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KKTC Hukukunda Evlenen Kadının Vatandaşlığı

2 Türk Hukukunda, KKTC Hukukunda ve Türkmenistan Hukukunda Evlenen

2.2 KKTC Hukukunda Evlenen Kadının Vatandaşlığı

de drogas em contextos de festas. Realizamos ações em diferentes contextos como raves de música eletrônica, bailes funk, cervejadas universitárias e etc.

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Conversei com pequenos grupos de pessoas na rua Guaianazes e ouvi relatos de que não podiam ficar paradas em apenas um local, não podiam descansar e eram obrigados a passar o dia se movimentando. Foi perceptível a dissolução da rede de sociabilidade entre as pessoas que fazem uso de crack, esvaziondo o respaldo do coletivo na constante troca e venda de mercadorias que supriam demandas de alimentação, higiene, entretenimento, cuidado, proteção entre outras.

Portanto, além dos possíveis riscos à saúde relacionados ao uso de crack, a vida na rua, especificamente no enclave da cracolândia, apresenta um emaranhado de situações e sentidos capazes de distorcer os parâmetros do que é ou não é arriscado. Além da implantação da política do nomadismo forçado, que outros riscos estariam em curso no cotidiano destas pessoas?

2.4. Tudo pode acontecer e nada é indiscutível

Estávamos próximo ao fluxo na rua Barão de Piracicaba, esquina com a rua Glete. É começo de ano e mais uma vez o grupo de pessoas que usam crack era coercitivamente deslocado de um canto para outro. Achamos estranho o comportamento do grupo em relação a um menino que tentava se aproximar do fluxo, mas todos agressivamente pareciam o repelir. Jogavam sapatos, garrafas e outras coisas em sua direção. Nos aproximamos dele para conversar um pouco e entender o que acontecia. É visível que ele estava bastante sujo, e apesar de um pouco resistente aceita nos acompanhar até a tenda do Programa ‘braços abertos’ da prefeitura. Seu nome é Jony e acompanhando-o até a tenda percebo que ele está mancando com uma perna, além disso exala um cheiro forte. É realmente muito forte, beira o insuportável, e enquanto converso com ele tento sutilmente me deslocar para o lado oposto ao vento. Minha sutileza foi em vão. Ele percebe o movimento e me pergunta: Meu cheiro está muito forte né?

Eu, desconcertado e sincero respondo: Sim, está muito forte. O que está havendo?

Ele responde: É uma ferida que eu tenho aqui na perna. Neste momento levanta a calça e me mostra uma ferida grande, e surpreendentemente com bichos em sua carne! O cheiro forte era sua perna apodrecendo... Reforço a necessidade de irmos até a tenda para limparmos a ferida. Na tenda, entregam para ele o ‘kit limpeza’ (sabão, toalha e escova de dente). Ele pede uma troca de roupa. A agente de saúde diz que deve ter alguma e pede para aguardarmos enquanto ela busca. Neste meio tempo, muitas pessoas se aproximam e começam a ofender Jony de diversas formas. O que marcou para mim foi ‘pé de lixo’. Outras pessoas

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sarcasticamente me desafiavam: “Se você conseguir fazer esse aí tomar

banho tiro meu chapéu. Você não vai conseguir”. Jony responde e xinga- os de volta. Me sinto em um fogo cruzado, informo os rapazes que estão me atrapalhando e peço que me deixem conversar sozinho com ele, enquanto ansiosamente esperava o retorno da agente de saúde. Ela demora. As ofensas continuam e Jony perde a paciência. Joga tudo no chão, diz que não quer mais banho e sai andando rapidamente. Vamos atrás dele, tentamos convencê-lo a retornar. Tentamos em vão, ele

irritado diz: “assim não dá, assim eu não aguento”!

Volto para casa refletindo... porque não depositar tempo e energia para cuidar de um ferimento tão grave? O que faria chegar a este ponto, praticamente já em decomposição? Fico pensando que quando Jony me

mostrou a ferida ele disse com um tom aparentemente conformado: “é

uma ferida que eu tenho aqui”. Disse como se ela fizesse parte dele, parecia já acostumado com ela, não lhe parecia ser uma questão a resolver. O que seria prioridade então para Jony neste momento? Quais questões o preocupavam? O que de fato traria risco à sua existência que

não sua própria perna em putrefação? (Diário de campo – janeiro de

2014).

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A ideia de risco evidencia incertezas frente ao que está por vir. Risco pode ser uma forma presente de falar sobre o futuro, sob o pressuposto de que se pode decidir qual o futuro desejável (Castiel et al, 2010 p. 28). De certa forma, a princípio é a tentativa de controlar o incontrolável. Uma estratégia que atua não como predição, mas sim como probabilidade, segundo Castiel, “risco é uma entidade probabilística… Sempre há a possibilidade de ocorrerem imponderabilidades incontroláveis” (ibidem p. 12).

A definição clássica de risco no campo da saúde surge no século XIX quando buscava-se compreender a relação entre exposição e adoecimento e evitar epidemias de doenças na época, como cólera, pneumonia e febre tifoide (Ribeiro et al, 2009). Posteriormente acompanhamos movimento similar em relação ao HIV e as Hepatites virais nos anos 1980. Surgiam nesta época estratégias preventivas para os chamados ‘grupos de risco’, entre eles as pessoas que fazem uso de drogas, no caso drogas injetáveis (UDI). O principal risco era a transmissão de doenças pelo contato sanguíneo a partir do comum compartilhamento das seringas durante o uso. Aliás, foi neste cenário que surgiram as primeiras ações para o fortalecimento e aceitação dos programas de Redução de Danos58, a distribuição e troca de seringas para pessoas que fazem uso de drogas

injetáveis. Na cidade de Vancouver, no Canadá, o projeto local59 de troca de seringas

estima que evitaram 1365 infecções por HIV entre 2003 e 2011, e salvaram 1778 vidas que passaram por cuidado no momento de overdose. Nenhuma morte ocorreu desde então. É evidente os ganhos referentes ao olhar epidemiológico preventivista, principalmente referente às situações de causa e efeito, como a transmissão de doenças. Na cracolândia, quando questionei diretamente para algumas pessoas sobre os riscos de saúde/doenças que estavam expostos a resposta foi rápida: Pneumonia e Tuberculose.

Porém, é preciso salientar que este enfoque quantitativista não dá conta de todos os fenômenos socioculturais complexos e subjetivos que as pessoas vivenciam. Em outras palavras, quando nos deparamos com o contexto de uso de crack por exemplo, as relações de causa e efeito não são tão diretas, e as variantes contextuais ganham importância, como o consumo público de crack nas ruas da cidade. É nesta trama que aspectos subjetivos e pessoais sobre a percepção de risco entram em cena.

Paralelo ao olhar do risco epidemiológico que trabalha com dados agregados de um coletivo, considero que enriquece o debate apontamentos referente à construção social do risco. Nesta construção, que inclusive assume situações de ‘colocar-se voluntariamente em risco’, acompanho Gabriela Di Giulio ao enfatizar a “necessidade de considerar que o risco se vivencia no interior de cenários, onde falas, silêncios, expressões e segredos são objetos de um conhecimento coletivamente elaborado” (Di Giulio, Ferreira, 2013). Considerando fatores subjetivos, éticos, morais e culturais, pressupõe que o “risco e o

Benzer Belgeler