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Uluslararası Düzenlemelerde Evlenen Kadının Vatandaşlığı ve Vatandaşlık

2 Türk Hukukunda, KKTC Hukukunda ve Türkmenistan Hukukunda Evlenen

2.4 Uluslararası Düzenlemelerde Evlenen Kadının Vatandaşlığı ve Vatandaşlık

entre pessoas que faziam uso de drogas injetáveis para evitar o compartilhamento. O objetivo foi diminuir o risco de contaminação de Hepatite pelo contato sanguíneo. Muitas outras ações se desenvolveram dentro do escopo da prevenção, ainda tendo o risco como algo a ser evitado ou atenuado. Ver detalhes capítulo 3.

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colocar-se em risco são fenômenos multifacetados que são percebidos, experienciados, normativamente avaliados, e manejados com alta variabilidade” (Lyng, 2014, p. 03). Desta forma, o que é arriscado para mim pode não ser arriscado para você. E dentro da possibilidade do incontrolável, nada é indiscutível.

Erwing Goffman trouxe o conceito de ‘action’ em 1967 em suas primeiras

reflexões sobre ‘risco voluntário’, mas foi somente nos anos 1990 que o interesse dessa prática ganha força com o conceito de ‘edgework’ proposto por Stephen Lyng (Lyng, 1990). Segundo Lyng, desde os anos 60 temos um aumento na prevalência de práticas com estas características extremas como esportes radicais e por que não o uso abusivo de substâncias psicoativas. Os estudos foram na direção de ultrapassar as tendências anteriores de conceitualizar o risco em termos universais, buscando um olhar mais amplo sobre as complexidades e especificidades do contexto de risco. Lyng acrescenta que “pesquisadores teóricos podem e devem estar tão atentos quanto pesquisadores empíricos pela diversidade de temas e influência do contexto social nas percepções e comportamento de risco” (Lyng, 2014 p. 16).

O próprio termo ‘edgework’ utilizado para o conceito de ‘risco voluntário’ proposto por Lyng está intimamente relacionado com a noção de fronteira, limite, com o manejo das incertezas em situações limites. O colocar-se em risco é uma oportunidade de desenvolver técnicas que permitam negociar as fronteiras inerentes às atividades de risco, sob a recompensa de se sentir mais em controle de sua própria vida e seu contexto. Torna- se então a oportunidade de controlar o que para muitas pessoas é ‘incontrolável’, e criar sentido para uma existência até então sem sentido (McGovern, 2011 p.488). Meu objetivo não é prender-me ao conceito proposto por Lyng e aplicá-lo indiscriminadamente na interface risco - uso de crack - cracolândia, mas sim estar munido deste referencial teórico para possíveis interpretações sobre a percepção de risco e as motivações pessoais para espontaneamente vivenciá-los.

Assim como observei, outros estudos etnográficos (Rui et al, 2015; Adorno et al, 2013) apontam inúmeras rupturas e decepções vivenciadas por pessoas que a partir deste marco iniciam ou intensificam o uso de crack, e em algum momento chegam na cracolândia. Nesse sentido, o contato com estes estudos e a dinâmica da vida na cracolândia me inquietam. O que de fato seria correr risco neste contexto?

Me recordo de uma das saídas a campo pelo É de Lei. Foi junho de 2013, estávamos na rua eu e Robertinha, e logo uma moça passa por nós, me olha nos olhos e aflita pede ajuda. O rapaz ao lado dela estava ferido por uma facada e o socorremos como foi possível imediatamente. Segundo relato de campo:

O trajeto em que eu o carregava junto com o outro rapaz, percebi sua cabeça mole junto ao meu corpo. Pensei: desmaiou? Será que morreu? A camiseta dele se levantou com o vento e nossos movimentos rápidos até o SAE. Vi o corte. Um corte de aparentemente uns 5 ou 6 cm, estava aberto. Vi o tecido de seu abdômen. O sangue saia aos poucos, o que me fez pensar que não seria um corte muito fundo. Pelo menos era o que eu queria pensar, o que eu gostaria muito que fosse. Chegamos carregando-o e na

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porta do SAE um médico de jaleco branco logo nos direcionou para uma sala. Colocamos ele em cima da maca. Ele parece que percebeu que havíamos chegado em algum lugar. Imagino que sentiu encostando as costas em algo. Ele abre os olhos. Digo para ficar tranquilo, respirar, e que havíamos chegado no posto médico. Ele olha no fundo dos meus olhos e diz com fraqueza: “Obrigado… Obrigado! ”. Pergunto seu nome. Ele respira e responde: Michel.

Enfim, a adrenalina baixou. Tínhamos feito o que pudemos. O melhor que podia ser feito neste momento. Ele estava sob cuidados médicos, mas sabíamos que o SAE é especializado em tratamento de DST/Aids, mas os dispositivos mais próximos, ali seria o local com maior conhecimento e recursos médicos para lidar com esta situação. Estancar o sangue, talvez um soro, fazer um curativo ou chamar uma ambulância. Ali nos sentimos mais seguros, e torcendo para que não fosse algo grave (diário de campo, 14 de junho, 2013).

Nesta situação fica evidente um dos possíveis riscos do território. Uma agressão, no caso uma facada. Em uma primeira análise, com a chegada ao atendimento médico agora Michel estaria seguro. Porém, a continuidade deste episódio coloca em xeque uma avaliação rasa do contexto e do momento da vida que Michel atravessa.

Após rápido atendimento médico de urgência converso com a médica, ela explica

a necessidade de uma avaliação por um médico cirúrgico para examinar internamente60.

Ela solicitou o SAMU para levá-lo até uma unidade básica e fazer esta avaliação. Enquanto esperamos a ambulância conversamos com a moça, Sarah. Ela nos contou que a facada era para ser nela, e que Michel entrou na frente para protegê-la. Sarah havia saído do Hospital faziam poucos dias, ficou internada por 15 dias devido a uns tiros que havia levado na perna. Vi as marcas cicatrizando, e Sarah ainda relatava sentir dor. Pergunto onde que houve o tiroteio, ela responde: ‘ali na cracolândia mesmo”. Fico na dúvida se foram tiros de pólvora ou balas de borracha. Enfim, tanto faz, foram tiros. O relato do diário de campo prossegue:

O SAMU chegou e levaram Michel para a UBS61 Santa Cecília, na rua

Vitorino Carmilo. Só podia um acompanhante na ambulância. Sarah foi com Michel. A situação vai recebendo nomes, trazendo histórias. Fui caminhando sozinho até a UBS para encontra-los. Nesse trajeto refleti muito sobre a fragilidade da vida. O quão somos capazes, e como isto pode simplesmente acabar de repente. É como se fôssemos fortes e frágeis ao mesmo tempo. Apesar de saber seu nome, ainda não sei quem é Michel. Carreguei ele em meu colo e senti sua cabeça solta, desmaiada, apoiada em

Benzer Belgeler