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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA

4.7. Toprak Nem Değerlerindeki Değişim

Conforme apontado por Rousseau e Couture (1998, p. 15),

[...] um dos aspectos mais surpreendentes e mais lamentáveis desta era da informação é que a mais antiga forma de informação registrada – essa informação única e eminentemente pertinente para a comunidade internacional e para qualquer povo que constitua os arquivos das suas instituições – é sempre a menos conhecida e a menos compreendida e, por conseqüência, o menos utilizado de todos os recursos informativos.

Nesse sentido, apesar da existência de uma legislação municipal em Ribeirão Preto que atende a uma concepção de arquivo que relaciona comunidade- administração-arquivo, desde a data da fundação do Arquivo Público e Histórico, em 1992, até o presente momento, não houve por parte do poder executivo municipal uma efetiva compreensão e investimento para a consecução de uma política pública de gestão de documentos.

Conforme apontado por Camargo e Machado (1989, p. 4), é preciso vislumbrar a estreita correspondência “[...] entre a demanda social de serviços e as instituições do poder público criadas para satisfazê-la.”; ainda segundo as autoras, a gestão dos negócios públicos envolve sempre um processo de criação, circulação e acumulação de documentos, neste sentido os arquivos configuram-se como um produto necessário para o funcionamento das instituições, como instrumento administrativo e como testemunho das atividades, ou seja, “[...] os conjuntos documentais resultantes do exercício do poder público municipal, [...], refletem de modo ímpar não só as áreas de atuação do governo, mas também a própria demanda social de serviços.” (CAMARGO; MACHADO, 1989, p. 4).

Em Ribeirão Preto, o Arquivo constituído legalmente difere daquele que está formalmente constituído; uma deformação na compreensão quanto à abrangência

das atividades e competências do Arquivo como suporte e testemunho das práticas administrativas, resultou num profundo distanciamento entre as fases ativas e inativas de documentos públicos municipais, resultou que o Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto teve a sua atuação restringida ao recolhimento não sistemático daqueles documentos que cumpriram os prazos de vigência administrativa, ou conforme Camargo e Machado (1989, p. 7), “[...] dos documentos que passam a assumir o caráter de corpos estranhos e indesejáveis [...]”. Assim, cumpridos os prazos administrativos, os documentos são eliminados ou enviados para o Arquivo Público e Histórico quando evidenciado algum valor histórico. Salientando, todavia, que a compreensão quanto à importância histórica dos documentos está restrita à denotação de documentos cronologicamente mais antigos, ou seja, há uma compreensão ou um relativo consenso daqueles que lidam com a documentação pública municipal de que são documentos históricos aqueles documentos produzidos anteriormente à década de 1930 ou 1940.

Assim, dessa realidade resultam as perdas, tanto do caráter instrumental do Arquivo de Ribeirão Preto para uma gestão racional dos documentos públicos municipais, como provoca uma fragmentação deliberada da documentação, que compromete a recuperação das raízes históricas da comunidade, conforme apontado por Camargo e Machado (1989, p. 8); ainda no caso específico de Ribeirão Preto, as fontes documentais para o conhecimento histórico, principalmente do período posterior às décadas de 1950 e 1960, encontram-se seriamente comprometidas.

As sucessivas reformas administrativas, efetivadas através das leis 214/1993 e 826/1999, que amputaram de forma drástica a estrutura administrativa e técnica do Arquivo de Ribeirão Preto, provocaram um enfraquecimento da sua estrutura

institucional e operacional, e ainda, aliadas a uma carência de recursos humanos, materiais e técnicos, desencadearam o aprofundamento das dificuldades para o estabelecimento de uma política municipal de documentos. Essa realidade acaba por redundar em sérios problemas no que se refere à integridade física e tratamento técnico do acervo já recolhido junto ao Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, como também em problemas quanto ao tratamento técnico daqueles documentos que são produzidos quotidianamente nos vários setores da administração direta e indireta da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto.

Diante dos inúmeros entraves e da desestruturação do sistema municipal de arquivos, previsto na lei de criação do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, promovida pelas autoridades políticas da cidade em diversos mandatos, a política de acervo promovida pelo Arquivo se restringiu ao desenvolvimento de uma série de projetos passíveis de serem realizados a partir de decisões e empreendimentos restritos à esfera de decisão da Secretaria Municipal da Cultura; estes projetos visaram ao recolhimento do maior número possível de documentos de origem pública e privada, à promoção de ações que objetivaram o tratamento técnico, à disponibilização do acervo através de instrumentos de pesquisa e à divulgação deste acervo, através da montagem de exposições itinerantes temáticas com reprodução de documentos.

Mesmo que em detrimento do papel primordial do Arquivo, conforme definição do “Manual de Procedimentos para Tratamento Documental” do Arquivo do Estado de São Paulo (1998, p. 10-11), como instrumento de “[...] acesso às informações contidas nos documentos públicos – inscrito como direito fundamental nas constituições democráticas [...]”; ou seja, instrumento que garante transparência nas relações entre a sociedade e o Estado, uma vez que disponibiliza à sociedade civil

informações para a consecução de pesquisa ou para comprovação de direitos; a política de acervo adotada pelo Arquivo de Ribeirão Preto contribuiu para a consolidação da instituição como a principal referência para a produção de trabalhos acadêmicos sobre a cidade, nas mais diversas áreas como História, Economia, Arquitetura, Direito, entre outras; para pesquisas escolares e para as empresas de comunicação que recorrem ao Arquivo para a realização de reportagens e matérias sobre a cidade.

A política de acervo desenvolvida pelo Arquivo se caracterizou então por: 1) uma postura ativa direcionada para o recolhimento dos documentos de origem pública e de origem privada que apresentassem ameaça de perda, o que vale dizer, aqueles documentos que corriam risco eminente quanto a sua integridade física, resultando que entre os anos de 1992 e 1999, foram recolhidos junto ao Arquivo 80% dos documentos que compõem hoje o seu acervo; e 2) o desenvolvimento de ações direcionadas para a organização e processamento técnico do acervo com o objetivo de disponibilizá-lo para a pesquisa; quanto à conservação de documentos, não há uma política definida, o que significa um descaso, até o momento, pela conservação como um dos objetivos da política pública de arquivo.

Benzer Belgeler