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Ulaştırma İşletmeleri

1. TURİZM ENDÜSTRİSİ VE TURİZM ENDÜSTRİSİNDE YER ALAN İŞLETMELER .3

1.2. Turizm Endüstrisinde Yer Alan İşletmeler

1.2.3. Ulaştırma İşletmeleri

A legislação previdenciária tratou, ainda, de enquadrar o ex-cônjuge no rol de dependentes da primeira classe. Entretanto, a concessão de benefício neste caso resta condicionada à comprovação de que, na data do óbito, o cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato estivesse recebendo pensão alimentícia57.

Observa-se que o fato de receber o ex-cônjuge prestação alimentícia, nas condições estabelecidas pela lei civil, induz à assertiva de que há dependência econômica do beneficiário, o que justifica a concessão da pensão por morte.

Um questionamento, contudo, surgiu no que concerne ao direito ao benefício neste caso. O ex-cônjuge que, à data do óbito, não recebia prestação de alimentos poderia pleitear pensão alimentícia caso surpreendido por posterior necessidade?

Para respondermos essa pergunta, imprescindível fazer menção a alguns pontos atinentes ao Direito Civil brasileiro, no que tange especificamente à questão dos alimentos.

57 Lei 8.213/91, Art. 17, § 2º. O cancelamento da inscrição do cônjuge se processa em face de separação judicial

ou divórcio sem direito a alimentos, certidão de anulação de casamento, certidão de óbito ou sentença judicial, transitada em julgado.

Lei 8.213/91, Art. 76, § 2º. O cônjuge divorciado ou separado judicialmente ou de fato que recebia pensão de alimentos concorrerá em igualdade de condições com os dependentes referidos no inciso I do art. 16 desta Lei.

Leciona Maria Helena Diniz, citando Orlando Gomes, que “alimentos são prestações para a satisfação das necessidades vitais de quem não pode provê-las por si”58. Assim como na pensão por morte, os princípio da dignidade da pessoa humana e da solidariedade social dão fundamento ao instituto dos alimentos. No caso da pensão alimentícia, contudo, há que se falar, também, na solidariedade familiar. A obrigação civil será decorrente de relações próximas de parentesco ou de vínculos conjugais ou afetivos.

Oportuno destacar que o provimento de prestação alimentícia sempre esteve condicionado ao conhecido binômio da necessidade/possibilidade. Significa dizer que, para que haja o reconhecimento do direito aos alimentos pelo juízo competente, é imprescindível que se comprove a necessidade do alimentando e a possibilidade econômica do alimentante para efetuar o pagamento da pensão. Ressalte-se que a necessidade do alimentante deverá ser analisada pelo juiz, que levará em consideração as condições pessoais do requerente, como, por exemplo, a impossibilidade de prover seu sustento através do trabalho, a idade, a existência de enfermidade física ou mental, dentre outras.

A doutrina moderna, a exemplo de Maria Berenice Dias59, Maria Helena Diniz60 e Paulo Luiz Netto Lôbo61, todavia, vem acrescentando ao mencionado binômio os requisitos da proporcionalidade e/ou razoabilidade. Para essa corrente, é indispensável que, na fixação dos alimentos, verifique-se a proporcionalidade entra as necessidades do alimentando e os recursos financeiros do alimentante, apurados diante do caso concreto.

Para Flávio Tartuce62, seria irrazoável, observada a realidade social contemporânea, a concessão de prestação de alimentos a cônjuge jovem que possua plenas condições para prover o seu sustento através do exercício de atividade remunerada.

A obrigação alimentar possui algumas características básicas. Vejamos, abaixo, as principais delas, de acordo com Flávio Tartuce:

a) É um direito personalíssimo, intuito personae, não se transmitindo aos herdeiros do credor;

b) É transmissível, entretanto, aos herdeiros do devedor, desde que de acordo com as forças da herança;

c) É imprescritível, visto que não há prazo extintivo para requerê-la63;

58 GOMES, Orlando apud DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil brasileiro. 25. ed. São Paulo: Saraiva,

2010. v.5, pag. 588.

59 DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias. 5. ed. São Paulo: RT, 2009, p. 492.

60 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil brasileiro. 25. ed. São Paulo: Saraiva, 2010. v.5, pag. 595. 61 LÔBO, Paulo Luiz Netto. Famílias. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 350.

d) É irrepetível: o que se pagou a título de alimentos não se recebe de volta, mesmo que comprovada a inexistência da causa geradora;

e) É irrenunciável, ou seja, pode-se deixar de exercer o direito, mas não renunciá-lo. É o que proclama, expressamente, o art. 1.707 do Código Civil64. É também esse o entendimento expresso na Súmula 379 do STF, a qual dispõe que “no acordo de desquite não se admite renúncia aos alimentos, que poderão ser pleiteados posteriormente, verificados os pressupostos legais”.

Ocorre que, atualmente, a doutrina e a jurisprudência vêm inclinando-se a reconhecer que a irrenunciabilidade dos alimentos apenas é aplicável aos parentes. No caso de ex-cônjuges (ou ex-companheiro), dissolvido o vínculo que os unia, não haveria mais fundamento na postulação decorrente de necessidade superveniente. É o que se constata com o acórdão a seguir transcrito:

Direito civil e processual civil. Família. Recurso especial. Separação judicial. Acordo homologado. Cláusula de renúncia a alimentos. Posterior ajuizamento de ação de alimentos por ex-cônjuge. Carência de ação. Ilegitimidade ativa. A cláusula de renúncia a alimentos, constante em acordo de separação devidamente homologado, é válida e eficaz, não permitindo ao ex-cônjuge que renunciou, a pretensão de ser pensionado ou voltar a pleitear o encargo.- Deve ser reconhecida a carência da ação, por ilegitimidade ativa do ex-cônjuge para postular em juízo o que anteriormente renunciara expressamente. Recurso especial conhecido e provido65. Voltando ao âmbito do Direito Previdenciário, ressalte-se que se consolidou o entendimento de que a mulher que renunciasse aos alimentos faria jus ao benefício da pensão por morte, desde que comprovada necessidade econômica superveniente. É o que se constata com a leitura da Súmula 64 do extinto Tribunal Federal de Recursos e da Súmula 336 do Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcritas:

TFR, Súmula nº 64 - A mulher que dispensou, no acordo de desquite, a prestação

de alimentos, conserva, não obstante, o direito a pensão decorrente do óbito do marido, desde que comprovada a necessidade do benefício.

STJ, Súmula nº 336 - A mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial

tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente.

63 O art. 206, §2º, do Código Civil estipula prazo de prescrição de 2 anos para a execução da prestação de

alimentos

64 Código Civil de 2002, Art. 1.707. Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a

alimentos, sendo o respectivo crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora.

65

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 701.902. Relatora: Nancy Andrighi, SP, Julgado em 14 de set. de 2005.

Entretanto, observada a atual inclinação por uma mudança de posicionamento na esfera civil, segundo o qual se considera possível a renúncia de alimentos pelo ex-cônjuge em vida, passou-se a questionar a aplicabilidade dos enunciados acima mencionados, em especial da Súmula 336 do STJ.

Ora, se o Tribunal já reconhece a possibilidade de o ex-cônjuge dispor, em vida, do direito a percepção de alimentos, isentando o devedor do cumprimento de prestação, não seria coerente atribuir ao Estado o ônus da prestação previdenciária após a morte do segurado.

Parecia plausível a necessidade de revisão do entendimento firmado nos aludidos enunciados. Poder-se-ia considerar, inclusive, que a revisão seria indispensável à manutenção da congruência sistêmica (e até lógica) do ordenamento jurídico pátrio.

Surpreendentemente, o Superior Tribunal de Justiça, não obstante o acima exposto, continua a aplicar o entendimento expresso nas súmulas acima transcritas, fundamentando o seu posicionamento na autonomia do Direito Previdenciário em relação ao Direito Civil.

Com efeito, essa autonomia existe, mas não deve ser utilizada como justificativa a decisões desarrazoadas. Há autonomia entre diversos ramos do Direito, não se podendo esquecer, contudo, que todas essas espécies fazem parte de um mesmo ordenamento jurídico. Isso significa que a credibilidade da estrutura está diretamente relacionada com a harmonia do sistema. É reconhecida a possibilidade de existência de discrimen, desde que haja situação fática diversa que autorize o tratamento diferenciado. Na hipótese em epígrafe, não se consegue vislumbrar qualquer fundamento jurídico plausível que justifique a entendimento jurisprudencial divergente.

Mais uma vez, estar-se diante de uma situação em que a concessão de benefício sem fundamento securitário pode contribuir para onerar os caixas da Previdência, comprometendo a efetiva proteção de potencial dependente em verdadeira situação de necessidade.

Destaque-se, ademais, que, embora os enunciados normativos apenas façam menção ao cônjuge separado judicialmente, a jurisprudência estendeu o direito à pensão por morte diante de necessidade superveniente ao cônjuge divorciado, conforme informa a seguinte ementa:

ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. PENSÃO POR MORTE DE SERVIDOR PÚBLICO REQUERIDA POR EX- CÔNJUGE. RENÚNCIA AOS ALIMENTOS POR OCASIÃO DO DIVÓRCIO NÃO IMPEDE A CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. SÚMULA 336/STJ. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA SUPERVENIENTE DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO.

1. Consoante disposto na Súmula 336/STJ: a mulher que renunciou aos alimentos na separação judicial tem direito à pensão previdenciária por morte do ex-marido, comprovada a necessidade econômica superveniente.

2. O só fato de a recorrente ter-se divorciado do falecido e, à época, dispensado os alimentos, não a proíbe de requerer a pensão por morte, uma vez devidamente comprovada a necessidade (REsp.472.742/RJ, Rel. Min. JOSÉ ARNALDO DA FONSECA, DJU 31.03.2003).

3. Agravo Regimental desprovido66.

Sinale-se, ainda, que, consoante dispõe Fábio Zambitte Ibrahim67, o enunciado da Súmula 336 do STJ é bastante abrangente. Destaca o mencionado autor que, de acordo com a literalidade da súmula, há a possibilidade de que, décadas depois do falecimento do segurado, venha o ex-cônjuge pleitear o benefício previdenciário, desde que comprovada necessidade emergente, o que ele considera absurdo. Para Fábio Zambitte, o mais correto seria a concessão da prestação ao ex-cônjuge que comprovasse a dependência econômica na data do óbito. Esse posicionamento, certamente, é mais condizente com os postulados da razoabilidade e da segurança jurídica. Nesse sentido, as conclusões de Luís Alberto d’Azevedo Aurvalle:

Em resumo, a pensão previdenciária devida ao cônjuge separado visa a dar continuidade ao amparo que já vinha sendo outorgado anteriormente à morte. Ao revés, é incompatível ao sistema que, decorrido longo período de ruptura da vida em comum, sem qualquer auxílio material, venha o cônjuge a pleitear a condição de dependente, a partir de um estado de miserabilidade ostentado após a morte do segurado, arrostando igualdade de condições com companheira e/ou filhos do de

cujus presentes no seu passamento. Não seria demasiado dizer que, a valer tal

entendimento, estar-se-ia a cria novo objetivo ao matrimônio: o da cobertura previdenciária incondicionada! Ora, gravitando o contrato de casamento em torno do conceito de affectio maritalis, a partir da ruptura da vida em comum, com o esfacelamento de tal núcleo afetivo, a persistência da geração de efeitos jurídicos patrimoniais daí advindos não resiste à interpretação literal, racional, sistemática e teleológica e ao próprio ideal de justiça, chocando-se com interesses legítimos dos reais dependentes do segurado no momento da morte68.

Por fim, pertinente uma última consideração: prevê a Lei 8.213/91, no §2º do art. 76, que o denominado cônjuge ausente fará jus a proteção previdenciária se comprovar a sua dependência financeira69. Para a doutrina, cônjuge ausente nada mais seria do que a denominação empregada para se referir ao separado de fato.

66

BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo Regimental no Recurso Especial nº 1015252. Relator: Napoleão Nunes Maia Filho, RS, Julgado em 12 de abr. de 2011.

67

IBRAHIM, Fábio Zambitte. Curso de Direito Previdenciário. 16. ed. Niterói: Impetus, 2011, p. 532.

68

AURVALLE, Luís Alberto d’Azevedo. A pensão por morte e a dependência econômica superveniente. Revista da Doutrina da 4. Região, Porto Alegre, n. 18, jun. de 2007. Disponível em: http://www.revistadadoutrina.trf4.gov.br. Acesso em: 14 de out. de 2011.

69 Lei 8.213/91, Art. 76, § 1º O cônjuge ausente não exclui do direito à pensão por morte o companheiro ou a

companheira, que somente fará jus ao benefício a partir da data de sua habilitação e mediante prova de dependência econômica.

Estando o cônjuge ausente, pode-se presumir que está apto a prover a sua subsistência. Caso comprove a dependência, apenas terá direito à pensão a partir de sua habilitação, não podendo pleitear prestações pretéritas, em conformidade com a redação do dispositivo legal acima apontado.

Não se pode deixar de reiterar que as questões explanadas neste subtítulo continuam sendo intensamente debatidas na doutrina e na jurisprudência, nos âmbitos civil e previdenciário. Isso comprova que o assunto é bastante controverso, havendo, desta feita, a necessidade de constante atualização e estudo dos pontos ora abordados.

Benzer Belgeler