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3. TOPRAK HAZIRLAMA

3.3 Toprak İşleme Toprak işlemeden beklenen faydalar

Segundo Fisch354, o período pré-Monist corresponde às maiores contribuições de Peirce

para a ciência, incluindo trabalhos em astronomia, geodésia, psicologia, metrologia até matemática e lógica matemática. Do ponto de vista da lógica e matemática, seus maiores desenvolvimentos dessa época constituem a lógica das relações, as tabelas de verdade, os índices, a questão da quantificação, a reformulação das categorias e seu trabalho sobre Cantor e Dedekind, a respeito de números transfinitos.

Embora o termo realista não apareça explicitamente nos textos dessa fase, seus efeitos vão aparecendo à medida que analisamos os trabalhos deste período, que explicitam o amadurecimento de sua filosofia. Este período pode ser visto como uma conseqüência da junção da teoria idealística da cognição como a teoria da realidade e aponta para uma aproximação ao seu realismo maduro nas concepções de acaso, continuidade, evolução...

Durante o início dos anos 70, Peirce esteve engajado em constantes discussões no

Metaphysical Club, em Cambridge. Estava também trabalhando num tratado, “The Logic of

1873” (CP 7.313-326), que nunca foi publicado e do qual alguns trechos serão comentados, evidenciando o desenvolvimento do pensamento peirceano nesta época. O pragmatismo aparece de forma mais elaborada do que nos textos da fase anterior, sendo nítida a insistência

353 CP 8.18 de 1871. Traduzido em C.S.Peirce (1990), Semiótica, São Paulo: Ed. Perspectiva, p.323 Vale observar que N. Houser (1992),

“Introduction” in The Essential Peirce. Ed. by Nathan Houser and Christian Kloesel, Bloomington: Indiana University Press. vol. 1, pp. 106-108) inclui entre os textos da série da cognição "Sobre uma Nova Classe de Observações, Sugeridas pelos Princípios da Lógica" (MS1104) de 1877. Neste ensaio, Peirce se opõe à tradição dos empiristas ingleses de que há sensações originais sem quaisquer relações gerais entre elas. “Sobre uma Nova Classe....” é muito pequeno, tem apenas três páginas, mas nele Peirce tece algumas considerações sobre a divisão entre as duas classes de representações mentais: Representações Imediatas ou Sensações, completamente determinadas ou objetos individuais do pensamento e Representações Mediatas ou Concepções, que são parcialmente indeterminadas ou objetos gerais. Segundo Peirce, Scotus após criticar todas as tentativas de responder esta questão, desenvolve a teoria de que a distinção é peculiar sem qualquer caráter geral, já Ocam nega quaisquer objetos gerais do pensamento, o que implica que nenhum objeto do pensamento tem semelhanças, diferenças ao relações de qualquer tipo. Peirce apresenta uma discussão sobre as sensações, se opondo à existência de sensações originárias sem quaisquer relações gerais entre elas, embora observando que muitas vezes não é possível estabelecer completamente as diferenças entre elas. Sensações diferentes se parecem umas com as outras, diferentes sensações também diferem em intensidade, mas há outra diferença entre elas, irreconciliável com seu caráter individual, há um incerteza quanto ao seu julgamento, um provável erro. Mas este erro provável na verdade determina a relação entre duas sensações. Este é um ponto importante para a visão peirceana de ciência da observação, já que, de acordo com sua classificação das ciências até a matemática é um ciência da observação: “Nas leis destas relações de intensidade entre diferentes sensações há uma imensa pesquisa, um ramo da ciência. Existem não somente relações entre sensações mas elas são o ponto de partida mais tangível e natural. "(Peirce, MS1104)

de Peirce quanto à concepção de realidade como a opinião objetiva final independente do pensamento de qualquer homem em particular, mas não independente do pensamento em geral (CP 7.336 de 1873). Peirce também apresenta uma nova abordagem para a justificativa dos métodos de investigação e regras de inferência, na qual o método da ciência355 é

comparado a outros métodos de fixação das crenças e discute a distinção entre observação e raciocínio, este último caracterizado como deliberação controlada. Também é deste período a elaboração da teoria da dúvida-crença, da qual decorre o desenvolvimento da teoria da investigação.

Neste tópico faremos referência a vários textos entre os quais: 1. (1873) “Logic of 1873” (CP 7.313-326)

2. (1878-79) “Illustrations of Logic of Science”:

 “The Fixation of Belief” - 1877 (CP 5.358-87),

 “How to Make our Ideas Clear” - 1878 (CP 5.388-410),  “The Doctrine of Chances ”- 1878 (CP 2.645-60),  “The Probability of Induction ” - 1878 (CP 2.669-93),  “The Order of Nature ” - 1878 (CP 6.395-427) e

 “Deduction, Induction, and Hypothesis ” - 1878 (CP 2.619-44).

3. (1882) “Introductory Lecture on the Study of Logic or Logic and Scientific Method” (W4:378:82, CP 7.59 –76)

4. (1883) “A Theory of Probable Inference” (CP 2.694-2.754) 5. (1883-84) “Design and Chance” (W4: 544-54)

6. (1885) “On The Algebra of Logic: a Contribution to the Philosophy of Notation” (CP 3.154- 197)

7. (1885) “The Concept of Philosophy” que é a primeira parte da resenha feita para “The Religious Aspect of Philosophy” de Josiah Royce (CP 8.39 –54)

355 Em 1902, Peirce vai afirmar que o método da ciência é social com respeito à solidariedade de seus esforços. O mundo científico é semelhante

8. (1886) “One, Two, Three: Kantian Categories” (W5:292-94) 9. (1887-88) “A Guess at the Riddle” (MS 909, CP 1.354-400).

A idéia geral deste tópico é apresentar alguns pontos referentes à evolução do realismo peirceano, nele inserindo questões sobre a indução. Os principais textos que se referem à indução são analisadosneste tópico da fase Pré-Monist são os seguintes:

1. “The Probability of Induction” CP 2.669-93 2. “The Order of Nature” CP 6.395-427

3. “Deduction, Indução and Hypothesis” CP 2.619-44 4. “A Theory of Probable Inference” CP 2.694-2.754

Iniciaremos nossos comentários com o texto “The Logic of 1873” (CP 7.313-761). Este texto introduz as principais questões que vão ser analisadas em “Illustrations of Logic of Science”, como a teoria dúvida-crença, a concepção de investigação e de método científico.

Peirce inicia “The Logic of 1873” (CP 7.313-761) mostrando algumas distinções entre dúvida e crença356, que merecem ser analisadas dada a importância dessa teoria para o

contexto da investigação e, consequentemente para a indução. Dúvida e crença são dois estados da mente que podem ser distinguidos pela sensação imediata, “quase sempre sabemos sem qualquer experimento quando estamos em dúvida e quando estamos convencidos”, é a mesma diferença entre vermelho e azul, entre prazer e dor (CP 7 313 de 1873).

A crença tem três características:

1. há um certo sentimento com relação a uma proposição; 2. há uma disposição de ficar satisfeito com a proposição; e

3. em conseqüência, há um claro impulso de agir de determinado modo (CP 7 313 de 1873 fn3).

356 Na concepção de crença Peirce foi influenciado pelo psicólogo inglês Alexander Bain (que foi também o biógrafo dos dois Mill, pai e filho) e

Mas existe uma diferença fundamental, de ordem prática, entre dúvida e crença. Quando acreditamos, há uma proposição, de acordo com certas regras, que determina nossas ações. Portanto, se conhecermos a crença na qual acreditamos, o modo como nos conduziremos pode ser dela deduzido. Crença e dúvida podem ser concebidas como distintas somente em grau (CP 7.314 de 1873). A “convicção determina nosso agir de determinado modo”, enquanto que a “pura ignorância inconsciente sozinha”, que é o verdadeiro contrário da crença, não tem nenhum efeito: a dúvida tem efeito diferente da crença, ela nos faz hesitar (CP 7.313 de 1873).357

A “dúvida viva é a vida da investigação”, quando a dúvida cessa, a investigação deve parar (CP 7.314 de 1873). Dessa concepção de investigação, nasce o desejo de se chegar ao acordo de opiniões com respeito a uma conclusão, acordo este que seja independente de todas as limitações individuais, independente de caprichos, de tiranias, de acidentes... uma conclusão à qual chegaria qualquer homem através do mesmo método e por tempo suficiente (CP 7.315 de 1873). O esforço para produzir tal acordo de opiniões é chamado investigação. Mas este acordo de opiniões através da investigação é bem diferente dos outros tipos de acordos. Na investigação não fixamos a resposta para uma questão, ao contrário, começamos com várias opiniões, que vamos mudando até que possamos estabelecer alguma conclusão, que dependa unicamente da própria natureza da investigação. O esforço para produzir tal acordo de opiniões é a investigação e a lógica é a ciência que ensina se tais esforços são corretamente direcionados ou não (CP 7.316 de 1873).

Neste contexto, Peirce apresenta vários métodos para fixação das crenças, mas é o método racional358, que vai dar mais consistência a nossas observações, interpretando-as num

pensamento futuro. Tal método caracteriza-se por possibilitar correções e mudanças em nossas opiniões, a partir da própria investigação. Segundo Peirce, se deixarmos duas mentes conduzirem independentemente uma investigação, levando suficientemente adiante este processo de investigação, elas chegarão a um acordo tal que nenhuma investigação futura poderá perturbar (CP 7.319 de 1873).

357 Posteriormente Peirce vai reconhecer três modos através dos quais surgem as dúvidas: 1). por meio de experimentação imaginária (aspecto

que foi se tornando cada vez mais importante na sua concepção do papel da dúvida na investigação, em 1893 Peirce afirma que “toda dúvida é hesitação simulada sobre um estado de coisas fictício” CP 5.373 ) 2). quando dois hábitos de ação entram em conflito e, ou 3).quando tropeçamos em fatos brutos, fatos externos e inesperados.

Chegar a um estado de crença estável, que permaneça a longo prazo é o objetivo da investigação359. Mas isto só é verdadeiro para investigações que forem levadas a cabo em

concordância com regras apropriadas, são estas regras que vão possibilitar uma distinção entre boa e má investigação (CP 7.322 de 1873). Portanto, devemos encontrar regras para conduzir bem a investigação. Esta é uma tarefa para a lógica como doutrina da verdade, sua natureza e a maneira pela qual deve ser descoberta (CP 7.321 de 1873), é a lógica que descobre as regras para se conduzir a investigação com sucesso.

Para Peirce, é perda de tempo dizer a um homem para duvidar de suas crenças familiares, a não ser que se diga a ele algo que realmente o faça duvidar. Também é falso dizer que o raciocínio deve se apoiar em primeiros princípios ou fatos últimos, porque não nos mobilizamos atrás do que somos incapazes de duvidar (CP 7.322 de 1873). A verdadeira investigação começa com a dúvida genuína e termina quando esta dúvida cessa, as premissas do raciocínio são fatos inquestionáveis. A única justificativa para o raciocínio é que ele resolve as dúvidas e quando a dúvida cessa, não importa como, o fim do raciocínio é obtido (CP 7.324 de 1873). Quando a crença é fixada (não importa como), a dúvida deixa de existir, então qualquer fixação da crença, se for “completa e perfeita”, é inteiramente satisfatória e nada poderia ser melhor (CP 7.325 de 1873). Assim, o fundamento racional para se dar preferência a um método se refere à sua força para fixar crenças e este método é o método racional. A tarefa do lógico é estudar este método e descobrir as regras para conduzi-lo com sucesso (CP 7.326 de 1873).

Toda investigação pressupõe a passagem de um estado de dúvida para um estado de crença, há, portanto, uma sucessão de tempo nas mentes que estão aptas a inquirir (CP 7.326 de 1873). Pelo método racional, certa crença predestinada (mas não pré-conhecida) é seguramente o resultado do processo, não importando qual tenha sido a opinião da qual partiu o pesquisador. Segue-se que, durante o processo de investigação, elementos de pensamento vêm à mente. Estes elementos, que não estavam presentes no momento em que a investigação começou, Peirce os denomina sensações (CP 7.325 de 1873). Toda mente capaz de investigar tem que ser capaz de sensações, daqui resulta a distinção entre boa e má

359 A esse respeito ver C. Misak (1991), Truth and the End of Inquiry: a Peircean Account of Truth. New York: At The Clarendon Press, pp.47-48 e

investigação, porque se todos os elementos fossem do tipo sensação, o processo seria involuntário. Deve haver determinados pensamentos que são produzidos por pensamentos prévios e, a faculdade de produzir determinados pensamentos a partir de outros deve ser própria da mente que investiga para a qual esta sucessão de idéias no tempo é essencial (CP 7.325 de 1873).

Sendo o único propósito da investigação o acordo de opiniões, então todo aquele que investiga pelo método racional, por tempo suficiente, não importa qual seja a opinião de onde ele parta, assume-se que ele vai terminar com uma crença predestinada, embora neste processo apareçam idéias totalmente novas e novos elementos de crença que lá não lá estavam. Alguns pensamentos são produzidos por pensamentos prévios de acordo com leis regulares de associação, de tal forma que se pensamentos prévios fossem conhecidos e as regras de associação dadas, o pensamento que produzido poderia ser predito, esta é a operação elaborativa de pensamento, que Peirce chama de pensamento por excelência (CP 7.327 de 1873).

No processo de investigação juntam-se ao pensamento as sensações e as observações. Peirce explica sensação como uma idéia nova vem à mente e não tem relação com quaisquer anteriores e, que foi causada por algo fora da mente. Peirce denomina observações àquelas partes da investigação que tratam de suprir material para o pensamento trabalhar, combinar e analisar (CP 7.328 de 1873). Mas observação sozinha não constitui investigação, porque a parte ativa do método consistiria só do desejo de observar e não haveria distinção entre o método certo e errado de investigação. Além disso, as observações podem ser as mais variadas e nunca são exatamente repetidas ou reproduzidas, não podendo constituir aquela opinião estabelecida à qual a investigação leva (CP 7.531 de 1873). Pode haver divergências, mas quando se usa o método correto, as disputas acabarão. Além da observação, deve haver também um processo elaborativo de pensamento, no qual idéias dadas pela observação produzem outras idéias na mente. No entanto, com relação à conclusão final, quaisquer que sejam as circunstâncias sob as quais foram feitas as observações, elas inevitavelmente nos levarão à opinião última, mas esta questão só fica clara quando adotamos a concepção de realidade externa.

De fato, se distinguirmos cuidadosamente aquilo que nos é dado primeiramente pela sensação, da conclusão que imediatamente tiramos a partir dela, não é difícil

perceber que diferentes observações não são em si mesmas semelhantes; pois no que consiste a semelhança entre duas observações? O que significa dizer que dois pensamentos são parecidos? Só pode significar que qualquer mente que os compare, declarará que são semelhantes. Mas esta comparação seria decorrente de um ato de pensamento não incluído nas duas observações propriamente ditas; pois as duas observações, ao existirem em momentos diferentes, talvez em mentes diferentes, não podem ser confrontadas e comparadas diretamente, mas somente com o auxílio da memória ou de algum outro processo que produza um pensamento a partir de pensamentos anteriores, e que, portanto, não é observação. Logo, uma vez que a semelhança desses pensamentos consiste inteiramente no resultado de comparação, e comparação não é observação, conclui-se que observações não são semelhantes a menos que haja algum processo mental além da observação.360

Peirce explica que o acordo de opiniões “não é uma cognição particular, em tal e tal mente, num tempo tal e tal”, embora uma opinião individual possa coincidir com o acordo de opiniões, é “inteiramente independente do que você, eu ou qualquer número de homens possa pensar a respeito e, portanto, satisfaz diretamente a definição de realidade” (CP 7.336 fn de 1873). Estamos “fadados à conclusão final”, quaisquer que sejam as circunstâncias sob as quais as observações foram feitas e sob quais foram modificadas, elas vão nos conduzir, no final, a esta crença (CP 7.334 de 1873) e o estranhamento causado por estas afirmações desaparece quando adotamos a concepção de realidades externas. Dizemos que as observações são o resultado da ação de coisas externas sobre a mente e sua diversidade é devido à diversidade de nossas relações com estas coisas, e é o processo de raciocínio que serve para separar de muitas diferentes observações aquilo que é elemento constante. Apesar da variedade das idéias resultantes das observações, elas irão funcionar como premissas de uma conclusão e o processo elaborativo é que vai dar unidade a essas idéias. É a hipótese que remove o estranhamento dos fatos colocando-os numa forma ou num aspecto sob o qual eles se assemelham a outros que nos são familiares (CP 7.335 de 1873).

É por este motivo que parece estranho afirmar que a conclusão final da investigação é predeterminada e é por isso que é satisfatório para a mente encontrar uma hipótese que atribua uma causa anterior à crença final que seja responsável por sua produção, e pela veracidade incontestável desta concepção de realidades externas. Mesmo os idealistas, se suas doutrinas são corretamente compreendidas, em geral não negam a existência das coisas reais. Mas, embora a concepção não envolva

360 CP 7.332 de 1873. Tradução nossa, a passgem completa e original é a seguinte: “Indeed, if we carefully distinguish that which is first given by

sensation, from the conclusion which we immediately draw from it, it is not difficult to see that different observations are not in themselves even so much as alike; for what does the resemblance between the two observations consist in? What does it mean to say that two thoughts are alike? It can only mean that any mind that should compare them together, would pronounce them to be alike. But that comparison would be an act of thought not included in the two observations severally; for the two observations existing at different times, perhaps in different minds, cannot be brought together to be compared directly in themselves, but only by the aid of the memory, or some other process which makes a thought out of previous thoughts, and which is, therefore, not observation. Since, therefore, the likeness of these thoughts consists entirely in the result of comparison, and comparison is not observation, it follows that observations are not alike except so far as there is a possibility of some mental process besides observation.”

erro e seja conveniente para certos propósitos, isto não quer dizer que ela forneça o ponto de vista a partir do qual é adequado examinar a questão a fim de compreender sua verdadeira filosofia. Ela retira a estranheza de um determinado fato, assimilando-o a outros fatos familiares; mas, não tem este fato, que a investigação conduz a uma conclusão definida, um caráter na verdade tão distinto dos eventos comuns do mundo ao qual aplicamos a concepção de causação, de forma que tal assimilação ou classificação realmente o coloca sob uma luz que, embora não totalmente falsa, não logra, contudo dar a devida ênfase à peculiaridade real de sua natureza? Que a observação e o raciocínio produzem uma crença estabelecida que nós chamamos de verdade parece um princípio a ser situado na base de todas as verdades especiais que são apenas crenças particulares às quais a observação e o raciocínio em tais casos conduzem. E é pouco desejável fundi-la com o resto por meio de uma analogia que não serve a nenhum outro fim.361

Peirce coloca a seguinte questão: se correspondendo a nossos pensamentos, sensações e representadas em algum sentido por eles, haveria realidades, que não só são independentes do meu, do seu pensamento e do pensamento de qualquer um, mas, seriam independentes do pensamento em geral? E a resposta é a seguinte: “A opinião objetiva final é independente do pensamento de qualquer homem em particular, mas não é independente do pensamento em geral, o que eqüivale a dizer que, se não houvesse pensamento não haveria opinião e, portanto, nenhuma opinião final” (CP 7.336 de 1873).

Tudo aquilo que experienciamos diretamente são nossos pensamentos, aquilo que passa através de nossas mentes e isto só no momento em que está se dando o pensamento. Pensamentos determinam e causam outros pensamentos e, uma cadeia de raciocínio ou de associações é produzida, mas o princípio e o fim dessa cadeia não são percebidos distintamente, Peirce a denomina “corrente de pensamentos que flui” (CP 7.337 de 1873), fazendo uma reunião entre a “coisa externa” e o objeto real da opinião última. Mas segundo Peirce esta questão tem sido tratada de um ponto de vista oposto, nominalista, a atenção dada particularmente para a origem do pensamento: todos os outros pensamentos são em ultima instância derivados de sensações, e todas as conclusões do raciocínio são válidas somente se forem verdadeiras para as sensações. Mas sendo o real aquilo que causa as sensações, é a

361CP 7.335 de 1873. Tradução nossa, a passagem completa e original é a seguinte: “This is why it seems strange to assert that the final

conclusion of the investigation is predestined and why it is satisfactory to the mind to find a hypothesis which shall assign a cause preceding the final belief which would account for the production of it, and of the truth of this conception of external realities there can be no doubt. Even the idealists, if their doctrines are rightly understood have not usually denied the existence of real external things. But though the conception involves no error and is convenient for certain purposes, it does not follow that it affords the point of view from which it is proper to look at the matter in order to understand its true philosophy. It removes the strangeness of a certain fact by assimilating it to other familiar facts; but is not

Benzer Belgeler