3.2. ÇALIŞMANIN SINIRLILIKLARI VE STRATEJİK YÖNETİM ALT
3.4.1. Turizm İşletmelerinde İç-Girişimcilik İklimi Oluşturma Çabası: Destekler
3.4.1.1. Turizm İşletmelerinde İç-Girişimcilik İklimini Destekleyen Unsurlar
“Que desejos podiam ser levados em conta ali?97
Mas, afinal, para esses militantes o que justificava a ação de seqüestro?
No Manifesto apresentado à Nação, os grupos justificam suas ações - seqüestro, assaltos a bancos, incursões contra os quartéis, a colocação de bombas em edifícios onde se praticavam a tortura e a execução de torturadores - como atos da guerra revolucionária em curso no país, com que objetivavam derrubar a ditadura e libertar os seus companheiros presos.
“O manifesto que seria lançado estava redigido. A ação pretendia globalizar todas aquelas ações armadas que tinham sido feitas. Tudo seria justificado e, dentro dos limites, apresentaríamos uma espécie de avant-prémiere da história contemporânea brasileira. O dinheiro e as armas que estavam sendo recolhidos destinavam-se à guerrilha rural que, em breve, eclodiria no Brasil.
Havia um parágrafo que sintetizava esta intenção:
- Grupos revolucionários detiveram hoje o Senhor Elbrick, conduzindo-o a algum lugar dentro do País, onde se encontra. Não se trata de uma ação isolada. É mais uma das inúmeras ações revolucionárias já realizadas: assaltos a bancos, em que se recolhem fundos para a revolução, recuperando o que os banqueiros tiram do povo e aos seus empregados; incursões contra quartéis e postos policiais, onde obtemos armas e munições para desenvolver a ação destinada à derrubada da ditadura; assaltos a cárceres, onde se encontram presos elementos revolucionários, a fim de libertá-los; colocação de bombas em edifícios que têm relação com a opressão; execução de carrascos e torturadores. Na realidade, o seqüestro do Embaixador é mais um ato da guerra
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revolucionária que cada dia avança e que começou, este ano, sua etapa de guerrilha rural.98
As duas exigências - dizia o texto - são: a) a libertação de 15 prisioneiros políticos que sofrem torturas nas celas de prisões em todo o País, que são golpeados, maltratados e suportam as humilhações que lhes impõem os militares. Não pedimos o impossível, não pedimos a volta à vida de inúmeros combatentes assassinados na prisão. Os que não forem libertados agora, é claro, serão reivindicados algum dia. b) a publicação e leitura desta mensagem completa nos principais jornais e estações de rádio e televisão do País.”99
O texto do manifesto à Nação é cuidadoso ao qualificar as ações da guerrilha. Apontamos o uso dos verbos deter em vez de aprisionar, reter; recolher fundos em vez de apropriar; obter armas em vez de confiscar, apossar.
Se assaltam, dirigem suas ações contra banqueiros e empresários, ou seja, contra aqueles que exploram o povo trabalhador. Se fazem incursões contra os quartéis e os cárceres, a justificativa é de que buscam obter de armas e munições para alimentar a guerrilha, que por sua vez, efetuará a derrubada do Regime Ditatorial, realizará a libertação de líderes revolucionários. Se fazem explodir edifícios é porque estes “têm relação com a opressão”.
Usam a lógica argumentativa para justificar as ações de violência, porque os fins eram considerados nobres: lutar contra a ditadura, a opressão, a exploração, a tortura, a humilhação.
O texto permite ainda inferir os valores subjacentes às ações do grupo político guerrilheiro: democracia, liberdade, dignidade humana, defesa da vida, e constatar os tipos de meios utilizados para se obter os fins almejados: assaltos, colocação de bombas em edifícios, execução de pessoas.
98 Ibidem. p. 113-114. 99
A guerrilha urbana precisa “dizer” à nação as razões de seus atos, daí a exigência de acesso aos meios de comunicação explícita no Manifesto.
Se por um lado, o texto no Manifesto, redigido no instante da luta revolucionária, explicita haver consciência de que, em situação de confronto aberto com a ditadura, a violência é meio legítimo de responder às necessidades políticas imediatas daquela conjuntura: derrubar o regime ditatorial e libertar companheiros presos, por outro lado, não encontramos nele elementos que nos dêem pistas de que os militantes tivessem consciência de que vivenciavam uma típica situação de dilema - fins nobres, universais como libertação e felicidade de todo o povo explorado versus a adoção da violência como meio.
Em outro momento do texto, quando o narrador reflete sobre o vivido, o conflito entre valores universais e necessidades daquela conjuntura específica estão assim registrados:
“De um ponto de vista de exigência, aquele seqüestro era uma coisa muito exclusiva. Queríamos a publicação de nosso manifesto, a libertação dos nossos presos, e deixávamos aos outros a alternativa de torcer pela nossa vitória. Que desejos poderiam ser levados em conta ali? Eu pediria a felicidade, mas um governo não pode dar felicidade. O máximo que poderia fazer era renunciar, retirando-se assim de cena e reconhecendo que era um grande obstáculo à felicidade. Pensávamos essas questões todas nos intervalos da guarda. Não eram questões completamente vazias. Nos outros seqüestros chegou a surgir pedido de passagem gratuita nos trens e, em muitos países, foi feita distribuição de remédios e alimento. Se bem que não era essa a idéia que tínhamos da felicidade.” 100
Gabeira, ao narrar sobre os desejos do grupo, é explícito em assinalar o conflito que vivia no momento do seqüestro, dividido entre o desejo universal de felicidade e o desejo de resolver as necessidades
100
imediatas próprias daquele contexto conjuntural - tornar públicas suas idéias e libertar os companheiros presos.
É interessante seu comentário “... não eram questões completamente vazias”, certamente, uma vez que estava diante de um dilema próprio à moralidade política do homem, ou seja, o conflito de valor vivenciado por ele “nos intervalos da guarda” está circunscrito no dilema configurado pela impossibilidade de realizar, ao mesmo tempo, as necessidades próprias daquela conjuntura e a vontade universal da felicidade. Assim, dividido entre a felicidade de todos e a felicidade dos poucos companheiros que seriam libertados, fica com a segunda opção, ou seja, a escolha possível.
À nação, ou ao povo, tidos como espectadores, deixavam “a alternativa de torcer” pela vitória dos guerrilheiros, estes sim considerados no texto como os verdadeiros sujeitos da história.
O seqüestro faz emergir as raízes do conflito moral naquele contexto de conjuntura autoritária.
O conflito entre meios legítimos, porque fundados em valores que se adequam aos fins propostos, e meios definidos apenas a partir da adequação dos instrumentos para obter o sucesso da ação. Esta tensão está na base do conflito moral entre as necessidades colocadas pela luta contra a ditadura e os princípios universais que alicerçam o telos da ação política dos militantes.
No processo de aprendizagem de valores mesclam-se, a um só tempo, elementos próprios da heteronomia e da autonomia. A concomitância deles fica evidenciada nas relações que esses atores políticos estabelecem entre si nessa situação específica de limite.