C) KORUMA TEDBRLERNN ÖN ARTLARI
II. TUTUKLULAR HAKKINDA YAPILACAK LEMLER
4. Tutukluya Disiplin %lemleri Uygulanmas#
A seguir, a partir de algumas relexões e intuições, eu avento algumas extensões das formulações analisadas para a avaliação de pontos que julgo relevantes. Primeiro, note que favorecer os empreendedores e punir a classe de trabalhadores durante algum pe- ríodo é, em geral, uma política bastante impopular. Elementos de economia política são potencialmente relevantes. Os agentes da economia podem não ser capazes de antever os benefícios futuros da política e se posicionarem contra ela. O cumprimento da polí- tica pode não ser crível por questões de consistência temporal, ou porque o ciclo político não é suicientemente longo, ou mesmo porque o governo tem incentivos distorcidos para se manter no poder. Logo, cumprir uma política de acordo com sua trajetória ótima, especialmente durante uma transição longa, pode esbarrar em algumas restrições.
Além disso, conforme discutido na subseção 5.2, o ambiente proposto por Itskhoki e Moll (2014) não incorpora escolha ocupacional. Eu reitero a relevância do canal de ine- iciência de restrição a crédito sobre decisões de entrada e saída no setor produtivo. Isso constitui um motivador para o desenho de políticas em economias com escolha ocupacio- nal, que incorporem esse canal.
Outra extensão interessante do ambiente seria considerar heterogeneidade entre setores da economia, de forma que estes dependam de forma diferenciada do mercado de crédito. A formulação deBuera et al.(2011) constitui uma base para esse tipo de avaliação. Para a manutenção de alguma tratabilidade analítica, uma possibilidade seria considerar setores com parâmetros de restrição a crédito (φ ou λ) diferenciados. Nesse arcabouço, seria possível a avaliação de políticas industriais, recorrentes em diversas economias.
Eu sigo propondo variações no ambiente do modelo genérico relacionadas à questão informacional e às habilidades individuais. A formulação do problema de política ótima poderia incorporar elementos da teoria de desenho de mecanismos. Seria interessante pensar no desenho de um mecanismo no qual o governo induza os agentes a revelar sua habilidade verdadeira e possa implementar uma função de escolha social que melhore a economia com restrição a crédito.
Nos modelos estudados, o processo de habilidades é exógeno. Nós vimos algumas formulações possíveis, bem como a importância da persistência dos choques para os re- sultados de longo prazo e a velocidade de transição. A hipótese de exogeneidade da habilidade garante alguma tratabilidade aos modelos, mas ofusca um outro canal, indi-
cado por Banerjee e Dulo (2005), pelo qual a restrição a crédito potencialmente impõe perdas nas economias: algumas irmas podem não adotar tecnologias mais lucrativas e alguns empreendedores podem não aprimorar sua habilidade porque estão restritos a cré- dito. Diversas políticas de governo são justiicadas pela promoção de inovação e pela elevação de produtividade. Assim, eu proponho a incorporação de alguma endogeneidade ao processo de habilidades para a avaliação de futuros trabalhos que abordem restrição a crédito e políticas de governo. Bhattacharya et al. (2013), Gabler e Poschke (2013) e Restuccia (2012) apresentam distintas formulações com endogeneidade no processo de habilidade e constituem um ponto de partida nesse sentido.
Ademais, vimos que a origem da restrição a crédito está na hipótese de imposição limitada. Nos modelos estudados, o parâmetro que captura a capacidade de imposição (φ ou λ) é dado. Banerjee e Dulo (2005) elencam alguns fatores que explicam o mau funcionamento do mercado de crédito em países em desenvolvimento. Primeiro, sistemas informacionais podem ser pouco desenvolvidos, o que diiculta o cumprimento efetivo de contratos. Segundo, o fato de potenciais tomadores de empréstimo serem pobres e estarem sujeitos a forte pressão econômica pode elevar a propensão de enganar o emprestador. Terceiro, há pressões políticas para defender tomadores de empréstimo de credores na maioria dos países em desenvolvimento. Esses fatores estão por trás de uma formulação que explique os parâmetros φ ou λ.
Assim, considere um ambiente diferenciado, que incorpore alguma sensibilidade entre os parâmetros φ ou λ e esses fatores. Por exemplo, o governo pode investir em uma tecno- logia de monitoramento que aprimore a capacidade de impor o cumprimento de contratos. Na prática, isso também pode ser entendido como uma maior efetividade no funciona- mento de câmaras de arbitragem. Ainda, o estímulo a práticas de governança corporativa e à transparência do mercado, de forma geral, auxiliam na disponibilização de informações necessárias para promover a efetividade de contratos. Desse modo, políticas que visem ao desenvolvimento do mercado de capitais de forma direta, atenuando a restrição a crédito por meio de uma melhor capacidade de imposição, (ou seja, elevando φ ou λ), têm efeitos positivos sobre a economia.
Uma outra possibilidade de política de governo, passível de ser avaliada mesmo em um ambiente mais simples, envolveria a noção de infraestrutura, tal como proposto por
Barro (1990). Nesse ambiente, a função de produção incorpora gastos do governo com atividades que diicilmente são conduzidas pelo setor privado (por exemplo, por serem não- excluíveis), tipicamente associadas a infraestrutura. Com efeito, vários países adotam de políticas de desenvolvimento que visam ao estímulo da infraestrutura nacional, envolvendo investimentos em logística, energia, dentre outros. Um maior nível de infraestrutura eleva a produtividade dos demais fatores de produção, inanciados pelo setor privado (empreendedores restritos a crédito, no arcabouço desta resenha), afetando o crescimento. Sendo assim, esse tipo de gasto do governo constitui um instrumento relevante a ser estudado por futuros trabalhos.
Por im, eu ressalto que a literatura que aborda políticas de governo em economias com restrição a crédito é bastante incipiente. A relevância do tema e a vasta possibilidade de abordagem de novos aspectos motivam novas pesquisas nessa direção.
6 Conclusão
Nesta resenha, eu contextualizei o estudo da má-alocação de recursos e me aprofundei em restrição a crédito como fonte de ineiciências. Eu apresentei estudos recentes que bus- cam mensurar as perdas de longo prazo e os efeitos sobre transição. Eu também abordei a questão da persistência de má-alocação nas economias, a importância da persistência dos choques de habilidade e a relação desses pontos com o mecanismo de autoinancia- mento. As perdas associadas a restrição a crédito suscitam o interesse em estudos que incorporem o papel potencial do governo como mitigador de ineiciências. Eu vislumbro um futuro promissor para pesquisas que abordem a avaliação de políticas governamentais e o problema de política ótima em economias com restrição a crédito.
Por im, é fundamental destacar que os modelos constituem simpliicações da reali- dade. Os modelos se prestam a ajudar no entendimento de relações entre variáveis e na explicitação de mecanismos. Na prática, a avaliação de políticas de governo sob restri- ção a crédito envolve aspectos diversos que, por questões de tratabilidade ou mesmo de desconhecimento, não estão incorporados nos modelos. Portanto, é fundamental que a extrapolação para o mundo real seja feita observando-se as limitações dos modelos e o quão restritivas são as hipóteses impostas. A literatura que propõe e avalia políticas de governo para mitigação dos efeitos de restrição a crédito ainda está caminhando na di- reção de incorporar, de forma tratável, aspectos relevantes do mundo real. Dessa forma, a evolução dos estudos teóricos permitirá que a teoria desempenhe papel cada vez mais importante para balizar decisões dessa classe de políticas governamentais.
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