4.4. Türkiye’de E-İmza Oluşumu ve Uygulamaları
4.4.2. Türkiye’de E-imza Uygulamaları
4.4.2.5. Özel Sektör Kuruluşlarında Elektronik İmza Kullanımı
4.4.2.5.1 TurkcellMobilİmza
No âmbito do Caminho Explicativo da Objetividade entre Parênteses, o fa- zer analítico não se dá desarticulado, por exemplo, do reconhecimento ou não do observador, na constituição dos domínios e mundos de objetos consensuais, pelo ci- entista. Esse afazer não se desarticula, portanto, de certa concepção sobre o fazer científico nem do mecanismo de que o analista e sua comunidade de interlocutores se valem para gerar a fenomenologia da linguagem, da cognição e da cultura, no caso dos fenômenos que aqui nos interessam.
Parto da seguinte declaração de Sacks (1984: 26), para tematizar uma con- cepção de linguagem e o objeto da Análise Conversacional stricto sensu:
Comecei a trabalhar com conversas registradas em vídeo simples- mente em virtude de que poderia repassá-las, digitá-las de algum modo e estudá-las detalhadamente, sem saber quanto tempo isso poderia tomar [...], não foi decorrente de um grande interesse na linguagem ou de alguma formulação teórica daquilo que se deve estudar, mas sim- plesmente em virtude disso, eu poderia pôr as minhas mãos sobre [essas conversas registradas] e estudá-las outra e outra vez. E conse- qüentemente outros também poderiam olhar para o que eu havia estu- dado e fazer o que pudessem, se quisessem discordar de mim11. Embora o registro em vídeo inclua vieses e limitações, conforme discutirei adiante, são notáveis as vantagens operacionais dessa tecnologia, em termos das possibilidades de trabalho tanto do analista quanto da sua comunidade de interlocutores. Porém, o destaque dado por Sacks ao seu interesse pelo registro em vídeo e pelo de- senvolvimento da tarefa analítica parece minimizar a importância da concepção de lin-
11 “I started to play around with tape recorded conversations, for the simple virtue that I could replay them; that I could type them out somewhat, and study them extendedly, who knew how long it might take [...] It wasn ’t from any large interest in language, or from some theoretical formulation of what should be studied, but simply by virtue of that; I could get my hands on it, and I could study it again and again. And also, consequently, others could look at what I had studied, and make what they could, if they wanted to disagree with me.” Sacks (1984: 26). Tradução minha.
guagem que o analista conversacional stricto sensu põe em movimento quando pratica uma análise.
No trecho cotejado, o dirigir-se ao material analisado sem uma formulação teórica prévia, sem uma pré-definição do que deve ser estudado, articula-se com um conjunto de escolhas, por exemplo, entre dar primazia às hipóteses e aos modelos, na definição do objeto de estudo, ou assumir um modelo para o qual as hipóteses e categorias são contingentes com as circunstâncias.
Ora, no interesse de Sacks de transcrever e olhar detalhadamente para os registros de conversas podemos identificar uma concepção de linguagem como os procedimentos dos atores sociais, portanto, como uma ação coordenada, uma prática social plural. Da importância dada por Sacks aos procedimentos dos participantes das conversas podemos derivar uma concepção dinâmica de linguagem, que constitui um importante pilar para a Análise Conversacional stricto sensu. De acordo com tal concep- ção, a inteligibilidade e o caráter ordenado, seqüencial, temporal, não-linear da linguagem enquanto prática social são co-construídos publicamente pelos seus participantes, para os fins práticos da interação. Ver a linguagem enquanto ação coordenada é vê-la como uma esfera não-autônoma, que se submete às contingências e ao contexto das ações. Esse contexto por sua vez é definido pelos participantes, no fluxo mesmo da linguagem- ação. A linguagem, portanto, molda o contexto e é reflexivamente moldada por ele. Uma tal concepção dinâmica de linguagem subjaz a definição do objeto da Análise Conversacional stricto sensu.
Uma ‘análise da conversa’ ou uma ‘análise das conversas’ constituem a conversa como o seu objeto de estudo, como pode ser visto nos trabalhos de Kerbrat- Orechioni (1990, 1992, 1994, 1996); Cosnier & Kerbrat-Orechioni (1987); Cosnier, Gelas & Kerbrat-Orechioni (1988); André-Larochebouvy (1984); Vion (1992). A Aná- lise Conversacional stricto sensu, por sua vez, toma a conversa como a atividade social fundamental, o lugar prototípico e central da vida social, da socialização, da aquisição da linguagem e da manutenção da ordem social. Contudo, em consonân- cia com sua inspiração etnometodológica, o objeto de estudo dessa corrente ana- lítica diz respeito à organização inteligível das atividades dos membros de uma sociedade.
A Análise Conversacional stricto sensu não está interessada particularmen- te na fala. Também não se interessa em particular pela interação. A formulação dessa corrente teórico-analítica no escopo de uma teoria da ação social motivou o seu inte- resse no sistema da interação face-a-face e seus componentes sociais.
Os vários participantes de uma interação, um após o outro, constroem o desenvolvimento do campo interacional, pelo reconhecimento do que alguém está fazendo, a partir do modo como estão conduzindo a si mesmos, por exemplo, a partir da fala, e agindo com base nessa compreensão. Esses aspectos estão entre as práticas
básicas pelas quais as ações interativas são realizadas. Eles subjazem a trajetória na qual cursos de interação são progressivamente concebidos.
Na proposição fundacional da disciplina, a Análise Conversacional stricto sensu interessou-se, pois, pelas exigências do sistema de troca de turnos. Segundo Sacks, Schegloff & Jefferson (1974: 729), tais exigências dizem respeito:
1) à compreensão das mensagens;
2) aos mecanismos utilizados pelos participantes para atrair, manter e exibir a atenção dos outros participantes;
3) à distribuição de turnos;
4) aos modos de alocar oportunidades para participar da interação;
5) aos modos de tornar partes distintas da fala coerentes com outras partes em seqüência;
6) aos modos de lidar ou ignorar problemas na fala;
7) aos mecanismos utilizados pelos participantes para se identificarem ou identificarem os outros.
Assim, o programa da Análise Conversacional stricto sensu buscou especi- ficar as seguintes organizações genéricas da fala-em-interação:
a) uma organização de tomada de turnos, que aloca, restringe a extensão e molda as oportunidades para a participação nos eventos interativos; b) uma organização de pares adjacentes, que ordena seqüências de ações-
em-turnos e as propriedades dessas seqüências;
c) uma organização de reparos, que ordena oportunidades de ações de certo tipo, lidando com problemas na fala.
Jefferson (1974) observa que um sistema genérico de troca de turnos opera em sistemas específicos de troca de fala. A constituição de uma forma de fala como uma ação social reconhecível envolve, pois:
a) a seleção de palavras em referência a considerações relativas ao recipiente;
b) a organização da tomada de turnos, a sua disposição seqüencial e; c) a produção de reparos ou a correção da fala no seu curso.
Essas organizações sociais genéricas da fala-em-interação subjazem a cons- tituição, o reconhecimento e a coordenação da ação social. Schegloff (1988: 96, 116) aponta então que o domínio organizacional ou o locus da organização é, portanto, o
domínio das ações e das oportunidades de efetuá-las e a investigação da Análise Conversacional stricto sensu tenta entender como a fala-em-interação é organizada, o que os participantes do evento fazem momento a momento, como os episódios vêm a ter a trajetória que têm.
Quanto às unidades formais abstratas do sistema de troca de turnos, Sacks, Schegloff & Jefferson (1974: 703) postulam uma alocação de turnos que envolve dois grupos de técnicas:
a) o próximo turno é alocado através da seleção do falante seguinte pelo falante corrente e;
b) o próximo turno é alocado através de uma auto-seleção.
Sacks, Schegloff & Jefferson (1974: 704) propõem ainda um conjunto bási- co de regras que governa e coordena a construção de turnos, a alocação de um próxi- mo turno para outro participante e a transferência desse turno, de modo a minimizar intervalos e sobreposições de fala. Assim,
1) Para qualquer turno, no primeiro lugar relevante para a transição de uma primeira unidade de construção de turno,
a) Se o turno foi construído até aqui envolvendo o uso de uma técnica do tipo “o falante corrente seleciona o seguinte”, então o partici- pante selecionado tem o direito e é obrigado a tomar o turno de fala seguinte; nenhum outro participante possui tais direitos ou obriga- ções, e a transferência ocorre naquele lugar.
b) Se o turno foi construído não envolvendo o uso de uma técnica do tipo “o falante corrente seleciona o seguinte”, então a auto-seleção para o próximo falante pode ser instituída, mas não necessaria- mente; quem inicia primeiro adquire o direito do turno, e a transfe- rência ocorre nesse lugar.
c) Se o turno foi construído não envolvendo o uso de uma técnica do tipo “o falante corrente seleciona o seguinte”, então o falante cor- rente pode – mas não precisa – continuar, a menos que outro falan- te se auto-selecione.
2) Se no primeiro lugar relevante para a transição de uma unidade de construção, nem 1a nem 1b operaram, e, seguindo a provisão de 1c, o falante corrente continuou, então o conjunto de regras a-c reaplica-se no próximo lugar relevante para a transição e, recursivamente, aplica- se a seguir, em cada lugar relevante para a transição, até a transferên- cia ser efetivada.
Observe-se que o sistema de troca de turnos, como visto por esses autores, é um fenômeno ordenado, que não requer referência a aspectos de situacionalidade, iden- tidades ou particularidades do contexto. Em instâncias locais de sua operação, esse aparato é sensível e exibe a sua sensibilidade a vários parâmetros da realidade social, em um contexto local (Sacks, Schegloff & Jefferson, 1974: 669). Assim, enquanto uma
descrição das ações sociais configuradas na fala-em-interação, essas unidades formais abstratas do sistema de troca de turnos devem dar conta tanto de fenômenos invariáveis quanto de fenômenos variáveis.
O caráter invariável das unidades do sistema de troca de turno pode ser visto como uma decorrência da compreensão de que os nossos modos de viver exibem um tipo de estabilidade na recursividade de nossas redes de conversações e de que, nos nossos modos de viver na linguagem, os falantes são responsivos ao que foi dito e mos- tram essa dimensão responsiva na sua fala.
Como apontei anteriormente, as unidades do sistema de troca de turnos não são vistas como um mapeamento conceitual da realidade: elas são ordens do domínio da organização social. São reconhecíveis, realizadas em termos de uma inteligibilidade entre sujeitos que atuam em uma reciprocidade de perspectivas e lançam mão do cará- ter ordenado das interações, para os propósitos nos quais estão engajados. A organiza- ção geral e formal da ação faz com que uma contribuição de um participante seja, de algum modo e de modo organizacional, uma resposta ao ato/turno que precede essa contribuição.
Como observam Sacks, Schegloff & Jefferson (1974: 669), o ordenamento dessas estruturas organizacionais, no entanto, inclui um amplo conjunto de opções, de modo que a organização da interação não confina os seres humanos em uma “prisão determinística”, no dizer de Schegloff (1988: 118). Ainda segundo esse modo de ver, o sistema de troca de turnos não é um quadro apriorístico que predispõe certas escolhas de interpretação: ele se constitui integrado ao quadro da ação culturalmente situada, emergindo nas ações sociais efetivas, em termos de sistemas de troca fala, de modo contingente a essas ações, para os propósitos dessas ações.
Avalio que a confluência entre a variabilidade daquilo que é emergente e con- tingente em ações efetivas e uma estabilização daquilo que é recursivo sugere, por um lado, o estudo de fenômenos emergentes, que até poderão vir a ser considerados – mas não necessariamente – como candidatos a possíveis unidades formais. Um estudo des- se tipo pode basear-se em uma análise de um caso. Coleções de análises de casos, por outro lado, podem constituir a base para investigações que dêem continuidade à propo- sição de outras unidades formais, ainda não descritas.
Sacks, Schegloff & Jefferson (1974: 700-701) tomaram a conversa como uma interação na qual uma organização está envolvida. Especificamente, eles tomaram essa atividade como uma forma básica do sistema de troca de turnos, indicando que em qual- quer conversa observam-se os seguintes fatos:
1) A mudança de falante recorre ou, no mínimo, ocorre. 2) Predominantemente, fala um participante de cada vez.
3) Ocorrências de mais de um falante a cada vez são comuns, mas breves.
4) Transições de um turno para outro, sem intervalos e sem sobreposições, são comuns. Juntamente com transições carac- terizadas por breves intervalos ou ligeiras sobreposições, elas per- fazem a grande maioria das transições.
5) A ordem do turno não é fixa, mas variável. 6) A extensão do turno não é fixa, mas variável.
7) A duração da conversa não é previamente especificada. 8) O que cada participante diz não é previamente especificado. 9) A distribuição relativa dos turnos não é previamente especificada. 10) A quantidade de participantes pode variar.
11) A fala pode ser contínua ou descontínua.
12) Técnicas de alocação de turno são obviamente usadas. Um falan- te corrente pode selecionar um falante seguinte (por exemplo, quan- do dirige uma pergunta a outro participante) ou os participantes podem se auto-selecionar para começarem uma fala.
13) Várias ‘unidades de construção de turno’ são empregadas; por exemplo, os turnos podem ser projetados de modo a terem a ex- tensão de uma palavra ou de uma sentença.
14) Mecanismos de reparação existem para se lidar com erros e viola- ções da tomada de turnos; por exemplo, se dois participantes en- contram-se falando ao mesmo tempo, um deles irá parar prema- turamente, reparando, assim, o problema.
O sistema de tomada de turnos instaura e torna observável a ordem da interação. Essa ordem é contextual, emergente, realizada pelos participantes no fluxo mesmo da interação. Ela não se realiza através de um acordo pré-estabelecido, mas a partir da coordenação de coordenação de ações dos participantes. A alternância de turnos caracteriza-se como uma atividade privilegiada dessa coordenação. Uma vez pro- duzido um primeiro turno, os demais participantes, de modo mais ou menos demons- trativo e encadeado, podem adotar posturas diversas. Um participante pode esperar o seu turno, pode posicionar-se para tomar o turno ou pode interagir sem tentar to- mar o turno. Os interlocutores analisam o turno para identificar os pontos potenciais de transição. Nessa análise eles se orientam para uma Unidade Construcional de Turno (Turn Construtional Unit - TCU). Essa Unidade não é pré-definida, é uma uni- dade êmica, orientada e construída pelos participantes a partir da seqüência da interação (Selting, 1998). Tais Unidades tornam-se observáveis para os participan- tes, manifestando-se na segmentação do turno, com continuadores e avaliadores, na localização das superposições, na tomada do turno como um complemento colaborativo (Mondada, 2000a).
Embora se aponte que a forma básica do sistema de troca de turnos seja a conversa, a troca de turnos, todavia, não é exclusiva dessa atividade. Ele ocorre em outras interações tais como cerimônias, debates, reuniões, entrevistas, entrevistas cole- tivas de imprensa, seminários, sessões de terapia, julgamentos. Esses outros sistemas de troca de fala movimentam uma gama de transformações do sistema de troca de tur- nos da conversa. Em cada uma dessas interações, podem ser observadas diferenças
na alocação ou organização da tomada de turnos, comparativamente à alocação que ocorre na conversa.
Na conversa, a alocação de um turno de cada vez é feita pelo uso de meios locais de alocação. No debate, essa alocação é previamente organizada com referên- cia, por exemplo, a posições “pró” e “contra”. A alocação local de turnos alarga o con- junto de falantes potenciais para cada turno seguinte. A pré-alocação de turnos restrin- ge o conjunto de falantes seguintes em potencial. Quanto maior o grau de pré-alocação dos turnos, maior tenderá a ser o tamanho dos turnos.
Constitutivamente, uma reunião conta com a presença de alguém para pre- sidi-la. Isto indica que nessa interação os turnos são parcialmente pré-alocados. Uma reunião caracteriza-se, pois, como uma interação intermediária entre a conversa e o debate. Quem preside uma reunião tem o direito de falar primeiro e de falar após cada falante. O presidente de uma reunião pode utilizar esse turno para alocar a próxima vez de falar. Mas também é possível a alocação de turnos que não tenham sido alocados mediante o uso dos turnos pré-alocados.
O conjunto teórico apresentado neste Capítulo orienta as análise que faço da fala-em-interação em uma reunião da Associação dos Moradores dos Tipis.
CAPÍTULO 4 – A METODOLOGIA COMO UMA INTERPRETAÇÃO DOCUMENTAL: