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ENTEGRE KATI ATIK YÖNETİMİ

3 YASAL ÇERÇEVE

3.1 Ulusal Atık Mevzuatı

A reputação dos fundamentalistas foi ao fundo do poço quando Sinclair Lewis escreveu “Elmer Gantry” (1927), a história fictícia de um pastor fundamentalista, hipócrita e devasso, que seduzia mulheres, mas que nunca foi completamente desacreditado em sua reputação. Sua história se assemelhava à de Aimeé Semple McPherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular, uma evangelista extravagante, que desapareceu em 1926 sob suspeita de ter fugido com um amante e que depois ressurgiu afirmando ter sido sequestrada25.

Era necessário desvincular-se do fundamentalismo e encontrar uma síntese entre o asfixiante rigor fundamentalista e a exagerada relativização dos liberais. Em Princeton, não foi possível conter o assédio dos liberais, que finalmente tomaram

24 O teólogo René Padilla também estudou no Wheaton College. A princípio, afirmou que os anos de

estudo ali foram decisivos para sua formação teológica, pois teria aprendido que era possível ser cristão “sem cometer suicídio intelectual” (ZWETSCH:2007.127). Depois, observou que “a teologia que havia aprendido em Wheaton não o ajudava a responder as agudas perguntas que os estudantes lhe faziam” (ZWETSCH:2007.128).

25 Aimeé Sample McPherson foi a fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular em Los Angeles e

tornou-se notória por aparições histriônicas no palco, às vezes montada numa motocicleta, às vezes vestida com roupas militares. Chamada de Sister pelos seus seguidores mobilizou multidões e construiu o Ângelus Temple, uma catedral monumental. (BLUMHOFER, 1993).

conta da instituição em 1929. Os fundamentalistas que perderam o principal centro de difusão dos “fundamentos” criaram o Westminster Seminary, na Filadélfia. Contudo, já tinham perdido o fôlego necessário para tocar o movimento adiante com a mesma empolgação. J. Gresham Machen, considerado um dos mais articulados pensadores entre os fundamentalistas, viu-se obrigado a sair de Princeton. Saiu também da Igreja Presbiteriana, que se tornava cada vez mais liberal. Quando Machen morreu em 1937, um ano depois de seu afastamento da igreja, o fundamentalismo minguava. Nesse tempo, os “neoevangelicals” se organizavam.

John Mott era metodista, mas admirava o batista Dwight Moody. Mott “sentava na cerca26” entre o fundamentalismo e o liberalismo. Fundou e dirigiu por anos o Student Volunteer Movement e o World Student Christian Federation. Partiu dele a organização do Congresso Missionário de Edimburgo, em 1910, que reuniu 1.200 representantes, a maioria de missionários27. A marca distintiva do milenarismo que gerara o fundamentalismo se evidenciava na pregação de Mott, que conclamava: “Completem a obra da evangelização e tragam de volta o Rei” (ALLAN, 1989:144).

Entretanto foi creditado a ele o mérito de ter conclamado a união dos cristãos nos diversos congressos que organizou e que, segundo J. Allan, acabou desembocando na formação do Conselho Mundial de Igrejas, em 1948 (ALLAN, 1989:144), instituição que optou pelo liberalismo e ecumenismo que os evangélicos tanto condenavam.

A expressão “evangelical” 28 passou a ser usada abertamente como uma diferenciação entre o novo grupo que buscava distanciar-se dos fundamentalistas no final da década de 1940 (LINGUINI NETO, 2002:23). Seu correlato no Brasil são os protestantes, independentemente de serem mais ou menos atraídos por grupos liberais ou fundamentalistas. Os crentes eram simplesmente evangélicos.

Para Noll é factível chamar os evangelicais norte-americanos de fundamentalistas, já que as doutrinas eleitas como inegociáveis continuavam

26 A expressão é usada por J. D. Allan em The Evangelicals: an illustrated history, p.143. A expressão

revela a necessidade percebida nos evangélicos de serem um meio termo entre fundamentalistas e liberais. Será também usada pelos teólogos da Missão Integral para dizerem que os “evangelicais” são um meio termo entre a teologia da libertação e os próprios evangélicos.

27 Uma breve análise dos conteúdos da Conferência de Edimburgo é dada por David Bosch

(2002:406) em Missão Transformadora.

28 O termo “evangelical” é o equivalente a “evangélico” em português. Conforme será mostrado,

posteriormente, no capítulo, alguns teólogos da MI tentarão transliterar o termo, sem traduzir para o português, no esforço de tornar claro que os evangelicais são aqueles que se identificam com a MI.

presentes nos pressupostos teológicos. Mesmo os que se opunham à intolerância que os fundamentalistas mostravam em relação à sociedade, ao exclusivismo denominacional e à piedade moralista, permaneciam com os mesmos pressupostos “fundamentais”.

Teólogos desse novo momento se preocuparam em montar uma rede organizacional que cobrisse diversas áreas, inclusive a midiática. Em 1944, organizou-se a National Religious Broadcasters (Transmissores Religiosos Nacionais); em 1945, a Evangelical Foreign Missionary Association (Associação Evangélica Missionária Estrangeira); em 1947 a National Sunday School Association (A Associação Nacional das Escolas Dominicais); ainda em 1947, o Fuller Theological Seminary (Seminário Teológico Fuller), (NOLL, 1994:24).

Com a formação da Evangelical Theological Society (Sociedade Teológica Evangélica), em 1949, o movimento agregava os pensadores que lhe dariam a solidez necessária para manter-se bíblico, já que a doutrina da inerrância seria mantida e ao mesmo tempo academicamente consistente. Em 1951, o movimento se adensou com a formação da World Evangelical Alliance (Aliança Evangélica Mundial). Foi criado também um periódico para o movimento, a revista Christianity

Today (Cristianismo Hoje).

Os teólogos Karl Henry (1913-2003) e Harold John Ockenga (primeiro presidente da National Evangelical Association, NAE, e do Seminário Fuller) escreveram um texto denunciando que a força motivadora do fundamentalismo era fragmentação, segregação, separação, crítica, censura, suspeita, solecismo (NOLL, 1994:25). Embora Henry e Ockenga criticassem o fundamenta lismo, a crítica se concentrava nas atitudes do movimento, não nas questões doutrinárias. “Os evangélicos”, repetia Ockenga, “são conservadores, só não requerem o isolacionismo dos fundamentalistas” (NOLL, 2002:25).

O movimento precisava de um porta-voz que repetisse o sucesso dos antigos avivalistas, como Jonathan Edwards, Charles Finney, Dwight Moody e Billy Sunday.

Acharam um garoto prodígio no Wheaton College e ele se chamava Billy Graham. Loiro, alto, de olhos azuis, bem casado e com uma eloquência invejável, Billy Graham tornou-se o porta-voz ideal para o movimento. A experiência de Billy Graham no Wheaton garantia a ortodoxia. Ele assim descreve sua experiência na faculdade:

Embora não incluísse a palavra fundamentalista no nome, aquela respeitável instituição de ensino exigia rígido cumprimento a um código de conduta que proibia funcionários e alunos de fumar, ingerir bebida alcoólica de qualquer natureza, dançar, jogar baralho e participar de sociedades secretas. A faculdade também se fundamentava nas doutrinas bíblicas, adotando uma declaração de fé teológica e conservadora dos meados da década de 1920. Com todas essas exigências, a Faculdade Wheaton passou a ser conhecida no mundo acadêmico como retrógrada e puritana, mas a integridade do ensino em todas as disciplinas tornou-se altamente respeitada (GRAHAM, 1998:60).

Em 1949, durante uma concentração evangelística, Billy Graham percebeu que o local “estava apinhado de repórteres e fotógrafos” (GRAHAM, 1998:145), assustou-se porque até aquele momento ninguém da imprensa tinha tomado conhecimento das reuniões. Perguntou a um jornalista o que acontecia. “Você caiu nas graças de William Randolph Hearst, dono de um verdadeiro império jornalístico (GRAHAM, 1998:145) 29. As graças de Hearst catapultou Graham, que se tornava a partir daquele evento o maior ícone dos evangélicos anglo-saxões.

Graham ganhou notoriedade mundial. A Associação Evangelística Billy Graham, BGEA, tornou-se uma organização bem administrada e que recolhia grandes somas financeiras. Billy Graham participou da fundação da revista

Christianity Today para mostrar que a resposta não era “o fundamentalismo

combativo” que provocara a desilusão entre os pastores com a chegada da II Guerra Mundial. Graham chama para si a escolha do nome Christianity Today porque “numa noite qualquer, às duas horas da madrugada” foi fundada “uma revista dirigida principalmente aos pastores, que devolveria a respeitabilidade intelectual e o impacto espiritual ao cristianismo evangélico”. Graham sentia que era seu dever “reafirmar o poder da Palavra de Deus para redimir e transformar homens e mulheres” (GRAHAM, 1998:279).

Se na conferência de Los Angeles Billy Graham de algum modo “caíra nas graças de Hearst”, para a fundação da revista, precisava das graças de alguém que pudesse financiar seu projeto. Bateu na porta de J. Howard Pew, presidente da Sun Oil Company, que lhe enviou um cheque de vinte e cinco mil dólares e um bilhete: “Quando você vier e passar a noite aqui, receberá outro cheque de vinte e cinco mil dólares”. Outros valores chegaram da mesma fonte, pois o próprio Graham relata

29Uma futura pesquisa para conhecer as conexões do movimento com as grandes fortunas será de

que “ele contribuiu generosamente para a Christianity Today nos primeiros anos após o lançamento da revista; sem seu apoio, duvido que tivéssemos levado adiante o projeto” (GRAHAM, 1998:281).

Dessa forma, com meticulosa organização interna, com financiamento pesado de megaempresários, com fo rte articulação das bases missionárias em outros países ao redor do mundo, os evangélicos se fortaleceram como a mais visível e mais crescente expressão do cristianismo protestante do Ocidente. Billy Graham tornou-se uma espécie de embaixador, o ícone mais copiado e mais admirado dos evangélicos que se firmavam por todo o globo.

Benzer Belgeler