as duas línguas de um bilíngue estão ativas mesmo quando somente uma está sendo processada. Outro aspecto que vale salientar é que o mecanismo de inibição é proporcional ao nível de ativação da língua a ser suprimida. Ou seja, quanto maior a ativação do nó lexical da língua não alvo, tanto maior o nível de inibição exigido. Logo, se o bilíngue utiliza a língua não relevante frequentemente e é fluente nessa língua, ele terá que inibi-la mais. Assim, quando se utiliza a L1, a

quantidade de inibição aplicada à L2 correlaciona-se positivamente com o nível de proficiência nessa língua, isto é, o nível de supressão na L2 será maior em bilíngues proficientes do que em não proficientes.

As pesquisas referidas até aqui foram conduzidas unicamente com línguas orais, nas quais os participantes são ouvintes. Para bilíngues ouvintes unimodais (fala-fala), assume-se que as palavras escritas ou faladas ativem “competidores” lexicais que são ortográfica ou fonologicamente similares. Entretanto, as LSs e as línguas orais apresentam poucas semelhanças ortográficas e fonológicas, uma vez que essas línguas se expressam por canais distintos. Outrossim, as LSs não possuem um sistema de escrita alfabético; o seu sistema de representação escrita, o Sign Writing, não é amplamente utilizado. Recentemente, no entanto, estudos com a ASL tentam determinar se surdos bilíngues (sinal-língua escrita) ou bilíngues ouvintes intermodais, CODAS (fala-sinal), ativam sinais quando leem palavras em LI.