4. TUR OPERATÖRLERİ VE OTELLER ARASINDAKİ İLİŞKİLER
4.1. Otellerin Tur Operatörü İle İlişkisi
4.1.4. Otelin Karşılayıcı ( İncoming ) Acenteyi Ziyareti
estudos já atenta para isso, ao observar a relação entre diferentes lógicas organizacionais e a forma como movimentos usam tecnologias digitais (MAIA, 2014). Pensando em modelos democráticos, alguns estudos relacionam de forma mais sistematizada características contextuais, políticas e organizacionais com as escolhas e práticas comunicacionais (MOSCA; DELLA PORTA 2009; DELLA PORTA, 2009a; HINTZ; MILAN, 2009; FUSTER MORELL, 2011; MILAN, 2013). Esses estudos partem da ideia de que grupos e movimentos sociais, tradicionalmente de crítica às práticas usuais de democracia representativa, moldam escolhas e práticas geralmente alternativas, inclusive práticas comunicacionais (DELLA PORTA, 2009, 2011).
Seria exatamente a partir desse contexto interno e externo de democracia que movimentos sociais reafirmam a legitimidade de formas alternativas de representação (DELLA PORTA, 2009, p. 5). Uma abordagem que trabalha com as características mais amplas e estruturais dos movimentos sociais e pode ser útil para entender o processo discursivo dos movimentos sociais é a concepção de culturas dos movimentos, sugestão teórica e metodológica que apresento a seguir.
2.3 PARA PENSAR EM TERMOS DE “CULTURAS”, INCLUSIVE
COMUNICACIONAIS
Pensar os movimentos sociais em termos de culturas significa não reforçar uma visão instrumental das características dos movimentos sociais. Uma parte considerável dos estudos sobre os movimentos sociais atenta para as características desses em uma dimensão utilitarista, ressaltando uma ideia bastante restrita de estratégia (DELLA PORTA, 2009a). Neste trabalho, compartilho a visão de Anastasia Kavada (2013), para quem as experiências de movimentos sociais na internet são apenas uma parte de um conjunto amplo e plural de escolhas, conceitos e práticas que formam os movimentos – em outras palavras, das diversas culturas que os compõem. Culturas essas que são resultado de interações internas e externas ao movimento.
A partir desse pensamento, escolhas, conceitos e práticas relativas à internet compõe uma cultura em si. Essa cultura, que aqui denomino de cultura de comunicação online se liga – e é formada apenas em relação – a escolhas, conceitos e práticas de outras naturezas. Em resumo, liga-se a outras culturas. A cultura mais imediatamente relacionada é a cultura de comunicação em um sentido mais amplo, composta pelas diversas práticas midiáticas nas diversas mídias e outras formas de comunicação (KAVADA, 2013, p. 77). Os modelos das dinâmicas comunicacionais viriam de diferentes fontes, como os entendimentos que guiam suas estratégias, sua organização e seus processos de tomadas de decisão (2013, p. 80). Assim, a autora elenca três outras culturas,
igualmente importantes: cultura de estratégia, cultura de organização e cultura de tomada de
decisão. A seguir, trago breves definições, como apontados por Kavada (2013, p. 79-85).
Em linhas gerais, a cultura de estratégia seria aquela ligada aos pensamentos que guiam os movimentos sociais para a transformação social. Algumas perguntam ajudam a caracterizá-la: A visão de transformação social significa a transformação individual e o comportamento dos membros ou significa buscar a mudança da sociedade como um todo? A prioridade seriam políticas prefigurativas, levando valores do movimento para a sociedade, ou mais estratégicas, apoiando-se em leis e estruturas políticas? O movimento se pauta no público interno ou externo? Preocupa-se em mobilizar poucas pessoas ou amplo número de membros?
A cultura de organização já se refere às preferências dos movimentos sociais por métodos e estruturas específicas de organização. São características como grau de formalidade, centralização, hierarquia, profissionalização de habilidades e recursos, e a direção escolhida para liderança e linhas de controle – se de cima para baixo ou se da base para cima. A cultura de tomada de decisão é formada por elementos como grau de participação, se alto ou baixo, e pelos princípios democráticos que regem os processos decisórios dentro do movimento, se majoritários ou participativos. A autora ressalta que os elementos de tomada de decisão podem serem relacionados à organização, mas merecem destaque porque são fortemente ligados às ideias de democracia e participação cívica (2013, p. 80).
Claro que os elementos descritos acima funcionam como guia. Muitos não são facilmente categorizados em duas ou três opções. Um exemplo é o grau de participação, sobre o qual estudos já apontam que não se trata de uma simples dicotomia, mas de um sistema com alguns subelementos – como formas e níveis de participação, descentralização e a assincronismo da participação, e implementação das decisões tomadas (FUSTER MORELL, 2011, p. 229). Para evitar estudos simplesmente descritivos, Kavada (2013, p. 83-85) propõe uma forma de operacionalizar análises comparativas. Com base nos elementos categorizados, a autora propõe uma classificação das culturas entre horizontais e verticais. Organizações e grupos com culturas mais horizontais tenderiam a priorizar, por exemplo, a transformação de seus membros, pautando-se no público interno e na transformação de valores. Seriam também mais informais, descentralizados, priorizando o voluntariado e a liderança compartilhada. Os processos de participação teriam alto grau de participação e priorização dos princípios democráticos. Do outro lado, as culturas mais verticais buscariam políticas estratégias, visariam mais a mudança da sociedade como um todo e buscariam uma mobilização mais quantitativa. Na organização, caracterizar-se-iam pela formalidade, centralidade, hierarquia, profissionalização e liderança centralizada, além de terem baixo nível de participação e darem preferência a processos de decisão majoritários.
análises, com a ressalva de que trabalha com tipos ideais, claro. No entanto, também é uma tentativa de (1) reconhecer nos estudos a pluralidade dos movimentos sociais e (2) entender essas diferenças também em termos democráticos. Afinal, a pluralidade dos movimentos sociais contemporâneos reflete a variedade de concepções de democracia que eles expressam, o que é causa e resultado de diferentes tradições organizacionais e ideológicas trazidas por cada movimento social (DELLA PORTA, 2009b, p. 3, 232).
As culturas e características explicadas acima moldam a cultura de comunicação online. E como culturas em geral dizem da interação dos movimentos com públicos internos e externos, a comunicação analisada também tem que ser interna e externa, além de compreender as formas mediadas e não mediadas (KAVADA, 2013, p. 81). A cultura de comunicação online se insere então na cultura de comunicação mais ampla, desenvolvida, nas condições de organização, estratégia e tomadas de decisão. Além, claro, de estar ligada à mídia utilizada e ao espaço onde a interação acontece (2013, p. 83). Se a comunicação desenvolvida na internet é diferente daquela face a face ou mediada por rádio ou televisão, também diferem entre si as interações que acontecem em diferentes plataformas online. Com isso em mente, Kavada parte de Atton (2002) e aponta oito dimensões da cultura de comunicação mais ampla que podem ser usados para pensar a cultura de comunicação online: (1) conteúdo; (2) forma; (3) fins e funções da comunicação; (4) infraestrutura comunicacional; (5) produção de conteúdo; (6) processo de produção, distribuição e endereçamento público ou fala em encontros; (7) fluxos de comunicação e; (8) relações, papéis e responsabilidades sociais.
Com base nessa categorização e no modelo comparativo de culturas, Kavada observou como as culturas de grupos e ativistas envolvidos no Fórum Social Europeu de 2004 se traduziam nas ferramentas online escolhidas. Em linhas gerais, em culturas mais verticais, a internet era utilizada para circulação de informação visando ampla audiência. Seguindo um modelo tradicional de comunicação, essa circulação era feita a partir de um centro e os líderes eram os que forneciam informação para grande público. Não havia preocupação com interação ou troca de informação. Do outro lado, culturas mais horizontais, orientadas por princípios democráticos, atentavam mais para as possibilidades interativas da internet e aquelas que facilitariam o envolvimento dos membros em processos decisórios (KAVADA, 2013, p. 91). Cenário convergente é apontado por outros estudos. Mosca e della Porta (2009, p. 214) mostram que grupos mais formais e hierárquicos tendem a um uso mais tradicional e instrumental da internet, enquanto grupos menos formalizados atentam mais para as possibilidades interativas e de mobilização. Esses autores fazem ainda uma ressalva, que é importante adicionar à proposta de Kavada: se as escolhas e as concepções democráticas são importantes para moldar os modelos de comunicação na internet, a tradição de cada movimento também o é (MOSCA; DELLA PORTA, 2009, p. 214). A seguir um exemplo de como o histórico (aqui
comunicacional) de um movimento pode ajudar a compreender melhor suas culturas.