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B. OCAKLARLA ĐLGĐLĐ ĐNANÇLAR

5. Uğur ve Uğursuzlukla Đlgili Đnançlar

Como mencionado anteriormente, o conhecimento parte da realidade que se apresenta, do concreto. A investigação é exatamente o processo de busca para,

com o substancial auxílio da dimensão teórico-intelectual, desvendar as relações macro e microssocietárias que acercam o objeto de intervenção do assistente social. Nesse sentido, questionou-se nas entrevistas se os profissionais realizavam algum tipo de levantamento ou pesquisa com os usuários, bem como qual era o tipo de pesquisa (se a realizasse) ou o motivo (caso não realizasse). As respostas foram sistematizadas no quadro a seguir:

No momento realiza pesquisa ou levantamento com os usuários:

Tabela 3: Realização de pesquisa ou levantamento com os usuários.

SIM

(quatro entrevistados/as)

Tipos de Pesquisa Instituições

Banco de dados institucional com levantamento sobre os

tipos de diagnóstico do público atendido. ONG/pessoa com deficiência Existe um censo diário por patologias dos pacientes das

enfermarias. Além desse, uma pesquisa não-oficial: há os registros em relação às maiores demandas do politrauma e suas principais causas (ex.: demanda: acidentes de moto; causa: não uso do capacete).

Hospital Público

Há uma estatística mensal em relação aos benefícios (BPC) deferidos e os indeferidos, verificando principais incidências e motivos dos indeferimentos.

Previdência Social

O Serviço Social realiza levantamento sobre o que o setor desenvolveu: o quantitativo de atendimentos, visitas, estudos sociais, e produz um relatório, com objetivo de subsidiar a importância do setor e questionar quanto às condições de trabalho junto à direção.

Sócio-jurídica

NÃO

(oito entrevistados/as)

Motivos Instituições

Não houve demanda. U.Básica de Saúde

Sul

que se refere à questão da humanização dos profissionais e sobre o perfil do usuário.

A própria instituição faz um levantamento das denúncias do mês (ex.: quantas crianças vítimas de violência).

CREAS

Às vezes, a equipe da própria unidade disponibiliza um questionário (com uma urna na entrada) para averiguar a satisfação em relação aos serviços, sugestões e reclamações.

U. Básica de Saúde Oeste

Começou a fazer um diagnóstico do bairro e perfil das famílias do bolsa família, mas teve que parar em razão da dificuldade estrutural.

CRAS

Fazia pesquisa para averiguar a qualidade no atendimento e necessidades dos pacientes, mas atualmente esse levantamento é realizado pela ouvidoria.

Hospital Privado

Fez quando chegou à instituição (há 1 ano), com o objetivo de conhecer o público da instituição, e suas expectativas em relação ao serviço social.

ONG/idoso

Fez um levantamento no início do ano, concluiu em maio, para ver a questão sócio/econômica/cultural dos usuários, a partir de uma necessidade puramente pessoal de retrospectiva da própria atividade.

Hospital do Terceiro Setor

Dados coletados pela pesquisadora (2012).

Primeiramente, é preciso compreender que a dimensão investigativa difere da pesquisa científica, visto que essa ultima obedece a um rigor metodológico, objetivando fundamentar estudos acadêmicos e a formação em Serviço Social; já a dimensão investigativa direciona-se à atividade técnico-operativa do assistente social – não impedindo que essa investigação se desdobre em um estudo mais elaborado, e venha a ser apresentado na dimensão da academia ou mesmo se transforme em indicativo para futuras pesquisas científicas – não possuindo critérios metodológicos rígidos para a sua realização.

É válido ressaltar que aqui se está falando dessa dimensão investigativa como constitutiva da instrumentalidade, e que faz um diferencial para o exercício profissional do assistente social. Dessa forma, ela está prevista no âmbito das competências e atribuições profissionais da Lei nº 8662/1993, portanto, é “um elemento constitutivo do seu trabalho profissional, como precondição do exercício profissional competente e qualificado” (GUERRA, 2009, p.703).

Na lei referida se encontra a dimensão investigativa, no inciso VII do artigo 4º, que dispõe como competência do assistente social: “planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais” (CFESS, 2011, p. 45). Também, no inciso I do artigo 5º, sobre as atribuições privativas: “coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social” (CFESS, 2011, p. 46).

A investigação aparece como competência para o assistente social baseada no princípio de que é necessário conhecer para intervir, e deve-se considerar, principalmente, a dinamicidade da realidade. As novas demandas são apresentadas, e as antigas são reeditadas de acordo com o modo de (re)produção da vida social, com a resposta do Estado através das políticas sociais e as conquistas (ou não) da classe trabalhadora na luta de classes.

Iamamoto (2011, p. 200) afirma essa importância da pesquisa no cotidiano do exercício do assistente social:

Nos diferentes espaços ocupacionais do assistente social é de suma importância impulsionar pesquisas e projetos que favoreçam o conhecimento do modo de vida e de trabalho – e correspondentes expressões culturais – dos segmentos populacionais atendidos, criando uma acervo de dados sobre os sujeitos e as expressões da questão social que as vivenciam. O conhecimento criterioso dos processos sociais e de sua vivência pelos indivíduos sociais poderá alimentar ações inovadoras, capazes de propiciar o atendimento às efetivas necessidades sociais dos segmentos subalternizados, alvos das ações institucionais.

O resultado da pesquisa demonstra que, dentre os doze entrevistados/as, quatro relataram que realizavam pesquisa; além desses, três entrevistados/as que não realizavam pesquisa no momento da entrevista, responderam que fizeram algum tipo de levantamento em outro período.

Ao analisar o tipo de pesquisa, incluindo os que já realizaram, verifica-se que, apenas, dois profissionais colocaram objetivo da sua pesquisa: para buscar melhorias nas condições de trabalho, apontando a importância do setor; e para conhecer o público da instituição e as expectativas em relação ao serviço social. Os demais aparecem como levantamentos de demandas muito mais institucionais, no preenchimento de índices e metas.

Há, ainda, um profissional que coloca como uma necessidade puramente pessoal, o que invisibiliza a investigação do âmbito das competências do assistente social e, provavelmente, infringe o dever ético de “devolver as informações colhidas nos estudos e pesquisas aos/às usuários/as, no sentido de que estes possam usá- los para o fortalecimento dos seus interesses” (CFESS, 2011, p. 29).

Destarte, como no âmbito do teórico-intelectual, e, sendo a investigação uma premissa para a construção do conhecimento, a razão instrumental atinge, também, essa dimensão, visto que as respostas interventivas cotidianas do assistente social têm que ser cada vez mais rápidas, imediatas, não sendo permitido ao profissional a efetivação de reais estudos sobre suas demandas, ficando o objeto de intervenção no âmbito da pseudoconcreticidade.

Nessa lógica, observa-se que cinco entrevistados não realizam pesquisa, e essa razão instrumental que invade o trabalho profissional é constatada desde a alienada concepção de que não existe demanda ou que um levantamento institucional “substituiria” a investigação por parte do serviço social, até a impossibilidade em função de uma desvalorização dessa atividade, em que o profissional, mesmo sentindo necessidade de pesquisar, é tolhido e limitado em razão de uma dinâmica estrutural de exploração e precarização intensa de trabalho. Vale, então, enfatizar a importância da dimensão investigativa como mediação estratégica para se produzir um diferencial no exercício, ou minimamente na concepção sobre os processos sociais, por meio das palavras de Guerra (2009, p.714):

Aqui se coloca a dimensão investigativa: ela é a dimensão do novo – questiona, problematiza, testa as hipóteses, permite revê-las, mexe com preconceitos, estereótipos, crenças, superstições, supera a mera aparência, por questionar a “positividade do real”. Permite construir novas posturas visando a uma instrumentalidade de novo tipo: mais qualificada, o que equivale a dizer: eficiente e eficaz, competente e compromissada com os princípios da profissão.

Exatamente por proporcionar o novo, essa é uma dimensão que acompanha a trajetória dos sujeitos pesquisadores desde o momento da formação (graduação e pós-graduação), até o exercício profissional com a constante requisição por informações/intervenções atuais capazes de responder à dinâmica do real. É também uma dimensão que atravessa todas as demais:

No âmbito das nossas competências teórico-metodológicas, através da pesquisa sólida e rigorosa, desenvolve-se a capacidade de o assistente social compreender seu papel profissional no contexto das relações sociais, como foi dito, numa perspectiva de totalidade social. No âmbito das nossas competências políticas, a pesquisa permite que se apreenda a sociedade como um espaço de contradições, os interesses sociais e econômicos subjacentes aos projetos societários, partidários e profissionais. [...] Do mesmo modo, permite compreender o significado social e político das demandas e respostas profissionais. E não nos permite descuidar do estabelecimento de estratégias sociopolíticas profissionais.

Por fim, mas não menos importante, no nível das competências técnico-operativas, a pesquisa desenvolve nossa capacidade de investigar as instituições, seus usuários, as demandas profissionais, os recursos institucionais, as agências financiadoras, o orçamento. [...] Pela via da pesquisa é facultado ao profissional formular respostas que não apenas atendam às demandas, mas que, compreendendo o conteúdo político delas e o contemplando, ele possa reconstruí-las criticamente. (GUERRA, 2009, p. 714-715).

Nesse sentido, vislumbra-se que a dimensão investigativa está na natureza do exercício profissional, é componente constituinte da instrumentalidade e exerce um papel fundamental para o serviço social, sendo um diferencial determinante para a intervenção por interferir no conhecimento acerca da questão social, e portanto no domínio do objeto ao qual irá se exercer a atividade.

Por isso, é uma prática que deve estar articulada aos sentidos da curiosidade em desvendar os fenômenos rotineiros, à necessidade de ir além das explicações corriqueiras do censo comum, num esforço de abstrair a essência e a totalidade do objeto no qual se dará a intervenção profissional.

Assim, a investigação, no cotidiano dos espaços sócio-ocupacionais não é desinteressada; ela é um importante veículo para reafirmar o projeto profissional, uma vez que os participantes da pesquisa são, principalmente, os sujeitos do compromisso ético-político, e a busca por conhecer as demandas e a realidade aproxima relações com as necessidade dos usuários/as, subsidiando mediações valorativas que incidem sobre a direção social e o posicionamento do assistente social no momento da intervenção (BARROCO, 2009).

Diante do exposto, observa-se que as dimensões formativa, teórico-intelectual e investigativa são bases para fundamentar o exercício profissional do assistente social, oferecendo à dimensão técnico-instrumental o conhecimento que subsidia a construção e reflexão dialética do concreto, o desvendar da realidade. Assim, essas

dimensões são codependentes: necessitam da articulação umas com as outras, e com a dimensão ético-política, para buscar a materialização de uma intervenção efetiva, de qualidade, voltada a atender o real interesse dos usuários.

A problematização da instrumentalidade continua no percurso de pensar o efetivo exercício profissional do assistente social, voltando a centralidade das discussões à dimensão técnico-instrumental, os meandros que a perpassam e buscando desmistificar equívocos a seu respeito.

3 DIMENSÃO TÉCNICO-INSTRUMENTAL: O EPICENTRO DO EXERCÍCIO PROFISSIONAL.

A dimensão técnico-instrumental20 concentra as possibilidades de materialização do exercício do assistente social no cotidiano dos espaços sócio-ocupacionais, operando e respondendo à legitimação do serviço social na sociedade. Por isso, é uma dimensão do serviço social que envolve as estratégias técnico-operativas, adotadas nas intervenções profissionais, as respostas e atividades da profissão.

Santos, Souza Filho e Backx (2012) colocam a dimensão técnico-operativa como “forma de aparecer” da profissão, sendo, portanto, aquela pela qual a sociedade “conhece e reconhece o serviço social”:

Tal característica permitiria reconhecê-la até mesmo como uma “síntese” do exercício profissional, pois é composta também pelo conhecimento da categoria, pelas qualidades subjetivas dos agentes, pelas condições objetivas do trabalho, pelo projeto profissional, pela ética, pelos valores. (SANTOS; SOUZA FILHO; BACKX, 2012, p.17).

É fato que, se há no mercado o empregador que requisita o assistente social como profissional habilitado, sem dúvida, existe uma utilidade social para o serviço social, que é a sua razão de ser, haja vista que

O Serviço Social, embora se constituindo em estratégia de enfrentamento do Estado no tratamento das questões sociais e instrumento de contenção das mobilizações populares dos segmentos explorados, tem a sua gênese vinculada à produção desse mesmo segmento populacional. A mesma lei geral que produz a acumulação capitalista, para o que, necessariamente, tem que produzir e manter uma classe da qual possa extrair um excedente econômico, cria os mecanismos de manutenção material e ideológica dessa classe, dentre eles o Serviço Social. (GUERRA, 2011, p. 153).

20 O termo “dimensão técnico-instrumental” faz parte das cinco dimensões prático-sociais apontadas por Guerra (2000a); no decorrer do texto, aparecerá, também, a terminologia “dimensão técnico- operativa”, a qual advém de uma sistematização das dimensões prático-sociais em três eixos: teórico- metodológico, ético-político e técnico-operativo. Assim, ambos os termos referem-se à competência de articular as mediações necessárias para materializar objetivos profissionais, com base em valores éticos (GUERRA, 2000a; MOTA, 2003).

Em outras palavras, o assistente social tem sua história inscrita no chamado para intervir junto aos serviços sociais com objetivo da reprodução da força de trabalho e do controle social. Ou seja, tais serviços são fundamentais na manutenção material e social da força de trabalho, na perspectiva de conter as tensões latentes e manifestas existentes nessa relação de antagonismo entre as classes.

Assim, ao mesmo tempo que os serviços sociais contribuem para proporcionar melhor qualidade de vida à classe trabalhadora, paralelamente atuam na sustentação da ordem do capital, considerando que, tendo suas necessidades atendidas, o trabalhador desempenha melhor sua função e amplia sua necessidade de consumo.

Nesse sentido, o assistente social se situa num campo de tensão e disputa de interesses político-ideológicos contraditórios, visto que é incorporado ao mercado por vias do contrato de trabalho quando solicitado para exercer funções de reprodução da ideologia dominante (IAMAMOTO, 2008), ao mesmo tempo que a construção histórica da profissão possibilitou bases teórico-metodológicas e éticas que direcionam o exercício para os interesses da classe trabalhadora. Imerso nesse âmbito de disputa, o serviço social atende a demandas do capital e dos trabalhadores, sendo a conjuntura fator determinante para o favorecimento/retrocesso de uma ou outra perspectiva, ainda que submetido à hegemonia do capital nessa sociabilidade.

Assumindo, desde a década de 1980, uma postura política que desvenda as contradições e determinações da sociedade burguesa, o assistente social busca romper com o conservadorismo e trabalhar em favor da classe trabalhadora por meio da defesa da garantia dos direitos dos indivíduos, orientado pelo objetivo da emancipação humana21.

A parcela hegemônica22 da categoria redireciona sua atuação na defesa do atendimento às necessidades da classe oprimida, amparada nos direitos sociais que

21 A emancipação humana consiste na superação da sociedade de classes, ou seja, está para além da emancipação política, que compreende a defesa da democracia, dos direitos e justiça social. “Emancipação política não implica em emancipação humana” (MARX, 1991, p.37), pois essa ultima corresponde ao fim da exploração e da desigualdade social, isto é, um outro tipo de sociabilidade; “não há dúvida que a emancipação política representa um grande progresso. Embora não seja a última etapa da emancipação humana em geral, ela se caracteriza como a derradeira etapa da emancipação humana dentro do contexto do mundo atual.” (MARX, 1991, p.28).

22 Segundo Gruppi (1991, p. 59), hegemonia é “determinar os traços específicos de uma condição histórica, de um processo, tornar-se protagonista de reivindicações que são de outros estratos

lhe são conferidos; reconhecendo a utilidade social da profissão e os espaços sócio- institucionais como únicos mecanismos que viabilizam e possibilitam o trabalho do assistente social.

O Serviço Social atua em instituições públicas, em organizações da sociedade civil ou mesmo privadas; e em variadas áreas de trabalho. Dessa forma, esta pesquisa se preocupou em trazer, na amostra, essa diversidade, buscando entrevistado(a)s em instituições de diferentes naturezas e nas áreas onde se concentra um maior número de profissionais: saúde, assistência social, sócio-jurídica e previdência.

É fundamental apreender que, segundo Iamamoto (2008), esses espaços de trabalho não devem ser considerados obstáculos ou empecilhos para a prática do assistente social, visto que o processo de trabalho no qual se insere o assistente social é organizado pelo espaço sócio-ocupacional, sendo este determinante na viabilização das condições e meios de trabalho, possibilitando, também, o acesso às demandas profissionais. Portanto,

diretrizes ditadas pelas políticas sociais públicas ou empresariais, as relações de poder institucional, as prioridades políticas estabelecidas pelas instituições, os recursos humanos e financeiros que se possa mobilizar, as pressões sociais, etc. – não se afiguram como “condicionantes externos” ao trabalho profissional. Ao contrário, são condições e veículos de sua realização, indispensáveis como elementos constitutivos desse trabalho. Aqueles elementos conformam o “terreno” que viabiliza a realização do trabalho. Não podem, pois, ser vistos como “outros elementos” que, se considerados, enriqueceriam a compreensão da “prática profissional.” (IAMAMOTO, 2008, p. 99 -100, grifo do autor).

Partindo de tais premissas, é necessário articular os espaços sócio- ocupacionais numa lógica macrossocietária, para desvendar os desafios que atravessam o serviço social na aparência da rotina institucional. As mudanças na organização da produção material, na gestão e no consumo da força de trabalho, exigem “a refuncionalização de procedimentos operacionais, também determinando um rearranjo de competências técnicas e políticas que, no contexto da divisão social sociais, da solução das mesmas, de modo a unir em torno de si esses estratos, realizando com eles uma aliança”. Assim, hegemonia indica uma direção político-ideológica coletiva, a qual “não se confunde com supremacia, nem tampouco maioria. Além de pressupor dimensões muito mais qualitativas que quantitativas.” (BRAZ, 2007, p. 05).

e técnica do trabalho, assumem o estatuto de demandas à profissão” (MOTA; AMARAL, 2010, p. 25).

Nesse sentido, o trabalho do assistente social se insere numa via de mão dupla. Na contemporaneidade, existe, por um lado, a reestruturação produtiva que coloca para o assistente social novas demandas – necessidades sociais incorporadas pelo mercado de trabalho, as quais requisitam a intervenção técnico- operativa do assistente social – passando a exigir competências profissionais estratégicas, capazes de responder ao usuário e à instituição de maneira qualificada. (MOTA; AMARAL, 2010). Por outro lado, está a inserção do assistente social como trabalhador assalariado, imerso nas determinações de precarização do trabalho que a reestruturação produtiva proporciona; permeadas desde as formas de contratação até as condições objetivas e subjetivas para a realização efetiva do trabalho.

Assim, é fundamental para entender os modos de inserção do assistente social, suas condições objetivas de trabalho, bem como suas demandas e atribuições, apreender como se figura a política social brasileira, visto que estas representam as respostas do Estado para as necessidades sociais e determinam processos de trabalho em que se insere a maioria dos profissionais, perpassando também as novas requisições para o trabalho do assistente social.

A disseminação do projeto neoliberal nos países periféricos ocorreu no início da década de 1990, quando o Brasil passava por mudanças estruturais importantes; foi o período de consolidação da nova Constituição Federativa de 1988 – a primeira construída democraticamente – e uma tentativa, ainda que tardia, por um Estado de Bem-Estar Social. Pode-se afirmar, porém, que este projeto não se consolidou.

A heteronímia e o conservantismo político se combinam para delinear um projeto antinacional, antidemocrático e antipopular por parte das classes dominantes, no qual a política social ocupa um lugar concretamente secundário, à revelia dos discursos ‘neo-sociais’ [...] o conjunto de direitos duramente conquistados no texto constitucional foram, de uma maneira geral, submetidos à lógica do ajuste fiscal (BEHRING; BOSCHETTI, 2008, p.159).

O esteio para a aceitação pública do projeto neoliberal de privatização foi a “crise fiscal do Estado”, em nome da qual se reduziu o financiamento, os gastos direcionado às instituições públicas. Essa suposta crise fiscal consolidou de tal

forma a ideologia de mercado nas pessoas, que se formou a ideia de cidadão- consumidor. Assim,

O projeto neoliberal subordina os direitos sociais à lógica orçamentária [...] ao invés do direito constitucional impor e orientar a distribuição das verbas orçamentárias, o dever legal passa a ser submetido à disponibilidade de recursos. São as definições orçamentárias – vistas como um dado não passível de questionamento – que se tornam parâmetros para a implementação dos direitos sociais implicados na seguridade [...]. A leitura da seguridade passa a ser efetuada segundo os parâmetros empresariais de custo/benefício, da eficácia/inoperância, da produtividade/rentabilidade (IAMAMOTO, 2011, p. 149).

Nota-se que o capitalismo apropriou-se da esfera dos serviços sociais para fazer gerar mais dinheiro, de maneira que aqueles inseridos no mercado de

Benzer Belgeler