2.2. YÜZEY AŞIRI PLASTİK DEFORMASYON İŞLEMLERİ
2.2.3. Lazerle Dövme
Após esse primeiro momento de contato com a técnica e a vivência da mesma, organizaram-se os procedimentos para a coleta de dados: a criação do heterônimo, por meio de fichas de identificação e o questionário de procedimentos,
contendo situações-problema (dilemas).
Os dados foram coletados no período de maio a setembro de 2010 – salvo o período de recesso escolar (de 16 a 30 de julho) –, durante as aulas de Língua Portuguesa, as quais ocorreram toda segunda-feira, com aula dupla (100 minutos). De maio a julho foram onze (11) encontros e de agosto a setembro, nove (9).
3.2.3.1 A criação do heterônimo – Ficha 1
Após o momento de experimentação / sensibilização, descrito na etapa anterior, foi proposta a criação de um heterônimo, por meio de dois questionamentos: “Quem eu gostaria de ser?”; “Quais características teria esse “novo eu”?”. Depois de uma breve reflexão, foi distribuída uma ficha padronizada, a qual denominamos como Ficha 1, a ser preenchida pelos sujeitos, com a orientação de que a preenchessem, delineando um perfil a partir das respostas às duas indagações iniciais, todavia, de forma mais detalhada.
Para edificar a técnica do heterônimo, criamos a denominada Ficha 1, visando identificar quais valores permeiam o ideal do sujeito, ou seja, diante da oportunidade de ser um “novo eu”, o que seria considerado importante para ele, sem restrições. Dessa maneira, o sujeito construiu o heterônimo seguindo suas convicções e principalmente, o que lhe causa admiração, qual o sujeito ideal. Como o sujeito estava livre para criar seu heterônimo, acreditamos que ele expôs características consideradas admiráveis por ele. Ou seja, diante de variados contextos “[...] pode-se admirar alguém por ser fisicamente belo, por cantar bem, eis exemplos de virtudes não morais. E pode-se admirá-lo por ser justo, honesto,
corajoso, generoso, etc., eis virtudes morais.” (TOGNETTA; LA TAILLE, 2008, p. 183).
Cada sujeito preencheu os itens de acordo com o seu heterônimo imaginado. Neste momento, cada um teve a oportunidade de assumir um papel ideal, de sua preferência. Eles foram orientados a criar nome e características para esse novo ser, o qual se tornou um novo “eu”. Nesta etapa, a ficha teve por objetivo centralizar o sujeito no seu novo perfil. O preenchimento ficou a cargo da reflexão e criatividade do participante e este, foi orientado a preenchê-la diante de uma reflexão, instigada pela própria pesquisadora, hipotetizando sobre quem seria o “novo eu”, seu nome, onde mora, sua condição social, o que faz, do que gosta entre outras questões. Ou seja, o contexto em que vive tal pessoa. Com o referido pensamento hipotético, assumiria um papel, segundo as preferências para um “eu ideal”. Segue o modelo da Ficha 1.
FICHA 1
1- Foto (recorte ou desenho): 2- Nome completo:
3- Idade: 4- Sexo: 5- Estado civil: 6- Profissão:
7- Onde e com quem mora: 8- Condição social:
9- Hábitos:
10- Temperamento: 11- Vícios:
12- Como é sua rotina?
13- O que mais gosta de fazer nas horas vagas? 14- Qualidades:
15- Defeitos:
16- Uma frase que costuma dizer: 17- O que espera do futuro?
18- O que admira nas outras pessoas? 19- O que admira em si mesmo? 20- De quem você não gosta? Por quê?
3.2.3.2 A criação do heterônimo – Ficha 2
Ao término da estruturação do primeiro heterônimo, foi distribuída outra ficha, contendo os mesmos elementos, porém, com todos os itens já preenchidos, exceto o nome, a qual denominamos como Ficha 2, ou seja, o perfil de outro heterônimo.
FICHA 2
1- Foto: (Recorte de revista, de acordo com o sexo: pessoa desconhecida da mídia)
2- Nome completo: 3- Idade: 40 anos.
4- Sexo: Masculino / Feminino. 5- Estado civil: Casado (a)
6- Profissão: Cortador de cana (trabalhador rural).
7- Onde e com quem mora: Moro no interior de São Paulo, com a família. 8- Condição social: Pobre.
9- Hábitos: Levantar cedo e ouvir música.
10- Temperamento: Sou uma pessoa muito calma e ativa. 11- Vícios: Fumar.
12- Como é sua rotina?
Levanto às 4 horas da manhã, preparo a comida e vou trabalhar. À tarde descanso e converso com a família, enquanto assisto à televisão.
13- O que mais gosta de fazer nas horas vagas?
Trabalho voluntário no Centro Comunitário do bairro em que moro, dando assistência às famílias carentes por meio de tarefas: mutirão, bazar etc.
14- Qualidades: Sou uma pessoa amiga e muito esforçada.
15- Defeitos: Esquecer de cuidar da saúde, assim, quando tenho algum problema, tomo um remédio, mas não procuro um médico.
16- Uma frase que costuma dizer: “Jamais podemos deixar de lutar por um futuro melhor!”. 17- O que espera do futuro?
Conseguir dar sustento, estudo para meus filhos e, principalmente, uma boa educação. 18- O que admira nas outras pessoas?
A humildade e a coragem de enfrentar os obstáculos da vida. 19- O que admira em si mesmo?
A força diante de todo trabalho que surge e também, perante as dificuldades. 20- De quem você não gosta? Por quê?
Das pessoas que machucam inocentes porque isso não é humano.
As características fundamentaram-se em conceitos de justiça, virtudes e valores morais. Esta outra ficha apresentou um heterônimo determinado, para ser assumido pelo sujeito. Assim, este segundo heterônimo foi elaborado para se confrontar com o primeiro (criado pelos participantes) e que frente às situações- problema, colaborasse para um embate reflexivo. A ficha foi igual para todos, salvo a questão do sexo, que se inverteu propositalmente. O sujeito do sexo feminino recebeu a ficha do sexo masculino e vice-versa (Apêndices B e C, respectivamente).
A escolha da foto com cuidado de apresentar, propositalmente, uma pessoa comum, ou seja, não pertencente ao mundo das celebridades (homem: meninas; mulher: meninos), assim como, as características do perfil foram selecionadas pela docente-pesquisadora. A idade foi de quarenta anos, sendo uma pessoa casada e trabalhando como cortador de cana. Mora no interior de São Paulo,
com a família. É pobre. Tem como hábito levantar cedo e ouvir música. Seu temperamento é definido como uma pessoa muito calma e ativa. Tem como vício, o ato de fumar. A sua rotina é acordar às quatro horas da manhã, preparar a comida (almoço) e ir trabalhar. Depois do trabalho, descansa e conversa com a família enquanto assiste à televisão. Exerce trabalho voluntário no próprio bairro em que mora, nas horas vagas. Tem como qualidade ser uma pessoa amiga e muito esforçada. Como defeito, esquece de cuidar da própria saúde. Costuma dizer: “Jamais podemos deixar de lutar por um futuro melhor!”. Espera conseguir dar sustento, estudo e boa educação para os filhos. Admira, nas outras pessoas, a humildade e a coragem de enfrentar os obstáculos da vida. Em si mesmo, admira a força, diante de todo trabalho que surge e também, perante as dificuldades. Não gosta das pessoas que machucam inocentes, porque acredita que isso não é humano.
Para os sujeitos, foi dada a tarefa de escolher um nome ao heterônimo desta nova ficha, imaginando como um “novo eu”.
3.2.3.3 Questionário de procedimentos14
O questionário de procedimentos15 foi elaborado a partir de uma adaptação da metodologia de avaliação do raciocínio moral, postulada por Kohlberg. Com o método de dilemas morais, em seus estudos com adolescentes, propõe, supostamente, um conflito desencadeado pela hipotetização de situações sociais diversas (KOHLBERG, 1966).
Tendo em vista a consistência dada por Kohlberg ao desenvolver da educação moral como um todo, adaptamos o método de dilemas para o denominado “questionário de procedimentos”. Esta inspiração e reorganização de ideias para o ambiente escolar descrito anteriormente, deu-se pelo fato de possibilitar um julgamento de ações, pautado em princípios morais, por meio de situações-problema do cotidiano, as quais podem ser experienciadas por qualquer pessoa comum.
14 As questões do referido questionário foram elaboradas pela pesquisadora, frente às experiências
reais do cotidiano, bem como, em consonância com os estudos de Piaget e Kohlberg, especialmente para esta pesquisa. O critério norteador foi edificar situações-problema simples do cotidiano de qualquer pessoa, sem detalhamentos da situação, para que o sujeito se sentisse livre em hipotetizar.
15 Encontra-se no Apêndice D, deste trabalho, contendo vinte situações-problema que foram
aplicadas, todavia, para fins de análise desta pesquisa foram escolhidas somente duas situações, as quais serão descritas no próximo capítulo.
Para responder às questões, o sujeito contou com apoio das duas fichas e suas próprias reflexões frente às situações-problema. As indagações foram aplicadas, paulatinamente, durante as semanas de intervenção, dada à suposta complexidade de reflexão. Para simplificar, foram denominadas as siglas: H1 (heterônimo 1) e H2 (heterônimo 2).
Assim sendo, esta atividade implicou em um encadeamento de conflitos: no ato de assumir o papel de um ser criado pelo próprio sujeito (Ficha 1), de um ser determinado (Ficha 2) e do posicionamento crítico do próprio sujeito, enquanto “ele mesmo”. A questão “a”, referindo-se ao heterônimo 1 (Ficha 1) , a questão “b”, apontando uma resposta do heterônimo 2 (Ficha 2) e a questão “c”, explicitando o que o sujeito (por ele mesmo) pensa sobre a situação e frente ao posicionamento dos dois heterônimos.