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Ulus-Devlet’e Yönelik Bir Meydan Okuma: Refah Partisi’nin Kürt

BÖLÜM 2: TÜRKİYE’DE MİLLİ KİMLİK VE MEYDAN OKUMALARI

2.3. Meydan Okumalar: Ulus-Devlet, Laiklik ve Batıcılık

2.3.1. İktidar Mücadelesi ve Ulus-Devlet Konsepti

2.3.1.2. Ulus-Devlet’e Yönelik Bir Meydan Okuma: Refah Partisi’nin Kürt

Ainda que a temática referente aos problemas de saúde relacionados ao trabalho dos Catadores de Material Reciclável apresente forte relevância social, foram localizados poucos estudos que avaliaram diretamente o perfil de morbidade dos catadores e o impacto desse trabalho na saúde.

De acordo com estudo conduzido por Gutberlet e colaboradores (2008), realizado com trabalhadores autônomos de reciclagem na cidade de Santo André, as principais queixas relacionadas à saúde encontradas entre essa população referem-se a dores musculares, acidentes, gripe e bronquite. Entretanto, é importante destacar a situação de alta vulnerabilidade social desses trabalhadores, conforme já apontado. Essa alta vulnerabilidade contribui para que as condições de saúde dos catadores sejam potencialmente piores do que as da população geral e que possuam uma menor resiliência ao adoecer.

Em relação à situação de saúde dos catadores autônomos de lixo, Rozman e outros pesquisadores, em um estudo com o objetivo de determinar a

prevalência de HIV, Hepatites B e C e sífilis e descrever os comportamentos de risco associados à sua transmissão, demonstraram prevalências, nesse grupo, entre 10 a 12 vezes maiores que a média nacional. De acordo com os autores do estudo, os catadores de material reciclável são socialmente marginalizados e, geralmente, não são reconhecidos pelos programas nacionais como populações de risco potencial (Rozmanl e col., 2008).

Destacam-se, entre os possíveis riscos aos quais esses trabalhadores estão submetidos em função de suas atividades laborais, a exposição ao calor, a umidade, os ruídos, a chuva, o risco de quedas, os atropelamentos, os cortes e a mordedura de animais, o contato com ratos e moscas, o mau cheiro dos gases e a fumaça que exalam dos resíduos sólidos acumulados, a sobrecarga de trabalho e levantamento de peso e as contaminações por materiais biológicos ou químicos, fatores que, entre outros, fazem com que tal atividade seja considerada como insalubre em grau máximo, conforme estabelecido na Norma Regulamentadora no15 do Ministério do Trabalho e Emprego, exigindo maiores cuidados em termos de equipamento de proteção e disponibilidade de locais adequados para o trabalho (Ipea, 2013; Oliveira, 2011).

Em revisão bibliográfica, Ferreira e Anjos (2001) elencam alguns problemas relacionados ao trabalho de reciclagem; entre eles, a exposição a metais e materiais químicos contaminantes, a agentes causadores de doenças do trato gastrointestinal, ao vírus da hepatite B e a acidentes causados por condições inadequadas de trabalho.

Em um estudo realizado com catadores do aterro de Gramacho, no Rio de Janeiro, Porto e col. (2004), observaram que as principais doenças apresentadas pelos catadores nos últimos seis meses foram gripes e resfriados (24,4%); dores e problemas osteoarticulares (17,7%); pressão alta (14,4%); problemas respiratórios (10,0%). Em relação às doenças já contraídas em algum momento do passado, os entrevistados apontaram principalmente os resfriados (88,1%), conjuntivite (45,6%), dengue (23,3%), verminoses (22,3%), alergias (11,9%) e problemas dermatológicos (11,4%). Embora a maioria dos trabalhadores reconheça a existência de algum risco no local de trabalho (71,7%), apenas 47,5% acham que esses riscos podem causar problemas de saúde e apenas uma pequena parte dos catadores (12,8% do total) considerava

que já teve alguma doença provocada pelo trabalho com o lixo. Outro problema mencionado refere-se ao consumo de bebida alcoólica: 79,8% dos entrevistados reconheceram que seus colegas bebem, apesar de apenas 31,6% terem relatado o consumo frequente de bebidas (Porto e col., 2004).

Um dos problemas na avaliação dos possíveis riscos envolvidos no processo de reciclagem realizado no Brasil diz respeito à dificuldade de comparação entre as condições de trabalho, o tipo de material reciclado e as políticas de reciclagem implementadas em outros países, onde existem estudos detalhados sobre os problemas de saúde observados em pessoas que trabalham com resíduos. Os catadores de material reciclável organizados em cooperativas atuam em poucos países e, em geral, na América Latina o seu trabalho é informal (OPAS, 2005).

Na Alemanha, Japão, França e Estados Unidos grandes empresas de reciclagem realizam a coleta e separação do material a ser reciclado. Elas possuem legislação específica relacionada à saúde ocupacional, sendo o trabalho, geralmente, automatizado. Além disso, esses países possuem regras bastante específicas em relação ao descarte de produtos potencialmente contaminantes, como eletroeletrônicos, pilhas, lâmpadas, entre outros (Juras, 2005; EEA, 2008).

Apesar de não terem sido localizados estudos, nacionais e internacionais, que avaliem diretamente os riscos de contaminação por agentes químicos, existem indícios de que a manipulação inadequada de alguns tipos de resíduos encontrados nos galpões pode levar à contaminação por metais (Wong e col., 2007; US-EPA, 2010).

Um dos estudos que aponta para o risco de tal contaminação, decorrente do processo de reciclagem, foi realizado na cidade de Porto Alegre, com crianças com idade entre 0 e 5 anos. Os dados encontrados revelaram que elas apresentavam uma prevalência aumentada de contaminação por chumbo correlacionada com a atividade de reciclagem dos pais (Ferron, 2010).

Apesar dos esforços realizados por prefeituras, organizações não governamentais e cooperativas, voltados para a educação dos cidadãos na separação inicial, o resíduo que chega aos galpões de reciclagem é bastante variado, podendo ser encontrados, no material encaminhado, materiais

potencialmente contaminantes, entre eles pilhas, baterias, lâmpadas, cartuchos de impressoras, computadores e celulares. Além disso, este material possui grande interesse econômico, devido ao preço relativamente elevado de revenda (CETEM, 2010).

No presente estudo, serão objeto de análise os metais Cd, Hg, Pb, uma vez que possuem toxicidade comprovada à saúde humana, sendo objeto de regulamentação pelas normas ocupacionais e ambientais; os mesmos encontram-se presentes nos materiais encaminhados para os galpões de reciclagem e possuem parâmetros para a realização de estudos de biomonitoramento. Além disso, o metal Ni foi selecionado para análise, uma vez que também se encontra presente nos materiais recicláveis e tem sido incluído recentemente em diversos estudos de biomonitoramento.

2.2 POSSÍVEIS FONTES DE EXPOSIÇÃO A METAIS PRESENTES NOS