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PANDEMİ SONRASI MUHASEBE ÇALIŞMALARINA GENEL BİR BAKIŞ

2. PANDEMİ İLE İLGİLİ MUHASEBE ÇALIŞMALARI

2.2. Ulusal Literatür Taraması

Leape (1994), em seu trabalho intitulado Error in Medicine, considerado por muitos como a alavanca para a compreensão e a conscientização da profundidade da problemática dos erros na medicação, relata que a preocupação e a percepção da existência de eventos adversos estavam presentes, nos Estados Unidos da América, desde a década de 1960. Estudos daquela época já descreviam a ocorrência de danos em 20% dos pacientes internados em um hospital universitário, sendo que 20% destes foram classificados como graves ou fatais.

Na década de 1980, Steel; Gertman; Crescenzi (1981) evidenciaram em seu estudo que 36% dos pacientes internados em um hospital-escola em Londres – Inglaterra – sofreram algum tipo de agravo à saúde, produzido durante sua permanência hospitalar, sendo que 25% destes pacientes manifestaram lesões graves ou a morte. Salientaram que mais da metade destes agravos foram relativos ao uso de medicamentos.

Em 1991, o Harvard Medical Practice Study destacou que 4% da população do Estado de Nova York – EUA – tiveram aumento na permanência hospitalar ou manifestaram invalidez temporária ou permanente ocasionada por

algum tipo de dano promovido por evento adverso. Salienta que, para 14% da população acometida pelo dano, este foi fatal (BRENNAN, et al. 1991).

Leape, em 1994, afirmou que 180.000 norte-americanos morreram como resultado dos eventos adversos. Para valorizar a dimensão do quadro, o autor considerou as mortes ocasionadas pelos eventos adversos equivalentes à queda de três aeronaves Boeing 747 a cada dois dias.

No Sul da Austrália, em 1995, realizou-se uma investigação em 14,18% dos pacientes internados em 28 hospitais. Os eventos adversos ocorreram em 16,6% das admissões, resultando em dano permanente em 13,7% dos pacientes e na morte de outros 4,9 % (WEINGART; WILSON; GIBBERD, 2000).

O debate sobre evento adverso e a segurança dos pacientes se acendeu na mídia e na comunidade internacional com a publicação, em 1999, das pesquisas realizadas nos estados de Nova York, Colorado e Utah, pela Harvard Medical Practice Study. Os resultados evidenciaram eventos adversos em 3,7% dos pacientes internados em Nova York e 2,9% dos pacientes internados no Colorado e Utah. As proporções dos eventos adversos relacionados ao erro na medicação eram, respectivamente, de 58% e 53%.

Estes achados permitiram deliniar a estimativa de que pelo menos 44.000 a 98.000 norte-americanos morrem a cada ano em decorrência de eventos adversos na assistência à saúde. Se fosse considerado o valor menor desta estimativa (44.000), os eventos adversos assumiriam a oitava posição no ranking das causas de mortalidade americana, excedendo as mortes atribuídas a acidentes automobilísticos, câncer de mama ou SIDA – Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (AIDS) (KOHN; CORRIGAN; DONALDSON, 2000).

Em relação aos erros na medicação, os autores referendados estimam índices de 7.000 mortes anualmente, ficando acima dos índices norte-americanos de mortalidade por acidentes ocupacionais.

Vale ressaltar que a freqüência dos tipos de eventos adversos por medicamentos (erros na medicação, reação adversa por medicamentos e erro potencial) não possui uma distribuição homogênea. A freqüência observada dos eventos adversos por medicamentos com danos é menor se comparada com a freqüência de erro na medicação e erro potencial (GANDHI; SEGER; BATES, 2000; OTERO LÓPEZ et al., 2002).

Os eventos adversos por medicamentos, embora se apresentem em menor freqüência, impõem, como conseqüência, altos custos financeiros ao sistema de saúde e aumentam o comprometimento do quadro clínico do paciente, além do grande sofrimento desencadeado a todos os envolvidos – pacientes, familiares e profissionais de saúde.

Os erros na medicação têm como peculiaridade ser evitáveis e passíveis de prevenção, e, mesmo atingindo uma freqüência bem maior do que a dos eventos adversos, em sua maioria, poderem não trazer prejuízos físicos.

Outro dado que vale ressaltar é o alto índice de eventos adversos por medicamentos encontrado nas populações idosa (≥ 65 anos) e infantil.

Gurwitz et al. (2000) observaram, em 18 instituições de Home care norte-americanas, 546 casos de eventos adversos por medicamentos causadores de danos físicos e 188 erros potenciais. Entre os danos constatados, um (1) caso conduziu ao óbito, 31 (6%) foram manifestados por reações gravíssimas ao medicamento, levando ao risco de vida, 206 (38%) foram considerados sérios e 308

(56%) foram pouco significativos. Salientam os autores que 51% dos eventos citados poderiam ser evitados (erro na medicação).

No que se refere à população infantil, principalmente os recém-natos demandam preocupação e cuidados especiais dos profissionais da saúde, pois as doses, normalmente pequenas, dificultam a exatidão dos cálculos matemáticos, exigindo uma habilidade e conhecimento maior na realização do procedimento técnico.

Ross; Wallace; Paton (2000) dimensionaram os eventos adversos por medicamentos ocorridos em um hospital geral de Londres – Inglaterra – encontrando uma incidência maior de erros na medicação na unidade de terapia intensiva neonatal (22%).

Kaushal et al. (2001) revisaram 10.778 prescrições médicas em um hospital geral norte-americano, encontrando 616 erros na medicação (5,7%), 115 erros potenciais (1,1%) e 26 relatos de reações adversas medicamentosas (0,24%). As incidências mais significativas relativas ao erro na medicação foram encontradas em dose incorreta (28%) e via de administração inadequada (18%). A maior incidência de eventos adversos encontrada também foi de erros na medicação na unidade de neonatologia.

Em estudo de 2002, Lasser et al. verificaram que um medicamento lançado recentemente tem 20% de chance de ser retirado do mercado ou de produzir efeitos deletérios (danos) desconhecidos durante um período de 25 anos. Um dos dados para chegar a esta conclusão foi que durante o período de estudo, 10% das drogas recentes haviam registrado novos eventos adversos ou foram retirados do mercado, sendo que a metade desses eventos ocorreu até sete anos depois que tais medicamentos entraram no mercado.

Em 1995, Johnson e Bootman estimaram em 76,6 bilhões de dólares anuais os gastos com o tratamento das complicações devidas a eventos adversos por medicamento. Em 2001, Ernst e Grizzle afirmaram um custo total maior que 177,4 bilhões de dólares anuais. O aumento do custo em relação ao achado de 1995 é justificado pelos crescimentos numéricos e pela gravidade de eventos adversos detectados.

Na vivência da morte e da dor gerada por um evento adverso por medicamento, não há recursos financeiros que revertam o quadro. Não há preço que cubra o valor da dor física e/ou psíquica causada pelos danos ao paciente e à família. Neste sentido, concretiza-se a necessidade de rever e alterar o sistema da medicação.

Após ter sido contextualizada a problemática do erro na medicação, pode-se inferir que o erro poderá acontecer em qualquer fase do sistema de administração medicamentosa. Qualquer terapia medicamentosa, por mais simples e corriqueira que seja, poderá acarretar graves danos, seja ele referente às ações inerentes aos medicamentos, à existência de um sistema frágil de prevenção e à ação dos profissionais da saúde. Cumpre ressaltar que os prejuízos advindos estendem-se a todos os componentes da terapia.