2.2. YÜZEY AŞIRI PLASTİK DEFORMASYON İŞLEMLERİ
2.2.2. Ultrasonik Nanokristal yüzey Modifikasyonu
A partir das metodologias edificadas por Piaget e Kohlberg, assim como da grande contribuição metodológica de Blatt, organizamos, na disciplina de Língua Portuguesa, a dinâmica de criação de heterônimo, contendo inspiração nas obras do poeta Fernando Pessoa. A técnica proposta por Blatt consiste em uma discussão moral. A técnica do heterônimo trata-se de uma adaptação, das práticas de Pessoa, o qual não usava a heteronímia com propósitos morais. A elaboração do heterônimo, aqui em pauta, trata-se de uma espécie de discussão do sujeito com ele mesmo, interiormente. Isso tudo sobre a lógica de que o educador tem como tarefa criar situações de aprendizagem e assim, aplicá-las para que todos participem, de maneira significativa e desse modo, uma prática bem delineada poderá mover e aguçar uma multiplicidade de dinâmicas de outras aprendizagens (PUIG, 2004).
A heteronímia não é uma técnica propriamente dita, trata-se, como já explicitado anteriormente, de criar um “novo ser” e no ambiente literário, a criação de heterônimos adquiriu notabilidade devido ao poeta português Fernando Pessoa, que escrevia poemas através de outros seres criados.
Sobre a criação de heterônimo, faz-se necessário esclarecer que nos dias atuais, com a desenvoltura tecnológica, a Internet e suas “redes sociais” tornaram-se parte da vida da maioria das pessoas e principalmente, dos jovens e adolescentes. Em tais “redes” é condição expor um perfil do usuário. Todavia, talvez por não querer exposição de sua verdadeira identidade, muitas pessoas criam perfis que julgam mais atraentes no universo midiático ou ainda, com propósitos até mesmo ilícitos (enganos, golpes etc.). Um perfil falso, criado com objetivos ilegais ou como máscara para se esconder, não merece mérito algum, no entanto, seria adequado direcionar um olhar atencioso e analítico por parte de especialistas ou profissionais comprometidos, buscando, na medida do possível, uma intervenção pedagógica. No entanto, em outro contexto como o escolar, por exemplo, pode auxiliar uma dinâmica de criação de “novos eus”, ou seja, heterônimos. Em uma dinâmica estruturada de intervenção, um perfil pode auxiliar no processo de hipotetização de situações cotidianas, bem como a reflexão sobre as mesmas, durante as aulas de Língua Portuguesa, proporcionando um novo olhar a contextos sociais diferenciados.
Usar a criação de heterônimo como meio para investigarmos quais valores os sujeitos consideram relevantes, no atual contexto, justifica-se pela
inspiração literária (Fernando Pessoa), tendo em vista que “poesia” trata-se de conteúdo da disciplina de Língua Portuguesa, assim como, o ato de refletir e hipotetizar. Outro ponto a ressaltar, é que se trata de uma dinâmica inusitada, ou seja, uma tentativa de experienciar, hipoteticamente, ser outra pessoa. E dessa forma, assumir a perspectiva do “outro eu”, o que pode contribuir, segundo nosso entendimento, à evolução qualitativa do egocentrismo, por meio da assunção de papéis, oportunizando, ao educando, a experimentação contextual e esta, pode desenvolver e/ou ampliar sua visão, bem como, atitudes perante a sociedade.
O ato de hipotetizar dinamiza um exercício de assunção de outro papel, podendo colaborar para uma possível tentativa de experimentar outra perspectiva. Considerando que a vivência de um heterônimo não era conhecida pelo grupo, optamos por, antes de propor a técnica, desenvolver uma etapa de sensibilização, a qual consistiu na Experimentação da assunção depapéis12.
Explicou-se, ao grupo, a diferença entre "personagem" e "heterônimo", esclarecendo e enfatizando que este último é mais complexo, e implica uma ampla incorporação de um "outro eu", com características próprias, tentando fugir ao máximo do fingimento. Não estamos, com isso, desmerecendo o papel de "personagem" nos diferentes contextos artísticos, mas sim, primando por enfatizar uma assunção, como se o sujeito se entregasse totalmente ao "novo eu", tentando refletir e argumentar segundo uma nova perspectiva, que por sua vez, entra em conflito com a perspectiva própria (do "eu mesmo").
Após a elucidação dos conceitos, propusemos três dinâmicas13, nas quais o educando teve que assumir o heterônimo, com ausência de visão e ausência de membros superiores (braços/mãos) e em seguida, refletir sobre o relato de pessoa que possui uma deficiência. Torna-se necessário esclarecer que a utilização dessas técnicas teve por objetivo tão somente a sensibilização do grupo e, não constará, neste trabalho, a discussão e a análise do referido momento.
12 As dinâmicas aqui realizadas foram elaboradas pela própria pesquisadora, diante de práticas
docentes cotidianas e tiveram por objetivo proporcionar um momento de sensibilização, acarretando uma transição dos trabalhos rotineiros que os sujeitos realizam, para um momento pessoal de reflexão. Este momento de sensibilização foi criado a partir de experiências cotidianas da pesquisadora, enquanto docente de Educação Básica, porque durante uma aula, com a inserção de um conteúdo novo, é prática constante (ou pelo menos deveria ser) iniciar com um momento de sensibilização, como se fosse uma espécie de introdução às propostas vindouras.
13 As dinâmicas foram elaboradas, tendo em vista que, em uma pesquisa, dependendo do problema
enfocado, pode-se recorrer a uso de apoios, os quais podem ser histórias, desenhos ou outras propostas; dependendo da capacidade do investigador para inventar situações (DELVAL, 2002).
a) 1a dinâmica - sentido da visão
A técnica consistiu na leitura do texto “AUTOPSICOGRAFIA”, de Fernando Pessoa (Anexo A), escrito na lousa, e a partir do qual se solicitou que todos elaborassem uma breve reflexão interpretativa sobre o poema. Após esse momento, os alunos foram informados de que deveriam se imaginar completamente cegos, incorporar os sentimentos e comportamentos desse heterônimo e por fim, realizar um desenho e/ou um pequeno texto sobre o que sentiram ao ler o poema, ou seja, registrar a sua interpretação, abstraindo o sentido da visão. Concluída a atividade, as impressões dos participantes foram socializadas. O objetivo era: colocar-se no lugar de uma pessoa cega; sentir o que ela sente. A classe foi dividida em dois grupos, de tal forma que cada heterônimo tivesse o auxílio de um colega, caso isso fosse necessário.
b) 2a dinâmica - ausência de membros superiores
Este segundo momento, consistiu na leitura do texto “ISTO”, de Fernando Pessoa (Anexo A), escrito na lousa, solicitando, como na primeira dinâmica, uma breve reflexão sobre o conteúdo do texto poético. Em seguida, foi proposto que os registros (desenhos e/ou pequenos textos), nesta etapa, deveriam ser realizados sem o auxílio dos membros superiores. Incorporando assim, o comportamento e os sentimentos de uma pessoa com deficiência física, a qual não possui os braços. Ao término da atividade, as impressões dos alunos foram relatadas aos demais. O objetivo foi de colocar-se no lugar de uma pessoa com deficiência física e dessa maneira, sentir as dificuldades inerentes a ela.
c) 3ª dinâmica - leitura de relato
Para concluir o momento de Experimentação da assunção de papéis, foi
proposta esta terceira dinâmica, a qual consistiu de uma leitura de relato de experiência vivida, registrado por um deficiente visual, no qual aponta os percalços e dificuldades vivenciadas, por conta da deficiência patológica adquirida (Anexo B). Ao concluir da leitura, feita pela pesquisadora, os educandos foram orientados a refletir
sobre o relato. As impressões dos alunos foram socializadas. O objetivo foi de ouvir um depoimento, o qual confrontasse as experiências hipotéticas experimentadas até o momento (dinâmicas anteriores) com impressões reais.