3.3. Araştırma Bulguları
3.3.6. Turistlerin Kişilik Tipinin Fiyat Algısı ve Alt Boyutlarına Etkisine
Dos dados apresentados sobre a instrução em Juiz de Fora, observamos o desenvolvimento do município em termos de oferta de estabelecimentos e também no que tange à matrícula e freqüência nas escolas públicas, em que pesem os problemas registrados pelos inspetores e professores. Um fato que chamou a atenção foi a organização do ensino municipal, com a publicação constante dos relatórios do Conselho Distrital, das datas e atas de exames, de propagandas e matérias sobre o ensino particular, expondo seus princípios e finalidades. Além disso, o registro de eventos escolares e os artigos sobre a instrução, permeavam as páginas dos jornais com um conteúdo de qualidade, e denotavam mais que posturas, diversas análises a respeito deste setor.
Das informações coletadas a respeito das escolas particulares, os registros no Jornal do Comércio, em 1897, apresentaram, respectivamente, nos dias 21 e 30 de novembro, notas sobre a Escola Italiana Regina Margherita. A primeira nota relata que esta escola,
comemorando o aniversário natalício de s.m. a rainha Margarida, realizou ontem um passeio de bonde, para o qual recebemos gentilíssimo convite, que agradecemos. Depois dos exames prestados pelos alunos da escola, dirigiram-se estes, com a respectiva diretora, d. Amelia (sic) Ongaro de Battista (sic), inspetor Joaquim Magrini e inspetora d. Maria Luiza Longhi, à fábrica de cerveja do sr. José Weiss, em quatro bondes especiais. A escola conta com 125 alunos e funciona há 4 anos. (JORNAL DO COMÉRCIO, 21 de nov. de 1897) (Grifo nosso)
Na edição de 30 de novembro, publicou uma nota de agradecimento da diretora (professora) da escola, em que diz:
Hoje que me acho restabelecida de uma pequena enfermidade, venho, por esta folha, manifestar os meus sinceros e verdadeiros agradecimentos ao ilmo. sr. Joaquim Magrini, inspetor, e à exma. sra. d. Maria Luiza Longhi, inspetora da escola “Regina Margherita”que, funcionando desde 1894, em ocasião do aniversário da rainha de Itália, (20 do corrente), quiseram alugar 4 bondes especiais, convidando os alunos a um passeio à fábrica de cerveja José Weiss, onde não deixaram os ditos inspetores de mimosear os alunos com doces, gasosa e alguns presentes. Por este ato magnânimo, em nome dos alunos, agradeço, ficando certo de que no meu coração conservar-se-á uma recordação eterna. (JORNAL DO COMÉRCIO, 30 de nov. 1897)
Outras informações102 nos permitem traçar um perfil desta escola, que entre os anos de 1894 e 1898 atendeu a mais de 100 alunos por ano, dos quais muitos eram nascidos na Itália. Seus alunos, de ambos os sexos, em 1895, tinham idades que variavam entre 3 e 26 anos. Em relação ao ensino, era dividida em classes, a saber: Classes IVª com 3 alunos, IIIª com 9, IIª com 12, Iª com 7 alunos; além de uma Iª repetente com 3, e uma Iª preparatória com 59 alunos com idades de 5 a 10 anos, sendo a maior parte com idade de 5 e 6; uma com denominação de Asilo Infantil com 27 alunos e uma escola noturna para o sexo masculino com 16.
Esta descrição nos oferece a dimensão da importância desta escola no contexto educacional das crianças filhas de imigrantes italianos103 em Juiz de Fora, pois além do ensino elementar, era dotada de aula noturna e um asilo infantil. A existência de demanda para uma escola dessa natureza, indicava que muitas mães italianas eram trabalhadoras.
Em relação à idade dos alunos, registra-se em 1895 um total de 24 alunos com idades de 3 e 4 anos; de 5 e 6 anos eram cerca de 50; com 7 e 8 anos 21 alunos. Os alunos com idade entre 9 e 12 anos somavam 29 e na faixa de 15 a 26 eram 12. A maior concentração de alunos estava na faixa de 5 e 6 anos, na classe Iª preparatória, e eram 45.
Embora não tenhamos informações sobre a prática de ensino, nem sobre o professorado desta escola (exceto sobre sua diretora e também professora d. Amália Ongaro de Battisti). Casarin observa que
pela quantidade de correspondência que mantinha com a autoridade italiana local solicitando ajuda financeira e de material didático para manter a escola, ela com certeza sofria com os mesmos problemas da escola Umberto I. (CASARIN, 2008)
Deste modo, podemos afirmar que a Escola Regina Margherita recebia material didático do governo italiano, como as escolas vinculadas a Associações Beneficentes104. Chamou-nos a atenção a organização da escola, o grande número de alunos atendidos por ela, e o fato de ter também um “asilo infantil”, que atendia crianças de 3 a 5 anos.
102
As informações complementares foram obtidas no Arquivo Heliane Casarin que se constitui em um Banco de Dados sobre a imigração italiana em Juiz de Fora e Zona da Mata Mineira, cujos dados foram coletados ao longo de mais de vinte anos de trabalho e pesquisas na área em acervos públicos e privados; a documentalista nos cedeu gentilmente as informações. (ARQUIVO Heliane Casarin - Banco de Dados sobre a imigração italiana em Juiz de Fora e Zona da Mata mineira)
103
Há registro nesta escola de pouquíssimas crianças brasileiras e algumas espanholas. 104
Esta relação com o governo aparece não só pelas correspondências, mas pela manifestação do vice-cônsul no jornal O Pharol a respeito do relatório de Estevão de Oliveira, como veremos a seguir.
Ao acompanhar a trajetória desta escola, observamos que, para o ano de 1898, ela não registrou alunos nem para a IVª classe nem para o curso noturno. A IIIª classe tinha 1 aluno, a IIª classe, 13, a Iª, 32, a Iª preparatória, 31, e o asilo infantil atendia a 37 alunos.
Já em 1901, a escola possuía um total de 64 alunos, sendo que o asilo infantil atendia a 11. Comparado às informações anteriores, observamos a redução de uma média de 50% no número de alunos.
Alguns apontamentos podem ser feitos a partir destas informações. O primeiro é que, como havia detectado Oliveira (1991), já em 1895, havia uma significativa presença de italianos em Juiz de Fora, antes mesmo do grande fluxo imigratório considerado para os anos de 1896- 1897.105 Tomamos por base o número de alunos atendidos pela Escola Regina Margherita e o fato de que em sua grande maioria, não eram somente filhos de imigrantes, mas eram nascidos na Itália.
O segundo é que, em 1895 e 1898, a grande maioria dos alunos se encontrava na faixa de 5-6 anos e a classe Iª preparatória concentrava, juntamente com o asilo infantil, a maior parte dos alunos. O terceiro, a organização da escola e a amplitude de seu atendimento, apresentando-se por classes, às quais certamente corresponderiam a determinados graus de ensino; a escola noturna (também dividida em classes) e o asilo infantil. Em que pese não possuirmos informações sobre as práticas, esse leque de atendimento, inclusive o específico à população infantil, demonstra talvez uma das primeiras experiências neste campo em termos de escolas particulares e para crianças filhas de imigrantes.
O quarto, que nos chamou a atenção foi a progressiva redução do número de alunos do final do século XIX para o início do XX, que passou de uma média de 100 alunos por ano para 62 alunos em 1900106 e 64 em 1901. E o quinto e último apontamento é que, embora fosse facultada ao Estado a fiscalização das escolas particulares, esta escola contava com seu inspetor e inspetora, respectivamente, Joaquim Magrini e d. Maria Luiza Longhi.
Vale ainda registrar que uma outra forma de escolarização das crianças filhas de imigrantes italianos se fez presente no município, apesar das escolas Regina Margherita e Umberto
105
Neste sentido ver MONTEIRO (1973) e OLIVEIRA (1991). 106
Primo terem se constituído em estabelecimentos escolares com características étnicas no distrito da cidade de Juiz de Fora. Essa outra forma de educar eram as aulas em fazendas, sobre as quais encontramos anúncios em jornais.107 Neste contexto, Casarin (2008) mais uma vez nos auxilia informando:
o italiano Cesare Lamberti, que em 1898 lecionava na escola da Fazenda Boa Vista no Retiro, uma das grandes produtoras de café da região de Juiz de Fora, numa correspondência ao Vice Cônsul na qual ele agradece os cadernos de caligrafia que ganhou do governo, diz que faz de tudo para “inculcar” nos pequenos italianos seus alunos, filhos de camponeses da Fazenda, o amor ao estudo da língua italiana. (CASARIN, 2008).
Este fato é revelador de que além das duas escolas italianas da cidade, as crianças filhas de imigrantes italianos e agricultores, localizados em fazendas, também tiveram acesso a uma “escola” italiana. Não encontramos mais informações sobre esta escola, mas isso indicou que os modos de instrução das crianças filhas de imigrantes em Juiz de Fora foram tão diversificados quanto a cidade.
E o que podemos perceber nestas três experiências é que havia o nítido objetivo de difundir a cultura e a língua italiana, preservando esses valores nas gerações de filhos de imigrantes, o que transparece, segundo Casarin nas correspondências trocadas com o vice-consulado. Como indica:
Observamos nas correspondências destes professores que eles deixavam claro para as autoridades italianas que mesmo apesar do descaso do governo quanto a falta de incentivos, eles tinham um grande amor pelo ensino e que não desistiam de levar adiante o objetivo de difundir a língua e a cultura italiana aos filhos dos italianos emigrados. (CASARIN, 2008) Neste sentido, Luchese (2008, p.2) nos informa que, nas experiências educacionais dos imigrantes italianos no Rio Grande do Sul, uma das formas de educação para as crianças nas áreas rurais, foi a criação de “aulas” com a contratação de professor para ensinar os conhecimentos elementares de leitura, escrita e cálculos. Outras características que apresenta a partir do depoimento de um imigrante, que eram escolhidas as pessoas mais aptas da comunidade para que ensinassem a leitura, a escrita e a fazer contas e, portanto, não eram professores formados.
107
Neste caso ver JORNAL DO COMÉRCIO, 27 de dez. de 1898, em que professores diplomados estrangeiros são indicados para os fazendeiros da região.
Ao compararmos com a escola da Fazenda Boa Vista em Juiz de Fora, podemos afirmar que esta se distingue do que foi descrito por Luchese, na medida em que receberam material didático, e, a atuação do professor demonstrou o nítido objetivo de “‘inculcar’ nos pequenos italianos seus alunos, filhos de camponeses da Fazenda, o amor ao estudo da língua italiana”, e não apenas a escrever, ler e contar, numa clara demonstração de preservar e difundir a cultura de sua terra natal, o que ressaltou a sua característica de étnica.
A 30 de maio de 1899, Amália Ongaro comunicou à colônia italiana de Juiz de Fora, em publicação no Jornal do Comércio, a transferência de sua escola, da rua Santa Rita para a rua Barbosa Lima n.17, no ex-Salão Apollo.(JORNAL DO COMÉRCIO, 30 de mai.1899).
Mesmo considerando que na fiscalização do ensino realizada pelo Estado, por meio dos inspetores de cada circunscrição deveria conter informações sobre o ensino particular, observamos que, por diversos motivos, poucos relatórios trazem essas informações.
O Relatório datado de março de 1896, do então inspetor ambulante da 4ª circunscrição, Theodoro Caetano da Silva Coelho, descreveu algumas das escolas de Juiz de Fora, em cumprimento ao § 17 do art. 175108 do Regulamento então vigente. A partir deste registro, trazemos a legislação em vigor nesta data, ou seja, o Decreto n.655 de 17 de out. de 1893, que estabelecia normas sobre a inspeção do ensino pelos inspetores ambulantes. O § 17 do art. 176109 rezava que inspetor deveria remeter mensalmente à Secretaria do Interior o relatório sobre as escolas inspecionadas.
108
Na verdade o § 17 é referente ao art. 176 do Regulamento. Acreditamos ter havido engano na referência do inspetor.
109
A discriminação que este artigo apresenta sobre as atribuições do inspetor incluía a visita às escolas públicas e particulares de sua circunscrição, de três em três meses. Em relação às escolas particulares, conforme o § 1º, estas deveriam ser examinadas apenas quanto à suas condições de moralidade e higiene e deveriam ser coletados dados estatísticos para compor o relatório; além disso, o § 3º previa também a visita a escolas particulares subvencionadas, a fim de verificar se os subsídios eram bem empregados. Além destes, o § 11º, estabelecia que o inspetor deveria enviar um quadro das escolas particulares, com nomes dos professores, diretores, número de alunos e matérias lecionadas. Descrevia ainda nos itens do § 1º que, em relação às visitas de inspeção deveriam ser examinados os seguintes tópicos: O procedimento dos professores e sua assiduidade, a observância do regulamento e do programa de ensino; a casa da escola e suas condições de higiene e capacidade para o número de alunos; a regularidade dos trabalhos, a disciplina, a ordem e os horários das lições; a escrituração escolar; a mobília e o material; os livros adotados, se eram aprovados, se havia falta deles para os meninos pobres e como estão sendo distribuídos; buscar informações sobre o recenseamento escolar e a freqüência das crianças; dentre outras demais atribuições, relativas às iniciativas em prol da instrução, provimento de cadeiras, exames de alunos, etc. (COLEÇÃO DAS LEIS MINEIRAS, 1893, p. 456-458)
As condições do tempo de chuvas continuadas, e “devido às interrupções nas estradas de ferro, ao péssimo estado dos caminhos e ao fato de grassarem febres de más caráter (sic) em diversas localidades da minha circunscrição” (RELATÓRIO de Inspeção do Ensino, 1896)110 só permitiram ao inspetor efetuar uma viagem de inspeção, como informou em seu relato.
Nesta inspeção visitou as escolas de São Pedro de Alcântara (M=56; F= 40)111, São Francisco de Paula (M= 33; F=20), Livramento do Sarandy (M= 15; F=15), e participou dos exames da Escola Normal de Juiz de Fora, entre os meses de janeiro, fevereiro e março. Sobre as escolas se limitou a descrevê-las achando satisfatório o aproveitamento dos alunos. Apontou a falta de condições dos prédios, e a necessidade de mobiliário e material escolar que foram os aspectos merecedores da recomendação do inspetor à Secretaria do Interior. Como terminou seu relatório:
Ao terminar esse insignificante trabalho, devo dizer a V. Excia. que são medidas urgentes e conseguintemente merecedoras da preciosa atenção de V. Excia: a aquisição de mobília e material escolar para as diversas escolas primárias , na sua quase totalidade desprovidas dela; (...) e finalmente a remessa de compêndios adotados para que seja bem orientado o ensino dado nas escolas. (RELATÓRIO de Inspeção, 1896).
Embora não caracterize os alunos nem discorra mais formalmente sobre os métodos de ensino e sobre os professores, este relatório já anotava a falta de condições materiais das escolas de Juiz de Fora.
Abrimos em nossa pesquisa a possibilidade de abordar outras nacionalidades além da italiana. Neste contexto, a educação voltada para as crianças filhas de imigrantes alemães se destacou nas fontes, e como observamos, fez parte de um processo importante na cidade. Assim sendo, identificamos nos relatórios de inspeção alguns aspectos relativos a essas crianças e com os quais trabalhamos. Salientamos que essas crianças eram descendentes de alemães e freqüentavam a escola pública.
Quando falamos em cenário republicano, educação e escolas, uma referência que se construiu, inevitavelmente, na trajetória de nossa pesquisa foi a do inspetor Estevão de Oliveira112. Já
110
APM, SI -680 111
M – matriculados, F- freqüentes (dia da inspeção). 112
Sobre Estevão de Oliveira: Segundo Christo (1994, p.109-111) Estevão de Oliveira nasceu em Piraí, Rio de Janeiro em 1853 e era filho de dois professores. Iniciou seus estudos primários aos 16 anos, em condições de extrema dificuldade, e quando terminou, já ensinava as primeiras letras. De 1877 a 1878, freqüentou em Volta Grande, município de Além Paraíba (MG), o Colégio de Luís do Lago, onde estudou francês e latim no curso
havendo atuado como inspetor do distrito de imigração, seu trabalho como inspetor escolar, como homem público, as matérias que veiculou nos jornais da cidade e as polêmicas que gerou, não passariam, por certo, despercebidas, dada a sua influência na instrução pública mineira e nas reformas educacionais e a sua atuação em Juiz de Fora.
Como inspetor escolar no interior mineiro, encontramos seus relatos sobre as escolas de Juiz de Fora. Para o ano de 1899, Estevão de Oliveira visitou as escolas públicas e fez importantes anotações sobre as crianças, a instrução, os métodos de ensino, o trabalho pedagógico, observando e apontando, enfim, todo um conjunto de equipamentos necessários ao desenvolvimento da instrução. O que nos chamou a atenção em seus relatos e nas matérias de jornais, foi a expressão de sua opinião e, principalmente, as diretrizes de seu pensamento relativas à instrução pública, muitas das quais foram transformadas em artigos e estudos com proposições de atuação para o governo mineiro.
Em seu Relatório de Inspeção do Ensino datado de 14 de novembro de 1899, expôs detalhadamente sua visita às escolas em Juiz de Fora, à época na 3ª circunscrição literária. Suas observações e apontamentos discorreram sobre a freqüência, o espaço físico, as condições de ventilação e higiene, mobília, utensílios escolares e estado da escola. Neste último item, o inspetor avaliava a prática da professora e a condição do aluno em termos de aproveitamento, sendo os mesmos argüidos pelo inspetor. Ou seja, cumpria com riqueza de detalhes o que a lei preceituava e seus relatórios constituem hoje uma importante fonte de pesquisa.
Foram descritas as visitas a oito cadeiras de instrução pública estadual e destas, em cinco, o inspetor destacou a presença de alunos de origem teutônica, a saber, na 2ª cadeira urbana regida pela professora Maria Kneipp; na cadeira urbana do sexo feminino regida pela professora Cecília Guimarães; na cadeira urbana mista da professora Joanna Goulart (Alto dos preparatório, trabalhando como professor de classe primária. Em 1884 foi aprovado em concurso público para uma cadeira de instrução primária em Campo Limpo, onde fundou o jornal O Povo, onde por cinco anos expressou e defendeu os ideais republicanos e abolicionistas. Foi perseguido e obrigado a abandonar seu cargo, transferindo-se para Cataguazes, onde, também perseguido, foi preso e solto pouco depois, graças à pressão popular. Proclamada a República, fundou o jornal O Popular, e participou da dissidência republicana contrária à
política de conciliação com os monarquistas levada a efeito pelo governo Cesário Alvim em Minas Gerais.
Convidado por Francisco Lobo, republicano histórico, mudou-se para Juiz de Fora, e fundou o Correio de
Minas, onde deu voz a suas idéias e ideais, tratando de questões regionais e nacionais. Era considerado um tratadista, e foi candidato ao Congresso Mineiro pelo PRM, em fins do século XIX. Participou de governos
posteriores ao de Cesário Alvim, como fiscal da imigração, reformador do ensino, inspetor regional, fiscal geral dos exames parcelados do Estado e mestre. Neste sentido, ver ainda GONÇALVES (2006).
Passos); na cadeira urbana mista de Villagem, regida pela professora Rita de Cássia de Souza Lima; e na cadeira (urbana ou rural) mista da ex-colônia Pedro II, regida pela professora Cândida de Freias Meirelles. O inspetor se referiu à presença de descendentes de alemães nestas escolas e em duas abordou questões relacionadas à religião destes.
Da descrição dos prédios, raros são os que apresentavam boas condições, e recebia a crítica do inspetor o fato dos professores arcarem com o aluguel destes. Sobre os livros didáticos, sua crítica recaiu sobre a “promiscuidade de compêndios utilizados” e a imprestabilidade destes, atribuindo a este fator “todas as perturbações na organização escolar”; afirmou a necessidade de seu fornecimento pelo governo, para que se pudesse instituir um mínimo de organização aos procedimentos pedagógicos. É interessante notar como essa idéia aparece explícita em vários trechos do relatório, evidenciando a clareza de seu pensamento sobre a necessidade da reorganização do ensino. Para ele, o fornecimento pelo governo dos livros adotados,
Além de não permitir a promiscuidade de livros didáticos que os professores organizem suas classes a fim de, no menor tempo possível, distribuírem uniforme e eqüitativamente o ensino primário entre os seus alunos, ocorre ainda que não se pode, em tais escolas, organizar um curso graduado de leitura, que sirva ao mesmo tempo de integrar o ensino elementar. (RELATÓRIO de Inspeção do Ensino, 1899).
Ainda sobre a organização do ensino, a partir de material didático coordenado, destacamos outro trecho do documento.
Sobre os gravíssimos inconvenientes da multiplicidade de autores em estabelecimentos de ensino, mormente o primário, não mais devo insistir, tanto me tenho ocupado do assunto em outros relatórios. Entendo, somente, que para esta escola, como para as demais desta cidade, urge a remessa de livros, mas coordenados e adaptáveis à graduação uniforme do ensino à constituição de turmas de alunos e à distribuição profícua das disciplinas. Sem a aplicação destes preceitos rudimentares, de fácil instituição aliás, não há ensino primário possível. (RELATÓRIO de Inspeção do Ensino, 1899).
Esclareceu, assim, a sua concepção da articulação da organização uniforme do ensino e do material didático. Aliás, estes dois preceitos se constituiriam a base da realização de experiências futuras deste inspetor em Juiz de Fora para demonstrar a eficiência de tais procedimentos.
Outro aspecto do relatório que merece ser destacado são suas observações acerca dos exames