4. TUR OPERATÖRLERİ VE OTELLER ARASINDAKİ İLİŞKİLER
4.10. Müşteri Listesi Gönderme Süresi
As primeiras experiências associativas dos movimentos negros surgiram em torno da imprensa negra ainda no final do século XIX. Ao logo de mais de um século, a maioria foi extinta e outras surgiram com modelos e perspectivas diversos (DOMINGUES, 2007; OLIVEIRA, 2012, 2015). Na década de 1970, os MSNs sofriam repressão da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985) e isso impactava nas tentativas de organização. O golpe militar desarticulou as forças desses movimentos e seus militantes passaram a ser “estigmatizados e acusados pelos militares de criar um problema que supostamente não existia, o racismo no Brasil” (DOMINGUES, 2007, p. 111). No entanto, mesmo nesse período, pequenos grupos se reuniam em várias cidades para discutir a cultura negra e o contexto político. Do ponto de vista organizacional, a informalidade era forte característica dos movimentos negros, em sua grande parte, com caráter cultural (CUNHA JÚNIOR, 2003). Pode-se dizer que essas experiências, embora não pudessem se organizar em uma luta política mais aberta ou formar entidades, funcionavam como espaços de formação de novas identidades e solidariedades comunicativas capazes de tematizar novas questões e agregar novos atores (AVRITZER, 2000b, p. 68).
Ao longo da década de 1970, com a ascensão dos movimentos populares, sindical e estudantil, os MSNs começaram a se reorganizar politicamente. Algumas experiências associativas ganharam destaque ao buscarem uma mobilização quantitativa. Essas tentavam atingir a população e realizar um movimento negro popular. O Ilê Aiyê, criado em 1974, em Salvador, é exemplo de experiências que objetivavam conscientizar as pessoas negras e fortalecer uma ação política e cultural voltada para a temática afro-brasileira (CUNHA, 2000). Em sua maioria, essas organizações também tinham como visão de transformação social a transformação dos próprios membros. O movimento buscou fortalecer a consciência dos sujeitos enquanto negros e lutar contra maus-tratos e violações, reivindicando dignidade e orgulho raciais. Como resultado, surgiram blocos afros, depois grupos de rap e bailes funk. Como outro resultado, pesquisadores apontam o aumento do número de brasileiros que se identificam como negros (GUIMARÃES, 2002).
Já próximo à década de 1980, quando a sociedade civil brasileira se articulava em um ambiente nacional democrático favorável, os movimentos negros intensificaram estratégias de
transformação de valores mais amplos da sociedade. O Programa de Ação do Movimento Negro
Unificado (MNU), a mais importante organização do movimento criada em 1979, defendia: a classificação bipolar da população entre brancos e negros, esses abrangendo todos os pretos e pardos; o reforço da promoção de uma identidade étnica, a partir do discurso da negritude e do resgate das suas raízes ancestrais; e a desmistificação da democracia racial brasileira. O combate
a esse mito era importante porque ele era visto como grande responsável pela dificuldade da sociedade brasileira em reconhecer e discutir o racismo, tornando essa questão não simplesmente um tabu, mas um exemplo de controle ideológico da esfera pública (MARTINS, 2005, p. 185).
Ainda no tocante ao tipo de política, os MSNs também lutavam por aquelas políticas
mais “estratégicas”, mais ligadas a leis e políticas públicas. Como defende Weldon (2011), a força
dos movimentos sociais está justamente na ampla variedade de ferramentas e táticas políticas utilizadas para melhorar a representação de grupos marginalizados. São estratégias que podem estar ligadas à estrutura do Estado, às políticas institucionais e a outros atores como grupos de interesse e partidos políticos (2011, p. 12). Por isso, a transformação dos movimentos negros em movimento de massa e a formação de uma rede de alianças contra o racismo a partir da década de 1970 não podem ser pensados sem a relação entre movimento e representantes políticos formais.
A partir do cenário de configuração do estado liberal democrático, parte das organizações dos movimentos negros, mesmo com resistências internas, passaram suas ações da denúncia para o uso de mecanismos jurídicos e políticos (SILVÉRIO, 2009). As primeiras mudanças aconteceram ainda na década de 1980, quando das primeiras articulações entre movimentos negros e organizações políticas de esquerda, como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o Partido dos Trabalhadores (PT). Atores dos MSNs passaram a ocupar espaços institucionais, participando fortemente da transformação de demandas em políticas públicas (GOMES, 2009). Isso diz muito de uma característica política brasileira: a forte relação entre representantes não eleitorais e governos. Como a participação no País é canalizada para dentro do sistema de decisão política, atores da sociedade civil adentram o sistema e participam diretamente da formulação de políticas públicas, ultrapassando o exercício de uma influência informal (ALMEIDA, 2014, p. 176).
Especificamente no Poder Executivo, a primeira experiência foi em 1984 no governo paulista de Franco Montoro (1983-1987), que criou o Conselho de Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra. Em seguida, órgãos semelhantes, ligados principalmente à área cultural, surgiram em outros estados e municípios. No âmbito do Executivo Federal, políticas e órgãos voltados à temática começaram a ser criados na gestão de José Sarney (1985-1990) e foram ampliados e diversificados nos mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-1998 e 1999-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2006 e 2007-2010). Trajetória essa marcada pela pressão e pela participação de setores dos movimentos negros. Alguns órgãos e programas foram criados nesse processo chamado por Santos (2009) de “institucionalização dos movimentos negros”. São exemplos a Fundação Cultural Palmares (FCP), a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial (SEPPIR)12 e os Programas Nacionais de Direitos Humanos. Ao longo desse período, políticas e programas passaram de um caráter eminentemente cultural e valorativo para um perfil compensatório. Nesse processo, destacam-se ações afirmativas para negros nos campos da educação, saúde e emprego e renda, além da criação do Estatuto da Igualdade Racial (Lei nº 12.288) em 2010, do julgamento da constitucionalidade das cotas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e a criação e implementação da Lei de Cotas (Lei nº 12.711) em 2012, que instituiu cotas nas instituições federais de ensino.