2.3. Müşteri Memnuniyeti
2.3.3. Müşteri Memnuniyeti Ölçülmesi
2.3.3.2. Ulusal Müşteri Memnuniyeti Endeksleri
O movimento feminista no Brasil, principalmente, após os anos de 1960, se apresentou com características diferentes do movimento americano e europeu. Considerando-se, que no âmbito político, o país encontrava-se sob o regime de ditadura, as ações foram inicialmente no campo da libertação política e pelas liberdades democráticas contra discriminações e pelos direitos das mulheres trabalhadoras, por creches etc”. Conforme Soares, (1998 p.34):
[...] Durante os 21 anos em que o Brasil esteve sob o regime militar, as mulheres estiveram à frente nos movimentos populares de oposição, criando suas formas próprias de organização, lutando por direitos sociais, justiça econômica e democratização.
O processo de redemocratização no Brasil, que ocorreu na segunda metade dos anos 70 e durante a década de 1980, foi marcado por crises econômicas e inflação
crescente afetando todas as classes sociais. A abertura política se deu de forma “lenta e gradual” acompanhada por diversos movimentos populares, rearticulação de uma política de oposição, na qual, as mulheres participaram ativamente. Denunciaram as desigualdades, foram às ruas em defesa de seus direitos e organizando diversas manifestações. “Tratou-se do surgimento de um feminismo cujas militantes estavam
em sua maioria também engajadas nos grupos de esquerda ou nas lutas democráticas, criando um movimento feminista bastante politizado” (Soares, 1998 p. 36).
Assim, os primeiros grupos feministas tinham como marca lutar pela igualdade das mulheres, pela anistia e pela abertura democrática. Em 1975, foi iniciado o Movimento Feminino pela Anistia, composto, principalmente, por esposas, mães, irmãs e outras familiares de vítimas da repressão. Portanto, foi durante a ditadura militar, quando existiam as torturas a presos políticos, que o feminismo articulou uma série de argumentos interligando a violência contra a pessoa e contra as mulheres na esfera doméstica.
No âmbito internacional, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu, no ano de 1975, o ano internacional da mulher, e o decênio seguinte, como a Década da Mulher, ampliando a discussão da situação desfavorável das mulheres em vários países.
Assim, a questão da mulher foi ganhando, aos poucos, um novo status perante aos governantes e à sociedade conservadora que abria-se para a discussão da condição da mulher em uma esfera política e pública. Vários eventos começaram a ocorrer no Brasil. Dois grupos de mulheres cariocas organizaram-se e buscaram patrocínio da ONU e realizaram um evento na cidade do Rio de Janeiro, intitulado O
Centro de Desenvolvimento da Mulher Brasileira (PINTO, 2003).
Sucessivamente, as ações feministas trouxeram à baila o problema da violência contra a mulher ao tornar público o privado, debatendo as questões de cunho privado e fechado da situação da mulher. Estas, ganharam importância legítima implicando uma ação pública. Conforme Bicudo (1994, p. 05), A cidadania –
conjunto de direitos e deveres da pessoa – não é uma concessão do Estado, mas uma conquista do povo. Ou seja, é necessário que os cidadãos e as cidadãs
busquem o reconhecimento de suas reivindicações pelo poder do Estado para que esse se efetive.
Dessa forma, a partir das reivindicações feministas, as políticas públicas e serviços de atendimento às mulheres em situação de violência, começaram a ser implantadas. Em São Paulo, em 1980, criou-se o SOS-Mulher, organização não- governamental feminista que visava sensibilizar o Estado e a sociedade para o grave problema da violência contra mulher em todo o país e também articular a possibilidade para dar um atendimento diferenciado às mulheres em situação de violência doméstica e sexual.
O início da campanha de sensibilização para o problema da violência contra a mulher, girou em torno do repúdio aos assassinatos de mulheres por seus companheiros (maridos, amásios, noivos, namorados). O famoso julgamento de Doca Street, que resultou na sua absolvição, indignou uma boa parte da sociedade. A defesa jurídica se pautou na ideologia da defesa da honra do marido assassino. O caso foi muito divulgado pela mídia e ocorreram também muitas manifestações de protestos pelas feministas devido a absolvição do réu (GROSSI, 1993).
Em 1979, ocorreu o primeiro Encontro Nacional de Mulheres, organizado pelo Centro da Mulher Brasileira. Neste encontro foi introduzido na pauta de discussões
as primeiras questões da violência contra a mulher. Destas discussões saiu uma Comissão intitulada Violência contra as Mulheres e um subgrupo, o Coletivo de Mulheres. Entre os anos de 1979 e 1980 o grupo se pautou basicamente na reflexão e organização de uma estrutura para futuras ações. Nesse período ocorreram dois assassinatos de mulheres por seus maridos em Minas Gerais, gerando diversas manifestações de repúdio por parte das feministas. Lançaram o lema "Quem ama
não mata". O tema ganhou visibilidade com manifestações de rua e espaço na
mídia.
Assim, enquanto na Europa o estopim da campanha feminista contra a violência foram os estupros, no Brasil foi o assassinato de mulheres. Conforme Lígia Rodrigues informou em entrevista realizada no ano de 198210. “O assassinato é um crime de ação pública, independentemente de a vítima dar queixa ou não,” sempre gera espaço de visibilidade com manchetes no jornal. Constatamos, então, que as primeiras políticas públicas e serviços nasceram sob o enfoque criminalístico.
O que destacamos é a forma como os assassinos e vítimas eram acusados ou defendidos pela justiça. Visto que se o advogado ou promotor conseguia mostrar que o assassino era um “bom pai de família”, cumpridor de suas obrigações de provedor, que a mulher assassinada era infiel, que não “cuidava bem do lar” o acusado tinha grandes chances de ser absolvido (CORRÊA, 1983). Portanto, muitos o foram e ainda são em nosso país.
Em 1983, foi criado no Estado de São Paulo, Conselho Estadual da Condição Feminina (CECF) que foi responsável por implantar serviços de atendimento às mulheres em situação de violência, na área governamental. Esse trabalho dá
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Fonte de informações – Entrevista de Lígia Rodrigues e Rita Andréa, integrantes do SOS-Mulher do Rio de Janeiro, a Maria Laura Viveiros de Castro Cavalcanti e Maria Luiza Heilborn em 22 de setembro de 1982
origem, em 1894, ao COJE - Centro de Orientação e Encaminhamento Jurídico, da Procuradoria de Assistência Judiciária.
A instituição oferecia orientação jurídica e psicológica à mulher violentada, juntamente com a orientação que visava a conscientização da mesma quanto a seus direitos e questões de gênero. O objetivo era potencializar as mulheres, oferecendo elementos que possibilitasse o rompimento com a situação de subordinação a que estava submetidas (SAFFIOTI 1986).
A Constituição de 1988, como documento jurídico e político das cidadãs e dos cidadãos, buscou romper com um sistema legal fortemente discriminatório contra as mulheres. Contribuiu para que o Brasil se integrasse ao sistema de proteção internacional dos direitos humanos, reivindicação histórica da sociedade.
Dois tratados internacionais assinados e ratificados pelo Estado brasileiro referem-se especificamente à promoção e defesa dos direitos das mulheres: - Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, e - Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher. Conforme Faria e Melo, (p. 375, 1998):
[...] temos dois Tratados Internacionais ratificados pelo Brasil que tratam especificamente dos direitos das mulheres: Convenção da Organização das Nações Unidas sobre Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, ratificada em 1984 e a Convenção Interamericana para Previnir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, ratificada em 1995. Os tratados Internacionais que o Brasil ratifica além de- criarem obrigações para o Brasil perante a Comunidade Internacional, também criam obrigações internas gerando novos direitos para as mulheres que passam a contar com uma última instância internacional de decisão quando todos os recursos disponíveis no Brasil falharem na realização da justiça.
Esses tratados, além de criarem obrigações para o Brasil perante a comunidade internacional, também originam obrigações no âmbito nacional e geram novos direitos para as mulheres.
Assim, destacamos a criação das primeiras ações de políticas públicas no Brasil que visavam a eliminação da discriminação contra a mulher. A criação do Conselho Estadual da Condição Feminina, no estado de São Paulo, no ano de 1983, objetivou traçar uma política de ação global dentro da máquina administrativa do
Estado, objetivando às necessidades específicas da mulher na área da saúde, violência, creches e trabalho (MORAIS, 1985 p. 28-9). Também, em 1985,
inaugurou-se, na Procuradoria do Estado, órgão da Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo, o Centro de Orientação Jurídica e Encaminhamentos, com o objetivo
de atender as mulheres que procuram conscientizar-se sobre os seus direitos, incentivando-as a lutar por eles junto aos órgãos competentes (MASSUNO, 2002 p.
27).
Quanto ao combate à violência contra a mulher destacamos a contribuição do CECF na criação das DDMs no Estado de São Paulo.